Manual dos primeiros socorros

Manual dos primeiros socorros

(Parte 4 de 6)

A verificaçªo rÆpida e precisa dos sinais vitais e dos sinais de apoio Ø uma chave importante para o desempenho de primeiros socorros. O reconhecimento destes sinais dÆ suporte, rapidez e agilidade no atendimento e salvamento de vidas.

Asfixia

Introduçªo

Asfixia pode ser definida como sendo parada respiratória, com o coraçªo ainda funcionando.

É causado por certos tipos de traumatismos como aqueles que atingem a cabeça, a boca, o pescoço, o tórax; por fumaça no decurso de um incŒndio; por afogamento; em soterramentos, dentre outros acidentes, ocasionando dificuldade respiratória, levando à parada respiratória.

Nesse caso, a identificaçªo da dificuldade respiratória pela respiraçªo arquejante nas vitimas inconscientes, pela falta de ar de que se queixam os conscientes, ou ainda, pela cianose acentuada do rosto, dos lÆbios e das extremidades (dedos), servirÆ de guia para o socorro à vítima.

Se as funçıes respiratórias nªo forem restabelecidas dentro de 3 a 4 minutos,as atividades cerebrais cessarªo totalmente, ocasionando a morte.O oxigŒnio Ø vital para o cØrebro.

Principais Causas

A. Bloqueio da passagem de ar. Pode acontecer nos casos de afogamento, secreçıes e espasmos da laringe, estrangulamento, soterramento e bloqueio do ar causado por ossos, alimentos ou qualquer corpo estranho na garganta.

B. InsuficiŒncia de oxigŒnio no ar. Pode ocorrer em altitudes onde o oxigŒnio Ø insuficiente, em compartimentos nªo ventilados, nos incŒndios em compartimentos fechados e por contaminaçªo do ar por gases tóxicos (principalmente emanaçıes de motores, fumaça densa).

C. Impossibilidade do sangue em transportar oxigŒnio. D. Paralisia do centro respiratório no cØrebro. Pode ser causada por choque elØtrico, venenos, doenças, (AVC), ferimentos na cabeça ou no aparelho respiratório, por ingestªo de grande quantidade de Ælcool, ou de substâncias anestØsicas, psicotrópicos e tranqüilizantes.

E. Compressªo do corpo. Pode ser causado por forte pressªo externa (por exemplo, traumatismo torÆcico), nos mœsculos respiratórios.

O sinal mais importante dessa situaçªo Ø a dilataçªo das pupilas.

Primeiros Socorros

•A primeira conduta Ø favorecer a passagem do ar atravØs da boca e das narinas •Afastar a causa.

•Verificar se o acidentado estÆ consciente

•Desapertar as roupas do acidentado, principalmente em volta do pescoço, peito e cintura.

•Retirar qualquer objeto da boca ou da garganta do acidentado, para abrir e manter desobstruída a passagem de ar.

•Para assegurar que o acidentado inconsciente continue respirando, coloque-a na posiçªo lateral de segurança.

•Iniciar a respiraçªo de socorro (conforme relatado a frente), tªo logo tenha sido o acidentado colocado na posiçªo correta. Lembrar que cada segundo Ø importante para a vida do acidentado.

Capítulo I Geral

Manual de Primeiros Socorros

•Repetir a respiraçªo de socorro tantas vezes quanto necessÆrio, atØ que o acidentado de entrada em local onde possa receber assistŒncia adequada. •Manter o acidentado aquecido, para prevenir o choque.

•Nªo dar líquidos enquanto o acidentado estiver inconsciente.

•Nªo deixar o acidentado sentar ou levantar. O acidentado deve permanecer deitado, mesmo depois de ter recuperado a respiraçªo.

•Nªo dar bebidas alcoólicas ao acidentado. Dar chÆ ou cafØ para beber, logo que volte a si.

•Continuar observando cuidadosamente o acidentado, para evitar que a respiraçªo cesse novamente.

•Nªo deslocar o acidentado atØ que sua respiraçªo volte ao normal.

•Remover o acidentado, somente deitado, mas só em caso de extrema necessidade.

•Solicitar socorro especializado mesmo que o acidentado esteja recuperado.

