Economia e Sociologia do Trabalho

Economia e Sociologia do Trabalho

(Parte 1 de 8)

Economia e Sociologia do Trabalho

Mercado de trabalho formal e informal08
O mercado de trabalho1
Demanda por trabalho: o modelo competitivo e modelos não competitivos12
as decisões de emprego das empresas18
custos não salariais2
elasticidades da demanda23
Oferta de trabalho: a decisão de trabalhar e a opção renda x lazer24
a curva de oferta de trabalho27
elasticidades da oferta28
O equilíbrio no mercado de trabalho29
Os diferenciais de salário30
Diferenciação compensatória31
Capital Humano: educação e treinamento32
Segmentação no mercado de trabalho43
causas46
Salário eficiência e modelos de procura de emprego48
políticas de emprego49
Assistência ao desemprego59
Sindicato: monopólio bilateral e monopsônio59
O mercado de trabalho no Brasil61
Sociologia do Trabalho70
O Conceito de Trabalho70
Trabalho: ação, necessidade e coerção72
Exploração e alienação71
Trabalho e remuneração. O sistema de assalariamento7
Valores e atitudes. Os valores do Trabalho78
A divisão social do trabalho80
População e Emprego. População, população ativa e população ocupada83
Trabalho e Progresso Técnico85
de trabalho85
Trabalho parcial e integral87
Trabalho artesanal, manufatura e grande indústria89
A crise da sociedade do trabalho92
O determinismo tecnológico93
Trabalho e empresa. Poder e decisão na empresa95
Estrutura e organização da empresa97
A classe dirigente100
A ação sindical e sua tipologia100

Economia do Trabalho Conceitos básicos e Definições

A economia do trabalho procura entender o funcionamento do mercado e a sua dinâmica relacionada ao trabalho. Os mercados de trabalho funcionam através das interações entre trabalhadores e empregadores. A economia do trabalho observa os ofertantes de força-de-trabalho (trabalhadores), seus demandantes (empregadores) e tenta entender os padrões resultantes de salários e outras rendas do trabalho, de emprego e desemprego. Usos práticos incluem a assistência na formulação de políticas de pleno emprego.

PIA – população em idade ativa;

PEA ou Força de Trabalho – expressa a quantidade de pessoas que potencialmente colocam sua mão de obra para suprir as necessidades da empresa. Engloba as pessoas empregadas como as que estão disponíveis para trabalhar, mas não estão conseguindo emprego (denominadas desempregadas); PINA – população em idade não ativa.

População economicamente ativa (PEA)

a) plenamente ocupados: - em tempo integral - em tempo parcial

Empregados b) subempregados: - visíveis - invisíveis

Desempregados a) buscando trabalho: - já trabalharam - nunca trabalharam (1º emprego) b) não estão procurando trabalho, mas dispostos a trabalhar em condições específicas: - já trabalharam - nunca trabalharam População não economicamente ativa (PNEA)

Capacitados para o trabalho a) trabalhadores desalentados ou desencorajados (dispostos a trabalhar, mas desestimulados a buscar emprego): - dedicando-se a afazeres domésticos

- estudante

- aposentado

- pensionista

- rentista e outros b) inativos (não buscam trabalho nem desejam trabalhar): - inválidos - idosos - réus - outros Essa forma de apresentação da PEA é universal, contemplada pelas mais importantes instituições voltadas para questões do mercado de trabalho e

entre os empregados, enquanto para o Dieese é uma forma de desemprego

adotada nos principais inquéritos, visando captar aspectos recativos à atividade econômica dos indivíduos. A principal polêmica ocorre em como enquadrar determinada categoria ocupacional com base numa situação observada. Como exemplo, temos o subemprego que, para alguns (como o IBGE), é uma categoria

As seguintes observações merecem também destaque: a) alguns indivíduos que não trabalham fazem parte do mercado informal, que é composto também por indivíduos que trabalham; b) o nível de participação na PEA pode alterar-se sem modificações originadas por aspectos demográficos; c) o critério para definir idade ativa é arbitrário, variando entre países, mas, em geral, contido no intervalo entre 10 e 15 anos de idade. No Brasil, adota-se o critério de 10 anos como limite mínimo para idade ativa; d) os desempregados autênticos representam um patamar mínimo de subutilização da mão-de-obra, desde que entre os empregados existam os subempregados; e) o fato de o indivíduo estar em idade ativa não o caracteriza como economicamente ativo; f) possuir capacidade para trabalhar também não assegura que o indivíduo seja economicamente ativo; g) desemprego não significa inatividade.

