Doenças respiratórias crônica

Doenças respiratórias crônica

(Parte 2 de 13)

Estudo de caso-controle

IV Estudo com desfecho clínico, mas com maior potencial de viés (tal como experimento não comparado e demais estudos observacionais)

VFórum representativo ou opinião de especialista, sem evidência dos níveis supracitados NOTA:

1. Para ser considerado nível I, o estudo deve preencher critérios de rigor metodológico, como ser aleatorizado, duplo-cego, alocação sigilosa.

A seguir o quadro utilizado para descrever a segurança de uso de medicações na gestação de acordo com o Food and Drug Administration (FDA).

Quadro 1.2. Drogas na gravidez. Classificação do Food and Drug Administration. CATEGORIA INTERPRETAÇÃO

AEstudos controlados mostram risco ausente Estudos bem controlados, adequados, em mulheres grávidas, não demonstram risco para o feto

BNenhuma evidência de risco em humanos Achados em animais mostraram risco, mas em humanos não; se estudos humanos adequados não foram feitos, os achados em animais foram negativos

C risco não pode ser excluído

Não existem estudos positivos em humanos e em animais para risco fetal ou inexistem estudos. Contudo, os benefícios potenciais justificam o risco potencial

DEvidência positiva de risco Dados de investigação ou após liberação no mercado mostram risco para o feto

Mesmo assim, os benefícios potenciais podem sobrepujar o risco

X contraindicado na gravidez

Estudos em animais e humanos, ou relatos de investigação ou após liberação no mercado, mostra ram risco fetal que claramente é maior que os benefícios potenciais

SINAIS E SINTOMAS RESPIRATÓRIOS SiNAiS E SiNTomAS rESPirATórioS

Como identificar um paciente com sintomas respiratórios crônicos?

A definição clássica de sintomático respiratório é o indivíduo que apresenta tosse, associada ou não a outra alteração respiratória, por algumas semanas. Esse conceito se aplica tanto a adolescentes quanto a adultos. Recomenda-se a realização de baciloscopia direta do escarro para confirmar ou excluir tuberculose pulmonar nas pessoas que tossem por mais de três semanas, se não têm justificativa clara para o sintoma.

Nas crianças, para as quais não há consenso sobre a definição de sintomático respiratório, a presença de tosse por três meses e/ou sibilância (uma semana/mês) e/ou com radiografia de tórax com alteração persistente é sugestiva de doença respiratória crônica.

Tosse

A presença de tosse é indicativa da existência de alguma doença e, portanto, sua etiologia deve ser pesquisada.

Define-se como tosse persistente a presença desse sintoma por, pelo menos, três semanas. Suas principais causas são rinossinusopatias (rinite e rinossinusite), asma e refluxo gastroesofágico.

A tosse pode ser classificada em aguda até três semanas de duração; subaguda de três a oito semanas; e crônica se superior a oito semanas. Pode ser ainda seca ou produtiva. Nos pacientes que não expectoraram voluntariamente, por vergonha ou incapacidade (caso das crianças menores de 6-8 anos e mulheres), deve-se solicitar que tussam voluntariamente para que se reconheça o caráter seco ou produtivo.

Diante de paciente com tosse crônica, a anamnese e o exame físico podem auxiliar na formulação do diagnóstico diferencial. Na população pediátrica, a etiologia varia com a faixa etária. Por exemplo, entre os lactentes, predominam as infecções, anomalias congênitas e fibrose cística; nos pré-escolares, as infecções, asma, rinossinusite, corpo estranho e tabagismo passivo; entre escolares e adolescentes, a rinossinusite, asma, processos infecciosos e tosse irritativa secundária ao tabagismo (ativo ou passivo) e poluição ambiental.

Em pessoas acima de 40 anos, a tosse pode estar associada a DPOC ou carcinoma brônquico. Indagar sobre antecedentes atópicos, tabagismo ativo ou passivo, exposição ocupacional. Quando de caráter progressivamente mais intenso e persistente, pode sugerir carcinoma brônquico. Tosse durante exercícios físicos, sobretudo se acompanhada por dispneia, pode significar a presença de broncoespasmo induzido pela atividade física.

A história de tosse crônica exige não apenas a investigação dos outros sinais e sintomas respiratórios, como também dos sintomas digestivos, entre eles, a “queimação” retroesternal, que pode sugerir refluxo gastroesofágico.

A tosse psicogênica deve ser considerada somente quando todas as outras causas já foram investigadas e excluídas. Esta predomina durante o dia e quase que desaparece durante o sono noturno.

Quadro 2.1. Principais doenças e condições que provocam tosse crônica.

