Cuidado integral nos ciclos de vida

Cuidado integral nos ciclos de vida

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Secretaria Municipal de Saúde Outubro de 2006

Nutrição 1

Uma boa nutrição é condição fundamental para promover o bem estar físico, mental e social de crianças, jovens e adultos, garantindo, em condições normais de saúde, uma boa qualidade de vida.

Além do prazer que proporciona, o alimento é fonte de energia e outros nutrientes que o corpo precisa para crescer, desenvolver e manter a saúde. E como cada nutriente tem uma função no organismo, a alimentação deve ser a mais variada possível, para que o corpo receba todos os nutrientes necessários para seu bom funcionamento.

Além do mais, diferentes grupos de pessoas possuem diferentes necessidades nutricionais, que dependem de fatores como idade, sexo, atividade física, gravidez e amamentação. As necessidades alimentares de uma criança, por exemplo, não são as mesmas de um adolescente, de um adulto ou de uma pessoa idosa.

Tudo isso e muito mais você vai ler nessa cartilha: “Alimentação por Faixa Etária”. Ela orienta sobre a alimentação adequada para crianças, adolescentes, adultos e idosos. Leia estas páginas com carinho e atenção!

A infância exige maior cuidado com a alimentação. Além da manutenção das funções vitais, o organismo da criança precisa de nutrientes para o crescimento, desenvolvimento do sistema nervoso e da estrutura óssea.

A criança bem alimentada: · cresce e ganha peso;

· desenvolve-se bem;

· tem melhor desempenho escolar;

· tem mais resistência às doenças;

· quando adoece, a recuperação é mais rápida.

O ser humano cresce geralmente até os 20 anos. Nesse período, há dois momentos em que a criança cresce mais rápido, são os chamados estirões da infância e da adolescência.

O Estirão da Infância ocorre do primeiro ao sexto ano de vida. Durante o restante da infância, o crescimento é relativamente lento e constante.

O Estirão da Adolescência acontece em idades diferentes para cada sexo. Nos homens acontece dos 12 aos 20 anos, e nas mulheres, dos 10 aos 18 anos.

Crianças de 0 a 1 ano: ocorre o predomínio do peso em relação à altura (chamado de período de repleção).

Crianças de 1 a 6 anos: ocorre o predomínio da altura em relação ao peso (chamado de período de estirão).

Crianças de 6 a 10 anos: ocorre o predomínio do peso em relação à altura (repleção). Adolescentes de 10 a 20 anos: ocorre o predomínio da altura em relação ao peso (estirão).

Desse modo, desde que nasce até o final da adolescência, principalmente nos dois estirões, a criança precisa de uma maior quantidade de nutrientes. Se houver deficiência na alimentação, podem surgir as doenças nutricionais como desnutrição, hipovitaminoses, raquitismo, anemia etc.

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O leite materno é produzido especificamente para atender as necessidades nutricionais e afetivas da criança, e, sempre que possível, deverá ser o único alimento oferecido nos primeiros seis meses de vida. Não precisa dar sucos, chás ou água. Bicos artificiais e chupetas também devem ser evitados para crianças que mamam no peito.

O leite de peito protege a criança de doenças infecciosas e diarréias, permitindo o desenvolvimento mais saudável do bebê. Além disso, o ato de amamentar representa a ocasião em que o bebê se encontra envolvido nas delícias do afeto da mãe, recebendo amor, carinho e proteção.

A amamentação também é um excelente aliado da mãe na recuperação do seu peso normal, pois produzir leite gasta muita energia. A ciência também tem mostrado que a chance de desenvolver câncer de mama é menor entre as mulheres que amamentam por mais tempo.

A melhor forma de amamentar é aquela em que a mãe consegue, mais tranqüilamente e da maneira mais cômoda para os dois, oferecer o seu leite para o filho.

· Escolha um local da casa onde possa amamentar seu bebê sem ser incomodada. O momento deve ser de tranqüilidade. · Lave sempre as mãos com água e sabão antes de amamentar.

· Não limpe os bicos do seio com sabão, álcool ou outros produtos. O banho diário é suficiente.

· Amacie a região dos bicos, retirando com a mão um pouco de leite, para facilitar a pega do bebê e não ferir o seu peito. · O bebê deve abocanhar a maior parte da aréola e não apenas o bico do peito.

· A amamentação deve ser prazerosa. Se o seu bico estiver doendo ou ferindo, é sinal de que a criança não está mamando da forma correta. · A mãe deve deixar que o próprio bebê pegue o peito, encostando o mamilo no canto da boca dele para estimular o reflexo de busca. · Durante a amamentação, afaste o narizinho do bebê do seu seio com a ajuda dos dedos indicador e médio. · O horário das mamadas deve ficar por conta do bebê, isto é, ele deve mamar quando der sinais de fome. Os sinais mais evidentes são o choro, movimentos em busca do seio e a sucção das mãos. · A duração da mamada é muito variável, pois é comum o bebê não sugar da mesma forma em todas as mamadas. Inicie a amamentação sempre com o seio que se deu por último na mamada anterior. · Ao final da mamada de cada seio coloque o bebê para arrotar. Ele precisa eliminar o pouco de ar que engoliu.

