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PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO GRANDE DO SUL Faculdade de Engenharia

Prof. Eder Felipetto

AULA 01 – Polímeros

1.1. Definição de Polímeros

A palavra polímero vem do grego poli (muitas) + mero (partes), e é exatamente isto, a repetição de muitas unidades (poli) de um tipo de composto químico (mero). E polimerização é o nome dado ao processo no qual as várias unidades de repetição

(monômeros) reagem para gerar uma cadeia de polímero.

1.2. Tipos de Polímeros

Existe no mercado uma grande quantidade de tipos de polímeros, derivados de diferentes compostos químicos. Cada polímero é mais indicado para uma ou mais aplicações dependendo de suas propriedades físicas, mecânicas, elétricas, óticas, etc.

Os tipos de polímeros mais consumidos atualmente são os polietilenos, polipropilenos, poliestirenos, poliesters e poliuretanos; que devido a sua grande produção e utilização são chamados de polímeros commodities. Outras classes de polímeros, como os poliacrilatos, policarbonatos e fluorpolímeros tem tido uso crescente. Vários outros polímeros são fabricados em menor escala por terem uma aplicação muito específica ou devido ao seu custo ainda ser alto e por isso são chamados de plásticos de engenharia. A Figura 1.1. mostra os principais tipos de polímeros e os compostos utilizados em sua fabricação.

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Etileno Polietileno EPR - Borracha Etileno-Propileno

Propileno Polipropileno

Benzeno Estireno Poliestireno SBR - Borracha Estireno-Butadieno

Butadieno Polibutadieno Ác.Hidrocianico

Acetona Metilmetacrilato PMMA

Metanol Ác.Acético Acetato de Vinila PVAc

Etileno Cloro Dicloroeteno Cloreto de Vinila PVC

CiclohexanoÁc.Adipico Nylon 6,6

Hexametildiamina Ác.Tereftálico PET

Etileno Etileno Glicol Policarbonatos

Bisfenol A

Resinas Epoxi Figura 1.1. Rotas de produção de vários polímeros.

Uma nova classe de polímeros biológicos (biopolímeros) tem sido o foco de atenção de muitas pesquisas devido a suas aplicações no campo da medicina.

1.3. Aplicações dos Polímeros

As aplicações dos polímeros são as mais diversas, fazendo parte de nosso cotidiano. A Tabela 1.1. mostra vários tipos de polímeros e suas principais aplicações.

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PolímeroAplicações

Tabela 1.1. Polímeros e suas aplicações:

ABS partes automotivas Kevlar roupas anti-chamas

Nylon fibras, roupas, carpetes PHEMA rins artificiais Poliacetato de vinila revestimentos Poli (ácido glicólico) uso medicinal na reconstituição de ossos e cartilagens

Poliacriloamida lentes de contato Policarbonato lentes oftálmicas Policloropreno adesivos, freios, gaxetas Polidimetilsiloxano detetores contra explosivos

Poliester embalagens, filmes, roupas Poliestireno embalagens, utensílios domésticos, isolantes térmicos Polietileno embalagens, filmes, utensílios e peças diversas

Polietileno tereftalato embalagens Polimetil metacrilato tintas, balcões, vitrais Polipropileno embalagens, utensílios, peças diversas, tapetes Polisopreno borrachas

Poliuretano espumas, roupas isolantes PVC tubos e conexões SBR pneus, calçados, adesivos Teflon antiaderente

1.4. Definições gerais para Polímeros a) Monômero

Composto químico cuja polimerização irá gerar uma cadeia de polímero. b) Homopolímero

Macromolécula derivada de um único tipo de monômero.

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PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO GRANDE DO SUL Faculdade de Engenharia c) Copolímero

Macromolécula contendo dois ou mais tipos de monômeros em sua estrutura. d) Termoplástico

Polímero que amolece e pode fluir quando aquecido. Quando resfriado ele endurece e mantém a forma que lhe é imposta. O aquecimento e o resfriamento podem ser repetidos muitas vezes. e) Termofixo

Polímero que não pode ser dissolvido ou aquecido até altas temperaturas de forma a permitir deformação contínua. Os termoplásticos se tornam termofixos através de crosslinks (ramificações). f) Crosslink (ramificações)

Ligações químicas cruzadas entre cadeias de polímeros. Muitas cadeias podem se ligar uma nas outras formando uma rede de polímeros. g) Grau de polimerização (DP)

É o número de unidades monoméricas presentes na molécula do polímero. MW mon = DP × MW pol (1.1)

MW : peso molecular

1.5. Peso Molecular

Como uma cadeia de polímero é formada pela adição de uma grande quantidade de monômeros, durante a polimerização, cadeias com diferentes comprimentos serão formadas, e portanto, uma distribuição de comprimentos de cadeia será obtida.

Conseqüentemente, uma distribuição de pesos moleculares também existirá, não sendo possível obter um valor único e definido para o peso molecular do polímero. Sendo que este deve ser calculado baseado numa média dos pesos moleculares da distribuição (Figura 1.2).

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Figura 1.2. Distribuição de pesos moleculares e representação dos pesos moleculares médios.