que diz respeito à oferta do trabalho imediatamente utilizável no país

Finalmente, devemos notar que as categorias classificadas como economicamente ativas da forma mencionada, ainda que representativas do volume de trabalho apto e imediatamente disponível, não revelam a total potencialidade da força de trabalho. A força de trabalho não leva em consideração aspectos como nível educacional dos trabalhadores, experiência no trabalho, qualidade do trabalho, horas trabalhadas, entre outras variáveis que são determinantes do trabalho potencial dos indivíduos componentes do mercado de trabalho. Dessa forma, a PEA deve ser interpretada como um conceito parcial no INDICADORES DO MERCADO DE TRABALHO

Vimos a composição da População Economicamente Ativa (PEA). Para avaliar o comportamento desse mercado, uma série de indicadores é construída: alguns diretamente das definições apresentadas, e outros - com o índice de salário real – que não emergem diretamente do que foi descrito, mas sim por meio de variáveis que se formam no mercado. Tais indicadores possibilitam tanto refletir sobre o desempenho quanto avaliar o comportamento da economia. Podem também ser utilizados como importantes fatores de orientação no processo de tomada de decisões (seja pelo governo ou pelas firmas), visando proporcionar melhorias no padrão de vida, nas condições de emprego e trabalho e, principalmente, na harmonização das relações entre capitalistas e trabalhadores. Servem ainda para refletir estados de pobreza ou miséria, além de contribuir para a avaliação do nível de absorção de mão-de-obra e de seu grau de subutilização.

Indicadores

1 – Taxa de participação na força de trabalho (tP) Reflete o nível de engajamento da população ativa nas atividades produtivas, pela mensuração do tamanho relativo da força de trabalho, fornecendo uma aproximação do volume de oferta de emprego imediatamente disponível na economia. Desde que o tamanho da população e da própria PEA tendem a diferir de país para país, ou entre regiões de um mesmo país, é necessário expressar percentualmente o volume de indivíduos em atividades voltadas para a produção social de bens e serviços em relação à População em Idade Ativa (PIA). Definese, então, taxa de participação (tP) como:

tP = PEA / PIA Regra geral, para qualquer país, observa-se que:

a) a taxa de participação masculina é maior que a feminina, pois os afazeres domésticos não são considerados ocupações economicamente ativas e são exercidos majoritariamente pelas mulheres; b) a participação adulta é maior que a participação jovem ou idosa. A necessidade de educar e a aposentadoria são as explicações tradicionais para a menor participação desses dois últimos grupos; c) a participação feminina tende a crescer com o desenvolvimento econômico, seja porque aumentam as oportunidades de emprego para as mulheres, seja porque o próprio papel delas com relação ao trabalho é visto de forma diferente.

Taxa de desemprego (tD)
desejam
no sistema econômico

Figurando entre os mais conhecidos indicadores, esse índice tende a refletir desequilíbrios no mercado de trabalho. Representa a falta de capacidade do sistema econômico em prover ocupação produtiva para todos aqueles que a A taxa de desemprego contabiliza aqueles indivíduos que estão aptos, saudáveis e buscando trabalho, mas que não encontram ocupação à taxa de salários vigente Essa taxa inclui o que se denomina desemprego aberto, o qual expressa um patamar mínimo de subutilização de mão-de-obra, já que o subemprego existe no mercado de trabalho. Estatisticamente, a taxa de desemprego é a relação entre o número de desempregados (D) e o total da força de trabalho (PEA), ou seja:

tD = D / PEA => tD = D / (E + D)

Sua evolução demonstra as flutuações da atividade econômica, sendo extremamente útil ao governo como indicador do impacto das políticas econômicas de curto prazo.

