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Apostila de patologia clínica

Adriane Pimenta da Costa Val Bicalho Rubens Antônio Carneiro

Índice Fundamentos de hematologia

Composição do sangue Volume sangüíneo Sistema hematopoiético/lítico Hematopoiese Eritropoiese Exigências Nutricionais da Hematopoiese Eritropoiese ineficaz Eritropoiese anormal Anticoagulantes Colheita de sangue Colheita de material e exame da medula óssea Bibliografia Literatura Recomendada

Estudo do eritron

Introdução Eritrograma Contagem total de eritrócitos Dosagem total de hemoglobina Hematócrito (Hc) ou volume globular (VG) Índices hematimétricos ou valores globulares médios

Bibliografia Literatura recomendada

Avaliação das anemias

Introdução Sintomatologia clínica Colheirta Classificação das anemias Hemoparasitas Intensidade da anemia Bibliografia e leitura recomendada

Avaliação das policitemias

Introdução Sintomatologia Clínica Classificação das policitemias Avaliação laboratorial Bibliografia e leitura recomendada

Os leucóticos

Leucopoiese / compartimentos Características dos leucócitos Formas de atuação dos leucócitos Os leucócitos e a inflamação Referências bibliográficas

Interpretação clínica das alterações no número dos leucócitos Alterações no número de leucócitos na circulação

Respostas leucocitárias nos ruminantes Contagens leucocitárias absolutas e relativas Interpretação do leucograma Referências bibliográficas

Hemostasia

Introdução Sintomatologia clínica Fatores envolvidos Hemostasia primária Hemostasia secundária Fibrinólise Avaliação laboratorial Esquema diagnóstico Anormalidades de hemostasia Nomenclatura internacional dos fatores de coagulação do sangue

Avaliação laboratorial do líquido céfalo raquidiano

Introdução Produção / circulação Funções Colheita Riscos e contra indicações Técnica de colheita Análise laboratorial Bibliografia e literatura recomendada

Aspectos laboratoriais das afecções de pele

Introdução Colheita Artrópodes Helmintos Fungos

Avaliação laboratorial do sistema renal

Sistema renal Formação da urina Concentração e diluição da urina Rim, órgão endócrino Avaliação e interpretação do exame de urina Características da química urinária (Elementos anormais) Bibliografia Literatura recomendada

Avaliação laboratorial das doenças hepáticas

Introdução Anatomia Circulação hepática Sistema biliar e produção de bile Funções hepáticas Causas de doenças hepáticas Sinais clínicos Mecanismo da lesão Avaliação Mecanismo da lesão Testes indicativos de lesões hepatocelulares Testes relacionados com captação, conjugação, e secreção

Testes relacionados com clareamento portal Testes relacionados com a síntese hepática

Exame de fezes

Introdução Colheita Conservação Exame físico Elementos anormais Exame químico Exame microscópico Métodos de pesquisa de parasitas Tabelas

Avaliação laboratorial das efusões corporais

Introdução Diagnóstico das efusões Exame laboratorial dos fluídos corporais

Fundamentos de hematologia

Índice

Composição do sangue Volume sangüíneo Sistema hematopoiético/lítico Hematopoiese Eritropoiese Exigências Nutricionais da Hematopoiese Eritropoiese ineficaz Eritropoiese anormal Anticoagulantes Colheita de sangue Colheita de material e exame da medula óssea Bibliografia Literatura Recomendada

Composição do sangue

O sangue é um tecido formado por três tipos de células: os glóbulos vermelhos, também conhecidos como hemácias ou eritrócitos; os glóbulos brancos ou leucócitos e ainda as plaquetas, que são fragmentos de citoplasma dos megacariócitos e por um meio intercelular, denominado plasma, que por sua vez é composto de 91,5% de água, 7,5% de sólidos orgânicos. Proteínas, tais como albumina, globulinas e o fibrinogênio e demais fatores de coagulação respondem por 7% dos sólidos orgânicos do plasma, os 0,5% restantes são um conjunto de substâncias nitrogenadas, gorduras neutras, colesterol, fosfolipídeos, glicose, enzimas e hormônios. A parte restante compõe-se de sólidos inorgânicos, os minerais como

Na, K, Mg, Cu, e HCO3.

