Estudo de tempos

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(Parte 1 de 3)

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”Há 15 anos mobilizando recursos para a competência”

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1 HISTÓRICO

No passado não era necessária grande precisão no controle do tempo, e os métodos para medi-lo eram bem diferente dos que conhecemos hoje em dia. Podemos afirmar que as primeiras noções de tempo que a humanidade teve consciência foram à noite e o dia. Esta consciência é a origem do primeiro relógio de que temos notícia, o Relógio Biológico, através dele é que temos controle sobre o sono, a fome e outras necessidades que nos mantém vivos.

Com a evolução do mundo e da humanidade as necessidades foram transformando-se e os métodos de obter o tempo foram aprimorando-se, passando pelo relógio solar, a ampulheta, o relógio mecânico, o relógio digital e o relógio nuclear além de muitos outros que existem no mundo da atualidade.

A partir de determinado ponto o homem notou que o tempo não tinha utilidade apenas para marcar compromissos, mas a partir de estudos era possível prever o tempo de execução de tarefas, determinar recordes nos esportes e muitas outras aplicações. A partir de então nasceu o cronômetro, um relógio desenvolvido para estas finalidades.

1.1 O Estudo de Tempos

O “Estudos de Tempos” teve sua origem na Oficina Mecânica de Midvale Steel Company em 1881 em que Frederick Winslow Taylor foi seu criador. Aos dezoito anos de idade Taylor obteve, em uma indústria mecânica, o lugar de aprendiz de Torneiro e de Ferramenteiro. Em 1878, com 2 anos, em conseqüência da crise econômica daquela época, foi trabalhar na Midvale Steel como simples operário. Sua capacidade de trabalho rapidamente o levou à posições de horista, mensalista, oficial-torneiro, contra-mestre, mestre de seção de usinagem. Com 31 anos ele era engenheiro-chefe de produção.

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Foi como contra-mestre e posteriormente como mestre, que Taylor pela primeira vez encarou questões do tipo “Qual é a melhor maneira de se executar essa tarefa ? e Qual deveria ser a tarefa de trabalho diária de um operário ?”

Taylor esperava de seus homens uma produtividade justa e adequada. Procurou, então, encontrar a maneira correta de se executar cada uma das operações, ensinando aos operários como fazê-las dessa forma, mantendo constantes todas as condições ambientais, de maneira que pudessem executar as tarefas, e ainda, pagou um extra aos operários para que lhe seguissem as instruções que lhes fossem fornecidas. Algum tempo depois, Taylor explicou seus objetivos da forma que se segue:

• Estudo científico de todos os elementos de uma operação em substituição aos métodos empíricos usados até aquela época;

• Escolha do melhor operário para cada tarefa, seu treinamento e seu desenvolvimento substituindo o costume de deixar o operário escolher o seu trabalho e treinar-se de maneira que fosse capaz;

• Desenvolvimento do espírito de cooperação entre a administração e o pessoal, na execução das tarefas existentes, de acordo com os princípios da Ciência;

• Divisão do trabalho em partes iguais entre a administração e os operários, cada departamento encarregando-se do trabalho que lhe coubesse, em lugar da condição vigente, em que quase todo o trabalho e a maior parte das responsabilidades são descarregadas sobre os operários.

Taylor foi responsável pela criação de um Departamento de Planejamento que determinava antecipadamente o trabalho que seria feito na produção, e que as instruções passadas aos setores para realizar as tarefas continham todas as

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Rua Padre Anchieta, 34 / 303 – Canoas – RS 4 informações detalhadas como: as ferramentas necessárias, métodos e matérias primas.

1.2 Os Precursores

O primeiro esboço para determinar o tempo necessário para executar uma tarefa se deve a Adam Smith, curiosamente o pai da economia, e este fato ocorreu por volta de 1850 quando Adam Smith em suas andanças pela Europa com interesses voltados para determinar o verdadeiro valor do trabalho para aplicar em suas teorias econômicas.

Mas os princípios da ciência “Estudo do Trabalho” foram elaborados e criados por Frederick Winslow Taylor, o primeiro expert americano em racionalização e eficiência no trabalho. Após a publicação de suas idéias em um livro intitulado de “The Principles of Scientific Management” ou “O Princípio da Administração Científica” em 1911, sua repercussão foi tão abrangente que ninguém poderia ter previsto.

Até nos dias de hoje, início do novo milênio, pressionados pela frenética busca de competitividade em um mundo globalizado, a idéia taylorista volta a brilhar. Taylor ou o taylorismo foi muito criticado na década de 80 com o aparecimento de diversos modismos em administração. Estas críticas profetizavam ser um sistema desumano ao tentar-se implementar o método mais produtivo. Na realidade, o Estudo do Trabalho e as Técnicas de Tempos & Métodos baseiamse em princípios de ergonomia, fadiga muscular, ritmo de trabalho, etc, preocupando-se com o “conforto” humano no ambiente de trabalho e não apenas com a produtividade pura e simplesmente.

É de suma importância que a fábrica conheça sua capacidade produtiva, tendose como referência à situação ideal (otimizada), mesmo que esta não seja a forma escolhida a ser implementada. “Peter Drucker, um dos mais conceituados administradores da atualidade, considera Taylor o mais importante e mais injustiçado intelectual americano deste século”.

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De fato a descoberta da eficiência no início do século através do cronômetro e prancheta registrando e analisando os tempos e movimentos - baseada nas técnicas tayloristas – foi um dos pilares do poderio americano no século X. Atualmente podemos também estender esta idéia para o sucesso japonês que tem muito mais a ver com Taylor do que com as filosofias modernas da administração participativa, conforme reportagem Taylor Superstar da revista Exame de 24 de setembro de 1997”.

