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Sumário

INTRODUÇÃO 11

CAPÍTULO I 13

1 Contribuições históricas para o desenvolvimento da tecnologia de transmissão de energia sem fio (witricity) 13

1.1 A evolução da informática e o surgimento de aparelhos móveis 13

1.2 A portabilidade em consequência da transmissão de energia sem fio 14

1.3 Nikola Tesla 17

1.4 A nova corrente elétrica de Tesla 20

1.5 A Bobina de Tesla 23

CAPÍTULO II 27

2 Funcionamento da energia elétrica sem fio 27

2.1 Conceitos das Correntes 28

2.2 Densidade de corrente 28

2.3 As correntes: contínua e alternada 30

2.4 Eletromagnetismo 34

Considerações finais 39

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 47

BIBLIOGRAFIA 49

INTRODUÇÃO

Os estudos sobre a transmissão de energia sem fio (witricity), estão só começando. Não obstante, não existem muitos detalhes sobre essa tecnologia. As informações encontradas sobre o tema em questão são, na maioria das vezes, de caráter informativo: anúncio de produtos das empresas, reportagens a respeito de feiras de tecnologias, sem muitos detalhes.

Como se verificou, a principal vantagem de um computador portátil em relação a um desktop é a mobilidade. Os notebooks estão cada vez menores e mais leves em consequência da redução e compactação dos periféricos, tornando-os mais cômodos para transportá-los. Todavia, além de possuir uma característica móvel, os notebooks possuem baterias que permitem que fiquem desconectados temporariamente de uma tomada elétrica.

Por meio do desenvolvimento da tecnologia da informação, sabe-se que “desapareceram” alguns cabos ligados aos computadores. Por exemplo, a rede sem fio possibilita o acesso à Internet em locais remotos como no escritório, bar, aeroporto ou até mesmo em casa. Isso mostra a viabilidade do uso de equipamentos sem ser preciso conectá-los fisicamente a um lugar, tornando-os aparelhos portáteis. Entretanto, para que haja uma portabilidade real, é necessário que se elimine ainda o último fio: o da energia elétrica. Essa discussão constitui o cerne deste trabalho e ocupou-se dela no primeiro capítulo.

A dificuldade em encontrar fontes para o desenvolvimento deste trabalho acadêmico, a priori foi muito explícita. Como supracitado, o tema é novo, e em consequência, a literatura é escassa, indicando um estudo exploratório. No inicio da pesquisa alguns fatos corroboraram a dificuldade acima apontada. Numa visita à Universidade de Brasília (UnB), a surpresa foi imediata. Um docente, ao ser interrogado sobre a transmissão de energia sem fio, contestou dizendo: “Nós trabalhamos com coisa séria”. Uma doutoranda ficou admirada e ao mesmo tempo indagou: “Energia sem fio? Como é possível transportar elétrons pelo ar?”. Outros disseram somente ter ouvido falar, mas, sem mais detalhes.

Isso denota que, a princípio, houve escassez de fontes e informações para realização desta pesquisa. Porém, não impediu que o trabalho fosse desenvolvido. Por meio do entendimento e descoberta dos fatos que possibilitaram essa tecnologia, descobriu-se informações as quais permitiram encontrar uma “peça” fundamental para o desenvolvimento deste trabalho: o influente cientista Nikola Tesla, consoante dissertado no item 1.3 do capítulo I deste trabalho.

No capítulo I são relatadas as principais influências para o desenvolvimento da witricity. Ademais, a história dos notebooks é mencionada para que se entenda a evolução dos mesmos. A ideia da criação do primeiro computador portátil foi, a propósito, fabricar um aparelho que coubesse debaixo de um assento de avião. Desde então o termo portabilidade é enfatizado e discutido.

