Manual dos primeiros socorros

Manual dos primeiros socorros

(Parte 5 de 6)

Em algumas pessoas a hiper-extensªo da cabeça nªo Ø suficiente para manter a via aØrea superior completamente permeÆvel. Nestes casos Ø preciso fazer o deslocamento da mandíbula para frente. Para fazer isso Ø necessÆrio tracionar os ramos da mandíbula com as duas mªos. Por uma das mªos na testa e a outra sob o queixo do acidentado. Empurrar a mandíbula para cima e inclinar a cabeça do acidentado para trÆs ate que o queixo esteja em um nível mais elevado que o nariz. Desta maneira restabelece-se uma livre passagem de ar quando a língua Ø separada da parte posterior da garganta. Mantendo a cabeça nesta posiçªo, escuta-se e observa-se para verificar se o acidentado recuperou a respiraçªo. Em caso afirmativo, coloque o acidentado na posiçªo lateral de segurança.

Em outras pessoas, o palato mole se comporta como uma vÆlvula, provocando a obstruçªo nasal expiratória, o que exige a abertura da boca.

Capítulo I Geral

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Assim, o deslocamento da mandíbula, a extensªo da cabeça e a abertura da boca sªo manobras que permitem a obtençªo de uma via supraglótica, sem a necessidade de qualquer equipamento. AlØm disso, pode ser preciso a limpeza manual imediata da via aØrea para remover material estranho ou secreçıes presentes na orofaringe. Usar os próprios dedos protegidos com lenço ou compressa.

Duas manobras principais sªo recomendadas para a desobstruçªo manual das vias aØreas: a)Manobra dos Dedos Cruzados Pressionar o dedo indicador contra os dentes superiores e polegar - cruzado sobre o indicador - contra os dentes inferiores (Figura 5).

Figura 5 - Varredura digital b) Manobra de Levantamento da Língua / Mandíbula

Deve ser feita com o acidentado relaxado. Introduzir o polegar dentro da boca e garganta do acidentado. Com a ponta do polegar, levantar a base da língua. Com os dedos segurar a mandíbula ao nível do queixo e trazŒ-la para frente.

Outra forma prÆtica de desobstruir as vias aØreas Ø o uso de pancadas e golpes que sªo dados no dorso do acidentado em sucessªo rÆpida. As pancadas sªo fortes e devem ser aplicadas com a mªo em concha entre as escÆpulas da vítima. A tØcnica deve ser feita com o paciente sentado, deitado ou em pØ.

Algumas vezes a simples execuçªo de certas manobras Ø suficiente para tornar permeÆveis as vias aØreas, prevenir ou mesmo tratar uma parada respiratória, especialmente se a PR, Ø devida a asfixia por obstruçªo e esta

Ø removida de imediato. Em muitos casos, porØm, torna-se necessÆrio a ventilaçªo artificial.

Suporte Respiratório

A ventilaçªo artificial Ø indicada nos casos de as vias aØreas estarem permeÆveis e na ausŒncia de movimento respiratório.

Os mœsculos de uma pessoa inconsciente estªo completamente relaxados. A língua retrocederÆ e obstruirÆ a garganta. Para eliminar esta obstruçªo, fazer o que foi descrito anteriormente.

Constatada a permeabilidade das vias aØreas e a ausŒncia de movimento respiratório, passar imediatamente à aplicaçªo da respiraçªo boca a boca.

Lembrar de que quando encontrarmos um acidentado inconsciente, nªo tentar reanimÆ-lo sacudindo-o e gritando.

1. Respiraçªo Boca a Boca

Universalmente a ventilaçªo artificial sem auxílio de equipamentos provou que a respiraçªo boca a boca Ø a tØcnica mais eficaz na ressuscitaçªo de vítimas de parada cardío-respiratória. Esta manobra Ø melhor que as tØcnicas de pressªo nas costas ou no tórax, ou o levantamento dos braços; na maioria dos casos, essas manobras nªo conseguem ventilar adequadamente os pulmıes.