1.3 Estudo de Tempos no Brasil

No Brasil o estudo de Tempos e Movimentos foi trazido por multinacionais na década de 1950, e implantada principalmente no ABC paulista em empresas metalúrgicas e montadoras de automóveis. De forma pioneira, a indústria da confecção e do calçado foi das primeiras a implementar em seu processo esse estudo. Temos exemplos como a São Paulo Alpargatas e as companhias Hering, Sul Fabril e Teka no vale do Itajaí. Indústrias de calçados instaladas no pólo de Franca também se utilizaram dessa ferramenta. Atualmente, a indústria metal-mecânica tem buscado racionalizar seus processos e entender seus custos pelo emprego da cronometragem e cronoanálise.

Apesar de pouco divulgado o estudo de Tempos e Movimentos é uma técnica administrativa muito utilizada principalmente por grandes empresas da região. Com o advento da terceirização, conhecer a capacidade produtiva de maneira sistemática torna-se um grande diferencial competitivo.

Durante a segunda fase do século X, com o advento das células de produção no Volvismo e Toyotismo, onde as metas atribuídas a uma equipe buscam a performance da empresa, os estudos de tempo foram relegados a segundo plano. Todavia, nos primeiros anos do século XXI, as empresas resolveram resgatar essa ferramenta para entender novamente seus tempos produtivos e, por conseqüência, obter maior credibilidade em seus custos e programações de produção.

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Poucas empresas no Brasil utilizam Tempos & Métodos e a falta de compreensão sobre esta atividade é tão grande que chegam a transformar o setor em segmento de outras atividades. Não existem faculdades no Brasil que formam tais técnicos, mas sim raras empresas que investem vários anos para treinar e formar um bom técnico.

Existe uma forte tendência por parte das empresas, de contratarem profissionais de nível superior para o exercício de Tempos & Métodos, em vez de concentrarem esforços para possuir um “setor de Tempos & Métodos” de alto nível, ou até terceirizar esta atividade de maneira que a atividade seja tratada de maneira profissional e eficaz.

Justamente a grande necessidade de determinar correta e rapidamente a capacidade produtiva ideal ironicamente acabada desviando o profissional contratado para este fim que são direcionados para outras atividades prioritárias, e o Estudo do Trabalho acaba não acontecendo no Brasil.

O Estudo do Trabalho exige muita análise, muitas cronometragens de micromovimentos de todas as operações do processo estudado, além da demora nos cálculos e deduções que este emaranhado de números e tabelas proporcionam.

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2 A FADIGA COMO FONTE DE ESTUDO

Padrões

Um dos principais objetivos do estudo de tempos e movimentos é reduzir a fadiga e tornar o trabalho tão fácil e satisfatório quanto possível. Outrora, esse fator foi pouco considerado nos estudos de tempos e tornou os sindicatos de trabalhadores adversos na aceitação dos tempos estipulados pelos estudiosos da ciência de mensuração de tempos de produção. Por isso, cabe agora retomar esse estudo e considerá-lo essencial na definição dos Tempos

O termo Fadiga tem vários significados, dependendo do ponto de vista adotado quando se discute o assunto. Na indústria a Fadiga se refere a três fenômenos relacionados:

1) Sensação de Cansaço – Normalmente associada a longos períodos de trabalho, é um conceito subjetivo, portanto não pode ser determinada por um observador. Uma pessoa pode se sentir cansada e, mesmo assim estar trabalhando como de costume, ou então pode sentir-se normal e em realidade, estar trabalhando com uma baixa produtividade.

2) Mudanças fisiológicas no corpo – O corpo humano pode ser considerado uma máquina que consome combustível e produz energia útil, os mecanismos envolvidos nas mudanças fisiológicas são: O aparelho Circulatório, Digestivo, Respiratório, o Sistema Nervoso e os Músculos.

3) Diminuição da capacidade de executar tarefas – Apesar do colaborador estar devidamente treinado para realizar determinada tarefa, torna-se incapaz de executá-la devido á vários fatores como: Mudanças fisiológicas provocadas pelo trabalho, Efeito do ambiente no colaborador, Condições desfavoráveis para executar o trabalho, Horas excessivas de trabalho, Excesso de ruído e vibração, temperatura, ventilação e iluminação deficientes e outros.

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3 DEFINIÇÕES

A cronometragem, como qualquer outra técnica ou ciência, possui uma terminologia especial. Assim, antes de prosseguirmos, convém definir alguns dos termos especiais empregados na cronometragem:

Elemento É uma subdivisão de um ciclo de trabalho composta de uma seqüência de um ou de vários movimentos fundamentais. Geralmente verificamos numa operação, três elementos principais: Ex.: 1º movimento de início, 2º elemento máquina, 3º movimento de fim.

Elemento constante É um elemento para o qual o tempo cronometrado é sempre o mesmo, independentemente das características da peça na qual é realizado, tanto quanto o método e as condições de trabalho.

Elemento Variável É um elemento para o qual o tempo cronometrado é variável, embora o método e as condições de trabalho permaneçam as mesmas.

Elemento Cíclico É o elemento que se repete, cada vez que a operação é realizada, isto é, cada vez que uma peça ou uma unidade é produzida.

Elemento não cíclico É um elemento que não ocorre em cada ciclo. Uma parte necessária da operação. Pode, entretanto ser realizado a cada cinco, dez ou mais peças, ou em intervalos regulares.

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