Repórteres brasileiros testemunharam o funcionamento de aparelhos desconectados da tomada. Eles puderam até bisbilhotar, mas os cientistas somente disseram que a energia era transmitida por indução magnética, o que denota, mais uma vez, a dificuldade de acesso a fontes fidedignas que pudessem embasar esta pesquisa, já que as fontes confiáveis eram, na maioria das vezes, guardadas em sigilo.

Enfatizou-se as contribuições de Nikola Tesla para a tecnologia de transmissão de energia sem fio. O encontro de Tesla com Thomas Edison representa um fator decisivo no interior do processo que gestou o desenvolvimento da corrente alternada. Procurou-se demonstrar os entraves enfrentados por Tesla para que este pudesse concretizar seus ideais científicos, tão cedo demonstrados, como se verá no item 1.3 do capítulo I.

Constatou-se, também, que a bobina de Tesla foi fundamental para o desenvolvimento da tecnologia de transmissão de energia sem fio, conforme dissertado no item 1.5 do capítulo I.

Referente à energia sem fio, necessário-se fez recorrer aos conceitos de corrente contínua e alternada. Justifica-se tal necessidade pela constatação de que a corrente alternada, desenvolvida por Tesla, está intimamente relacionada ao funcionamento da energia elétrica sem conexão física. Tais considerações constituem objeto de análise de todo o capítulo II.

Em suma, quanto ao conceito de eletromagnetismo exposto no item 2.4.1, justifica-se pela constatação de que há estreita relação entre tecnologia witricity e eletromagnetismo. Daí a importância de recorrer aos conhecimentos da física quântica, ainda que sumariamente, já que não há espaço, nesta monografia, para dissertar sobre tema tão rico e polêmico. Todavia, faz-se necessário entender os efeitos do eletromagnetismo no corpo humano, para avaliar a viabilidade da utilização dessa tecnologia.

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CAPÍTULO I

1Contribuições históricas para o desenvolvimento da tecnologia de transmissão de energia sem fio (witricity)

Como se sabe, alguns aparelhos são considerados móveis porque utilizam baterias como fonte de alimentação de energia e por algum tempo não precisam ser conectados à tomadas. Essas baterias foram potencializadas, tornando-as mais duradouras. O surgimento de novos aparelhos, novos métodos de trabalho e a otimização de diversas tecnologias atuais, influenciaram na necessidade de desenvolver uma tecnologia, ao qual não precisasse de fios para funcioná-los.

É necessário mencionar sobre Nikola Tesa, um cientista que viveu no final do século XIX e no início do século XX. Sua contribuição para o desenvolvimento da tecnologia de transmissão de energia sem fio é de fato muito importante.

1.1A evolução da informática e o surgimento de aparelhos móveis

A tecnologia de computadores permitiu um considerável avanço nos últimos 55 anos desde que surgiu o primeiro computador eletrônico. Hennessy e Patterson et al (2003), relatam que o fim dos anos 70 foi marcado pelo aparecimento do microprocessador. A partir daí, a melhoria na tecnologia de circuitos integrados ocasionou uma otimização de aproximadamente 35% de crescimento por ano no desempenho dos minicomputadores.1 Ainda relataram que as estações de trabalho e os computadores pessoais surgiram como produtos de suma importância na indústria de computadores. A maioria dos mainframes foi substituída por servidores criados com o uso do microprocessador e até mesmo os supercomputadores de alta tecnologia estão sendo montados com o conjunto de processadores.

Há dúvidas quanto ao surgimento do primeiro notebook ou computador portátil fabricado. Segundo o “Guia do Notebook” 2, em 1981, Adam Osborne, lançou o que se considera hoje o primeiro computador portátil da história. Esse computador pesava 12 quilos e tinha uma tela de 5 polegadas. O objetivo de Osborne era fabricar um aparelho que coubesse debaixo de um assento de avião. Segundo a mesma fonte, a empresa japonesa Epson lançou em 1982, o Epson HX-20, considerado o primeiro computador com dimensões de notebook3. .