O ar exalado de quem estÆ socorrendo contØm cerca de 18% de oxigŒnio e Ø considerado um gÆs adequado para a ressuscitaçªo desde que os pulmıes da vítima estejam normais e que se use cerca de duas vezes os volumes correntes normais.

Para iniciar a respiraçªo boca a boca e promover a ressuscitaçªo cardío-respiratória, deve-se obedecer a seguinte seqüŒncia: •Deitar o acidentado de costas.

•Desobstruir as vias aØreas. Remover prótese dentÆria (caso haja), limpar sangue ou vômito.

•Pôr uma das mªos sob a nuca do acidentado e a outra mªo na testa.

•Inclinar a cabeça do acidentado para trÆs ate que o queixo fique em um nível superior ao do nariz, de forma que a língua nªo impeça a passagem de ar, mantendo-a nesta posiçªo.

•Fechar bem as narinas do acidentado, usando os dedos polegar e indicador, utilizando a mªo que foi colocada anteriormente na testa do acidentado. •Inspirar profundamente.

•Colocar a boca com firmeza sobre a boca do acidentado, vedando- a totalmente (Figura 6).

•Soprar vigorosamente para dentro da boca do acidentado, atØ notar que seu peito estÆ levantando.

Capítulo I Geral

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Figura 6 - Ventilaçªo boca a boca

•Fazer leve compressªo na regiªo do estômago do acidentado, para que o ar seja expelido.

•Inspirar profundamente outra vez e continuar o procedimento na forma descrita, repetindo o movimento tantas vezes quanto necessÆrio (cerca de 15 vezes por minuto) atØ que o acidentado possa receber assistŒncia mØdica.

Se a respiraçªo do acidentado nªo tiver sido restabelecida após as tentativas dessa manobra, ela poderÆ vir a ter parada cardíaca, tornando necessÆria a aplicaçªo de massagem cardíaca externa.

2. MØtodo Holger - Nielsen

•Deitar o acidentado de bruços com uma das mªos sobre a outra, embaixo da cabeça. •Virar a cabeça do acidentado de lado, deixando livres a boca e o nariz.

•Ajoelhar em frente à cabeça do acidentado e segurar cada um dos braços do mesmo, logo acima dos cotovelos. •Levantar os braços do acidentado atØ sentir resistŒncia.

•Baixar os braços do acidentado.

•Colocar imediatamente, as palmas das mªos abertas sobre as costas do acidentado (um pouco acima das axilas).

•Inclinar para frente o seu próprio corpo sem dobrar os cotovelos e fazer pressªo sobre as costas do acidentado, mantendo seus braços sobre elas, mais ou menos na vertical.

•Prosseguir ritmadamente, repetindo os movimentos descritos no item anterior, cerca de 10 vezes por minuto.

Observaçªo: a)Para calcular a duraçªo de cada tempo, contar baixo e sem pressa. b) Assim que começar a respiraçªo artificial, pedir a outra pessoa para desapertar a roupa do acidentado, principalmente no peito e pescoço.

3. MØtodo Sylvester

TambØm aplicado quando nªo puder ser feito o mØtodo boca a boca. •Colocar o acidentado deitado com o rosto para cima e pôr algo por baixo dos seus ombros, para que ele fique com a cabeça inclinada para trÆs. •Ajoelhar de frente para o acidentado e pôr a cabeça dele entre seus joelhos.

•Segurar os braços do acidentado pelos pulsos, cruzando-os e comprimindo-os contra o peito dela.

•Segurar os braços do acidentado primeiro para cima, depois para os lados e a seguir para trÆs, em movimentos sucessivos.

Massagem Cardíaca Externa ou Compressªo TorÆcica

É o mØtodo efetivo de ressuscitaçªo cardíaca que consiste em aplicaçıes rítmicas de pressªo sobre o terço inferior do esterno.

O aumento generalizado da pressªo no interior do tórax e a compressªo do coraçªo fazem com que o sangue circule. Mesmo com a aplicaçªo perfeita das tØcnicas a quantidade de sangue que circula estÆ entre 10% a 30% do normal.

Para realizar a massagem cardíaca externa deve-se posicionar a vítima em decœbito dorsal como jÆ citado anteriormente.

