Tcc pilates na lombalgia

Tcc pilates na lombalgia

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2 DIEGO ALANO CARVALHO

Monografia apresentada ao Curso de Fisioterapia, como requisito para obtenção do título de Bacharel em Fisioterapia.

Universidade do Sul de Santa Catarina

Orientador temático: Profª Msc. Inês Alessandra Xavier Lima Tubarão, 2006

Dedico este trabalho às pessoas mais importantes da minha vida: meus pais, Diomar e Evanir, a minha irmã Mirella e a minha namorada Glaucia, que confiaram no meu potencial para esta conquista. Não conquistaria nada se não estivessem ao meu lado. Obrigada, por estarem sempre presentes a todos os momentos, me dando carinho, apoio, incentivo, determinação, fé, e principalmente pelo Amor de vocês.

Acima de tudo a Deus, pai misericordioso que sempre esta ao meu lado e por me privilegiar de exercer uma profissão mágnifica.

Aos meus Pais, Diomar e Evanir, que me deram toda a estrutura para que me tornase a pessoa que sou hoje. Pela confiança e pelo amor que me fortalece todos os dias.

À minha irmã Mirella, por estar sempre presente, na minha vida a cada dia nos tornamos mais amigos. Não é mana?

Aos meus amigos Caiano e Rodrigo que, ao longo desses meus quatro anos, posso considerar como verdadeiros amigos.

Em especial agradeço minha professora Inês, que foi uma orientadora extraordinária, estando sempre presente, esclarecendo as minhas dúvidas, tendo muita paciência, competência, confiança, conhecimentos e principalmente a amizade.

À minha namorada Glaucia ofereço um agradecimento mais do que especial, por ter vivenciado comigo passo a passo todos os detalhes deste trabalho, ter me ajudado, durante toda a coleta, por ter me dado todo o apoio que necessitava nos momentos difíceis, todo carinho, respeito, por ter me aturado nos momentos de estresse, e por tornar minha vida cada dia mais feliz.

Agradeço meus familiares que sempre acreditaram muito no meu trabalho e me ajudaram no que foi preciso.

grandes amigos, fizeram com que eu continuasse e chegasse até onde cheguei

À todos os meus professores, futuros colegas e acima de tudo por terem se tornado

Agradeço a todos os meus amigos e colegas de trabalho que de alguma maneira ajudaram para esta realização.

Enfim, agradeço a M.B.N, o sujeito da amostra. Nada seria sem você...com certeza sempre terei carinho, respeito e agradecimento. Obrigada por tudo!

Deus me enviou à terra com uma missão, só ele pode me deter, os homens nunca poderão.

(Bob Marley)

Uma musculatura abdominal fraca pode facilitar o desenvolvimento de alterações na coluna vertebral, com conseqüências como a lombalgia, a qual pode interferir na biomecânica da coluna vertebral, muitas vezes comprometendo a independência funcional do individuo e sua qualidade de vida. O Método Pilates® possibilita vários benefícios ao praticante, desde o aprimoramento da resistência à fadiga ao alinhamento corporal, através de exercícios de fortalecimento muscular praticados com poucas repetições, exigindo concentração e atenção do praticante e priorizando o trabalho constante da musculatura abdominal, podendo ser trabalhado tanto com aparelhos, quanto no solo (o chamado Mat Pilates). Este estudo teve como objetivo geral analisar os efeitos dos princípios do Método Pilates® no solo na lombalgia crônica, e, para tanto, utilizou como estratégias identificar o nível de quadro álgico, avaliar a capacidade funcional da coluna lombar, levantar a amplitude de movimento da coluna lombar e verificar o grau de força dos músculos da coluna lombar pré e pós-intervenção. Para tanto, este estudo, do tipo estudo de caso com pré e pós-teste, teve como amostra um sujeito do gênero feminino, com idade de 47 anos e diagnóstico clínico de lombalgia crônica. Como instrumentos para a coleta de dados foram utilizados a ficha de avaliação físico funcional da coluna vertebral (adaptada de Alexandre e Moraes, 2001), testes para verificação do nível de flexibilidade - finger-floor (HOPPENFELD, 1999), inclinação lateral do tronco (HOPPENFELD, 1999) e verificação de retração da cadeia muscular posterior Marques (2000); o Sinal de Lasègue (BATES, 2005) e o mapa de desconforto para diferentes partes do corpo (MORAES, 2002). Como resultado da intervenção fisioterapêutica, com relação ao quadro álgico obteve-se melhora na coluna lombar e quadril direito, com relação à flexibilidade e mobilidade da coluna vertebral ela apresentou diminuição da distância avaliada no teste fingerfloor e nos teste de inclinação lateral à direita e à esquerda, além de fechamento dos ângulos coxo-femoral e tíbio-társico no pós-teste; e com relação ao grau de força muscular apresentou grau 5 em todos os movimentos reavaliados. No que se refere ao grau de funcionalidade da coluna vertebral, identificou-se considerável melhora - evidência esta que foi obtida através de uma auto-avaliação escrita realizada voluntariamente pela paciente, na qual a mesma descreveu como era a sua rotina de vida diária pré e pós-intervenção fisioterapêutica. Sendo assim, todos os objetivos traçados neste estudo foram alcançados, sugerindo os efeitos benéficos que o Método Pilates® no solo pode proporcionar ao individuo e que este se mostra como mais uma opção de recursos fisioterapêuticos disponível para a prescrição de uma intervenção diferenciada e específica.

