Combate a incêndio florestal

Combate a incêndio florestal

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Material de Apoio sobre Combate Incêndios Florestais

PIRAQUARA/PR 2005

Centro de Ensino e Instrução – INCÊNDIOS FLORESTAIS – CFSD 2005 2

No ano de 1963 o Estado do Paraná foi assolado por um dos maiores incêndios florestais que se tem notícias. Chamou-se naquela época tal evento de “Paraná em Flagelo”. Foram queimados aproximadamente 2.0.0 ha entre plantações, florestas e campos, tendo ainda o trágico saldo de 73 mortes, cerca de 4.0 residências queimadas, desabrigando 5.700 famílias.

Por ser um assunto novo na época as ações de combate foram extremamente dificultadas, tendo em vista a escassez de pessoal especializado e meios necessários e a partir deste fato viu-se a necessidade de se organizar uma estrutura para o combate a incêndios florestais, com homens treinados, material e equipamento especializado. Foram desenvolvidos estados viabilizando a implantação de um Curso que contemplasse o assunto em questão e o Corpo de Bombeiros do Estado do Paraná formava então no ano de 1967 a primeira turma no Curso de Prevenção e Combate a Incêndios Florestais.

A formação e doutrina foi baseada no sistema do United States Forest Service, graças ao empenho e dedicação do então Tenente Renê Raul Wengenroth Silva, que com a ajuda do Sargento Richard Pedro Bahr e de Celso Schoeniger traduziram manuais norte americanos, adaptando-os e elaborando assim o Manual de Prevenção e Combate a Incêndios Florestais, que possibilitou ao Corpo de Bombeiros do Estado do Paraná estar na vanguarda de tal atividade, formando combatentes em diversos Estados da União, bem como participando de Operações em outros Estados, como na Força Tarefa que integrou as equipes na ajuda ao combate a incêndios no Estado de Roraima em 1998.

A vegetação em nosso país tem sido ao longo dos últimos anos alvo de danos significativos quer em termos de áreas ardidas quer em destruição de espécies singulares, e embora difícil de quantificar, as emissões de gases e partículas libertadas durante um incêndio florestal podem ser responsáveis por alguns impactos ambientais.

Uma área danificada por um incêndio florestal, quando sujeita a chuvas intensas, pode tornar-se mais suscetível, ou originar mais facilmente, outro tipo de riscos tais como deslizamentos e cheias. Com a destruição da camada superficial vegetativa os solos ficam mais vulneráveis a fenômenos de erosão e transporte provocados pelas águas pluviais, reduzindo também a sua capacidade de infiltração.

Além da destruição da floresta (habitat e ecossistema) os incêndios podem ser responsáveis por: morte e ferimentos nas populações e animais (queimaduras, inalação de partículas e gases); destruição de bens (casas, armazéns, postes de eletricidade e comunicações, destruição de culturas agropastoris, etc.); corte de vias de comunicação;

alterações, por vezes de forma irreversível, do equilíbrio do meio natural;

proliferação e disseminação de pragas e doenças, quando o material ardido não é tratado convenientemente e/ou quando o equilíbrio do ecossistema é afetado;

Atualmente o Corpo de Bombeiros do Paraná já formou na atividade de prevenção e combate a incêndios florestais aproximadamente 600 homens oriundos de vários Estados do Brasil.

