relatorio de farmacoligia basica

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(Parte 1 de 2)

UNIVERSIDADE FEDERAL DO PIAUÍ-UFPI

CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE-CCS

DEPARTAMENTO DE BIOQUIMICA E FARMACOLOGIA

DISCIPLINA: FARMACOLOGIA BÁSICA

PROFESSOR: PAULO MARQUES DA SILVA CAVALCANTI

AGONISTAS E ANTAGONISTAS ADRENÉRGICOS EM Canis familiares ATRAVÉS DE SIMULAÇÃO COMPUTADORIZADA

Marcos Paulo Vasconcelos Gonçalves

07S14429

TERESINA, MAIO DE 2009

INTRODUÇÃO

“Os esforços envidados para desvendar os mecanismos moleculares através dos quais as catecolaminas atuam têm uma história longa e rica. Muito se deve, em termos conceituais, aos trabalhos realizados por John Langley e Paul Ehrlich há 75-100 anos, ao formular a hipótese de que as drogas exercem seus efeitos através de sua interação com substâncias ''receptivas'' específicas. As ações farmacológicas das drogas adrenérgicas podem ser excitatórias e inibidoras. Essas respostas são mediadas pelos receptores adrenérgicos, classificados como alfa e beta, por Ahlquist, em 1948. O estímulo alfa-adrenérgico produz efeito excitatório em todos os órgãos providos de alfa-receptores, com exceção da musculatura intestinal, que se relaxa. A estimulação beta-adrenérgica dá origem a respostas inibitórias, exceto pelo coração e por algumas respostas metabólicas” (BRUNTON, 2006).

De acordo com Kalant (1991), as respostas características dos órgãos efetores às catecolaminas endógenas e drogas simpaticomiméticas podem ser bloqueadas seletivamente por antagonistas dos receptores adrenérgicos α ou β. O grau de bloqueio obtido está relacionado às concentrações relativas do agonista e antagonista presente no sítio dos receptores das células efetoras, bem como às afinidades desses locais. A seletividade da droga antagonista para os receptores adrenérgicos α ou β é ainda mais acentuada devido às diferentes afinidades das drogas por subtipos dos receptores α (α1 e α2) e subtipos dos receptores β (β1, β2 e β3).

O presente experimento tem o objetivo de analisar os efeitos das substâncias adrenérgicas e anti-adrenérgicas nos seguintes parâmetros: frequência cardíaca, pressão arterial e diâmetro dos vasos viscerais e vasos musculares, através de simulação computadorizada.

MATERIAL E MÉTODO

Através de um programa de computador, simulou-se a administração de alguns fármacos agonistas e antagonistas adrenérgicos: Noradrenalina, Adrenalina, Isoprenalina, Efedrina, Alfa-bloqueador (com posterior ação da noradrenalina e adrenalina) e Propranolol (com posterior ação da isoprenalina, noradrenalina e adrenalina). Após cada administração, observou-se alguns parâmetros: frequência cardíaca, pressão arterial e diâmetro dos vasos viscerais e vasos musculares.

RESULTADOS

TABELA 01: REGISTRO DA PRESSÃO ARTERIAL E FREQUÊNCIA CARDÍACA E DIÂMETRO DOS VASOS VISCERAIS E MUSCULARES OBTIDAS APÓS A ADMINISTRAÇÃO DE NORADRENALINA NA DOSE DE 20 mcg EM Canis familiares ATRAVÉS SIMULAÇÃO COMPUTADORIZADA. TERESINA, 2009.

Parâmetros

Procedimentos

FC VV VM PA

Noradrenalina 1a observação T VC VC A

Noradrenalina 2ª observação B VC VC A

Nível Basal N N N N

Legenda: A (aumento), B (bradicardia), FC (freqüência cardíaca); N (normal), PA. (pressão arterial); T (taquicardia); VC (vasoconstrição); VV (vasos viscerais); VM (vasos musculares).

FONTE: Laboratório de Farmacologia da UFPI. Alunos de Farmácia, 10 período 2009.