Em 1988, ainda segundo o “Guia do Notebook”, a NEC lançou o modelo Nec Ultralite. Esta empresa preocupava-se em promover mobilidade aos seus engenheiros que trabalhavam nas linhas de montagem da PABX (Private Automatic Branch Exchange). Da década de 90 até a atualidade, a evolução dos computadores portáteis passou a acompanhar a evolução dos desktops. O considerável desempenho de CPU (Unidade Central de Processamento) e o preço das memórias (inclusive as de vídeos), são acompanhados com celeridade pelos computadores portáteis.

A Internet possibilitou o desenvolvimento do papel dos servidores que fornecem serviços de arquivos e computação mais confiáveis em maior escala. Os computadores embutidos compõem os dispositivos que são responsáveis pelo crescimento mais rápido do mercado da informática, conforme ainda relatam Hennessy e Patterson et al (2003):

“Esses dispositivos variam desde as máquinas que usamos no dia-a-dia ( a maioria dos fornos de microondas, a maioria das máquinas de lavar, a maioria das impressoras, a maioria dos switches de redes e todos os automóveis contêm microprocessadores simples embutidos) e dispositivos digitais de mão (como palmtops, telefones celulares e cartões inteligentes) até vídeo games e conversores digitas set-top box”. (p. 5)

Como se sabe, é possível conectar-se computadores por meio de uma rede, seja essa conexão em pequenas e até em grandes áreas. Essa conexão pode ser feita através de cabos de vários tipos, como os de par trançado, cabo coaxial e de fibras óticas. Outra conexão (de grande importância para o conceito de portabilidade) é o uso de tecnologias sem fio para navegar na Internet: utiliza-se de tecnologias de infravermelho ou de rádio, com diversas velocidades.

1.2A portabilidade em consequência da transmissão de energia sem fio

No universo da tecnologia da informação, sabe-se que foram “extintos” alguns cabos ligados diretamente aos computadores portáteis (laptop). A Internet sem fio (wirelles), por exemplo, é uma realidade que demonstra a viabilidade do processo de desenvolvimento tecnológico na utilização de aparelhos ligados a uma fonte, seja ela, de sinais de radiofreqüência ou elétrico sem conectividade física.

É necessário compreender o que é portabilidade nos termos desta pesquisa. Na atualidade, conceitua-se portabilidade como uma independência de conectividade física entre aparelhos. “Portátil é qualquer coisa que pode ser transportado e usado em qualquer lugar. Não são fixos e não dependem de um lugar específico para ser usado”.4 Outros autores trazem um conceito não muito específico como, por exemplo, menciona Houaiss (2003): “Portátil: manual, móvel, portativo, transportável”.5

Na telefonia móvel, o conceito de portabilidade é aplicado à mobilidade dos números. É facultada ao cliente a mudança de operadora, permanecendo, porém, com o número da antiga prestadora. No contexto da informática, como se sabe, a portabilidade está ligada à capacidade de um programa ser compilado ou executado em diferentes arquiteturas. Também, o termo pode ser utilizado para se referir a reescrita de um código fonte para uma outra linguagem de computador6.

Como se sabe, a expressão “eletrônico portátil” tem sido utilizada para designar alguns aparelhos móveis. Mas, como defini-los como portáteis? Se permanecerem muito tempo desconectados de uma tomada elétrica, esses aparelhos precisam ser carregados periodicamente para que não se “apaguem”. Há uma corrente da comunidade científica que defende a idéia da “total portabilidade” (a que não depende de um lugar específico para ser usado). Diz-se total, porque esses cientistas não admitem que a atual tecnologia traduza uma genuína portabilidade. Esta é vista por aqueles apenas como uma espécie de portabilidade relativa (algo que possa ser manuseado ou transportável). De fato há que se pensar que tal premissa não é ilógica, pois um notebook, por exemplo, é um aparelho considerado portátil, desde que sua bateria esteja carregada. Destarte essa portabilidade é temporária e, de alguma forma, o notebook terá que em algum momento estar conectado fisicamente a uma fonte de energia.

