Fatores que afetam a distribui o dos seres vivos

Fatores que afetam a distribui o dos seres vivos

FATORES QUE AFETAM A DISTRIBUIÇÃO DOS SERES VIVOS

Ecologicamente, pode-se dizer que as populações tendem a ocupar áreas progressivamente maiores, desde que as condições lhes sejam favoráveis. Contudo, as áreas de distribuição das biotas não são concêntricas, já que inúmeros fatores, intrínsecos e extrínsecos, controlam o crescimento das populações e expansão das áreas.

As áreas de ocupação têm forma irregular. O caráter heterogêneo do ambiente e as alterações temporais a que está sujeito modelam as áreas de distribuição dos organismos.

Os meios pelos quais vegetais e animais ocupam novas áreas são diversos. Os vegetais, não dispondo de formas de locomoção próprias, estão sujeitos aos mecanismos passivos de deslocamento, contando com estruturas adaptativas que facilitam o transporte para os novos locais. Já muitos animais, além de se deslocarem passivamente, utilizam-se da dispersão ativa (locomoção própria) para alcançar novas áreas.

A escolha de novos ambientes exige a superação de obstáculos impostos pela natureza; superá-Ios significa estar pré-adaptado ao novo ambiente. Os movimentos de ampliação de área não dependem apenas de deslocamentos espontâneos e ao acaso. Outrossim, outros fatores controlam a saída da população de uma comunidade. Dentre estes. os efeitos intracompetitivos, impostos pelo crescimento de uma população, ganham destaque. A possibilidade de emigrar quando a pressão competitiva (por alimento, abrigos, etc.) aumenta resolve, em parte, os riscos de extinção dessa população.

Na determinação da distribuição geográfica dos organismos são importantes os fatores históricos, a adaptabilidade e capacidade dos organismos de ultrapassar barreiras, as pressões que induzem à dispersão.

DISPERSÃO

É o processo através do qual um organismo abandona sua área de origem e atinge outros locais. Pode ser induzida por pressões intrapopulacionais, modificações ambientais, ou pelo acaso. A permanência na nova área dependerá da capacidade adaptativa da espécie. As possibilidades de, efetivamente, conquistar a nova área, diminuindo os riscos de extinção, aumentam se houver variabilidade genética.

A dispersão pode ser ativa ou passiva. Ativa quando os organismos se utilizam dos próprios meios de locomoção. Passiva quando participam agentes externos como por exemplo:

(1) - vento (anemocoria) - transporte de sementes, animais passíveis de serem transportados como insetos, pequenos vertebrados, etc.;

(2) - água (hidrocoria) - pode deslocar a distâncias consideráveis sementes, plâncton, animais nadadores ou balsas vivas;

(3) - animais (zoocoria) - transporte de organismos na pelagem, penas, corpo de animais.

BARREIRAS

Obstáculos representados por acidentes geográficos como lagos, mares, montanhas ou áreas onde as condições locais não permitem o trânsito da espécie. O seu efeito será o impedimento da passagem do organismo. A possibilidade de trânsito, no entanto, é diferencial dentro do conjunto das espécies, já que a adaptabilidade e a capacidade de ultrapassar barreiras diferem de um organismo para outro.

As barreiras têm um importante papel no processo de especiação: o isolamento geográfico é um primeiro passo para a diferenciação entre as espécies (especiação alopátrica).

COLONIZAÇÃO

A colonização é a entrada e fixação dos migrantes no novo ambiente. A fixação é efetiva quando ocorre reprodução dos indivíduos migrados. Este processo envolve adaptações ao meio ambiente para adequação aos nichos ecológicos. A colonização ocorre quando:

(1) existem nichos ecológicos vagos no novo local, semelhantes aos de origem da espécie, ocorrendo adaptação imediata dos indivíduos imigrantes:

(2) existem nichos ecológicos vagos no novo local, diferentes daqueles de origem da espécie, tendo os indivíduos imigrantes plasticidade ou variabilidade genética suficiente para colonizá-Io;

(3) existem nichos ecológicos já ocupados por populações locais, semelhantes ou diferentes daqueles de origem da espécie invasora, porém os indivíduos desta espécie apresentam adaptações mais eficientes para explorar estes nichos. ocasionando o deslocamento da espécie local para um novo nicho ecológico ou a sua. extinção por competição interespecífica. ­

CONCEITO DE ÁREA

A área de distribuição compreende o conjunto das localidades onde uma espécie tenha sido encontrada (Margalef. 1989). As áreas são representadas cartograficamente por mapas de distribuição. O estudo quantitativo das áreas é a corologia, denominando-se zoogeografia e fitogeografia quando refere­se a grupos zoológicos e vegetais, respectivamente.

A amplitude de ocupação de uma área por uma espécie permite classíficá-Ia em:

(I) Cosmopolita - espécies de área cosmopolita vivem praticamente em todos os locais do planeta onde encontrem condições apropriadas ao seu desenvolvimento. Essa distribuição ampla pode ser analisada hoje ou no passado. Embora o termo cosmopolitismo seja usado para muitas espécies de distribuição ampla, como o homem, moscas, organismos planctônicos, é importante ressaltar que não existe cosmopolitismo absoluto. Mesmo as espécies de distribuição ampla apresentam interrupções de área.

(2) Endêmica - a ocupação de áreas restritas é feita por espécies endêmicas, típicas de um determinado local. O endemismo pode ser interpretado em diferentes ordens de grandeza de área (ilha, continente) e em diferentes categorias taxonômicas (espécie, gênero. família, etc.). Uma espécie relicto é aquela remanescente de distribuição outrora ampla, mas que hoje ocupa áreas restritas.

(3) Distribuição continua - quando a espécie ocupa. sem interrupção. todos os ambientes de uma área que lhe são adequados.

(4) Distribuição disjunta - quando a área de distribuição é formada por duas ou mais áreas parciais, separadas por áreas nas quais a espécie não vive, apesar de existirem condições ambientais apropriadas. Na distribuição disjunta, as áreas têm que estar ocupadas simultaneamente, não se referindo o termo a espécies migratórias.

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