Volume sangüíneo

O sangue é responsável por cerca de 7,5% do peso de um animal. Esse valor mantém-se estável, pela passagem de líquidos intersticiais para o meio vascular e vice e versa. Mas alguns fatores, como a ingestão de líquidos, a produção de água metabólica e perda de água corporal podem determinar variações neste percentual.

Sistema hematopoiético/lítico

Sabemos que as células do sangue possuem natureza temporária, ou seja, apresentam um período de vida curto e limitado. Portanto, para que se mantenha uma quantidade estável destas células na circulação é necessária a existência de um conjunto de órgãos e tecidos chamados de sistema hematopoiético/lítico, que tem a função de produzir e destruir glóbulos do sangue e plaquetas, de modo a manter a população sempre constante.

Medula óssea

É o tecido existente no interior das cavidades ósseas, podendo ser divido em dois meios, o intravascular e o extravascular, sendo que neste último são produzidos os glóbulos brancos, vermelhos e plaquetas.

Sistema monocítico fagocitário (S.M.F.)

É um conjunto de células com poder fagocitário que destrói os eritrócitos velhos ou anormais, desmembra a hemoglobina em globina e bilirrubina livre e armazena o ferro. O S.M.F. encontra-se espalhado por todo o organismo, mas sua maior concentração é nos órgãos linfáticos, principalmente o baço.

Baço e linfonodos

Produzem linfócitos T e B, além de serem os locais de maior concentração do S.M.F. Mantém a sua capacidade hematopoiética embrionária por toda a vida adulta, que pode ser acionada nos casos de anemias regenerativas. O baço é ainda um importante local de reserva de eritrócitos.

Fígado

É o local de reserva de vitamina B12, ácido fólico e ferro, elementos necessários à hematopoiese e à síntese de hemoglobina. É o local predominante de produção de eritropoietina no feto. Nos animais adultos, produz ainda uma pequena quantidade desta glicoproteína, exceto no cão. Também mantém sua capacidade embrionária de hematopoiese.

Mucosa estomacal

Produz ácido clorídrico, que libera o ferro das moléculas complexas e o fator intrínseco, que facilita a absorção da vitamina B12.

Mucosa intestinal

Absorve vitamina B12, folatos e ferro e ainda elimina boa parte da bilirrubina. Rim

Produz eritropoietina e trombopoietina e elimina uma parte da bilirrubina.

Hematopoiese

Pode ser definida como a produção de células do sangue, compreendendo então a eritropoiese, a leucopoiese e a trombocitopoiese. Pode ser dividida em duas fases, a hematopoiese pré-natal e a hematopoiese pós natal.

medular começa aproximadamente na metade da gestação e perdura por toda a vida

Os primeiros indícios da hematopoiese são extra-embrionários. Esta fase se inicia em torno do décimo dia de gestação. São observados, no saco vitelínico, as primeiras ilhas de células eritropoiéticas, juntamente com os primeiros precursores dos leucócitos. Logo a seguir vem a hematopoiese embrionária, que começa no final do primeiro terço de gestação e é composta por três fases. A primeira é hepática, quando a eritropoiese predomina no fígado e a leucopoiese se torna mais evidente. Em seguida vem a fase esplênica/linfática, quando estes acontecimentos têm lugar também no baço e linfonodos. A última fase, que é a

A hematopoiese pós-natal limita-se exclusivamente a medula óssea e pode ser dividida em duas fases: a infantil, que envolve a medula óssea de todos os ossos e a adulta, quando a atividade a hematopoiética se limita aos ossos chatos a às extremidades dos ossos longos. Nesta fase, as demais medulas ósseas são tomadas por tecido adiposo e se tornam amarelas. Porém, em casos de necessidade a medula amarela volta a ser vermelha, ou seja, recupera sua atividade hematopoiética, o que pode ocorrer com os demais órgãos que desempenharam funções a hematopoiéticas na vida pré-natal.

