Informática e Formação de Professores - Volume 1

Informática e Formação de Professores - Volume 1

(Parte 1 de 5)

Presidente da República Federativa do Brasil Fernando Henrique Cardoso

Ministro da Educação Paulo Renato Souza

Secretário de Educação a Distância Pedro Paulo Poppovic

Diretor do Departamento de Informática na Educação Cláudio Francisco Souza de Salles

Secretaria de Educação a Distância / MEC

Coordenador editorial Cícero Silva Júnior

Ministério da Educação

Prolnfo INFORMÁTICA

PROFESSORES volume 1

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)

Prolnfo: Informática e formação de professores I Secretaria de Educação a Distância. Brasília: Ministério da Educação, Seed. 2000. 192 p. - (Série de

1. Ensino a distância. I. Brasil. Ministério da Educação. Secretaria de Educação a

Distância. I. Série. CDU 37.018.43

Edição ESTAÇÃO DAS MÍDIAS

Edição de texto Maria Izabel Simões Gonçalves

Editoração eletrônica e produção gráfica

Casa Paulistana de Comunicação Projeto gráfico

Rabiscos

Ilustração da capa Sandra Kaffka

Revisão Ana Cristina Garcia

Fotolitos Engenho & Arte

Impressão Editora Parma Ltda.

Tiragem: 180 mil exemplares ISSN 1516-2079

SECRETARIA DE EDUCAÇÃO A piSTÂNCIA

Esplanada dos Ministérios, Bloco L, 1 andar, sala 100

Caixa Postal 9659 - CEP 70001-970 - Brasília, DF fax: (0_ .61)410.9178 e-mail: seed@seed.mec.gov.br site: w.mec.gov.br/seed

A tarefa de transformar nosso complexo sistema educacional exige múltiplas ações. As mais importantes são as capazes de provocar impacto significativo na qualidade da formação e da prática do professor. É isso que o MEC tem buscado ao formular políticas para a Educação. É esse o objetivo da Secretaria de Educação a Distância - Seed, no seu incessante empenho de melhorar a formação continuada do professor. Para isso contribuem seus principais programas: a TV Escola, o Proformação e o Programa Nacional de Informática na Educação - Prolnfo, integrado, a partir de agora, à nossa Série de Estudos.

Desenvolvido em parceria com governos estaduais e municipais, o Prolnfo é um marco na democratização do acesso às modernas tecnologias de informática e telecomunicações - a telemática. Já distribuiu, em sua primeira fase de implantação, 30.253 microcomputadores a 2.276 escolas e 223 Núcleos de Tecnologia Educacional - NTEs que, além de pontos de suporte técnico-pedagógico, são centros de excelência em capacitação. Esses núcleos já formaram 1.419 professores multiplicadores e 20.557 professores, em todo o Brasil.

Com a publicação, em dois volumes, de Informática e formação de professores, a Seed oferece, a professores, multiplicadores e educadores em geral, algumas referências teóricas e práticas que possam facilitar a apropriação das novas tecnologias e seu uso como instrumento de transformação do sistema educacional.

Secretaria de Educação a Distância

INTRODUÇÃO1
e implicações educacionais12
INFORMÁTICA NA EDUCAÇÃO19
Proposta para uma teoria19
Duas grandes linhas para a Informática na Educação23
Abordagem instrucionista versus abordagem construcionista38
O ciclo descrição-execução-reflexão-depuraçào40
AS BASES DA PROPOSTA DE PAPERT49
Dewey: o método por descoberta49
Paulo Freire: a educação progressista e emancipadora53
Jean Piaget: a epistemologia genética58
Vigotsky: a zona proximal de desenvolvimento6
Uma rede de teorias71

VOLUME 1 Tecnologia, desenvolvimento do pensamento

INFORMÁTICA NA EDUCAÇÃO7
O professor no ambiente informatizado construcionista7
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS87

VOLUME 2

PEDAGÓGICO DO COMPUTADOR1 07
O conceito de reflexão115
COMPUTADORES E MUDANÇAS NAS INSTITUIÇÕES EDUCACIONAIS121
Projetos inovadores122

A FORMAÇÃO DO PROFESSOR PARA 0 USO O currículo ............................................................................................ 124

Formação no locus escolar127
Formação no âmbito das universidades134
especialização em Informática na Educação137
O Projeto Formar139
Educação da PUC-RS145
da Universidade Católica de Petrópolis150
Interativas Aplicadas à Educação da PUC-SP154
Ambientes Informáticos de Aprendizagem da UFRGS160
Contribuição para novos cursos163
FORMAÇÃO REFLEXIVA DE PROFESSORES167
Diretrizes do processo de formação168
Considerações finais178
UM OLHAR PARA O FUTURO183

