Artigo: ERGONOMIA INFORMACIONAL: SISTEMA DE SINALIZAÇÃO PARA A FEIRA MUNICIPAL DO JAPIIM LOCALIZADA NA CIDADE DE MANAUS

Artigo: ERGONOMIA INFORMACIONAL: SISTEMA DE SINALIZAÇÃO PARA A FEIRA MUNICIPAL DO...

(Parte 1 de 2)

Kátia Glaísa da Silva Costa

Acadêmica do 4º período de Design – Programação Visual e Projeto de Produto

Universidade Federal do Amazonas – UFAM – katiaglaisa@live.com

Laelia Regina Batista Nogueira

Acadêmica do 4º período de Design – Programação Visual e Projeto de Produto

Universidade Federal do Amazonas – UFAM – laelia_nogueira@hotmail.com

Silas Almeida Santos

Acadêmico do 8º período de Design – Programação Visual e Projeto de Produto

Universidade Federal do Amazonas – UFAM – silas_designer@gmail.com

Palavras-Chave: Ergonomia, Sinalização, Projeto, Feira do Japiim.

Este artigo apresenta o desenvolvimento de uma pesquisa ergonômica na área de sinalização de orientação cujo objetivo é contribuir para a construção futura de uma estrutura de sinalização, hoje existente de forma provisória e inadequada, na Feira Municipal do Japiim, em Manaus.

Key-Words: Ergonomics, Sinalization, Project, Japiim Fair Municipal.

This paper presents the development of ergonomics research in the area of signaling guidance which aims to contribute to the future construction of a structure of signs, which now exists in provisory form and inadequate, the Japiim Fair Municipal, in Manaus, Brazil.

1. INTRODUÇÃO

A Feira Municipal do Japiim, local para o qual foi desenvolvido o projeto de sinalização, é um lugar de compras e alimentação que pertence a Secretaria Municipal de Abastecimento, Mercados e Feiras – SEMAGA e consequentemente a Prefeitura de Manaus. A Feira possui uma extensa área e atente jovens, adultos e idosos.

A Feira caracteriza-se como um espaço bastante utilizado no qual circulam diversas pessoas desde crianças até idosos e sempre possuem diferentes objetivos e rotinas. Avalia-se de grande relevância o desenvolvimento de um projeto de sinalização de forma eficiente, orientando as pessoas sem perda de tempo e incômodos. Nesta conjuntura, o estudo ergonômico é essencial, visto que seu foco é o relacionamento do homem com o ambiente, buscando solucionar possíveis problemas.

2. ESTUDO DA ERGONOMIA FÍSICA

O objetivo da sinalização é facilitar a circulação das pessoas, direcionando-as de forma eficaz pelo ambiente. De forma que esta finalidade fosse alcançada, foi realizado a principio, embasado na análise da planta baixa da Feira, o estudo da circulação do público e a identificação dos pontos críticos de decisão, ou seja, regiões onde o usuário precisa tomar decisões, como, por exemplo, escolher a direção à direita ou à esquerda. Estas são áreas onde é indispensável a instalação de totens de circulação (indicam os sentidos e direções), que irão orientar as pessoas de forma correta e eficiente no local, além de placas de localização (indicam o que funciona naquele determinado local), placas de proibição (expressar impedimento de determinadas ações) e os murais de avisos que possibilitam a comunicação da Feira com o usuário. Na figura 1 é possível observar os pontos críticos de decisão identificados na planta baixa do espaço onde a Feira se encontra.

Figura 1 - Identificação dos pontos críticos localizados na Feira.

Após os pontos críticos serem identificados, foi realizado o estudo do campo visual. O conceito de campo visual está relacionado aos limites em que a percepção do olho humano é otimizada (figura 2). A meta deste estudo no projeto é a demarcação com precisão da melhor posição para as placas, de forma a atender as exigências tanto de adultos quanto de crianças.

Figura 2 - Ângulos de Visão (IIDA, 2005).

A análise do campo visual foi realizada em cada ponto identificado anteriormente como crítico de decisão. Para isso, foram traçadas as linhas ótimas de visão dos usuários oriundos das decisões que levam a cada um destes pontos. Em seguida foi traçado um ângulo de 60º graus (ângulo de cobertura da visão onde não existe necessidade de movimentar a cabeça), com base nestas linhas, e a área identificada como comum entre os campos de visão foi definida como a ideal para a localização de cada placa de circulação. Verifica-se isto na figura 3.

Figura 3 - Estudo do campo visual da Feira 3. ESTUDO DA ERGONOMIA COGNITIVA

Identificados e analisados os pontos que necessitam de placas de circulação, identificação, proibição e mural, o próximo passo foi determinar quais as informações que estariam presentes nestas placas e de que forma seriam dispostas para que fossem percebidas e codificadas pelos usuários. Então foi realizado o estudo da cognição, percepção, semiótica, visibilidade, legibilidade e os estudos dos enunciados.

Segundo as autoras MACHADO, FOGAGNOLO, STOCKHAUSEN, EVERLING (2003), a cognição referese ao processo pelo qual ganhamos conhecimento, sendo o objetivo da Psicologia Cognitiva caracterizar este processo em termos de suas capacidades e limitações.