As principais medidas do peso molecular médio do polímero são: Mn – Peso Molecular Médio Numérico

(1.2) Mw – Peso Molecular Médio Ponderal

(1.3) ci à peso total das moléculas de comprimento de cadeia i

Mi à peso do polímero de comprimento de cadeia i Além dos pesos moleculares médios, a amplitude da distribuição de pesos moleculares pode ser caracterizada pela polidispersidade do polímero:

As propriedades mecânicas e o comportamento do polímero durante o processamento são altamente dependentes do tamanho médio e da distribuição de comprimentos das cadeias de polímero. Embora a estrutura química do polímero seja igual, pesos moleculares diferentes podem mudar completamente as propriedades do polímero (propriedades físicas, mecânicas, térmicas, 5 reológicas, de processamento e

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PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO GRANDE DO SUL Faculdade de Engenharia outras), e por esta razão, os polímeros são caracterizados principalmente por seu peso molecular. Tanto o peso molecular quanto a distribuição de pesos moleculares são determinadas pelas condições operacionais da reação, sendo que diferentes condições operacionais produzirão polímeros com pesos moleculares médio diferentes. Devido à grande competição industrial, são de extrema importância: a habilidade de poder controlar o peso molecular do polímero durante sua produção; e o entendimento de como o peso molecular influencia nas propriedades finais do polímero.

1.6. Arquitetura Molecular

Além do peso molecular médio, a arquitetura molecular do polímero e sua conformação molecular irão influenciar as propriedades do polímero e, portanto devem ser entendidas. Os polímeros podem ser lineares, ramificados ou em rede.

Polímero Linear

Nos polímeros lineares, cada monômero é ligado somente a outros dois monômeros, existindo a possibilidade de ramificações pequenas que são parte da estrutura do próprio monômero. Exemplos: estireno e polimetilmetacrilato

Polímero Ramificado

Nos polímero ramificados, um monômero pode ser ligar a mais de dois outros monômeros, sendo que as ramificações não são da estrutura do próprio monômero.

Exemplo: poliacetato de vinila e polietileno

Polímero em Rede

Nos polímero em rede (crosslinked), as ramificações do polímero se interconectam formando um polímero com peso molecular infinito. Um polímero é considerado de peso molecular infinito quando seu valor é maior do que o peso molecular que os equipamentos de análise conseguem medir.

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Figura 1.3. Tipos de arquitetura molecular.

1.7. Estado de Conformação Polímero Amorfo

As cadeias do polímero estão em estado desorganizado, arranjadas em espirais randômicas e sem que haja um ponto de derretimento fixo.

Polímero Cristalino

As cadeias do polímero estão em estado ordenado, existindo uma forma definida. Possui um ponto de derretimento definido.

Polímero Semi-Cristalino

Em geral, os polímeros não são nem totalmente amorfos, nem totalmente cristalinos, se apresentando num estado intermediário. Este estado intermediário é definido pelo grau de cristalinidade do polímero.

Quando maior o grau de cristalinidade, maior é a organização das cadeias de polímero. O conhecimento do grau de cristalinidade de um polímero é importante, pois facilita na seleção do material a ser usado em diferentes aplicações.

Fatores que Influenciam no Grau de Cristalinidade do Polímero

· A natureza química da cadeia do polímero é o principal fator que influencia na probabilidade de um polímero exibir uma estrutura cristalina. • Cadeias de baixo peso molecular favorecem uma maior cristalinidade.

• Polímeros capazes de formar ligações intermoleculares distribuídas ao longo da cadeia favorecem um maior grau de cristalinidade.

• Homopolímeros possuem maiores condições de formar uma estrutura mais cristalina do que copolímeros randômicos. Isto porque os copolímeros possuem uma distribuição não uniforme de forças intermoleculares.

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· Polímeros de monômeros contendo grupos laterais grandes ou ramificações tem menor grau de cristalinidade, pois o maior empacotamento das cadeias é inibido.

• Pressão e temperatura podem influenciar na cristalinidade. • Após a moldagem do polímero, a cristalinidade do polímero ainda pode ser modificada através do processo de annealing, no qual através do aquecimento do polímero as cadeias podem se movimentar mais livremente formando estruturas cristalinas (cristalitos) adicionais.

• Em geral, os polímeros não são nem totalmente amorfos, nem totalmente cristalinos.

1.8. Conformação das Cadeias A designação comum para o monômero é dada por:

Dependendo da forma com que a ligação entre os monômeros ocorre, podemos ter três tipos diferentes de conformação de cadeias:

Estereoregularidade

A estereoregularidade ou taticidade do polímero é relacionada à forma com a qual os grupos funcionais R estão dispostos na molécula:

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A estereoregularidade pode ser crítica para controlar a cristalinidade e a transição térmica de alguns polímeros.

Polímeros produzidos por radicais livres geralmente apresentam estruturas atáticas, enquanto que polímeros produzidos por via iônica ou coordenação apresentam estruturas altamente isotáticas ou sindiotáticas. A temperatura pode ser muito importante no controle da colocação do monômero na cadeia do polímero, determinando a estereoregularidade do polímero.

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