Métodos Analíticos

Métodos Analíticos

Métodos Analíticos

 

            É necessário muito cuidado na recolha de amostras e na manipulação do clorofórmio pois como já foi dito é um composto facilmente volatilizável. O rigor da análise depende bastante da reprodutibilidade do método usado.

 

Amostras Biológicas

 

        O método para a preparação de amostras de ar expirado utiliza tipicamente um adsorvente seguido de desorção térmica ou análise directa de uma alíquota do ar expirado. Todos estes métodos utilizam a cromatografia gasosa com variados métodos de detecção como técnica analítica. Com limites de detecção na ordem dos poucos ppm, estes são suficientemente sensíveis para medir níveis normais de clorofórmio na população em geral assim como níveis prejudiciais para a saúde após exposição (aguda ou crónica). Seguidamente apresentamos uma tabela com os métodos mais comuns aplicados em laboratórios analíticos (2) (8):

 

Amostra

Método de preparação

Método analítico

Limite de detecção

Recuperação (%)

Ar expirado

Recolha de uma amostra de ar exalado para em saco apropriado que é depois passada através de um cartucho “Tenax”

Cromatografia gasosa/Condutividade electrolítica

13 ng no cartucho

63 +/- 13

Ar alveolar

Recolha do ar exalado utilizando um aparelho próprio para fornecer ar puro para a inalação prévia. A amostra é recolhida em duplicado para latas sobre vácuo (não deformáveis)

Cromatografia gasosa/Espectrometria de massa

0,5 µg/m3 (0,5 ppm, m/v)

112 a 5,1 µg/m3

Sangue total

Pré-concentração por purga-aprisionamento, seguida de desorção térmica

Cromatografia gasosa/Espectrometria de massa

< 0,5 µ/L

____________

Sangue total (Análise clínica)

____________

Cromatografia gasosa (tempo de retenção de 2 min)/Ionização por chama

0,1 mg/L (pode haver interferências de outros compostos orgânicos voláteis)

____________

Soro sanguíneo e tecido adiposo

Pré-concentração por purga-aprisionamento, seguida de desorção térmica

Cromatografia gasosa/Correr por cromatografia gasosa e confirmar com Espectrometria de massa

 

0,05 µ/L para o soro

____________

Sangue, urina e tecidos

Pré-concentração por purga-aprisionamento, seguida de desorção térmica

Cromatografia gasosa/Condutividade electrolítica através de um condutor específico de halogéneo;

Cromatografia gasosa/Espectrometria de massa

0,10 µ/L para o sangue e urina

____________

Peixe

Extracção por pentano e isopropanol (com uma eficiência de extracção de 67%)

Cromatografia gasosa (volume de injecção é 2µl)/”Detector de captura electrónica” com uma coluna capilar de sílica fundida

1 µ/kg em amostras frescas

____________

 

Amostras Ambientais

 

            Aqui os métodos mais usados para a detecção do clorofórmio numa amostra gasosa baseiam-se na adsorção numa coluna apropriada, seguida de desorção térmica ou por recurso a um solvente, analisando a matriz assim obtida por cromatografia gasosa. Também se usa um processo que envolve a concentração criogénica do clorofórmio directamente de uma alíquota de ar seguida de cromatografia gasosa. As desvantagens das colunas adsorventes decorrem do facto de estas não possuírem taxas de adsorção 100% eficientes e além disto as impurezas contidas nas colunas podem limitar de alguma forma o limite de detecção em amostras pouco concentradas. Além disto o processo de armazenagem deste tipo de colunas, antes de se efectuar a desorção e consequente análise, pode originar perdas de clorofórmio. A extracção em fase sólida também é muito útil neste caso, onde a preparação da amostra é muito simples e rapidamente efectuada (90 segundos) embora seja necessário algum controlo das condições em que ocorre.

            O fosgénio também pode ser determinado em amostras gasosas através de cromatografia gasosa com detecção por captura electrónica ou por HPLC após tratamento adequado do fosgénio.

            Para a detecção do clorofórmio na água, sedimentos ou alimentos recorre-se à purga de vapor da amostra ou à suspensão num solvente com um gás inerte, aprisionando os vapores desorvidos. Pode também usar-se a microextração em fase sólida ou a extracção por solvente apropriado. Não se encontra descrito nenhum método para a detecção de fosgénio neste tipo de matrizes.

            Para a análise de medicamentos utiliza-se espectrometria de infravermelhos com curvas de calibração determinadas após extracção da amostra com bissulfito de carbono. O pico de absorção encontra-se a 8,25 µm com uma linha base de 7,70 a 8,70 µm (7).