Centro de Ensino e Instrução – INCÊNDIOS FLORESTAIS – CFSD 2005 3 ÍNDICE

INTRODUÇÃO2
1. DEFINIÇÕES5
2. TEORIA BÁSICA DO FOGO6
2.1 FOTOSSÍNTESE6
2.2 COMBUSTÃO6
2.3 COMBUSTÍVEL7
2.4 COMBURENTE7
2.5 ENERGIA DE ATIVAÇÃO (Calor)7
2.6 FORMAS DE COMBUSTÃO7
2.6.1 Combustões Lentas7
2.6.2 Combustões Vivas7
2.7 CHAMA7
2.8 INCANDESCÊNCIA7
2.9 IGNIÇÃO7
2.10 DEFLAGRAÇÃO7
2.1 EXPLOSÃO7
2.12 COMBUSTÕES ESPONTÂNEAS8
2.13 PRODUTOS RESULTANTES DA COMBUSTÃO8
2.13.1 Fumaça8
2.13.2 Chama8
2.13.3 Calor8
2.13.4 Gases8
2.14 FORMAS DE TRANSMISSÃO DE CALOR:9
2.14.1 Condução9
2.14.2 Convecção9
2.14.3 Radiação9
2.14.4 Deslocamento de Corpos Inflamados10
2.14.5 Corrente e/ou Descargas Elétricas:10
3. FORMAS DE INCÊNDIOS FLORESTAIS1
3.1 PRINCIPAIS TIPOS DE INCÊNDIOS FLORESTAIS1
3.1.1 Incêndios Superficiais12
3.2.2 Incêndios de Copa12
3.2.3 Incêndios Subterrâneos12
4. FATORES DE PROPAGAÇÃO DOS INCÊNDIOS FLORESTAIS13
4.1 TOPOGRAFIA13
4.2 COMBUSTÍVEL FLORESTAL1 3
4.2.1 Tipos de Combustíveis Florestais14
4.3 CONDIÇÕES CLIMÁTICAS (Meteorológicas)15
4.3.1 Umidade15
4.3.2 Temperatura do Ar15
4.3.3 Vento15
5. TÉCNICAS DE PREVENÇÃO16
5.1 CAUSAS DOS INCÊNDIOS FLORESTAIS16
5.1.1 Caracterização da Área16
5.1.2 Construção de Aceiros16
5.1.3 Evitando os Incêndios Florestais17
6. GUARNIÇÕES DE COMBATE A INCÊNDIOS FLORESTAIS18
6.1 PRONTIDÃO DE INCÊNDIOS FLORESTAIS18
6.2 SOCORRO DE INCÊNDIOS FLORESTAIS18
6.3 GUARNIÇÕES DE INCÊNDIOS FLORESTAIS18
6.3.1 Prontidão Reduzida18
6.3.2 Prontidão Padrão19
6.3.3 Prontidão Ampliada19
7. MATERIAIS E EQUIPAMENTOS DE COMBATE A INCÊNDIOS FLORESTAIS20
7.1 EQUIPAMENTO DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL (EPI)20
7.2 FERRAMENTAS E APARELHOS20
7.3 VEÍCULOS DE COMBATE A INCÊNDIOS FLORESTAIS2
7.3.1 Veículos Pesados2
7.3.2 Emprego de Aeronaves23

7.3.4 Segurança nas Operações com Helicópteros ........................................................................................................... 25

8. TÉCNICAS E TÁTICAS DE COMBATE A INCÊNDIOS FLORESTAIS29
8.1 PLANEJAMENTO29
8.2 DETECÇÃO29
8.3 COMUNICAÇÃO29
8.4 MOBILIZAÇÃO29
8.5 CHEGADA AO LOCAL29
8.6 ESTUDO DA SITUAÇÃO29
8.7 COMBATE30
8.7.1 Ataque direto30
8.7.2 Ataque indireto30
8.7.3 Aceiro30
8.7.4 Aceiro progressivo30
8.7.5 Aceiro por setor30
8.7.6 Fogo contra fogo ou fogo de encontro31
8.7.7 Fogo de eliminação31
8.7.8 Pré-fogo31
8.7.9 Pontos quentes31
8.7.10 Linha fria31
8.7.1 Cortinas de segurança31
8.7.12 Divisoras e contornos32
8.7.13 Eliminação do material combustível32
8.7.14 Limpeza de aceiros e margens de estradas32
8.7.15 Construções de barragens32
8.7.16 Talhão32
8.7.17 Bordadura32
8.7.18 GCIF32
8.8 RESCALDO32
9. PONTOS IMPORTANTES A CONSIDERAR NO COMBATE AOS INCÊNDIOS FLORESTAIS3
9.1 PREPARAÇÃO E AÇÃO INICIAL3
9.2 ORGANIZAÇÃO E PLANO DE ATAQUE3
9.3 HORA DE COMBATE3
9.4 PONTO E MÉTODO DE ATAQUE3
9.5 ECONOMIA NO COMBATE3
10. ERROS COMUNS NO COMBATE A INCÊNDIOS FLORESTAIS34
1. PONTOS QUE NÃO SE DEVEM ESQUECER34
12. DEZ PRECEITOS DE SEGURANÇA34

Centro de Ensino e Instrução – INCÊNDIOS FLORESTAIS – CFSD 2005 4 13. CUIDADOS A SEREM OBSERVADOS:................................................................................................................. 35

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1. DEFINIÇÕES

Biomassa: fração biodegradável dos produtos, desperdícios ou resíduos de atividades agrícolas (incluindo substâncias vegetais e animais), florestais e de indústrias relaciondas.

Combustível florestal: material vegetal suscetível a arder em chamas.

Compasso ou espaçamento: distância entre árvores de um povoamento, normalmente medida entre os troncos.

Compasso de Plantação: definição prévia da distância entre linhas de plantação e da distância entre as árvores na linha de plantação. Determina a densidade dos povoamentos.

