Cultura do Mamoeiro

Cultura do Mamoeiro

(Parte 1 de 3)

Diego Oliveira Ribeiro Laíze Aparecida Ferreira Vilela

Introdução 5 1. Aspectos gerais da cultura 7 1.1 Origem e domesticação 8 1.2 Classificação e descrição botânica 9 1.3 Biologia reprodutiva 10 1.3.1 Tipos de flores 1 1.3.1.1 Flores masculinas 1 1.3.1.2 Flores femininas 12 1.3.1.3 Flores hermafroditas 13 1.3.1.4 Flor hermafrodita elongata 14 1.3.1.5 Flor hermafrodita carpelóide 14 1.3.1.6 Flor hermafrodita pentândrica 15 1.3.1.7 Flor hermafrodita estéril 15 1.4 Polinização 17 2. Variedades Comerciais 18 2.1 Sunrise Solo 19 2.2 Improved Sunrise Solo Line 72/12 20 2.3 Tainung nº. 1 21 2.4 Baixinho de Santa Amália 2 2.5 Golden 23 2.6 Taiwan 24 3. Objetivos do melhoramento 25

3.1 Melhoramento dos caracteres agronômicos 26 3.1.1 Carpeloidia 26 3.1.2 Esterelidade feminina 26 3.1.3 Pentandria 27 3.1.4 Precocidade e porte baixo 27 3.1.5 Peso de fruto 27 3.1.6 Casca lisa e sem mancha 28 3.1.7 Polpa vermelho-alaranjada 28 3.2 Melhoramento para resistência de doenças 29

Conclusão 30 Referências Bibliográficas 31

Figura 1. Mamoeiro masculino evidenciando flores masculinas. 1 Figura 2. Esquema da flor masculina. 1 Figura 3. Flor feminina. 12 Figura 4. Esquema de flor feminina. 12 Figura 5. Esquema de flor hermafrodita. 13 Figura 6. Flor hermafrodita. 13 Figura 7. Fruto originado de flor hermafrodita. 13 Figura 8. Corte transversal de fruto originado de flor hermafrodita. 14 Figura 9. Fruto carpelóide em formação e após formação. 15 Figura 10. Fruto pentândrico em formação e após formação. 15 Figura 1. Flor hermafrodita estéril. 16

Figura 12. Frutos da cultivar Sunrise Solo

Figura 13. Frutos de Sunrise Solo cortados longitudinalmente. 19 Figura 14. Frutos da cultivas Improved Sunrise Solo Line 72/12. 20

Figura 15. Frutos de Tainung nº. 1 cortados longitudinalmente. 21

Figura 16. Frutos da cultivar Tainung nº. 1. 21

Figura 17. Frutos da cultivar Taiwan 2

A fruticultura apresenta inúmeras vantagens econômicas e sociais, como elevação do nível de emprego, fixação do homem no campo, melhor distribuição de renda a nível regional, obtenção de produtos de alto valor comercial e excelentes perspectivas de mercado interno e externo. O mamoeiro (Carica papaya) é uma das frutíferas mais cultivadas e consumidas do mundo, sendo utilizado em dietas alimentares pelo seu valor nutritivo e digestivo.

A produção de mamão ocupa 11° lugar da produção de frutíferas em escala mundial e 18° em área colhida. As Américas tem a maior produção desta frutífera com 5% da produção mundial seguido pela Ásia em 2° lugar com 26,3%. A África é o 3° maior com 19,4% da produção mundial.

O Brasil destaca-se como o País que mais produz mamão em escala internacional, concentrando 29% da oferta mundial, seguido da Índia com 24%, Tailândia com 8,8%, México com 7,4% e Indonésia com 5,9%.

No Brasil o Nordeste é a região que mais produz mamão com 61,27% seguido pelo

Sudeste com 32,06%. Em relação a área colhida, a participação da região Nordestina é de 72,98% com produção média de 34.260 frutos/há, enquanto que o Sudeste contribui com 17,18% da área colhida, com produção média de 76.167 frutos/ha o que evidencia um rendimento médio de 122,32% maior da região Sudeste do que da região Nordeste.

Por ser uma cultura amplamente explorada com fins diversos como para alimentação, esta cultura é amplamente exigente em cuidados fitossanitários, pois apresenta inúmeras pragas e doenças. Embora o Brasil seja o maior produtor toda a área cultivada destina – se à 3 cultivares de 2 grupos(Solo e Formosa) acarretando em um número pequeno de variabilidade genética estando sujeito ainda mais a pragas e doenças, necessitando de programas de melhoramento genético para dar maior sustentabilidade ao produtor com a seleção de variedades superiores resistentes à pragas e doenças com características comerciais favoráveis.

1. ASPECTOS GERAIS DA CULTURA 1. ASPECTOS GERAIS DA CULTURA

1.1 ORIGEM E DOMESTICAÇÃO

A primeira descrição sobre a origem do mamoeiro foi feita na Europa em 1535 pelo cronista G. H. de Oviedo onde afirmava ter visto o crescimento destas plantas entre o Sul do México e o norte da Nicarágua.

Há várias hipóteses sobre a origem do mamoeiro, a mais forte evidência é de que o centro de origem do mamoeiro é no noroeste da América do Sul (vertente dos Andes) localizado na parte alta da bacia Amazônica, onde ocorre a maior diversidade genética. Após o descobrimento das Américas o mamoeiro foi amplamente distribuído pela África e Ásia por navegadores espanhóis e portugueses e depois por comerciantes Árabes.

De acordo com Badillo (1971), citado por Dantas et al. (2002), vários autores permitiram levantar o ano em que o mamoeiro foi introduzido em vários países, tais como, Brasil (1587); Cuba (1540); Índia (1611); Europa (1626); Paraguai (1648) e EUA (1773).