A consideração do processo cognitivo entrou assim como aspecto a ser considerado no uso de signos e pictogramas, envolvendo ente outros, o estudo da teoria da Gestalt.

A teoria da Gestalt introduz as noções de forma e estrutura, preocupando-se com a organização dos elementos visuais e a percepção do individuo. Os princípios definidos por ela são: figura/fundo, simetria, proxiidade, similaridade, continuidade e fechamento; vistos na figura 4.

Figura 4 - Princípios da Gestalt, (IIDA, 2005)

A consideração destes princípios foi importante para a distribuição dos elementos nas placas, mantendo a uniformidade e contribuindo assim com a rápida codificação da mensagem e a boa condução do público.

4. ESTUDO DAS CORES

O estudo das cores, na hora da projetação é essencial, ao passo que as cores fornecem muitas oportunidades para união e estruturação da informação.

No desenvolvimento da sinalização da Feira do Japiim, as cores foram exploradas de forma a tornar o ambiente mais eficiente, alegre e agradável, tornando os elementos presentes nas placas mais legíveis e atrativos para o público. Optou-se pelo uso de cores próximas às presentes no local, dando unidade ao ambiente. Para os pictogramas (figura 5) foi utilizada apenas a cor preta como padrão para destaque da informação.

Figura 5 - Exemplo de pictogramas

Para a definição da cor utilizada na tipologia considerouse o estudo de visibilidade apresentado por IIDA (2005), que destaca o preto sobre branco como uma das combinações mais legíveis. Optou-se então por essa combinação, além de outros elementos dos subsistemas conterem cores amarelo e azul (cores que caracterizam o local).

5. SEMIÓTICA

Outro estudo abordado para a realização do projeto foi o estudo da semiótica, definida como a ciência dos signos por SANTAELLA (1983) apud MACHADO, FOGAGNOLO, STOCKHAUSEN, EVERLING (2003). Segundo o autor, a Semiótica é uma ferramenta para a análise de produção de linguagens.

Quando o público entra em contato visual com as placas de sinalização, ele realiza um esforço de interpretação e compreensão a respeito do significado dos elementos. A semiótica tem então como meta tentar explicar estes fenômenos de significação e interpretação.

Signo é definido por PEIRCE (1999) apud MACHADO, FOGAGNOLO, STOCKHAUSEN, EVERLING (2003), como aquilo que, sob certo aspecto ou modo, representa algo para alguém. Quando recebido por um observador, o signo cria, na mente deste, um signo equivalente ou mais desenvolvido de acordo com o repertório e experiência desse observador. Esse signo criado na mente do observador é chamado de interpretante. Podese dizer então que o signo é comporto por: um Objeto (que pode ser um fato); um Interpretante (que pode ser a interpretação que alguém venha a fazer do fato); e um Representante, que e o corpo do Signo em si. Desta forma, tudo aquilo que relaciona três elementos pode ser um Signo.

Os signos de acordo com PIERCE (1999) dividem-se em: - Ícones: é um signo que tem semelhança com seu objeto. Ex: fotografia de uma pessoa. - Índices: são signos que indicam algo ou algum processo. Ex.: fumaça. - Símbolos: são signos arbitrários na aparência. Ex.: placa de transito.

No projeto trabalhou-se com as idéias de ícone e símbolo para definir os pictogramas.

6. ESTUDOS DOS PICTOGRAMAS

Os pictogramas são geralmente usados em locais onde se necessita de uma comunicação independente de texto, afirmam as autoras MACHADO, FOGAGNOLO, STOCKHAUSEN, EVERLING (2003). Na sinalização da Feira, optou-se por associar pictogramas a maioria dos enunciados, de modo a facilitar o entendimento das informações pelas por todas as pessoas.

Os pictogramas desenvolvidos para a Feira seguiram as formas presentes na arquitetura do local e das peculiaridades da construção. Eles apresentam assim formas arredondadas e simples.

Os desenhos dos pictogramas estão de acordo também os critérios apresentados por IIDA (1990), como pode se observado na figura 6.

Figura 6 - Critérios ergonômicos aplicados aos pictogramas

7. ESTUDO DA TIPOLOGIA

Segundo MACHADO, FOGAGNOLO, STOCKHAUSEN, EVERLING (2003), a valorização da parte estética muitas vezes ofusca a legibilidade, uma placa linda e que não informa, não tem utilidade. Assim, um projeto de sinalização deve unir estas duas características, integrando-as num sistema construtivo e simples.

A escolha dos tipos é fator importante para determinar a legibilidade das mensagens. Segundo SIMS (1991) apud MACHADO, FOGAGNOLO, STOCKHAUSEN, EVERLING (2003) não existe tipo bom ou ruim, o que o faz bom ou ruim é o seu uso. No entanto, recomenda-se o uso de fontes não serifadas, porque possuem maior legibilidade.

Por esse motivo, elege-se o uso de uma fonte sem serifa, de traços simples e uniformes. As letras também foram utilizadas em minúsculos, pois facilita a leitura pelo contorno.

Figura 7 - Leitura da palvra pelo entorno.

(Parte 1 de 2)

Comentários