Palavras-chaves: Dor Lombar, Fisioterapia, Método Pilates® .

An weak abdominal muscle can facilitate the development of spine’s alterations, with consequences like low back pain, witch can intefere in spine biomechanical, many times, commiting functional independence of individual and his quality of life. Pilates Method® makes possible many benefits for apprentice, since the improvement of fatigue’s resistence to corporal alignment, through exercises to muscles’ invigoration that are practiced with few repetitions, requiring apprentice’s concentration and attention and prioritizing constant work of abdominal muscles, that can be worked out as with apparelles, as on the floor (called Pilates Method®). This study had as general objective to analyze the principles of Pilates Method® on the floor in chronic low back pain. And, for this, it was used as strategies to identify the pain’s level, to evaluate functional capacity of low back, to increase the amplitude of movement of low back of the type of study of case, to verify the grade of abdominal muscles’ strengh with pre and post-test, had as sample one female subject, with 47 years old and clinical diagnostic of chronic low back pain. Like instrumento to collect dates, it was used an register to physical-functional evaluation of spine (adjusted by Alexandre and Moraes, 2001), tests to verify flexibility level – finger-floor (HOPPENFIELD, 1999), spine’s lateral inclination (HOPPENFIELD, 1999) and verification of posterior muscle chain’s retraction Marques (2000); Laségue sign (BATES, 2005) and map of discomfort to different parts of body (MORAES, 2002). The results of physiotherapic intervention, refered to clinical picture of pain, it was observed na improvement of low back and right hip, refered to flexibility and mobility of spine, it showed 0 cm in finger-florr test, 32 cm and 3 cm in right and left lateral inclination), refered to muscle strengh grade it showed grade 5 in all of movements that were revalueted). In what concerns to spine’s functionality grade, it was identified considerable improvement – this evidence was obtained by a writing auto-evaluation that was willfully realized, witch described how was the daily life’s routine pre and postphysiotherapic intenvention. So, all the plan objectives in this study were achieved, suggesting that beneficient effects of Pilate method® on the floor can proporcionate to individual and shows that it’s one more option of available physiotherapic recourses to prescription of a different and specific intervention.

Key-words: Low back pain; Physitherapy; Pilates method®

1 INTRODUÇÃO16
2 REVISÃO DE LITERATURA19
2.1 Aspectos anatômicos e biomecânicos da coluna vertebral19
2.1.1 As curvaturas fisiológicas24
2.1.2 Lombalgia25
2.2 Abdome28
2.2.1 Anatomia funcional dos músculos abdominais28
2.3 Pilates3
2.3.1 O histórico3
2.3.2 O método34
2.3.3 Princípios35
2.3.4 Benefícios37
3 DELINEAMENTO DA PESQUISA41
3.1 Tipo de pesquisa41
3.1.2 Tipo de pesquisa quanto ao nível42
3.1.3 Quanto ao procedimento42
3.2 Sujeito da Amostra43
3.3 Instrumentos utilizados para coleta de dados4
3.4 Procedimentos utilizados na coleta de dados48
3.5 Tratamento de Dados59
4 ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS DADOS60
4.1 Caracterização do sujeito da amostra60
4.2 Mobilidade da Coluna Vertebral62
4.2.1 Testes de mobilidade da coluna vertebral62
4.2.2 Teste de flexibilidade64
4.3 Quadro Álgico6
4.3.1 Sinal de Laségue6
4.3.2 Escala de desconforto para diferentes partes do corpo67
4.4 Grau de força69
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS73
REFERÊNCIAS75
APÊNDICES79
APÊNDICE A – Auto avaliação da paciente80
ANEXO104
ANEXO A – Ficha de avaliação105
ANEXO B – Escala de desconforto para diferentes partes do corpo109
ANEXO C – Aprovação do cep unisul110
posterior19