Ressuscitaçªo cardío-respiratória

Introduçªo

A ressuscitaçªo cardío-respiratória (RCR) Ø um conjunto de medidas utilizadas no atendimento à vítima de parada cardío-respiratória (PCR). O atendimento correto exige desde o início, na grande maioria dos casos, o emprego de tØcnicas adequadas para o suporte das funçıes respiratórias e circulatórias.

A RCR Ø uma tØcnica de grande emergŒncia e muita utilidade.

Qualquer interferŒncia ou suspensªo da respiraçªo espontânea constitui uma ameaça à vida. A aplicaçªo imediata das medidas de RCR Ø uma das atividades que exige conhecimento e sua execuçªo deve ser feita com calma e disposiçªo. A probabilidade de execuçªo da atividade de RCR Ø bem pequena, porØm se a ocasiªo aparecer, ela pode representar a diferença entre a vida e a morte para o acidentado.

Podemos definir parada cardíaca como sendo a interrupçªo repentina da funçªo de bombeamento cardíaco, que pode ser constatada pela falta de batimentos do acidentado (ao encostar o ouvido na regiªo anterior do tórax do acidentado), pulso ausente (nªo se consegue palpar o pulso) e ainda quando houver dilataçªo das pupilas (menina dos olhos), e que, pode ser revertida com intervençªo rÆpida, mas que causa morte se nªo for tratada.

Chamamos de parada respiratória o cessamento total da respiraçªo, devido à falta de oxigŒnio e excesso de gÆs carbônico no sangue.

Principais Causas

A parada cardíaca e a parada respiratória podem ocorrer por diversos fatores, atuando de modo isolado ou associado. Em determinadas circunstâncias, nªo Ø possível estabelecer com segurança qual ou quais os agentes que as produziram. Podem ser divididas em dois grupos, e a importância desta classificaçªo Ø que a conduta de quem estÆ socorrendo varia de acordo com a causa.

• PrimÆrias A parada cardíaca se deve a um problema do próprio coraçªo, causando uma arritmia cardíaca, geralmente a fibrilaçªo ventricular. A causa principal Ø a isquemia cardíaca (chegada de quantidade insuficiente de sangue oxigenado ao coraçªo).

Sªo as principais causas de paradas cardíacas em adultos que nªo foram vítimas de traumatismos.

• SecundÆrias A disfunçªo do coraçªo Ø causada por problema respiratório ou por uma causa externa. Sªo as principais causas de parada cardío-respiratória em vítimas de traumatismos. a)Oxigenaçªo deficiente: obstruçªo de vias aØreas e doenças pulmonares. b)Transporte inadequado de oxigŒnio: hemorragia grave, estado de choque, intoxicaçªo por monóxido de carbono. c)Açªo de fatores externos sobre o coraçªo: drogas e descargas elØtricas.

No ambiente de trabalho deve-se dedicar especial atençªo a trabalhos com substâncias químicas, tais como o monóxido de carbono, defensivos agrícolas, especialmente os organofosforados, e trabalhos em eletricidade, embora o infarto do miocÆrdio ou um acidente grave possa ocorrer nas mais variadas situaçıes, inclusive no trajeto residŒncia-trabalho-residŒncia, ou mesmo dormindo.

A rÆpida identificaçªo da parada cardíaca e da parada respiratória Ø essencial para o salvamento de uma vida potencialmente em perigo. Uma parada respiratória nªo resolvida leva o acidentado à parada cardíaca devido a hipóxia (falta de ar) cerebral e do miocÆrdio.

Se o coraçªo para primeiro, as complicaçıes serªo maiores, pois a chegada de oxigŒnio ao cØrebro estarÆ instantaneamente comprometida: os mœsculos respiratórios perdem rapidamente a eficiŒncia funcional; ocorre imediata parada respiratória podendo ocorrer lesªo cerebral irreversível e morte.

Capítulo I Geral

Manual de Primeiros Socorros

A Figura 3 dÆ uma noçªo da relaçªo entre o lapso de tempo decorrido entre a identificaçªo de parada cardío-respiratória e a possibilidade de sobrevivŒncia, com a instituiçªo dos mØtodos de suporte bÆsico de vida.