1.2 CLASSIFICAÇÃO E DESCRIÇÃO BOTÂNICA

O mamoeiro cultivado comercialmente pertence à classe Dicotyledoneae, subclasse

Archichlamydeae, ordem Violales, subordem Caricaceae, família Caricaceae e gênero Carica. A pequena família Caricaceae está dividida em cinco gêneros, dos quais quatro são americanos e um africano, com 34 espécies: Carica (21 espécies), Cylicomorpha (2 espécies), Horovitzia (1 espécie), Jacaratia (7 espécies), e Jarilla (3 espécies).

O gênero Carica apresenta número de cromossomos 2n = 18 para a fase diplóide, ou seja número básico de cromossomos haplóides ou genoma n = 9.

A espécie carica papaya é a única espécie com valor comercial caracterizada por apresentar ovário unilocular, ou seja, com um só lóculo, vindo de 1 carpelo. As outras 20 espécies do Carica possuem ovário pentalocular.

O mamoeiro apresenta sistema radicular pivotante, com a raiz principal bem desenvolvida, de coloração esbranquiçada com grande ramificação nos primeiros 30 cm do solo. Pode atingir de 3 a 8 metros de altura com caule cilíndrico, reto,herbáceo, com 10 a 30 cm de diâmetro.

As folhas são alternas( 1 folha em cada nó), grandes com 20 a 60 cm de comprimento e até 70 cm de diâmetro com pecíolos longos verde-pálidos com comprimento que varia de 50 a 70 cm.

O fruto é uma baga, dependendo to tipo de flor pode ter as seguintes formas: arredondado, oblongo, alongado, cilíndrico e piriforme. A casca é fina com coloração que varia de amarelo clara a laranja que protege a polpa com espessura que varia de 2,5 a 5,0 cm. O fruto pode atingir 50cm de comprimento e pesar até 10 Kg. As sementes são pequenas, redondas e rugosas.

O partenocarpismo ocorre principalmente no final da estação de frutificação e pode ser parcial, resultando em frutos com poucas sementes ou total, apresentando frutos totalmente sem sementes, ocasionando em frutos de menor tamanho.

1.3 BIOLOGIA REPRODUTIVA

O mamoeiro possui 3 formas sexuais: l Ginóica – Com plantas femininas; l Andróica – Com plantas masculinas; l Andromonóica – Com plantas que apresentam flores hermafroditas.

De acordo com a sexualidade da planta o mamoeiro se divide em: l Dióicos: Quando as plantas são indivíduos ginóicos ou andróicos. l Ginóico-andromonóicas: As plantas são indivíduos ginóicos e andromonóicos. l Andromonóico-trióicas: As plantas são indivíduos ginóicos, andróicos e andromonóicos.

Na herança do sexo cada tipo de planta de acordo com a sua sexualidade possui controle homogênico com 3 alelomorfos: l Plantas Femininas – o caráter é expresso pelos alelos m; l Plantas Masculinas – o caráter é expresso pelos alelos M1m; l Plantas Hermafroditas – o caráter é expresso pelos alelos M2m.

Alguns cruzamentos são priorizados, pois alguns frutos têm mais valor comercialmente como os frutos hermafroditas. Neste caso deve-se priorizar o cruzamento ou a autopolinização de plantas hermafroditas.

Quadro 1 – Percentagem de plantas masculinas, femininas ou hermafroditas obtidas nos cruzamentos indicados.

Cruzamentos Genótipos Percentagem de plantas esperadas

Masculina

Feminina m Hermafrodita

M2m Hermafrodita x Hermafrodita

(cruzamento ou autopolinização) M2m x M2m 0 3 67

Feminina x Hermafrodita m x M2m 0 50 50 Hermafrodita x Masculina M2m x M1m 3 3 3 Feminina x Masculina m x M1m 50 50 0

1.3.1 TIPOS DE FLORES

1.3.1.1 FLORES MASCULINAS Normalmente plantas masculinas apresentam flores localizadas na parte superior da planta com inflorescência tipo panícula. As flores masculinas são caracterizadas pela ausência de estigma presente, ou com pistilo pouco desenvolvido e rudimentar, não havendo à produção de frutos.

Há casos em que a planta masculina pode produzir flores hermafroditas, com conseqüência produção de frutos em algumas épocas do ano e pode ser chamado de ‘‘mamãode-corda’’, “mamão-macho” ou “mamão-de-cabo”. Esse fenômeno é conhecido como reversão sexual e ocorre em razão de condições climáticas.

Figura 1. Mamoeiro masculino evidenciando flores masculinas.

Figura 2. Esquema da flor masculina. (A) flor fechada; (B) flor aberta; (C) flor em corte longitudinal

Em flores masculinas, o ovário é pouco desenvolvido, rudimentar e, geralmente, estéril impedindo essas plantas de produzir frutos.

1.3.1.2 FLORES FEMININAS Também conhecidas como pistiladas, são grandes, com 2 ou 3 flores inseridas nas axilas foliares que inserem-se diretamente no caule. Os frutos decorrentes são arredondados a ligeiramente ovais, com cavidade interna grande em relação à espessura da polpa. Um pomar com plantas femininas necessita de mamoeiros masculinos - em 10-12% dos indivíduos - uniformemente distribuídos no pomar para assegurar a produção.

Figura 3. Flor feminina

Figura 4. Esquema de flor feminina. (A) flor fechada; (B) flor aberta; (C) flor em corte longitudinal, (a) ovário grande e arredondado e (b) estigma em forma de leque.

(Parte 1 de 3)

Comentários