• Asma • Rinite/rinossinusite

• Doença do refluxo gastroesofágico

• Hiper-reatividade pós-infecção respiratória

• Tuberculose

• Bronquiectasia

• Uso de inibidores da enzima conversora da angiotensina

• Insuficiência cardíaca

• Neoplasia (pulmão, laringe, esôfago)

Expectoração

O escarro eliminado pela boca contém a mistura de secreções provenientes da nasofaringe, orofaringe e pulmões. Qualquer expectoração deve ser considerada como achado clínico anormal, a despeito da benignidade da maioria dos casos.

Dado que o paciente pode não conseguir distinguir escarro de saliva, durante a consulta é recomendável que ele expectore sobre uma folha de papel branco para que se proceda a diferenciação. Ademais, ela se prestará para melhor classificação do escarro e das afecções que a ele se associam.

É preciso observar as características do escarro: volume (escasso, moderado ou abundante), aspecto (mucoso, purulento, sanguíneo ou com estrias de sangue), coloração (esbranquiçado, amarelado, esverdeado) e odor (fétido ou não). A presença de escarro purulento ou mucopurulento e amarelado ou esverdeado está, geralmente, relacionada a quadros infecciosos agudos, subagudos e crônicos.

A expectoração excessiva pela manhã pode estar associada a bronquiectasias, bronquite crônica infectada e abscessos pulmonares.

Hemoptise

Diante de hemoptise, o primeiro passo é distinguir a verdadeira da falsa. Na verdadeira hemoptise, a origem do sangue está nos vasos da parede da traqueia, brônquios ou do tecido pulmonar, enquanto na falsa, o sangramento se localiza nas vias aéreas superiores ou no trato digestivo superior. Diferentemente da falsa, na verdadeira hemoptise o sangue habitualmente tem aspecto vivo e rutilante, é espumoso e está misturado a alguma quantidade de muco. É necessário diferenciar o sangramento das vias aéreas do das vias digestivas baixas (hematêmese), que habitualmente tem coloração mais escura e está associado a outros sintomas digestivos.

A hemoptise pode ser secundária à tuberculose e qualquer das afecções que levam à bronquite, pneumonia e especialmente a bronquiectasias, entre elas as imunodeficiências, sequelas infecciosas prévias e fibrose cística. Pode ocorrer também em doenças que envolvem a circulação pulmonar e brônquica, tais como o tromboembolismo pulmonar, a insuficiência cardíaca e as vasculites.

Sibilância (chiado, chieira, piado)

Geralmente os pacientes ou familiares de crianças têm dificuldade em caracterizar a sibilância com precisão durante a anamnese e a traduzem como “ronqueira” (originárias das vias aéreas superiores), “peito-cheio” (relacionado geralmente à tosse produtiva) e, por isso, é indispensável comprová-la pela ausculta pulmonar. Diferentemente das crepitações, que são ruídos descontínuos, os sibilos são ruídos adventícios contínuos e musicais.

A sibilância é secundária a processos obstrutivos brônquicos, sejam intrínsecos (carcinoma brônquico, corpos estranhos, enfermidades que levam à instalação de secreção-inflamação-edema, como é o caso da asma), sejam compressivos extrínsecos (adenomegalias, tumores etc.).

Como a asma é, por definição, uma doença que cursa com reversibilidade brônquica, é mandatório auscultar o paciente imediatamente antes e cerca de 20 minutos após a administração de broncodilatadores inalatórios. O diagnóstico fica praticamente confirmado se houver melhora da sibilância (e redução da taquidispneia) nesse curto intervalo de tempo. A falta de resposta sugere diagnóstico diferencial, como é o caso de infecções respiratórias, da DPOC, aspiração de corpos estranhos, tumores, malformações cardiovasculares ou digestivas, refluxo gastroesofágico, entre outros.

dor torácica

A causa mais comum de dor torácica em adultos é a nevralgia intercostal ou costocondrite. Se houver história de trauma, indica a possibilidade de fratura de costela. Quando a dor torácica está associada a comprometimento pleural, geralmente é superficial, bem localizada (o paciente aponta o local da dor com o dedo), ventilatóriadependente e sem hiperestesia à palpação no local de origem da sensação dolorosa. Em qualquer uma das causas há menor expansibilidade do tórax no lado comprometido. A tosse é propositalmente inibida por causa da dor.

Pneumonia, infarto pulmonar e pneumotórax devem ser considerados no diagnóstico diferencial. É relativamente infrequente na tuberculose pulmonar nos seus estágios iniciais e sem comprometimento pleural.

(Parte 2 de 13)

Comentários