TABELA 02: REGISTRO DA PRESSÃO ARTERIAL E FREQUÊNCIA CARDÍACA E DIÂMETRO DOS VASOS VISCERAIS E MUSCULARES OBTIDAS APÓS A ADMINISTRAÇÃO DE ADRENALINA NA DOSE DE 20 mcg EM Canis familiares ATRAVÉS SIMULAÇÃO COMPUTADORIZADA. TERESINA, 2009.

Parâmetros

Procedimentos

FC VV VM PA

Adrenalina 1a observação T VC VD A

Adrenalina 2ª observação T N VD D

Nível Basal N N N N

Legenda: A (aumento), D (diminuição); FC (freqüência cardíaca); N (normal), PA. (pressão arterial); T (taquicardia); VC (vasoconstrição); VD (vasodilatação), VV (vasos viscerais); VM (vasos musculares).

FONTE: Laboratório de Farmacologia da UFPI. Alunos de Farmácia, 10 período 2009.

TABELA 03: REGISTRO DA PRESSÃO ARTERIAL E FREQUÊNCIA CARDÍACA E DIÂMETRO DOS VASOS VISCERAIS E MUSCULARES OBTIDAS APÓS A ADMINISTRAÇÃO DE ISOPRENALINA NA DOSE DE 20 mcg EM Canis familiares ATRAVÉS SIMULAÇÃO COMPUTADORIZADA. TERESINA, 2009.

Parâmetros

Procedimentos

FC VV VM PA

Isoprenalina T VC VD D

Nível Basal N N N N

Legenda: D (diminuição); FC (freqüência cardíaca); N (normal), PA. (pressão arterial); T (taquicardia); VC (vasoconstrição); VD (vasodilatação), VV (vasos viscerais); VM (vasos musculares).

FONTE: Laboratório de Farmacologia da UFPI. Alunos de Farmácia, 10 período 2009.

TABELA 04: REGISTRO DA PRESSÃO ARTERIAL E FREQUÊNCIA CARDÍACA E DIÂMETRO DOS VASOS VISCERAIS E MUSCULARES OBTIDAS APÓS A ADMINISTRAÇÃO DE EFEDRINA NA DOSE DE 5 mg EM Canis familiares ATRAVÉS SIMULAÇÃO COMPUTADORIZADA. TERESINA, 2009.

Parâmetros

Procedimentos

FC VV VM PA

Efedrina T VC VD A

Nível Basal N N N N

Legenda: A (aumento), FC (freqüência cardíaca); N (normal), PA. (pressão arterial); T (taquicardia); VC (vasoconstrição); VD (vasodilatação), VV (vasos viscerais); VM (vasos musculares).

FONTE: Laboratório de Farmacologia da UFPI. Alunos de Farmácia, 10 período 2009.

TABELA 05: REGISTRO DA PRESSÃO ARTERIAL E FREQUÊNCIA CARDÍACA E DIÂMETRO DOS VASOS VISCERAIS E MUSCULARES OBTIDAS APÓS A ADMINISTRAÇÃO DE -BLOQUEADOR, NORADRENALINA E ADRENALINA NA DOSE DE 20 mcg EM Canis familiares ATRAVÉS SIMULAÇÃO COMPUTADORIZADA. TERESINA, 2009.

Parâmetros

Procedimentos

FC VV VM PA

-bloqueador N VD VD D

Noradrenalina T VD VD A

Adrenalina T VD VD D

Nível Basal N N N N

Legenda: A (aumento), D (diminuição); FC (freqüência cardíaca); N (normal), PA. (pressão arterial); T (taquicardia); VD (vasodilatação), VV (vasos viscerais); VM (vasos musculares).

FONTE: Laboratório de Farmacologia da UFPI. Alunos de Farmácia, 10 período 2009.