Quando não for possível o aleitamento natural, o bebê deve ser alimentado com outro tipo de leite, a critério do pediatra ou nutricionista. O aleitamento artificial só deve ser introduzido caso a mãe seja portadora de alguma doença que impossibilite a amamentação.

Mamadeira a superfície deve ser lisa e o fundo plano, de preferência graduada e resistente ao calor. O bico deve ser de borracha, macio e com furo apropriado.

Posição da mamadeira inclinar, aos poucos, até a posição vertical, com o gargalo sempre cheio.

Higienização as mamadeiras devem ser preparadas com o máximo de higiene, pois qualquer contaminação pode colocar em risco a saúde do bebê. Lavar e esterilizar todos os utensílios da criança entre as mamadas. A esterilização é feita fervendo-se os utensílios por 20 minutos.

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A saúde dos dentes é importante em todas as fases da vida. A higiene oral deve iniciar-se mesmo antes da erupção dos dentes-de-leite. A limpeza poderá ser feita com gaze, fralda ou algodão umedecidos com água filtrada, percorrendo toda a gengiva.

Após a erupção dos dentes-de-leite, a higiene oral deverá ser intensificada, especialmente após as mamadas, e mantida através da escovação e do uso do fio dental. A pasta dental só deverá ser utilizada para as crianças que conseguem controlar a deglutição e sabem cuspir.

O desmame é um processo pelo qual outros alimentos são introduzidos gradualmente na dieta do bebê, primeiro para complementar o leite do peito e progressivamente para substituí-lo e adaptar a criança à alimentação do adulto.

A introdução de novos alimentos deve-se iniciar a partir dos seis meses, sem, no entanto, ser necessário abandonar a amamentação, que pode prosseguir até os dois anos de idade. Apenas nos casos do aleitamento artificial ou da interrupção do aleitamento materno (muitas vezes quando a mãe retorna ao trabalho), a alimentação complementar pode ser introduzida mais cedo, a partir de 3 ou 4 meses de idade.

O desmame tem um papel fundamental na formação dos hábitos alimentares. Assim, é fundamental que os pais ofereçam aos filhos alimentos variados e nutritivos, permitindo que eles conheçam diferentes sabores, amadureçam suas preferências e desenvolvam práticas alimentares saudáveis, que serão de grande importância nas próximas fases da vida.

Dicas Importantes para o Desmame:

· As papas salgadas do bebê devem combinar sabor, cor, textura e nutrientes. Elas precisam ser preparadas com um tipo de carne, com um ou dois legumes e arroz, que pode ser substituído por batata, mandioca ou macarrão. · É importante introduzir apenas um tipo de alimento a cada dia, assim, fica mais fácil observar a tolerância a cada tipo de alimento. · Os alimentos devem ser preparados e servidos na hora. A papa salgada deve ser passada pela peneira e NUNCA batida no liquidificador. · Inclua verduras de folha pelo menos três vezes por semana. Assim, o bebê aprende a comer esses alimentos, fontes de vitaminas e fibras. · Os óleos e o sal também são importantes na alimentação infantil, mas devem ser usados com moderação. O açúcar também deve ser usado com muita moderação. · A gema de ovo pode ser incluída no cardápio da criança no máximo duas ou três vezes por semana. Ferva o ovo pelo menos por sete minutos e ofereça aos poucos – no primeiro dia, ofereça um quarto da gema, outro dia, a metade, até introduzir a gema inteira. A clara não é indicada no primeiro ano de vida. · O fígado também é uma boa opção de vitamina A e proteínas. Inclua-o na alimentação da criança pelo menos a cada 15 dias. · Mesmo que a criança “cuspa a comida, insista! Isto não significa que ela não esteja gostando, é só um sinal de que ela está aprendendo a comer.

Alimentos que devem ser evitados:

Até 6 meses: beterraba, espinafre, acelga, rabanete e farinha de trigo. Até 1 ano: alimentos duros (de difícil mastigação), frituras, feijão com casca, peixe, carne de porco, clara de ovo, mel, castanhas em geral, chocolate e bebidas achocolatadas, café, sucos artificiais, abacate, refrigerantes, alimentos enlatados e embutidos.

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Na idade pré-escolar, compreendida entre 1 e 6 anos, a criança tem necessidades nutricionais elevadas e estão sujeitas às doenças contagiosas como catapora, sarampo e coqueluche. Nessa fase, ocorre um predomínio da altura em relação ao peso (estirão), dando à criança a aparência de estar magra e alta.

A falta de apetite, principalmente nas refeições básicas (almoço e jantar), é uma característica forte do pré-escolar, mas que deve ser observada com atenção e cuidado, para evitar possíveis carências nutricionais.

As seguintes observações podem ajudar a prevenir ou solucionar o problema da falta de apetite:

· Se tudo estiver bem do ponto de vista médico, a correção exigirá paciência e segurança dos pais.

· Aumente o intervalo entre as refeições, mas defina horários fixos.

· Evite oferecer lanches logo depois das refeições só porque a criança não almoçou direito. Neste caso, a atitude correta é esperar mais meia hora ou 1 hora e oferecer a mesma refeição.

· Coloque pouca quantidade no prato e garanta a repetição quando solicitada.

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