Para fazer jus ao sentido literal da portabilidade absoluta, como supracitado, é necessário “extinguir”, ainda, o último fio: o da energia elétrica. Cientistas e engenheiros vêm aprimorando métodos e técnicas para desenvolver um sistema eficaz de transmissão de energia elétrica sem fio, como será demonstrado alhures neste trabalho.

Pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (EUA) vêm trabalhando para desenvolver métodos de transmissão de energia sem fio.7Hochman (2009), esteve ao lado do professor e assistente do MIT, Marin Soljacic, num escritório em Watertowm, Massachusetts e presenciou o experimento com sucesso. Hochman ficou surpreso ao ver funcionar, em cima de uma mesa, um televisor desconectado da tomada de energia elétrica.

Ademais, algumas empresas estão desenvolvendo seus produtos utilizando dessa tecnologia. A empresa americana WildCharge desenvolveu um carregador universal de bateria que dispensa o uso de fios e cabos entre o carregador e o dispositivo. No entanto, ainda vai sobreviver um fio: o que alimenta o carregador. Não obstante, Fortes (2007), demonstra entusiasmo: “Mas só o fato de dispensar aquele festival de carregadores que a gente tem de levar de um lado para o outro quando vai viajar (ou mesmo dentro de casa), já é uma tremenda notícia”.

A empresa japonesa Sony anunciou no dia 02 de outubro de 2009, que utilizará do sistema de transferência de energia sem fio baseado somente em ressonância magnética, capaz de transmitir 60 watts de energia a uma distância de 50 centímetros. Segundo o repórter Cruz (2009), o anúncio não traz nenhuma previsão de quando o produto será comercializado:

"Esse novo sistema de transferência de energia sem fio incorpora uma forma de tecnologia de transmissão de energia elétrica sem contato baseada em ressonância magnética. Com a ressonância magnética, a energia eletromagnética é transferida somente para equipamentos receptores que compartilham as frequências ressonantes idênticas às da fonte de energia. Dessa forma, a eficiência da transferência energética é mantida, mesmo quando ocorre um desalinhamento. Além disso, se houver objetos de metal entre o transmissor e o receptor, não ocorre nenhuma indução de calor." (CRUZ Renato. A energia sem fio da Sony.8

Alvarez (2009), repórter da emissora Rede Globo, presenciou o funcionamento de equipamentos desconectados da tomada. O repórter participou em janeiro de 2009 da feira de eletrônicos em Las Vegas nos Estados Unidos. Alvarez relatou que, das diversas novidades apresentadas ao público, a eletricidade sem fio foi uma das grandes sensações da feira. Segundo ele, os engenheiros americanos e israelenses não revelam detalhes da tecnologia: “Explicam apenas que a energia é transmitida por indução magnética, algo parecido com um imã” (Fantástico, janeiro 2009). 9

A idéia de transmissão de energia sem fio não é nova, afirma Hochman (2009). Nikola Tesla (1856-1943), autor de várias invenções que definiram a moderna era eletrônica, protagonizou pioneiramente essa experiência. Tesla baseou sua ideia de eletricidade sem fio num conceito conhecido como indução eletromagnética.

1.3Nikola Tesla

Figura 1.3: Nikola Tesla

Fonte: http://www.catscanman.net/blog/2009/07/teslas-birthday (2009)

Conforme relatado por Trull (1996), Nikola Tesla nasceu na Croácia em 9 de julho de 1856 na vila Smilhan. Teria sido, na concepção do cientista americano, um aluno de destaque desde sua infância até o curso superior. Seu insight (uma grande ideia, uma verdadeira visão do futuro) era superior a dos seus professores. Assim sendo, às vezes irritáva-os com questionamentos acima de suas capacidades.