Posicionar ajoelhado, ao lado do acidentado e num plano superior, de modo que possa executar a manobra com os braços em extensªo.

Em seguida apoiar as mªos uma sobre a outra, na metade inferior do esterno, evitando fazŒ-lo sobre o apŒndice xifóide, pois isso tornaria a manobra inoperante e machucaria as vísceras. Nªo se deve permitir que o resto da mªo se apóie na parede torÆcica. A compressªo deve ser feita sobre a metade inferior do esterno, porque essa Ø a parte que estÆ mais próxima do coraçªo. Com os braços em hiper-extensªo, aproveite o peso do seu próprio corpo para aplicar a compressªo, tornando-a mais eficaz e menos cansativa do que se utilizada a força dos braços.

Aplicar pressªo suficiente para baixar o esterno de 3,8 a 5 centímetros para um adulto normal e mantŒ-lo assim por cerca de meio segundo. O ideal Ø verificar se a compressªo efetuada Ø suficiente para gerar um pulso carotídeo palpÆvel Com isso se obtØm uma pressªo arterial mØdia e um contorno de onda de pulso próximo do normal.

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Manual de Primeiros Socorros Figura 7 - TØcnica de massagem cardíaca externa

Em seguida remover subitamente a compressªo que, junto com a pressªo negativa, provoca o retorno de sangue ao coraçªo. Isso sem retirar as mªos do tórax da vítima, garantindo assim que nªo seja perdida a posiçªo correta das mªos.

As compressıes torÆcicas e a respiraçªo artificial devem ser combinadas para que a ressuscitaçªo cardío-respiratória seja eficaz. A relaçªo ventilaçıes/compressıes varia com a idade do acidentado e com o nœmero de pessoas que estªo fazendo o atendimento emergencial.

A freqüŒncia das compressıes torÆcicas deve ser mantida em 80 a 100 por minuto. Com a pausa que Ø efetuada para ventilaçªo, a freqüŒncia real de compressıes cai para 60 por minuto.

A aplicaçªo da massagem cardíaca externa pode trazer conseqüŒncias graves, muitas vezes fatais. Podemos citar dentre elas, fraturas de costelas e do esterno, separaçªo condrocostal, ruptura de vísceras, contusªo miocÆrdica e ruptura ventricular. Essas complicaçıes, no entanto, poderªo ser evitadas se a massagem for realizada com a tØcnica correta. É, portanto, muito importante que nos preocupemos com a correta posiçªo das mªos e a quantidade de força que deve ser aplicada.

A massagem cardíaca externa deve ser aplicada em combinaçªo com a respiraçªo boca a boca. O ideal Ø conseguir alguØm que ajude para que as manobras nªo sofram interrupçıes devido ao cansaço.

É absolutamente contra indicado cessar as massagens por um tempo superior a alguns segundos, pois a corrente sangüínea produzida pela compressªo externa Ø inferior à normal, representando apenas de 40 a 50% da circulaçªo normal. Portanto, qualquer interrupçªo maior no processo diminuirÆ a afluŒncia de sangue no organismo.

O Quadro VIII dÆ as freqüŒncias consideradas ideais, para o trabalho de ressuscitaçªo combinada de respiraçªo boca a boca e massagem cardíaca externa com um ou duas pessoas socorrendo.

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Quadro VIII - FreqüŒncia das manobras de Ressuscitaçªo Cardíorespiratória

No caso de duas pessoas estarem socorrendo, a pessoa que se encarrega da respiraçªo boca a boca poderÆ controlar a pulsaçªo carotídea. ConvØm lembrar que o pulso palpado durante a massagem cardíaca externa nªo Ø suficiente para indicar uma circulaçªo eficaz. A sensaçªo de pulso pode ser devida à transmissªo da compressªo pelos tecidos moles. A manutençªo ou aparecimento da respiraçªo espontânea durante a massagem cardíaca externa, associada ou nªo à respiraçªo boca a boca, Ø o melhor indício de ressuscitaçªo cardío-respiratória satisfatória.