Composição de um povoamento: em sentido restrito, refere-se à variedade de e natureza específica ou cultural dos indivíduos de um povoamento. Distinguir-se-á assim entre um povoamento puro, constituído por uma só espécie florestal dominante e povoamento misto, no qual coexistem indivíduos pertencentes a mais do que uma espécie florestal. Considerar-se-á povoamento puro aquele em que a percentagem de outras espécies não ultrapasse 10%.

Continuidade de combustível: grau ou extensão da distribuição contínua das partículas de combustível florestal que afeta a capacidade de um incêndio florestal manter a combustão e se alastrar.

Estrutura de um povoamento: é a forma de arranjo interno dos povoamentos, isto é, características de ocupação acima do solo pelas árvores e que está diretamente relacionada com a idade das árvores. Destacam-se dois tipos de povoamentos fundamentais quanto à estrutura:

Povoamentos regulares quando todas as árvores pertencem à mesma classe de idade, e logo, as suas dimensões são aproximadas;

Povoamentos irregulares quando coexistem, num determinado momento, árvores com classes de idades afastadas e, conseqüentemente, árvores com diferentes dimensões.

Exploração florestal: conjunto de operações através das quais o material lenhoso é retirado do local onde foi produzido. A exploração florestal inclui as operações de abate, processamento e extração.

Floresta: ecossistema no qual as árvores ocupam um lugar predominante.

Especificamente é uma área com mais de 0,5 há e cobertura arbórea (copas) superior a 10%. As árvores no estado adulto podem atingir uma altura mínima de 5m. Inclui povoamentos jovens naturais e todas as plantações estabelecidas com objetivos florestais que não tenham atingido a densidade de copas de 10% ou altura de árvores de 5m. Inclui também zonas integradas na área florestal que estejam temporariamente desarborizadas como resultado da intervenção humana ou causas naturais, mas para as quais é expectável a reconstituição da cobertura (exemplo: áreas recentementes submetidas a corte final ou percorridas por incêndios). Inclui ainda clareiras e infra-estrutura florestais. Exclui-se terras de uso predominantemente agrícola.

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Povoamento: Conjunto bem delineado de plantas arbóreas plantadas numa determinada área.

2. TEORIA BÁSICA DO FOGO

O fogo é considerado um fenômeno que ocorre quando se aplica calor a uma substância combustível em presença do ar, elevando sua temperatura até que ocorra a libertação de gases, cuja combinação com o oxigênio do ar proporciona a energia necessária para que o processo continue.

Para que se produza um incêndio florestal, são necessários três elementos: calor, ar (oxigênio) e combustível, que constituem o triângulo do fogo.

O fogo é uma rápida reação química de oxidação. A decomposição natural da madeira também é uma reação de oxidação, só que ocorre lentamente à temperatura ambiente com baixa libertação de calor. A combustão não é mais do que uma reação inversa da fotossíntese:

2.1 FOTOSSÍNTESE CO2 + H2O + Energia Solar ⇒ Celulose + O2.

2.2 COMBUSTÃO

A combustão é uma reação de oxidação entre um corpo combustível e um corpo comburente. A reação é provocada por uma determinada energia de ativação. Esta reação é sempre do tipo exotérmico, ou seja, libera calor.

Celulose + O2 + Temperatura de ignição⇒ CO2 + H2O + Energia.

Em qualquer incêndio florestal é necessário haver combustível para queimar, oxigênio para manter as chamas e calor para iniciar e manter o processo da queima.

Quando uma substância combustível é submetida à ação do calor, as suas moléculas movem-se mais rapidamente. Com o aumento do calor, poderá haver libertação de gases, que ao se inflamarem, formarão chamas, dando início à combustão.

Uma vez iniciada a combustão os gases nela envolvidos reagem em cadeia, alimentando a combustão, dada a transmissão de calor de umas partículas para outras no combustível; mas, se a cadeia for interrompida, não poderá continuar o fogo.

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2.3 COMBUSTÍVEL

É qualquer substância que em presença do oxigênio e de uma determinada energia de ativação é capaz de queimar.

2.4 COMBURENTE

É o gás em cuja presença o combustível pode arder. De uma forma geral considera-se o oxigênio como comburente típico, este encontra-se no ar numa proporção de 21 %.

2.5 ENERGIA DE ATIVAÇÃO (Calor)

Fonte de energia que ao manifestar-se sobre a forma de calor, pode provocar a inflamação dos combustíveis.

As principais fases que ocorrem num incêndio florestal são: Pré-aquecimento do material combustível (110° C);

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