Já na infância, conforme o mesmo autor, Tesla apresentava alucinações e visões em função de flashes cegantes de luz que apareciam diante de seus olhos. Várias vezes, entretido com projetos, ele não se alimentava e trabalhava algumas noites sem dormir. Empenhado com o laboratório, esquecia-se de quem era por vários dias em função do grande estresse.

Ainda conforme o relato de Trull (1996), após a morte do pai, Tesla abandonou os estudos e passou a trabalhar como operador de telégrafo. Por ter sua formação interrompida, entrou em desespero, deprimiu-se e passou por um período de instabilidade psicológica. Entretanto, com o tempo, Tesla recuperou-se e agora, armado com uma nova visão: a de como distribuir a energia com a corrente alternada.

Consoante o artigo Who Was The Real Dr. Nikola Tesla, escrito pelos americanos Wysock e Corum et al (1956)10, Tesla se matriculou no Instituto Politécnico em Graz (na Áustria), graduando-se em Matemática, Engenharia Mecânica e Elétrica. Na Universidade de Praga graduou-se em Física. Recebeu mais de 13 títulos honoris causa (alguns doutorado) de diversas instituições como: Columbia, Yale, e as Universidades de Paris, Viena, Praga, Sofia e outras. Em 1937 foi nomeado Nikola Tesla pelo Dr. Felix Ehernahft (o mesmo que nomeou Albert Einstein em 1931), o que demonstra que o cientista austríaco é autoridade quando se fala em energia elétrica, razão pela qual se expõe, nesta pesquisa, algumas informações pessoais do mesmo.

Para Tesla, como observou Trull (1996), a corrente contínua não era o único meio de distribuir a energia elétrica. Ele tinha em mente que a corrente alternada (AC) seria uma forma de distribuição da energia elétrica capaz de transmitir energia a longas distâncias. Mas, essa ideia, conforme adicionalmente relata Wysock e Corum et al (1956), era vista pela comunidade científica da época com desdém. Não obstante, o fato de não acreditarem nele não o impediu de acreditar em desenvolver essa ideia.

1.3.1O encontro de Tesla e Thomas Edison

Trull (1996), constatou em diversas fontes que Tesla não tinha o hábito de expor suas ideias em papeis ou protótipos. Pensava e atuava de forma que já lhe dava prova suficiente. Segundo ele (Tesla), observa D. Trull, essa técnica era sem dúvida superior à prática comum de escrever tudo no papel e realizar tentativas repetitivas. Em sua mente, imaginou: duas bobinas posicionadas em ângulo reto, paralelas entre si e alimentadas com uma corrente que girasse um campo magnético sem o auxilio de comutadores usados em motores de corrente contínua. Contudo para levar a cabo essa ideia ele precisaria desenvolver outro meio de transmissão de energia por meio de correntes elétricas que se alternassem.

Afirma-se, com base no que escreveram Wysock e Corum et al (1956), que em Budapeste, Tesla desenhou com uma vara na areia o diagrama mostrado seis anos depois em seu discurso diante do Instituto Americano de Engenheiros Elétricos. Esta revelação lhe trouxe a possibilidade da invenção do motor de indução, um avanço que mudaria o mundo.

Aprimorando sua descoberta, Nikola Tesla foi contratado por companhias de energia elétrica em Estrasburgo em Paris para melhorar suas instalações de geração de energia com corrente contínua. Lá, ele quis atrair investidores para patrociná-lo no desenvolvimento de outro tipo de corrente: a alternada. Mas não obteve sucesso. Para isso, ele deveria conhecer o maior engenheiro elétrico da sua época: Thomas Alva Edison, constataram os americanos supracitados.