Figura 1: Gravura apresentando a coluna vertebral no plano frontal, vista anterior e

sagital – vista lateral24
Figura 3: Ilustração apresentando a localização dos músculos abdominais30
Figura 4: Aparelho Reformer38
Figura 5: Aparelho Cadillac ou Trapézio39
Figura 6: Aparelho High Barrel39
Figura 7: Aparelho Chair (Combo)39
Figura 8: Aparelho Chair (Wunda)40
Figura 9: Distância dedo médio-chão4
Figura 10: Inclinação lateral de tronco45

Figura 2: Gravura identificando as curvas fisiológicas da coluna vertebral, observáveis no plano

Indivíduo com ângulo coxo-femoral aberto46
Figura 12: Ângulo coxo-femoral46
Figura 13: Ângulo tíbio-társico47

Figura 1: Seqüência utilizada para a realização do Teste de retração de cadeia posterior - [A] Inclinação do tronco para frente, [B] Indivíduo realinhado e ângulo coxo-femoral fechado, [C] Figura 14: Imagem fotográfica do teste de finger-floor realizado pelo sujeito da amostra....50

amostra50

Figura 15: Imagem fotográfica do teste de inclinação lateral à esquerda realizado pelo sujeito da

amostra50

Figura 16: Imagem fotográfica do teste de inclinação lateral à direita realizado pelo sujeito da

sujeito da amostra51

Figura 17: Imagem fotográfica do teste de retração da cadeia muscular posterior realizado pelo

do sujeito da amostra51

Figura 18: Imagem fotográfica do teste do sinal de Laségue, realizado no membro inferior direito

esquerdo do sujeito da amostra51
Figura20: Imagem fotográfica do exercício “ponte”, realizado pelo sujeito da amostra53
Figura 21: Imagem fotográfica do exercício “o cem”, realizado pelo sujeito da amostra54

Figura 19: Imagem fotográfica do teste do sinal de Laségue, realizado no membro inferior

amostra5

Figura 2: Imagem fotográfica do exercício “círculo com uma perna”, realizado pelo sujeito da

sujeito da amostra5

Figura 23: Imagem fotográfica do exercício “estiramento da coluna para frente”, realizado pelo

realizado pelo sujeito da amostra56

Figura 24: Imagem fotográfica do exercício “estiramento das duas pernas” [A], [B], [C],

Fonte: dados do autor, 200657

Figura25: Imagem fotográfica do exercício “cisne” [A], [B], realizado pelo sujeito da amostra.

sujeito da amostra58

Figura26: Imagem fotográfica do exercício “rolamento para frente” [A], [B], [C], realizado pelo

da amostra59

Figura 27: Imagem fotográfica do exercício “alongamento de uma perna”, realizado pelo sujeito

relatados pelo sujeito da amostra na avaliação pré-intervenção68
Figura 29 [A]: movimento de anteroversão82
Figura 29 [B]: movimento de retroversão82

Figura 28: [A] Ilustração representando a região e grau de desconforto relatados pelo sujeito da amostra na avaliação pré-intervenção; [B] Ilustração representando a região e grau de desconforto Figura 30 [A]: inicio da posição “o cem” sujeito em decúbito dorsal....................................83

Figura 30 [B]: inspiração + flexão de ombros83
Figura 30 [C]: expiração + MS posição inicial83
Figura 31: flexão de tronco + movimentos dos MS + expiração84
Figura 32: movimento completo84
Figura 3: posição inicial movimento circulo com uma perna86
Figura 34: verificação da contração de ísquios tibiais + glúteo +quadríceps87
Figura 35[A]: exercício o cem posição inicial sem suporte da bola87
Figura 35[B]: iniciando o exercício8
Figura 35 [C] execução completa do exercício8
Figura 36: posição inicial, do movimento estiramento da coluna para frente89
Figura 37: execução do movimento, estiramento da coluna para frente90
Figura 38: incentivando a dorsiflexão, durante o movimento90
Figura 39: iniciando o movimento, estiramento das duas pernas91
Figura 40: seqüência do movimento, estiramento da duas pernas92
Figura 41: final do movimento, estiramento das duas pernas92
Figura 42: inicio do aquecimento ponte94
Figura 43: final do movimento de aquecimento94
Figura 4: posição inicial do exercício swam ou cisne95
Figura 45: final do movimento swan ou cisne95
Figura 46 [A]: inicio do movimento estiramento das duas pernas sem o apoio da cunha97
cunha97
Figura 46 [C]: final do movimento estiramento das duas pernas sem apoio da cunha97

Figura 46 [B]: seqüência do movimento estiramento das duas pernas sem o apoio da Figura 47: posição inicial do exercício rolamento para frente...............................................98