Nªo se deve desanimar em obter a recuperaçªo da respiraçªo e dos batimentos cardíacos do acidentado. É preciso mandar que procurem socorro mØdico especializado com a maior urgŒncia. É preciso ter paciŒncia, calma e disposiçªo. Qualquer interrupçªo na tentativa de ressuscitaçªo da vítima atØ a chegada de socorro especializado implicarÆ fatalmente em morte.

Reavaliaçªo

•Verificar pulso carotídeo após um minuto de ressuscitaçªo cardíorespiratória e depois a cada trŒs minutos.

•Se pulso presente, verificar presença de respiraçªo eficaz. -Respiraçªo presente: manter a vítima sob observaçªo.

-Respiraçªo ausente: continuar os procedimentos de respiraçªo artificial e contatar com urgŒncia o atendimento especializado. •Se o pulso ausente, iniciar RCR pelas compressıes torÆcicas.

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•Verificar diâmetro das pupilas.

Erros Comuns na Execuçªo da Ressuscitaçªo cardíorespiratória

•Posiçªo incorreta das mªos. •Profundidade de compressıes inadequada

•Incapacidade de manter um selamento adequado ao redor do nariz e da boca durante a ventilaçªo.

•Dobrar os cotovelos ou joelhos durante as compressıes levando ao cansaço.

•Ventilaçıes com muita força e rapidez levando à distensªo do estômago. •Incapacidade de manter as vias aØreas abertas.

•Nªo ativaçªo rÆpida do atendimento especializado.

Estado de Choque

O choque Ø um complexo grupo de síndromes cardiovasculares agudas que nªo possui, uma definiçªo œnica que compreenda todas as suas diversas causas e origens. Didaticamente, o estado de choque se dÆ quando hÆ mal funcionamento entre o coraçªo, vasos sangüíneos (artØrias ou veias) e o sangue, instalando-se um desequilíbrio no organismo.

O choque Ø uma grave emergŒncia mØdica. O correto atendimento exige açªo rÆpida e imediata. VÆrios fatores predispıem ao choque. Com a finalidade de facilitar a anÆlise dos mecanismos, considera-se especialmente para estudo o choque hipovolŒmico, por ter a vantagem de apresentar uma seqüŒncia bem definida. HÆ vÆrios tipos de choque:

Choque HipovolŒmico

É o choque que ocorre devido à reduçªo do volume intravascular por causa da perda de sangue, de plasma ou de Ægua perdida em diarrØia e vômito.

Choque CardiogŒnico

Ocorre na incapacidade de o coraçªo bombear um volume de sangue suficiente para atender às necessidades metabólicas dos tecidos.

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Manual de Primeiros Socorros Choque SepticŒmico

Pode ocorrer devido a uma infecçªo sistŒmica.

Choque AnafilÆtico

É uma reaçªo de hipersensibilidade sistŒmica, que ocorre quando um indivíduo Ø exposto a uma substância à qual Ø extremamente alØrgico.

Choque NeurogŒnico

É o choque que decorre da reduçªo do tônus vasomotor normal por distœrbio da funçªo nervosa. Este choque pode ser causado, por exemplo, por transecçªo da medula espinhal ou pelo uso de medicamentos, como bloqueadores ganglionares ou depressores do sistema nervoso central.

O reconhecimento da iminŒncia de choque Ø de importância vital para o salvamento da vítima, ainda que pouco possamos fazer para reverter a síndrome. Muitas vezes Ø difícil este reconhecimento, mas podemos notar algumas situaçıes predisponentes ao choque e adotar condutas para evitÆ-lo ou retardÆ-lo. De uma maneira geral, a prevençªo Ø consideravelmente mais eficaz do que o tratamento do estado de choque.

O choque pode ser provocado por vÆrias causas, especialmente de origem traumÆticas. Devemos ficar sempre atentos à possibilidade de choque, pois a grande maioria dos acidentes e afecçıes abordadas neste manual pode gerar choque, caso nªo sejam atendidos corretamente.

Causas Principais do Estado de Choque

•Hemorragias intensas (internas ou externas) • Infarto

• Taquicardias

• Bradicardias

•Queimaduras graves

•Processos inflamatórios do coraçªo

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