Aos 28 anos, Tesla chegou à cidade de Nova Iorque e ficou impressionado pelo que observou: “O que eu tinha deixado era em todos os sentidos bonito, artístico e fascinante; o que eu vi aqui era mecanizado, rude e sem atrativos. Isto [a América] está um século atrás da Europa em civilização”, conforme anotaram Wysock e Corum et al (1956). Ele (Tesla) levava consigo uma carta de apresentação de Charles Batchelor, um dos sócios de negócio de Edison na Europa que dizia “Meu Querido Edison: eu conheço dois grandes homens e você é um deles. O outro é este jovem!”. Ademais dessa, levava alguns cálculos matemáticos e um desenho de uma máquina voadora.

Thomas Edison (1847-1941), assim como Tesla, desempenhou um importante papel na história da tecnologia. Em 1883, ele (Thomas Edison) introduziu o primeiro sistema de geração e distribuição centralizada de luz elétrica (calor e energia): a lâmpada incandescente, tendo adquirido notoriedade por este feito. Várias outras descobertas do cientista foram patenteadas. 11

Entretanto, para esta pesquisa, faz-se necessário destacar que Edison sabia pouco sobre corrente alternada e não se preocupou em aprofundar muito sobre o assunto. Para ele, a corrente alternada parecia-lhe um sonho impossível, ou pior, uma ameaça a seu império a corrente contínua, como ponderaram os cientistas americanos Wysock e Corum et al (1956) e Trull (1996). Mesmo assim, Edison teria enxergado em Nikola Tesla uma grande capacidade, tendo o contratado para fazer melhorias em suas estações de geração de corrente contínua. Se conseguisse desenvolver o que lhe havia prometido, Edison o pagaria uma quantia de US$ 50.

Tesla assegurou que era possível aumentar a eficiência de dínamos em 25% em dois meses. Como de praxe, trabalhou vários dias quase que ininterruptamente, cumprindo a promessa feita a Edison, superando, aliás, as expectativas. Mas quando pediu o dinheiro acordado, Thomas Edison disse-lhe que essa oferta tinha sido feita em gracejo: “Quando você se tornar um americano de verdade apreciará uma piada americana”.12 Tesla demitiu-se, conforme consta no artigo dos autores americanos já citados.

1.4A nova corrente elétrica de Tesla

No capítulo II, será exibido com detalhe como funciona a corrente alternada de Tesla. A propósito, as informações sobre a corrente alternada, neste item, são de caráter informativo e pretendem vislumbrar na história, a gênese do processo que engendrou a teoria de Tesla.

Robert Lobenstein, superintendente de trânsito de Nova Yorque, relata num documentário13 sobre Tesla, que o sistema elétrico considerado eficiente era o de corrente contínua (CC), desenvolvido por Thomas Edison (como consta no tópico 1.4.1). Tesla imaginava que havia outra forma de transmitir a corrente e se dedicou a criar um novo sistema que, mais tarde, tornou-se padrão mundial: a corrente alternada (CA).

No mesmo documentário Geff Parisse (2009), diretor de efeitos kva, relata que a energia fornecida por meio de corrente contínua, faz com que os elétrons se movam até um ponto, realizam um trabalho e depois voltam para o gerador. O impasse com esse processo é que os elétrons encontram resistências ao longo dos cabos, enfrentando dificuldade em viajar a longas distâncias. Em consequência dessa resistência, a maioria da energia desse sistema se perde nos cabos. Para que tal fato não sucedesse, Thomas Edison deveria colocar uma casa de força a cada 1 (um) quilômetro para manter a voltagem estável ao longo da rede de energia.

Segundo o mesmo documentário, em 1887, Tesla descobriu que no sistema CA não era necessário enviar elétrons até o local de atividade e trazê-los de volta como o sistema CC. Ele desenvolveu um gerador de CA que alternava corrente entre pólos positivos e negativos em 60 ciclos por segundo, fazendo com que a corrente se alternasse, enviando-a para frente e para trás. Descobriu-se então, um sistema de corrente mais eficiente e dispendioso.