Do ponto de vista social, é inegavelmente o principal indicador da ocorrência de recessão, pois incorpora tanto movimentos da força de trabalho quanto flutuações no plano das atividades produtivas. NOTA - A taxa de desemprego pode aumentar sem que tenha havido demissão. Exemplos:

1) Supondo que o número de desempregados de um país é de 20 (D=20) e que o número de empregados seja 60 (E= 60) . Neste caso, a taxa de desemprego será:

2) Se um inativo se incorpora à PEA, porém não obtém emprego (fica desempregado), temos a seguinte composição:

tD = 21 / 81 = 0,259 Pode-se perceber que a taxa de desemprego aumentou, apesar de não ter havido novas demissões.

A taxa de desemprego capta aqueles indivíduos classificados como desempregados por diversas razões, que vão desde a total involuntariedade do trabalhador em se colocar nessa situação até a incapacidade do sistema em absorver o contingente de indivíduos que afluem às forças de trabalho periodicamente. Em outras palavras, existem diversas classificações de desemprego, segundo sua origem, todas ocorrendo ao mesmo tempo e, dessa forma, captadas pela taxa de desemprego, tradicionalmente calculada por pesquisas primárias. As principais são:

merecer maior atenção das autoridades governamentais

Desemprego involuntário Ocorre quando o indivíduo deseja trabalhar à taxa de salários vigentes no sistema econômico, mas não encontra colocação. É também denominado desemprego cíclico ou desemprego conjuntural. Ocorre devido à insuficiência de demanda agregada na economia (falaremos desse assunto mais adiante). Desde que Keynes se destacou como formalizador das idéias sobre o impacto da insuficiência de demanda sobre a economia e o mercado de trabalho, esse tipo de desemprego é também conhecido como Keynesiano. Representa, sem dúvida, aquele tipo de desocupação dos indivíduos que deve

Desemprego estrutural Acontece quando o padrão de desenvolvimento econômico exclui uma parcela dos trabalhadores do mercado de trabalho. Denomina-se também desemprego tecnológico e ocorre devido ao desequilíbrio entre a oferta e a demanda por mão-de-obra de determinada qualificação.

Desemprego friccional

suas características. Nesse ínterim, ele é classificado como desempregado

Surge em decorrência do processo dinâmico que caracteriza o mercado de trabalho, no qual o sistema de informações sobre a oferta de vagas disponíveis no sistema produtivo é imperfeito. Existe um lapso de tempo entre a saída do indivíduo de um emprego e a obtenção de uma nova ocupação de acordo com

Desemprego sazonal Ocorre devido à sazonalidade de determinados tipos de atividade econômica. Como é possível prever esse tipo de flutuações, pode-se atribuir uma dose de voluntariedade dos indivíduos engajados em ocupações dessa natureza.

contingente de trabalhadores disponíveis e utilizados pelas firmas

Índice de emprego (tE) É usado para medir a proporção da população economicamente ativa que, após certa idade, é empregada. Busca refletir aqueles indivíduos absorvidos no mercado de trabalho na condição de empregados. Em outras palavras, indica o tE = E / PEA = E / (E + D)

comportamento das firmas quanto ao nível de emprego por elas desejado

Em última instância, o índice de emprego busca refletir o número de indivíduos que estão realmente exercendo atividades econômicas, relativamente a todos aqueles que potencialmente poderiam exercê-la. Fornece também uma avaliação de capacidade da economia em absorver o crescimento da população, num ambiente de constantes transformações tecnológicas que afetam o

RELAÇÃO IMPORTANTE ENTRE TAXA DE DESEMPREGO E DE EMPREGO Como tD = D / PEA e tE = E / PEA,

temos que: tD + tE = D/PEA + E/PEA = (D + E) / PEA = PEA / PEA = 1 =>tD +
da população de desempenho de atividades econômicas produtivas

Subemprego É a própria subutilização da mão-de-obra. As causas e os efeitos do subemprego são múltiplos, mas invariavelmente ele está relacionado com o desenvolvimento econômico insuficiente ou atrasado. De modo geral, tal conceito é associado à questão de emprego na América Latina, Ásia e África. Historicamente, o subemprego tende a representar a parcela da população subutilizada em decorrência do padrão de crescimento adotado, o qual exclui inúmeros segmentos Além disso, o subemprego tem grande aceitação como conceito referente ao problema ocupacional no meio rural, onde reflete a porcentagem de ocupados em atividades de baixa produtividade agrícola. Igual conceito também se aplica ao meio urbano, mas recentemente a definição de subemprego ganhou nova roupagem, sob o título de mercado ou setor informal de trabalho. Neste setor informal de trabalho, muito mais um problema conceitual ou de mensuração, se

