Anticoncepção

Anticoncepção

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A contracepção talvez seja a preocupação número um de mulheres em idade fértil em todo o mundo. Mesmo em países industrializados, como os Estados Unidos, por exemplo, a taxa de gravidezes não planejadas gira em tomo de 50%.

O índice de Pearl, empregado mundialmente, é reconhecido pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como o principal avaliador da eficácia dos métodos contraceptivos, sejam eles naturais ou não. O índice avalia se, ao fim de um ano, um determinado método que foi empregado em 100 mulheres obteve alguma falha.

I. Pearl = Método x 100/1 ano > nº gravidezes/100 = (%)

Quanto menor o índice de Pearl, maior é a eficácia de um método contraceptivo. Os métodos com maior eficácia possuem índice menor do que um.

Classificaremos inicialmente as diversas formas de contracepção, no intuito de facilitar nossa memorização:

1- MÉTODOS DE COMPORTAMENTO Ritmo; Billings; Temperatura Basal; Sintotérmico; Coito interrompido

2- MÉTODOS DE BARREIRA Mecânicos: Condom (masculino e feminino)/ Diafragma/ Esponja

Químico: Espermaticidas 3- DISPOSITIVOS INTRA-UTERINOS Não medicados; Medicados

4- CONTRACEPÇÃO HORMONAL

Oral: Combinado (Monofásico, Bifásico, Trifásico), Minipílula e Pílula do dia seguinte Injetável: Mensal e Trimestral

5- CONTRACEPÇÃO CIRÚRGICA

Feminina: Ligadura tubária Masculina: Vasectomia

Consistem na observação dos sinais do ciclo menstrual, com consequente abstinência sexual periódica. Devem ser evitados na perimenopausa e próximo a menarca, devido aos ciclos irregulares observados nesses períodos.

O tempo médio de vida de um espermatozóide dentro do trato genital feminino é de 72 horas. O óvulo tem vida média de 48 horas. Presume-se o dia da ovulação, e o casal mantém-se em abstinência por 3 a 4 dias antes desta data e 3 dias após.

1- RITMO, TABELA, CALENDÁRIO OU OGINO KNAUS

Os últimos seis ciclos devem ser conhecidos. Este método só deve ser aplicado a mulheres que tenham os ciclos menstruais regulares e que ovulam sempre em tomo do 14° dia.

O ideal para caracterização do período fértil é que se diminua 18 dias do ciclo mais curto (identificando o início do período) e que se subtraia 1 dias do ciclo mais longo (identificando o término do período fértil).

Após a ovulação ocorre um aumento da progesterona, que atua no centro termorregulador no hipotálamo gerando uma elevação na temperatura basal entre 0,3 e 0,8 ºC, por três dias consecutivos. A mulher deverá manter-se em abstinência durante toda a primeira fase do ciclo até três dias após o aumento da temperatura, fenômeno que denuncia a postura ovular.

A temperatura deve ser medida pela manhã, com a mulher deitada, antes da realização de qualquer atividade. Este método não pode ser utilizado na presença de situações que elevam a temperatura como infecções virais ou bacterianas, por exemplo.

A curva de temperatura pode ser bifásica (normal), monofásica (anovulatória) e trifásica ou com uma segunda fase curta, neste último caso sugestiva de insuficiência lútea ou síndrome do folículo não roto.

Neste método, a mulher tenta prever o período fértil analisando o muco cervical com os dedos. Após a menstruação, normalmente, existe um período de secura vaginal seguido por um progressivo aumento da quantidade do muco, que se torna mais escorregadio, elástico (filante), devido à ação estrogênica da fase proliferativa (1a fase), atingindo o ponto máximo dessas alterações no período da ovulação, e regredindo após este período devido a ação da progesterona.

Tem uma falha de até 39 em 100 mulheres por ano; as principais causas que justificam esta falha incluem: (1) falta de abstenção na fase fértil; (2) fluxo mucoso tardio; (3) ápice do muco precoce; (4) muco não percebido e (5) muco mal avaliado devido a leucorréia ou sêmen.

ABSTINÊNCIA : Início: Menor presença do muco; Final: três dias após o pico ovulatório.

Utilização conjunta dos métodos acima; reunindo a tabela, o muco e a temperatura basal, aumentando a eficácia.

Deve ser desestimulado.Aretirada do pênis leva a ato sexual incompleto e ansiedade. Deve ser desaconselhado por essas razões e também pelo seu elevado índice de falhas. Apresenta índice de Pearl > 25%.

Observação: Estes métodos têm baixa eficácia, alteram o comportamento do casal, dependem da moti- vação e aprendizado e não protegem contra DST / AIDS. Entretanto, eles devem ser ensinados para situações em que a crença religiosa do casal condene outros métodos.