1 min: 98 %3,5 min: 25% 5 min: 5%

Figura 3 - Probabilidade de Recuperaçªo

Identificaçªo de PCR

A parada cardío-respiratória Ø o exemplo mais expressivo de uma emergŒncia mØdica. Somente uma grande hemorragia externa e o edema agudo de pulmªo devem merecer a primeira atençªo antes da parada cardíaca. A identificaçªo e os primeiros atendimentos devem ser iniciados dentro de um período de no mÆximo 4 minutos a partir da ocorrŒncia, pois os centros vitais do sistema nervoso ainda continuam em atividade. A partir deste tempo, como jÆ vimos, as possibilidades de recuperaçªo tornam-se escassas. A eficÆcia da reanimaçªo em caso de parada cardíaca estÆ na dependŒncia do tempo em que for iniciado o processo de reanimaçªo, pois embora grande parte do organismo permaneça biologicamente vivo, durante algum tempo, em tais condiçıes, modificaçıes irreversíveis podem ocorrer no cØrebro, em nível celular. Se a PCR for precedida de dØficit de oxigenaçªo, este tempo Ø ainda menor.

A ausŒncia de circulaçªo do sangue interrompe a oxigenaçªo dos órgªos. Após alguns minutos as cØlulas mais sensíveis começam a morrer. Os órgªos mais sensíveis à falta de oxigŒnio sªo o cØrebro e o coraçªo. A lesªo cerebral irreversível ocorre geralmente após quatro a seis minutos (morte cerebral). Os acidentados submetidos a baixas temperaturas (hipotermia) podem suportar períodos mais longos sem oxigŒnio, pois o consumo de oxigŒnio pelo cØrebro diminui.

No atendimento de primeiros socorros, durante a aproximaçªo, devemos observar elementos como imobilidade, palidez e os seguintes sinais que identificarªo efetivamente uma parada cardío-respiratória, a fim de iniciarmos o processo de ressuscitaçªo, do qual dependerÆ a reabilitaçªo ou nªo do acidentado. Ao iniciar o atendimento devemos verificar o nível de consciŒncia, tentando observar as respostas do acidentado aos estímulos verbais: "VocŒ estÆ bem?". Se o acidentado nªo responder, comunicar imediatamente ao atendimento especializado. Posicionar o acidentado em decœbito dorsal, sobre superfície plana e rígida.

Os seguintes elementos deverªo ser observados para a determinaçªo de PCR:

•AusŒncia de pulso numa grande artØria (por exemplo: carótida).

Esta ausŒncia representa o sinal mais importante de PCR e determinarÆ o início imediato das manobras de ressuscitaçªo cardío-respiratória.

•ApnØia ou respiraçªo arquejante. Na maioria dos casos a apnØia ocorre cerca de 30 segundos após a parada cardíaca; Ø, portanto, um sinal relativamente precoce, embora, em algumas situaçıes, fracas respiraçıes espontâneas, durante um minuto ou mais, continuem a ser observada após o início da PC. Nestes casos, Ø claro, o sinal nªo tem valor. •Espasmo (contraçªo sœbita e violenta) da laringe.

•Cianose (coloraçªo arroxeada da pele e lÆbios).

•InconsciŒncia. Toda vítima em PCR estÆ inconsciente, mas vÆrias outras emergŒncias podem se associar à inconsciŒncia. É um achado inespecífico, porØm sensível, pois toda vítima em PCR estÆ inconsciente.

•Dilataçªo das pupilas, que começam a se dilatar após 45 segundos de interrupçªo de fluxo de sangue para o cØrebro. A midríase geralmente se completa depois de 1 minuto e 45 segundos de PC, mas se apresentar em outras situaçıes. Deste modo, nªo utilizar a midríase para diagnóstico da PCR ou para definir que a vítima estÆ com lesªo cerebral irreversível. A persistŒncia da midríase com a RCR Ø sinal de mau prognóstico. É um sinal bastante tardio e nªo se deve esperar por ele para início das manobras de RCR.

Ressuscitaçªo cardío-respiratória

A - Abertura das vias aØreas

B - Ventilaçªo artificial C - Suporte circulatório

Apresentamos no Quadro VII e na Figura 4, a seguir, a seqüŒncia de suporte bÆsico de vida em um adulto, para orientaçªo do pessoal que farÆ os primeiros atendimentos emergenciais em casos de acidentes.