desenvolvimento de atividades econômicas marginais e/ou informais

discute a importância do núcleo capitalista de produção no surgimento e no

Subemprego visível (tSH) – é definido como a diferença entre o volume real de horas trabalhadas pelo indivíduo e o volume de horas que ele poderia, de fato, trabalhar.Na economia, esse subemprego seria medido como: tSH = (Sh/ PEA) x100

pretende medir o subemprego

em que Sh = número de indivíduos ocupados trabalhando menos que um determinado números de horas. Esse indicador merece algumas considerações. O subemprego deve-se dar por razões econômicas, caracterizando uma involuntariedade do indivíduo, que não está trabalhando mais por insuficiência de demanda. O trabalho em tempo parcial não é uma aspiração do indivíduo. Ademais, o número de horas pode ser fixado em termos de dias, semanas, mês ou ano e varia de acordo com as características do país ou região em que se

trabalho assalariado ou estrutura social de produção

Subemprego encoberto (tsp) – representa a quantidade de mão-de-obra que seria possível liberar melhorando-se a organização e a distribuição das tarefas de trabalho, mantendo-se o nível de produção sem necessidade de novos investimentos em capital fixo e sem modificação das formas de utilização do tsp = ( Sp/ PEA ) x 100

prefixado

em que Sp = número de indivíduos em produtividade igual ou inferior a certo valor

em atividades de baixa produtividade, elevando-a simultaneamente

Subemprego potencial (tSV) – é definido como a quantidade da mão-de-obra que pode ser liberada, dado um nível de produção, por meio de mudanças nas condições de exploração dos recursos ou transformações nas indústrias ou agricultura. Implica reduzir gradualmente a proporção de mão-de-obra ocupada tSV = N / (d + 1) x100 / PEA onde N = número de pessoas pobres (população abaixo de uma linha de pobreza); d = (N – n) / N, razão de dependência; n = número de indivíduos ativos incluídos na população pobre.

Taxa de rotatividade da mão-de-obra (tr) Os movimentos referentes às demissões e rescisões de contrato de trabalho (sejam por iniciativa das firmas ou de empregados), tanto podem representar desemprego da força de trabalho como também rotatividade da mão-de-obra. O que diferencia essas duas situações é que, do ponto de vista das firmas, a rotatividade implica idéia de que a mão-de-obra dispensada, ou que voluntariamente se demite, será substituída. Por sua vez, a dispensa do

idéia de substituição é a seguinte:

empregado por parte da firma ou seu pedido de rescisão do contrato de trabalho, sem que ocorra reposição, caracteriza um desemprego na forma tradicional do termo. O princípio da substituição de mão-de-obra é de fácil compreensão, mas a mensuração da rotatividade é algo complexo.A medida mais usual que preserva a tr = min (A, D) x 100 / 0,5(Fi + (Fi +A –D))

A = admissões da firma ou setor no período; D = demissões; Fi = estoques de trabalhadores no início do período

Uma explicação simples para o numerador da fração min (A,D) seria: a) Recessão na economia – ocorrendo uma recessão, o número de demissões é bem maior que o número de admissões. Se tomássemos o maior valor entre admissões e demissões, este seria o número de demissões. Logo, o numerador seria grande, induzindo ao erro de se pensar que estaria havendo rotatividade na economia, o que não é verdade (D>A). Dessa forma, ou seja, tomando o valor mínimo do numerador, estaríamos , certamente, mais próximos da realidade. b) Crescimento econômico – num período de crescimento o número de admissões é bem maior que o número de demissões. Logo, se tomássemos o número de admissões (A), que é maior que o número de demissões (D), estaríamos superestimando o índice de rotatividade, já que este valor seria grande. Ao tomarmos o mínimo entre demissões e admissões, tomaríamos o valor correspondente ao número de demissões (que é menor). Com isso o índice seria menor, retratando melhor a momento econômico, ou seja: não há grande rotatividade e sim crescimento econômico.

Mercado Formal

Neste tipo de mercado de trabalho as empresas cumprem a legislação vigente nos âmbitos fiscal, sanitário, de segurança, trabalhista, ambiental etc. Produz-se mercadorias tendo como objeto o lucro.

Mercado Informal

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