Ill- MÉTODOS DE BARREIRA

Os métodos de barreira agem impedindo a ascensão do espermatozóide ao útero, por atuação mecânica, química ou mista.

1 - MASCULINO

Condom (camisa de Vênus)

Envoltório para o pênis confeccionado com látex (a partir deste século). Apresenta I. Pearl = 3% a 12% com grande variação, pois depende do uso correto.

Vantagens: Protege contra DST (inclusive HPV, HTV, Hepatite B.) e não depende de controle médico e é de fácil acesso.

Desvantagens: Requer motivação, manipulação durante o ato sexual; podem ocorrer roturas e reação alérgica.

Confeccionado com poliuretano. Recobre a cérvice uterina, paredes vaginais e parte da vulva, pode ser usada associada a lubrificantes espermicidas, com isto aumentando a eficácia.

Vantagens: Inserida fora do intercurso sexual e possui mais resistência.

Desvantagem: Confere proteção parcial para herpes genital e HPV, além de ser pouco estética.

Diafragma

Dispositivo circular, de borracha flexível, que recobre o colo uterino. Sua eficácia c melhorada quando associada ao espermicida. Ele pode ser inserido várias horas antes da relação sexual. Deve ser inserido pouco antes da relação sexual para se evitar acumulo de secreções. A remoção deve ser feita de 6 a 8 horas após o ato para maior tempo de exposição do espermatozóide ao espermicida, sendo o mais comum o nonoxinol 9. Apresenta índice de Pearl entre 2 e 4%.

Contra Indicação: Deve se evitado o uso em pacientes com: prolapso uterino, cistocele, retocele, retroversão uterina fixa e nos casos de alterações anatômicas (septos vaginais, fístulas e cistos vaginais).

Atenção: O diafragma aumenta o risco de infecções genitourinárias. Raramente pode ocorrer com o seu uso, a síndrome de Choque tóxico, produzida por cepas de Staphylococcus aureus.

Esponja

A esponja é constituída de poliuretano com espermicida. É descartável e de fácil colocação. Tem como principal impedimento ser um produto importado e com custo elevado. As contra-indicações são as mesmas aplicadas ao diafragma. índice de Pearl entre 9 e 27%.

Espermicida

Agentes químicos que inativam o espermatozóide por lesão da sua membrana celular. Isoladamente não oferecem proteção adequada. Citamos como os principais agentes, o Nanoxinol-9, o Octoxinol-9 e o Menfegol. A paciente e/ou o parceiro podem apresentar reação alérgica. Índice de Pearl entre 2 e 29%.

Método mais utilizado no mundo, principalmente em países do primeiro mundo e na China.

O dispositivo intra-uterino (DIU) tem como mecanismo de ação o estímulo à reação inflamatória pronunciada no útero, pela presença de corpo estranho. Atua alterando a viscosidade do muco cervical, a motilidade tubária e, além disso, modifica o endométrio não permitindo a nidação. É considerado pela OMS como método de não fertilidade.

DIU de cobre apresenta ação espermicida e irritativa. O cobre promove também uma reação inflamatória exuberante. Índice de Pearl de 0,8%. Entre os DIUs de cobre, o mais utilizado é o Tcu 380 A, com duração de 10 anos. No primeiro ano a taxa de gravidez é de 0,6 a 0,8 em 100 mulheres por ano, nos anos seguintes é menor ainda.

Pode ser instalado em qualquer fase do ciclo, embora seja mais indicado no início da menstruação devido à dilatação do colo uterino e a certeza de não gravidez. Deve-se observar sua posição por meio de ultra-sonografia nos dois primeiros meses e, depois, a cada 90 dias até completar um ano, sendo o controle realizado anualmente após. O DIU deve ser posicionado acima do orifício interno do colo uterino.

DIU hormonal com levonorgestrel (MIRENA): Consiste em um dispositivo em forma de T (FIGURA 1), com 32x32 m, contendo um reservatório que libera 20mcg de levonorgestrel em 24h (no início), apresentando efeito por cinco anos. Sua grande vantagem é sua ação basicamente local, com poucos efeitos sistémicos; observa-se também com o uso uma diminuição do volume menstrual.

O DIU hormonal com levonorgestrel torna hostil o muco cervical, afetando com isto a função, motilidade e capacitação espermática. O crescimento endometrial é reduzido, diminuindo a probabilidade de implantação. Parece haver alguma inibição da ovulação pela ação do progestógeno, mas isto é perdido com o tempo, não sendo o mecanismo responsável pela atividade contraceptiva.

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