Capítulo I Geral

Manual de Primeiros Socorros Quadro VII - SeqüŒncia de suporte bÆsico de vida em adulto

Capítulo I Geral Figura 4 - Instruçıes gerais

Manual de Primeiros Socorros Limitaçıes da Ressuscitaçªo cardío-respiratória

A ressuscitaçªo cardío-respiratória nªo Ø capaz de evitar a lesªo cerebral por períodos prolongados. Com o tempo (minutos) a circulaçªo cerebral obtida com as compressıes torÆcicas vai diminuindo progressivamente atØ se tornar ineficaz. Durante a ressuscitaçªo cardíorespiratória a pressªo sistólica atinge de 60 a 80 mmHg, mas a pressªo diastólica Ø muito baixa, diminuindo a perfusªo de vÆrios órgªos entre os quais o coraçªo. As paradas por fibrilaçªo ventricular só podem ser revertidas pela desfibrilaçªo.

O suporte bÆsico da vida sem desfibrilaçªo nªo Ø capaz de manter a vida por períodos prolongados. A reversªo da parada cardío-respiratória na maioria dos casos tambØm nªo Ø obtida, deste modo Ø necessÆrio se solicitar apoio ao atendimento especializado com desfibrilaçªo e recursos de suporte avançado.

Posicionamento para a Ressuscitaçªo cardío-respiratória a)Do acidentado: •Posicionar o acidentado em superfície plana e firme.

•MantŒ-lo em decœbito dorsal, pois as manobras para permitir a abertura da via aØrea e as manobras da respiraçªo artificial sªo mais bem executadas nesta posiçªo.

•A cabeça nªo deve ficar mais alta que os pØs, para nªo prejudicar o fluxo sangüíneo cerebral.

•Caso o acidentado esteja sobre uma cama ou outra superfície macia ele deve ser colocado no chªo ou entªo deve ser colocada uma tÆbua sob seu tronco.

•A tØcnica correta de posicionamento do acidentado deve ser obedecida utilizando-se as manobras de rolamento. b)Da pessoa que esta socorrendo: •Este deve ajoelhar-se ao lado do acidentado, de modo que seus ombros fiquem diretamente sobre o esterno do acidentado.

Primeiros Socorros

A conduta de quem socorre Ø vital para o salvamento do acidentado.

Uma rÆpida avaliaçªo do estado geral do acidentado Ø que vai determinar quais etapas a serem executadas, por ordem de prioridades. A primeira providŒncia a ser tomada Ø estabelecer o suporte bÆsico da vida, para tal o acidentado deverÆ estar posicionado adequadamente de modo a permitir a realizaçªo de manobras para suporte bÆsico da vida.

Adotar medidas de autoproteçªo colocando luvas e mÆscaras. O suporte bÆsico da vida consiste na administraçªo de ventilaçªo das vias aØreas e de compressªo torÆcica externa. Estas manobras de apoio vital bÆsico constituem-se de trŒs etapas principais que devem ser seguidas: •desobstruçªo das vias aØreas;

•suporte respiratório e

• suporte circulatório. O reconhecimento da existŒncia de obstruçªo das vias aØreas pode ser feito pela incapacidade de ouvir ou perceber qualquer fluxo de ar pela boca ou nariz da vítima e observando a retraçªo respiratória das Æreas supraclaviculares, supra-esternal e intercostal, quando existem movimentos espontâneos. A obstruçªo poderÆ ser reconhecida pela incapacidade de insuflar os pulmıes quando se tenta ventilar a vítima.

A ventilaçªo e a circulaçªo artificiais constituem o atendimento imediato para as vítimas de PCR. A ventilaçªo artificial Ø a primeira medida a ser tomada na RCR. Para que essa ventilaçªo seja executada com sucesso Ø necessÆria à manutençªo das vias aØreas permeÆveis, tomando-se as medidas necessÆrias para a desobstruçªo.

Nas vítimas inconscientes a principal causa de obstruçªo Ø a queda da língua sobre a parede posterior da faringe.

Como causa ou como conseqüŒncia da PR, pode ocorrer oclusªo da hipofaringe pela base da língua ou regurgitaçªo do conteœdo gÆstrico para dentro das vias aØreas. Observar provÆveis lesıes na coluna cervical ou dorsal, antes de proceder às recomendaçıes seguintes.

Para manter as vias aØreas permeÆveis e promover sua desobstruçªo, para tanto colocar o acidentado em decœbito dorsal e fazer a hiper-extensªo da cabeça, colocando a mªo sob a regiªo posterior do pescoço do acidentado e a outra na regiªo frontal. Com essa manobra a mandíbula se desloca para frente e promove o estiramento dos tecidos que ligam a faringe, desobstruindo-se a hipofaringe.

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