            A reprodutibilidade dos métodos descritos é geralmente aceitável mas depende bastante do tipo de laboratório em que a análise é efectuada. Possíveis interferências incluem vapores de clorofórmio preexistentes no laboratório. Também devem ser evitados componentes em plástico ou borracha pois podem contaminar a amostras com resíduos resultantes de análises anteriores. Como já seria de supor a amostragem no terreno também condiciona em grande escala a eficácia do processo.

 

            Os métodos mais utilizados estão descritos na seguinte tabela -2  (8):

 

 

Amostra

Método de preparação

Método analítico

Limite de detecção

Recuperação (%)

Ar

Adsorção em charcoal seguida de desorção com bissulfito de carbono

Cromatografia gasosa/Ionização por chama

0,7 mg/m3 para 15 L de amostra

97 a 120 – 493 mg/m3

Ar

Microextração em fase sólida transferindo para cromatografia gasosa via desorção térmica da fibra

Cromatografia gasosa/Espectrometria de massa com aprisionamento iónico

2 ppb (v/v)

_______________

Ar

Pré-concentração criogénica com transferência térmica para cromatografia gasosa

Cromatografia gasosa/”Detector de captura electrónica”

_______________

100 a 3,5 ppb

Fosgénio (gasoso)

Recolha do gás fazendo-o passar através de uma solução contendo anilina; evaporação por solvente e dissolução do resíduo em acetonitrilo

HPLC/detecção no UV

0,1 ppb (v/v)

100 a 3 ppb (v/v)

Água de consumo/ Água residual

Pré-concentração por purga-aprisionamento, seguida de desorção térmica

Cromatografia gasosa/Espectrometria de massa

<0,1µ/L (utilizando uma coluna capilar de calibre reduzido)

105 (utilizando uma coluna capilar de calibre reduzido)

Água salgada/ Água doce

Extracção por solvente (pentano) secando o extracto com sulfato de sódio anidro

Cromatografia gasosa/”Detector de captura electrónica”

80 ng/L (0,08 ppb m/v)

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Água engarrafada/Água da fonte (não tratada)

Pré-concentração por purga-aprisionamento em “Tenax”/sílica/charcoal, seguida de desorção térmica

Criofocagem; Cromatografia gasosa de alta resolução/Espectrometria de massa

0,03 µg/L (0,03 ppb m/v) com coluna de calibre largo; 0,02 µg/L (0,02ppb m/v) para coluna de calibre reduzido

90 a 0,5 -10 µg/L (calibre largo); 95 a 0,1 µg/L (calibre reduzido)

Resíduos sólidos ou líquidos; Solo

Dispersão em glicol; Pré-concentração por purga-aprisionamento em “Tenax”/sílica/charcoal, seguida de desorção térmica

Cromatografia gasosa/ “Detector de captura electrónica” e detecção por ionização à chama (em série)

_______________

105 a 5 µg/L

Alimentos

Extracção com isoctano ou acetona-isoctano; injecção directa para cromatografia gasosa

Cromatografia gasosa/ “Detector de captura electrónica”

5 ng/g

15-161

Componentes voláteis alimentares

Injecção directa do gás superficial

Cromatografia gasosa/ “Detector de captura electrónica” ou Espectrometria de massa

4,2 µg/kg (4,2 ppb m/m em bebidas); 12,5 µg/kg (12,5 ppb m/m em lacticínios); 18 µg/kg (carnes); 28 µg/kg (óleos/gorduras)

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Determinação de biomarcadores de exposição e efeito:

 

            Ainda não foi identificado nenhum biomarcador que possa ser quantitativamente associado à exposição ao clorofórmio. Embora os níveis deste tóxico possam ser determinados em amostras biológicas, a relação entre os níveis encontrados e os níveis de exposição ainda não foi adequadamente estudada.

            Num estudo efectuado, as concentrações alveolares de clorofórmio encontradas em indivíduos frequentadores de piscinas interiores foram proporcionais à sua concentração no ar local. Tal correlação deve-se, em parte, ao facto das amostras de ar alveolar terem sido recolhidas logo após o final da exposição. Também se observaram boas correlações entre as concentrações sanguíneas e bronco-alveolares humanas com as obtidas no ar e na água após exposição durante o duche e natação (2). A correlação entre as concentrações alveolares e as concentrações aéreas baseadas em amostras de ar expirado, após exposição por tempo indeterminado, é muito complexa de averiguar pois depende de factores como o metabolismo, a actividade e muitos outros influentes na eliminação corporal do xenobiótico. Além disto a presença de clorofórmio, ou de um produto da sua transformação como o fosgénio e seus derivados, numa amostra biológica pode ser proveniente da metabolização de outros hidrocarbonetos clorados além do clorofórmio.

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