TABELA 06: REGISTRO DA PRESSÃO ARTERIAL E FREQUÊNCIA CARDÍACA E DIÂMETRO DOS VASOS VISCERAIS E MUSCULARES OBTIDAS APÓS A ADMINISTRAÇÃO DE PROPRANOLOL, ISOPRENALINA NORADRENALINA E ADRENALINA NA DOSE DE 10 mcg EM Canis familiares ATRAVÉS SIMULAÇÃO COMPUTADORIZADA. TERESINA, 2009.

Parâmetros

Procedimentos

FC VV VM PA

Propranolol B N VC N

Isoprenalina B N VC N

Noradrenalina B VC VC A

Adrenalina 1ª observação B VC VC A

Legenda: A (aumento), B (bradicardia), FC (freqüência cardíaca); N (normal), PA. (pressão arterial); VC (vasoconstrição); VV (vasos viscerais); VM (vasos musculares).

FONTE: Laboratório de Farmacologia da UFPI. Alunos de Farmácia, 10 período 2009.

GRÁFICO 01: REGISTRO DA PRESSÃO ARTERIAL OBTIDA APÓS A ADMINISTRAÇÃO DE NORADRENALINA NA DOSE DE 20 mcg EM Canis familiares ATRAVÉS DE SIMULAÇÃO COMPUTADORIZADA. TERESINA, 2009.

LEGENDA: na (noradrenalina), PA (pressão arterial).

FONTE: Laboratório de Farmacologia da UFPI. Alunos de Farmácia, 10 período 2009.

GRÁFICO 02: REGISTRO DA PRESSÃO ARTERIAL OBTIDA APÓS A ADMINISTRAÇÃO DE ADRENALINA NA DOSE DE 20 mcg EM Canis familiares ATRAVÉS DE SIMULAÇÃO COMPUTADORIZADA. TERESINA, 2009.

LEGENDA: Ad (adrenalina), PA (pressão arterial).

FONTE: Laboratório de Farmacologia da UFPI. Alunos de Farmácia, 10 período 2009.

GRÁFICO 03: REGISTRO DA PRESSÃO ARTERIAL OBTIDA APÓS A ADMINISTRAÇÃO DE ISOPRENALINA NA DOSE DE 20 mcg EM Canis familiares ATRAVÉS DE SIMULAÇÃO COMPUTADORIZADA. TERESINA, 2009.

LEGENDA: Iso (isoprenalina), PA (pressão arterial).

FONTE: Laboratório de Farmacologia da UFPI. Alunos de Farmácia, 10 período 2009.

GRÁFICO 04: REGISTRO DA PRESSÃO ARTERIAL OBTIDA APÓS A ADMINISTRAÇÃO DE EFEDRINA NA DOSE DE 5 mg EM Canis familiares ATRAVÉS DE SIMULAÇÃO COMPUTADORIZADA. TERESINA, 2009.

LEGENDA: Efe (efedrina), PA (pressão arterial).

FONTE: Laboratório de Farmacologia da UFPI. Alunos de Farmácia, 10 período 2009.

GRÁFICO 05: REGISTRO DA PRESSÃO ARTERIAL OBTIDA APÓS A ADMINISTRAÇÃO DE ALFA-BLOQUEADOR, ADRENALINA, NORADRENALINA NA DOSE DE 20 mcg EM Canis familiares ATRAVÉS DE SIMULAÇÃO COMPUTADORIZADA. TERESINA, 2009.

LEGENDA: ab (alfa-bloqueador), Ad (adrenalina), na (noradrenalina), PA (pressão arterial).

FONTE: Laboratório de Farmacologia da UFPI. Alunos de Farmácia, 10 período 2009.

GRÁFICO 06: REGISTRO DA PRESSÃO ARTERIAL OBTIDA APÓS A ADMINISTRAÇÃO DE PROPANOLOL, ISOPRENALINA, ADRENALINA, NORADRENALINA NA DOSE DE 10 mcg EM Canis familiares ATRAVÉS DE SIMULAÇÃO COMPUTADORIZADA. TERESINA, 2009.