Formação das células do sangue

Atualmente, a teoria mais aceita é que exista na medula óssea uma célula pluripotencial indiferenciada. Ao se dividir, esta célula dá origem a duas células: uma igual a si própria, destinada a manter a população constante e a uma outra célula chamada Unidade Formadora de Colônias (UFC). A UFC pode ser uma UFCe, formadora de linhagem eritrocítica; uma UFCmg, formadora de linhagem megacariocítica ou uma UFCmm, formadora de linhagem mielomonocítica, que por sua vez da origem a duas linhagens, a mielocítica ou granulocítica e a monocítica. A célula tronco provavelmente dá também origem a célula que originará os linfócitos. Após formadas, as UFCs seguem um processo de amadurecimento, com várias divisões, dando origem a um clone de células de seu grupo.

Eritropoiese Fator estimulante

O fator estimulante para a produção de eritrócitos é a eritropoietina. Este hormônio atua sobre a célula tronco da medula óssea, determinando a sua divisão e a produção da UFCe. O amadurecimento da células tronco e precursora ocorrem sob o estímulo de grandes concentrações de eritropoietina. As quatro divisões que ocorrem (de rubroblasto até metarubrócito) são mitóticas, e acontecem paralelamente com a maturação das células. Estes dois processos são caracterizados pelos seguintes eventos: perda dos nucléolos, diminuição do tamanho da célula e do núcleo, aumento na condensação da cromatina nuclear, diminuição da basofilia nuclear e aumento na policromasia, seguida então de normocromasia e síntese de hemoglobina. Ocorre, por fim, perda da capacidade mitótica. Tanto as divisões como a maturação dos eritrócitos ocorrem sob o estímulo de concentrações basais de eritropoietina.

Em situações normais, o nível basal de eritropoietina fornece estímulos necessários para a reposição de eritrócitos perdidos, mantendo a massa normal destas células. Quando há transporte insuficiente de O2 para os tecidos, sensores renais localizados no aparelho justaglomerular dos rins sinalizam para que haja aumento na secreção de eritropoietina. A eritropoietina possui duas origens: é produzida na medula renal tanto na forma de eritropoietina ativa como de pró-eritropoietina, que é ativada por um fator sérico no momento da liberação e nas células de Kupfer, as produzem uma molécula precursora, que é ativada por uma fator renal para produzir eritropoietina ativa. O rim é a única fonte de eritropoietina no cão, ao contrário das outras espécies.

UFCe

Como foi visto anteriormente, a célula tronco se divide em duas, uma igual a si e outra que dará origem à Unidade Formadora de Colônias da linha eritrocítica ou UFCe.

Rubroblasto

É a célula que vem em seguida a UFCe, também chamado de proeritoblasto. É uma célula três vezes maior que o eritrócito maduro, tem núcleo geralmente central, que ocupa quase toda a área da célula e é formado por cromatina de aspecto delicado, onde pode-se ver dois ou até três nucléolos. Apresenta DNA e RNA em atividade, além da síntese proteíca, mas não sintetiza hemoglobina.

Pró-rubrócito

O rubroblasto se divide em duas células chamadas de pró-rubrócito ou eritroblasto. É um pouco menor que o rubroblasto, a cromatina é um pouco mais grosseira e os nucléolos menos evidentes. Nesta fase inicia-se a síntese de hemoglobina, que persiste até a fase de reticulócitos.

Rubrócito basófilo

O pró-rubrócito divide-se em dois rubrócitos basófilos ou eritroblasto basófilo. Nesta fase, o citoplasma já se torna um pouco acidófilo, devido ao acúmulo de hemoglobina já nele produzida. Ocorre diminuição da síntese de ácidos. É uma célula bem menor que a anterior, o núcleo já não apresenta nucléolos e a cromatina é bem mais compacta.