EXPERIÊNCIAS EM FORMAÇÃO DE PROFESSORES.................................... 127 Um olhar sobre os cursos de Curso de Especialização em Informática na Pós-graduação em Informática Aplicada à Educação Curso de Especialização em Tecnologias Curso de Especialização a Distância em Psicologia do Desenvolvimento Cognitivo Aplicada a REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.......................................................... 185

Maria Elizabeth Bianconcini de Almeida

Professora da Faculdade de Educação da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo

Mestre e doutoranda no Programa de Pós-graduação em Educação: Currículo, PUC-SP

Pensar na formação do professor para exercitar uma adequada pedagogia dos meios, uma pedagogia para a modernidade, é pensar no amanhã, numa perspectiva moderna e própria de desenvolvimento, numa educação capaz de manejar e de produzir conhecimento, fator principal das mudanças que se impõem nesta antevéspera do Século 21. E desta forma seremos contemporâneos do futuro, construtores da ciência e participantes da reconstrução do mundo. M. C. Moraes, 1993

N o decorrer de minha vida profissional como educadora em diferentes níveis e modalidades de ensino, a questão do papel e da posição do professor sempre esteve presente em minhas reflexões. E acentuou-se ainda mais quando integrei à minha prática a utilização do computador. Novas questões vieram somar-se às minhas preocupações quando participei de cursos de formação de professores para uso pedagógico do computador. A minha participação em tais atividades de formação fez com que eu me conscientizasse de que a adequada preparação do professor é o componente fundamental para o uso do computador em educação, segundo uma perspectiva crítico-reflexiva.

No volume 2, este trabalho apresenta uma análise das atividades de formação de professores desenvolvidas em

diversas instituições, procurando explicitar seus equívocos, avanços e possíveis contribuições. No final, apresenta as diretrizes de uma teoria norteadora que possa orientar a formação de professores para o uso pedagógico do computador em quaisquer modalidades, quer seja no locus escolar, quer seja no âmbito das universidades.

Tecnologia, desenvolvimento do pensamento e implicações educacionais

As vertiginosas evoluções socioculturais e tecnológicas do mundo atual geram incessantes mudanças nas organizações e no pensamento humano e revelam um novo universo no cotidiano das pessoas. Isso exige independência, criatividade e autocrítica na obtenção e na seleção de informações, assim como na construção do conhecimento.

Por meio da manipulação não linear de informações, do estabelecimento de conexões entre elas, do uso de redes de comunicação e dos recursos multimídia, o emprego da tecnologia computacional promove a aquisição do conhecimento, o desenvolvimento de diferentes modos de representação e de compreensão do pensamento.

Os computadores possibilitam representar e testar ideias ou hipóteses, que levam à criação de um mundo abstrato e simbólico, ao mesmo tempo que introduzem diferentes formas de atuação e de interação entre as pessoas. Essas novas relações, além de envolverem a racionalidade técnico-operatória e lógico-formal, ampliam a compreensão sobre aspectos sócio-afetivos e tornam evidentes fatores pedagógicos, psicológicos, sociológicos e epistemológicos.

O clima de euforia em relação à utilização de tecnologias em todos os ramos da atividade humana coincide com um momento de questionamento e de reconhecimento da inconsistência do sistema educacional. Embora a tecnologia

informática não seja autónoma para provocar transformações, o uso de computadores em educação coloca novas questões ao sistema e explicita inúmeras inconsistências.

Anteriormente, outras tecnologias foram introduzidas na educação. A primeira revolução tecnológica no aprendizado foi provocada por Comenius (1592-1670), quando transformou o livro impresso em ferramenta de ensino e de aprendizagem, com a invenção da cartilha e do livro-texto. Sua ideia era utilizar esses instrumentos para viabilizar um novo currículo, voltado para a universalização do ensino. Hoje, apesar de se supor que atingimos um ensino universalizado quanto ao acesso, o mesmo não se pode afirmar quanto à democratização do conhecimento.

Paulo Freire, quando questionado a esse respeito em uma conferência realizada na Universidade Federal de Alagoas - UFAL (Maceió, 1990), muito apropriadamente acentuou a necessidade de sermos homens e mulheres de nosso tempo que empregam todos os recursos disponíveis para dar o grande salto que nossa educação exige. Assim, ao mesmo tempo que nos preocupamos em inserir as novas tecnologias nos espaços educacionais, deparamo-nos com carências básicas, como o considerável percentual da população brasileira cujas crianças frequentam escolas públicas - quando podem frequentar - e que não possuem condições mínimas favoráveis ao desenvolvimento da aprendizagem.

Nesse sentido, Dowbor (1994:122) acrescenta que, "frente à existência paralela deste atraso e da modernização, é que temos que trabalhar em 'dois tempos', fazendo o melhor possível no universo preterido que constitui a nossa educação, mas criando rapidamente as condições para uma utilização 'nossa' dos novos potenciais que surgem".

(Parte 1 de 5)

Comentários