LEGENDA: Ad (adrenalina), Iso (Isoprenalina), na (noradrenalina), Pr (propranolol), PA (pressão arterial).

FONTE: Laboratório de Farmacologia da UFPI. Alunos de Farmácia, 10 período 2009.

DISCUSSÃO

“O tônus do músculo liso vascular é regulado por receptores adrenérgicos. Por conseguinte, as catecolaminas são importantes no controle da resistência vascular periférica e da capacitância venosa. Os receptores α aumentam a resistência arterial, enquanto os receptores 2 promovem o relaxamento do músculo liso. Existem diferenças importantes nos tipos de receptores encontrados nos vários leitos vasculares. Os vasos cutâneos apresentam receptores predominantemente  e sofrem contração na presença de adrenalina e noradrenalina, o mesmo ocorrendo com os vasos esplâncnicos. Os vasos no músculo esquelético podem contrair-se ou dilatar-se, dependendo de serem ativados os receptores  ou ” (KATZUNG, 2007).

“Os efeitos diretos sobre o coração são determinados, em grande parte, pelos receptores 1, embora estejam também envolvidos os receptores 2 e, em menor grau, os receptores . A ativação dos receptores  resulta em aumento do influxo de cálcio nas células cardíacas. Isso possui conseqüências tanto elétricas quanto mecânicas. Ocorre aumento na atividade marca-passo tanto normal (nó sinoatrial) quanto anormal (por exemplo, fibras de Purkinje) (efeito cronotrópico positivo). A velocidade de condução no nó atrioventricular aumenta e, verifica-se uma diminuição do período refratário. A contratilidade intrínseca apresenta-se aumenta (efeito inotrópico positivo), enquanto o relaxamento é acelerado. Em conseqüência, a resposta de contração do músculo cardíaco isolado tem a sua tensão aumentada, porém a sua duração abreviada. Na presença de uma atividade reflexa normal, os efeitos diretos sobre a freqüência cardíaca podem ser dominados por uma resposta reflexa a alterações da pressão arterial” (KATZUNG, 2007).

O uso de noradrenalina provocou taquicardia, vasoconstriçao dos vasos e aumento da pressão arterial (TABELA 01 e GRÁFICO 01). Segundo BRUNTON (2006), a noradrenalina é o principal mediador químico liberado pelos nervos adrenérgicos pós-ganglionares, difere da epinefrina apenas a ausência da substituição metil no grupo amino. É um potente agonista dos receptores α , enquanto exerce relativamente pouca ação sobre os receptores β ; todavia, é um pouco menos potente que epinefrina sobre os receptores α da maioria dos órgãos. No coração a noradrenalina ativa os receptores 1 (principal receptor adrenérgico expresso nesse órgão), provocando inicialmente o aumento da freqüência e da força de contração cardíaca, conforme explicado anteriormente. Nos vasos cutâneos e esplâncnicos ocorre vasoconstrição, porque os receptores adrenérgicos por eles expressos são do tipo  e a noradrenalina ativa tais receptores promovendo a contração muscular desses vasos. Nos vasos musculares a noradrenalina tem o mesmo efeito (vasoconstrição), pois apesar de a expressão de receptores 2 nesses vasos ser maior que a de receptores , essa substância tem fraca atuação sobre receptores 2. A pressão arterial aumenta por conta do aumento da resistência periférica total devido à vasoconstrição vascular.

Em seguida, como resultado do aumento da pressão arterial, há ativação dos barorreceptores com bradicardia reflexa (TABELA 01). “Reflexos vagais compensatórios tendem a sobrepujar os efeitos cronotrópicos positivos diretos da noradrenalina; os efeitos inotrópicos positivos sobre o coração, todavia, são mantidos” (KATZUNG, 2007). Assim, o debito cardíaco não é alterado significativamente, e como os vasos viscerais e musculares continuam contraídos pela noradrenalina, a pressão arterial continua a subir. Depois de algum tempo os parâmetros analisados retornaram aos valores basais (TABELA 01), pois a droga é degradada pela MAO e pela COMT.

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