Lobenstein (2009), expõe no documentário, que a espessura do cabo que transmitia aproximadamente um milhão de wats em corrente contínua para um iluminar um quarteirão de Nova Yorque, era muito grande. Com a corrente alternada poderia usar um fio significativamente menor e levar a mesma potência para a mesma quantidade de casas.

Um industrial aventureiro de Pittsburgh chamado George Westinghouse, conhecido por inventar o freio a ar de trens, ouviu falar de Tesla e comprou as patentes da transmissão de energia a longa distância por $60.000 que incluíram $5.000 em dinheiro e 150 ações na Westinghouse. Tesla então passou a trabalhar na Westinghouse Corporation e recebia $2,50 por cavalo-força de capacidade elétrica vendida, conforme relataram Wysock e Corum et al em1956.

1.4.1Corrente Alternada versus Corrente Contínua

Thomas Edison lançou uma guerra de publicidade contra a corrente alternada de Westinghouse. “Ele contava às pessoas que a corrente contínua era como um rio fluindo pacificamente para o mar, enquanto a corrente alternada era como uma torrente caindo violentamente por um precipício” (Wysock e Corum et al (1956))14. No documentário sobre Tesla, Jeff Behary, curador do Museo Eletctrotherapy, consta que Thomas convenceu o estado de Nova Yorque a usar a energia CA na primeira pena de execução em 1892, visto como um espetáculo terrível, muito pior que um enforcamento.

Apesar da má propaganda, a Westinghouse Corporation ganhou a licitação para iluminar a Feira Mundial de Chicago, a primeira feira totalmente elétrica na história. Thomas Edison, em nome da GE (General Electric) pediu 1 (um) milhão de dólares para realizar o trabalho. Tesla e Westinghouse conseguiram ganhar a concorrência: pediram a metade do oferecido pela GE, pois, o sistema de corrente alternada era mais eficiente e barato porque usariam menos fiação de cobre para iluminar a Feira.

Jeff Behary relata que Edison ficou frustrado em virtude de sua oferta insatisfatória e se recusou a deixar Tesla usar a patente das lâmpadas elétricas.

“Então Tesla precisava criar uma nova lâmpada e fazer 250 mil delas em seis meses para iluminar a feira. A lâmpada de Edison tinha uma rosca na ponta. Ele patenteou o método de levar a energia através da base de rosca e de com selar retirando o ar. A solução de tesla foi fazer uma tampa de vidro na base da lâmpada. Os fios passavam por entre tampa de vidro e assim o novo desenho não interferiam nas patentes de Edson. Tesla virou o jogo contra Edison. Produziu uma lâmpada mais fácil de manusear. Alem de ser capaz de produzi-las em menos tempo” 15

No dia 1 de maio de 1893, o presidente Grover Cleveland apertou o botão e mais de mil lâmpadas incandescentes de Tesla iluminaram os edifícios neoclássicos do Parque para mais de 27 milhões de pessoas que visitaram a feira. Estava mais que provado que o sistema de Tesla era eficiente e começava ali a era da iluminação da era moderna. A partir de então, mais de 80 por cento dos dispositivos elétricos encomendados nos Estados Unidos era para corrente alternada.

São evidentes as razões pelas quais se utilizam a corrente alternada para transmissão da energia elétrica. Esse sistema de transmissão possibilita a elevação ou diminuição da tensão por meio de transformadores estáticos, sendo este um sistema mais eficiente e prático que o de transmissão de corrente contínua. A quantidade de cobre que se utiliza para transmitir determinada potência em alta tensão é consideravelmente menor, pois o peso do cabo transmissor varia na razão inversa do quadrado da voltagem utilizada no transporte. Contudo, a corrente alternada possibilita uma produção de energia em grandes quantidades numa única central para, depois, fornecê-la sobre um território amplo de uma forma bastante econômica, conforme relatou Dawes (1976). Fragnito (2005), acrescenta: a energia é transmitida por linhas de transmissão de tensão muito alta. E o motivo é a perda nos cabos.

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