Figura 48: seqüência do exercício rolamento para frente9
Figura 49: posição final do exercício rolamento para frente9
Figura 50 [A]: retorno a posição inicial do exercício rolamento para frente100
Figura 50 [B]: movimento final do exercício rolamento para frente100
Figura 50 [C]: final do exercício rolamento para frente100

O enfraquecimento da musculatura abdominal pode causar danos à saúde do ser humano, e estes danos podem interferir seriamente nas atividades de vida diária (AVD’s) de uma pessoa. Uma musculatura abdominal fraca poderá facilitar o desenvolvimento de alterações na coluna vertebral, com conseqüências como a lombalgia, a qual pode interferir na biomecânica da coluna vertebral, que exerce um papel importante nos movimentos realizado pelo corpo humano, dando estabilidade e ampliando os movimentos, muitas vezes comprometendo a independência funcional do individuo e sua qualidade de vida.

Para Andrade, Araujo e Vilar (2005, p. 224), a “dor lombar é uma das alterações músculo-esqueléticas mais comuns na sociedade, podendo afetar cerca 70% a 80% de pessoas em algum momento de suas vida.”

Mendes (1996) conceitua lombalgia crônica com “a dor persistente durante três meses, no mínimo, o que corresponde a 10% dos sujeitos das amostras acometidos por lombalgia aguda recidivante. Esse tipo de lombalgia é mais comum em sujeito da amostras de 45 a 50 anos.” Os principais fatores responsáveis pela cronicidade das dores lombares são problemas psicológicos, baixo nível de escolaridade, trabalho pesado ou em postura sentada, levantar grandes quantidades de peso, sedentarismo, acidentes de trabalho, dirigir veículos, horas excessivas de trabalho, gravidez, ferimentos e tabagismo. Nieman, (1999) em relação à prevalência sexual e etária, estudos demonstram que é mais comum a dor lombar em mulheres que em homens e que esta patologia acomete geralmente mais indivíduos na idade produtiva em média dos 25 aos 60 anos.

O músculo que tem como um dos objetivos principais dar estabilidade à coluna vertebral é o transverso abdominal, uma vez que a função dele é de envolver a coluna vertebral e a cintura pélvica estabilizando a coluna lombar. Um músculo transverso abdominal forte garante uma maior estabilidade a coluna vertebral, e é neste músculo que está o foco da atuação do

Método Pilates® .

Os músculos abdominais participam no suporte da coluna, funcionando de uma maneira que diminua a tensão exercida sobre a mesma, sendo que este suporte dado a ela poderá ser diminuído com o enfraquecimento de tal musculatura, visto que o fortalecimento dos músculos abdominais trará mais estabilidade à coluna vertebral.

O Método Pilates® , segundo o criador do método - Joseph Pilates possibilita vários

concentração e atenção

benefícios ao praticante, desde o aprimoramento da resistência à fadiga ao alinhamento corporal, através de exercícios de fortalecimento praticados com poucas repetições, os quais exigem muita

O referido método prioriza a o trabalho muscular abdominal para garantir a boa funcionalidade da coluna vertebral, entre outras coisas, viabilizando a independência funcional dos praticantes. Atualmente, o Método Pilates® vem sendo utilizado por profissionais fisioterapeutas com a intenção de reverter quadros de disfunção da coluna vertebral, inclusive da região lombar.

Em função da utilização cada vez mais freqüente deste método com enfoque terapêutico, mostra-se interessante identificar sua repercussão em um quadro álgico bastante

profissionais fisioterapeutas e à sociedade em geral

prevalente na sociedade ocidental, a lombalgia crônica, a fim de garantir maiores informações aos

Existem vários estudos científicos feitos sobre as doenças da coluna vertebral, mas há certa escassez em estudos relacionados ao tratamento da lombalgia crônica. Estudos que falam sobre o tratamento da lombalgia crônica acabam optando e utilizando como tratamento, uma relação de exercícios onde se utiliza de vários artifícios, poucas vezes prioriza um único método de exercícios como tratamento. Sendo assim, justifica-se este estudo pela dificuldade de encontrar materiais científicos especificamente relacionados ao tratamento da lombalgia crônica com o uso exclusivo de um método, mais especificamente, utilizando os princípios do Método Pilates® no solo de forma terapêutica, tendo como objetivos Analisar os efeitos dos princípios do Método Pilates® no solo na lombalgia crônica; Identificar o nível do quadro álgico da amostra pré e pós intervenção fisioterapêutica; verificar o grau de força dos músculos responsáveis pelos movimentos da coluna lombar pré e pós intevenção fisioterapêutica; Avaliar a capacidade funcional da coluna lombar da amostra pré e pós intervenção fisioterapêutica; e levantar a ADM da coluna lombar da amostra pré e pós intervenção fisioterapêutica. .

2 REVISÃO DE LITERATURA

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