Rubrócito policromático

O rubrócito basófilo se divide em dois rubrócitos policromáticos ou eritroblastos policromatófilos. Nesta fase, ocorre a finalização da síntese de DNA, que por sua vez é controlada pelo aumento da síntese de hemoglobina.

Metarubrócito

O rubrócito policromático se divide em dois metarubrócitos. É a menor célula dos precursores nucleados dos eritrócitos e neste estágio o núcleo é apenas uma mancha de cromatina compacta. Neste estágio está o auge da produção de hemoglobina.

Reticulócito

O metarubrócito não se divide mais, apenas amadurece, perde o núcleo e passa a se chamar reticulócito. A substância basófila dessas células é o RNA, pode se apresentar em formas de grânulos. Quando corados pelo novo azul de metileno ou outro corante vital, esta substância basófila precipita-se em forma de retículos, daí o nome reticulócito. Quando corados pelos métodos usuais, os reticulócitos são vistos como células não nucleadas, um pouco maiores que os eritrócitos adultos, apresentando certa policromatofilia. Essas células não são achadas normalmente na circulação de cavalos e ruminantes sadios, pois toda a maturação eritrocitária nestas espécies ocorre dentro da medula óssea. Em suínos sadios são observados cerca de 2% de reticulócitos na circulação. Já em cães e gatos normais podem ser encontrados em percentuais que variam de 0,5-1,5; sendo que nestes últimos animais se apresentam em duas formas: os reticulócitos agregados e ponteados e refletem diferenças significativas no estádio de maturação e tempo de vida no sangue. Os reticulócitos agregados apresentam a substância basófila de forma linear e se maturam em ponteados, que apresentam apenas pequenos pontos de retículo, sem formações lineares. A contagem de reticulócitos pode ser usada na avaliação da resposta individual a uma anemia em todos os animais e avaliação da terapia usada, com exceção dos eqüinos, pois nestes animais os reticulócitos só são liberados da medula após sua total maturação. Cerca de 20% da hemoglobina contida nos eritrócitos é ainda sintetizada nos reticulócitos.

Eritrócitos

Os reticulócitos se maturam em eritrócitos ou hemácias, células anucleadas e sem inclusões de retículo. Os eritrócitos são as células mais numerosas no sangue, seu citoplasma é formado por 1/3 de hemoglobina e 2/3 de água. Sua função é carrear hemoglobina, que por sua vez, transporta O2 dos pulmões para os tecidos e CO2 dos tecidos para os pulmões. A membrana eritrocitária é formada por duas camadas protéicas, envolvendo uma camada de lipídios; é flexível permitindo a deformação e passagem da célula pelos estreitos sinusóides do baço e dos tecidos. A medida que a célula envelhece e flexibilidade vai diminuindo, não consegue mais atravessar os sinusóides do baço e é então fagocitada pelo S.M.F.

Exigências Nutricionais da Hematopoiese Proteínas

São extremamente necessárias na formação da globina Vitaminas

Em especial, a riboflavina ou vitamina B2, a piridoxina ou vitamina B6, a niacina, o ácido fólico, a tiamina e a vitamina B12, sendo esta última extremamente necessária à divisão das fases nucleadas das células.

Minerais

O mais importante é o ferro, utilizado na síntese do heme. Outros minerais importantes na eritropoiese são o cobalto, necessário à síntese da vitamina B12 e o cobre, co-fator da enzima ALA-dehidrase, necessária à síntese do heme.

Lipídios

Os lipídios são integrantes da membrana do eritrócito. Além disto, o colesterol funciona como regulador da resistência osmótica da célula.

Eritropoiese ineficaz

Este termo designa a quantidade de eritrócitos que morrem ainda no interior da medula, sem chegar a circulação. A taxa de eritropoiese ineficaz é cerca de 10% na maioria das espécies, mas pode estar aumentada em algumas doenças.

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