Poluentes orgânicos persistentes e compostos orgânicos voláteis

Poluentes orgânicos persistentes e compostos orgânicos voláteis

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POLUENTES ORGÂNICOS PERSISTENTES

E

COMPOSTOS ORGÂNICOS VOLÁTEIS

LUCIANO MENDE DE FARIAS

SINOPSE

A presença dos poluentes orgânicos persistentes (POPs) e dos compostos orgânicos voláteis(COVs) no meio ambiente é uma das grandes questões da atualidade, tanto pelos seus efeitos adversos, quanto pelo fato de não respeitarem fronteiras. Por importantes que sejam os resultados obtidos na regulamentação destes compostos, e os avanços científicos na sua detecção, em concentrações cada vez menores, por mais proativas que sejam as políticas das indústrias químicas, e por mais eficazes que sejam as pesquisas tecnológicas no sentido da produção de compostos de menor impacto ambiental, o objetivo do impacto zero é inatingível.

SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO..........................................................................................................6

2. POLUENTES ORGÂNICOS PERSISTENTES (POPs)........................................9

2.1. Natureza Química....................................................................................................9

2.2. Propriedades Físico-Quimicas dos POPs.............................................................10

2.3. Fim de doze POPs...................................................................................................11

2.3.1. Aldrin....................................................................................................................11

2.3.2. Clordano...............................................................................................................12

2.3.3. DDT.......................................................................................................................13 2.3.4. Dieldrin.................................................................................................................14 2.3.5. Endrin...................................................................................................................14 2.3.6. Heptacloro............................................................................................................15

2.3.7. Mirex....................................................................................................................15

2.3.8. Toxafeno...............................................................................................................16

2.3.9. Binefilos Poloclorados (PCBs)............................................................................17

2.3.10. Hexaclorobenzeno..............................................................................................18 2.3.11. Dioxinas e Furanos............................................................................................18

2.4. Impactos Ambientais e na Saúde Humana...........................................................19

3. PROPOSTAS MUNDIAIS PARA A REGULAMENTAÇÃO DA EMISSÃO E USO DOS POLUENTES ORGÂNICOS PERSISTENTES......................................24

4. COMPOSTOS ORGÂNICOS VOLÁTEIS (COVs)..............................................28

4.1. Definição..................................................................................................................28

4.2. Impactos Ambientais causados pelos COVs..................................... ..................29

4.2.1. A Indústria...........................................................................................................29

4.2.2. Toxidade no Homem...........................................................................................30

4.2.3. Hidrocarbonetos Aromáticos.............................................................................30

4.3. Principais resíduos associados aos Solventes.......................................................32

4.3.1. Emissões Gasosas.................................................................................................32

4.3.2. Processos de Fabricação......................................................................................33

4.4. Estratégias para a Gestão da Utilização dos COVs.............................................35

4.4.1. Produção mais Limpa.........................................................................................36

4.4.2. Controle de Inventario........................................................................................36

4.4.3. Formas de Implementação..................................................................................36

4.4.4. Alteração do Processo.........................................................................................37 4.4.5. Substituição de Matérias-prima.........................................................................37

4.4.6. Reformulação dos Produtos e sua Substituição por Outros............................38

4.4.7. Segregação de Resíduos......................................................................................38

5. ESTRATÉGIAS COMPLEMENTARES – TECNOLOGIAS DE FIM DE LINHA COV..................................................................................................................38

6.CONCLUSÕES...........................................................................................................40

7. BIBLIOGRAFIA.......................................................................................................42

  1. INTRODUÇÃO

A revolução industrial verificada no século passado produziu profundas mudanças no processo de produção, poucas décadas foram suficientes para experimentarmos a introdução maciça de novos produtos e materiais o que, por conseguinte alterou expressivamente o hábito de consumo da população.

Um número considerável de substâncias sintéticas, na sua grande, maioria, desconhecidas, são lançadas no mercado consumidor, doméstico ou industrial, sem restrições ou sem conhecimento de seus impactos ambientais de médio e longo prazo. Além disso, estas substâncias podem reagir entre si gerando novos compostos químicos dos quais temos pouco conhecimento sobre suas propriedades.

Existe uma série de compostos orgânicos, de uso variado, possuindo fórmulas químicas distintas, que pelo conjunto de seus efeitos no meio ambiente e na saúde humana, foram agrupados como POPs (Poluentes Orgânicos Persistentes) e COVs (Compostos Orgânicos voláteis).

Os POPs, podem ser definidos, como um grupo de substâncias químicas altamente perigosas, além é claro, de sua persistência, formadas por compostos químicos orgânicos semelhantes aos seres vivos; apresentam elevada toxicidade e bioacumulação. Deste modo tornam-se um perigo para os seres humanos e para o meio ambiente, podendo ser encontrados após décadas de sua liberação em diferentes regiões do planeta, pois têm capacidade de dispersão global muito grande, isto é, migração de regiões quentes para regiões frias.

Entre todas as substâncias químicas produzidas até agora, existe uma série de compostos orgânicos, de uso variado, portanto possuindo fórmulas químicas bem distintas, que pelo conjunto de seus efeitos no meio ambiente e na saúde humana, foram agrupados sob a sigla POPs, que vale tanto para o inglês “persistent organic pollutants”¹, quanto para o português poluentes orgânicos persistentes. Embora todos os tóxicos que entrem no meio ambiente sejam a rigor venenos ambientais, as propriedades dos Poluentes Orgânicos Persistentes (POPs) lhes conferem a capacidade de causar danos ambientais mesmo em baixas concentrações:

● A sua estabilidade, e, portanto persistência, faz com que seus efeitos perdurem e que possam ser largamente dispersos antes de se decomporem.

●A bioacumulação que ocorre pela sua solubilidade em gorduras favorece sua acumulação nos tecidos

●A biomagnificação decorre da sua capacidade de aumentar a sua concentração na direção do topo da cadeia alimentar

●A sua capacidade de transporte a longas distâncias, conseqüência de sua estabilidade decorre do fenômeno da destilação global1.

Os POPs até hoje identificados, pertencem a três categorias de substâncias:

  1. Os inseticidas deliberadamente dispersos em terras agriculturáveis,

  2. Produtos industriais cuja dispersão ambiental foi não intencional e,

  3. Subprodutos de vários tipos de manufaturas ou processos de combustão.

Os POPs possui a capacidade de interferir no sistema endocrinológico, humano e animal, causando uma série de conseqüências para a saúde humana e para a vida animal. Estas substancias são classificadas como EDSs¹ do inglês “Endocrine Disrupting Substances” e por seu alto potencial de efeitos adversos tem sido objeto de recentes e intensas investigações científicas.

Os POPS tornaram-se contaminantes comuns nos peixes, nos laticínios e em outros alimentos em escala mundial. Por ter propriedades que se acumulam no tecido adiposo, possivelmente uma parte da população mundial pode ter estoques de POPS em seus corpos capazes de causar sérios problemas de saúde no aparelho reprodutivo, no sistema imunológico, desenvolverem câncer e, apresentarem problemas no desenvolvimento de crianças.

Os compostos não são mutagênicos, os efeitos de sua exposição podem ser revertidos. Ações intergovernamentais também se intensificaram nos últimos anos, tendo culminado na Convenção de Estocolmo que resultou na proibição de 12 POPs¹ (DDT, Aldrin, clordano, Dieldrin, Endrin, Heptacloro, Mirex , Toxafeno, Bifenilas Policloradas, Hexaclorobenzeno, Dioxinas e Furanos).

Os Compostos Orgânicos voláteis (COVs) têm origem, tanto em processos naturais como em processos antropogênicos. OS combustiveis, os produtos de proteção de superfícies, de limpeza de metais e os utilizados em lavandarias contém solventes que estão na origem da emissão antropogênica de quantidades significativas de COVs. As fontes móveis, em particular os transportes rodoviários, constituem outra das importantes fontes destes compostos, não só devido às emissões dos gases de exaustão, mas também como resultado da evaporação de combustíveis, decorrentes da combustão.

2. POLUENTES ORGÂNICOS PERSISTENTES

2.1 Natureza química

A lista de possíveis POPs é extensa, mas, os compostos até o presente identificados como POPs, e mais especificamente os 12 compostos banidos pela convenção de Estocolmo pertencem a três categorias1 de produtos químicos:

  1. Pesticidas:

Foram intencionalmente espalhados no meio ambiente como meio de controlar pragas e aumentar a produção de alimentos (DDT, Aldrin, clordano, Dieldrin, Endrin, Heptacloro, Mirex , Toxafeno).

  1. Produtos industriais lançados ao meio ambiente de forma não intencional:

As bifenilas policloradas (PCBs) são uma classe de compostos químicos sintéticos com variado grau de cloração nas suas moléculas, existindo 209 possíveis PCBs. Começaram a ser utilizadas em 1929 e devido às suas propriedades isolantes eram substâncias ideais como fluidos refrigerantes e isolantes nos transformadores e capacitores. PCBs² foram também utilizados em sistemas hidráulicos e em produtos tais como plastificantes, borrachas, tintas, ceras etc. Sua produção está descontinuada na maioria dos países porem uma grande quantidade destes compostos ainda está em uso em transformadores e capacitores.

Hexaclorobenzeno é gerado em processos industriais tais como a produção de manganês, e a fabricação e incineração de alguns pesticidas e solventes. É um produto emitido durante a incineração de materiais contendo cloro sendo formado sob as mesmas condições em que ocorre a emissão de dioxinas cloradas e furanos. Também é utilizado como solvente e como pesticida.

  1. Subprodutos da manufatura, uso, ou combustão de produtos clorados:

As para-dibenzodioxinas policloradas e os dibenzofuranos policlorados (dioxinas e furanos) ocorrem na forma de misturas complexas2 nos processos de incineração, siderurgia, e combustão da madeira. Como são subprodutos de processos a estratégia para minimizar a sua emissão é a realização de inventários para identificar suas fontes de emissão e intervenção nos processos geradores.

    1. Propriedades físico-químicas

A lista de POPs não acaba com os 12 compostos banidos, outros compostos de similar efeito existem e muitos outros poderão ser sintetizados no futuro. Com a quantidade de substâncias químicas já em uso e a constante produção de novas substâncias, na maioria das vezes em grandes volumes, para atender nossas necessidades na indústria, agricultura, saúde e conforto doméstico, torna-se de vital importância aumentar a nossa capacidade de identificar substâncias com potenciais efeitos poluentes e avaliar o potencial poluente de novos produtos. Por isto a importância de compreender quais propriedades físicas e químicas faz de uma substância um POP, e através de correlações, estimarem o potencial tóxico tanto de novas substâncias a serem lançadas no mercado quanto daquelas que ainda não foi testado.

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