Irrigação Localizada

Irrigação Localizada

(Parte 1 de 3)

1. INTRODUÇÃO

O sistema de irrigação por gotejamento se desenvolveu em função da escassez de água. Este sistema aplica água em apenas parte da área, reduzindo assim a superfície do solo que fica molhada, exposta às perdas por evaporação. Com isto, a eficiência de aplicação é bem maior e o consumo de água menor. Os emissores utilizados podem ser gotejadores ou microaspersores.

2. COMPONENTES Os principais componentes de um sistema de gotejamento são:

• Emissores (gotejadores ou microaspersores)

• Laterais (tubos de polietileno que suportam os emissores)

• Ramais (tubulação em geral de PVC 35, 50, 75 ou 100mm)

• Filtragem (filtros separadores, tela, disco ou areia)

• Automação (controladores, solenoides e válvulas)

• Válvulas de segurança (controladora de bomba, ventosa, anti-vácuo)

• Fertirrigação (reservatórios, injetores, agitadores)

• Bombeamento (motor, bomba, transformador, etc)

Emissores a) Gotejadores

são acoplados à tubulação de polietileno após perfuração da mesma (foto abaixo)

Os gotejadores podem ser do tipo “on line” que compreendem os gotejadores que

Os gotejadores “in line” são emissores que já vêm inseridos na tubulação de polietileno (foto abaixo). Qualquer que seja o tipo, eles podem ser normais ou autoreguláveis (gotejadores cuja vazão varia muito pouco se a pressão variar).

A equação que descreve a vazão dos gotejadores pode ser escrita como: q = K h x onde q é a vazão em l/h, K e x são constantes do gotejador e h a pressão (mca). Por exemplo, o gotejador Hidrogol (fabricado pela Plastro) tem K = 0.69 e x = 0.502. Por isso, com pressão de 10 mca ele goteja 2.19 l/h.

b) Microaspersores

Os microaspersores são emissores que como o próprio nome indica funcionam como aspersores de porte reduzido. Alguns têm partes móveis (rotativos ou dinâmicos) como a foto ao lado e outros não têm (sprays ou estáticos), ilustrado na foto abaixo.

Filtros

bloqueios dos emissores

A filtragem da água de irrigação constitui-se em uma medida eficaz na redução de bloqueios físicos dos emissores. Para isto, a escolha dos filtros deve ser realizada de acordo com o tipo de emissor e a qualidade da água, garantindo assim a prevenção de

A filtragem é realizada de modo que a água tenha que passar por orifícios tão pequenos que as impurezas possam ser retidas. Em geral esses orifícios possuem tamanho de 1/6 a 1/10 da menor passagem existente dentro dos emissores.

Filtros Centrifugadores - São filtros que separam partículas por mecanismos de força centrífuga. São muito utilizados para remover partículas de areia presentes em águas subterrâneas.

inox). A velocidade de filtragem é da ordem de 0.15 m/sOs

Filtros de Tela - A tela pode ser de tela (plástico ou tamanhos vão desde pequenos filtros plásticos de ¾ polegadas até filtros metálicos automáticos de grande porte (figura abaixo).

A tabela a seguir apresenta as características geométricas de telas utilizadas na filtragem

Mesh* Abertura (micra)

* mesh refere-se ao número de aberturas em uma polegada (25.4mm)

A limpeza dos filtros de tela pode ser manual ou automatizada. Toda vez que a diferença entre a pressão de entrada e a pressão de saída superar um valor prédeterminado, em geral 5 a 8 mca, ocorre a lavagem automática do filtro que pode ser auxiliada por escovas, dispositivos de sução, etc.

Bird

Filtros de Disco – Nestes filtros a água é forçada a passar entre discos plásticos ranhurados, como mostra a figura a seguir para um modelo já comercializado pela Rain

Filtros de areia – Esses filtros funcionam retendo impurezas num meio poroso. Normalmente a água é forçada a passar entre partículas de areia de 0,8 a 1,5 m. Partículas de areia de 1.5 m equivalem a 100 a 130 mesh, de 1.20m (130 a 140mesh), de 0.78mm (140 a 180mesh), de 0.70mm (150 a 200 mesh) e 0.47mm (200 a 250 mesh). As partículas são em geral arestadas para reter com mais eficiência filamentos orgânicos. As partículas não possuem exatamente o mesmo diâmetro. Por isso são preparadas de modo que tenham coeficiente de uniformidade 1.2 a 1.5 (o diâmetro do orifício que deixa passar 60% das partículas é 50% maior que o diâmetro que deixa passar 10%).

a saída das impurezas retidas

A velocidade da filtragem é tal que cada metro quadrado de seção transversal do meio poroso filtre aproximadamente 50 m3/h. A espessura do leito filtrante é da ordem de 40 a 50cm. Em geral, emprega-se mais de um tanque para possibilitar a retrolavagem. Neste caso, enquanto um tanque filtra a água, no outro a água passa no sentido inverso, para expandir em cerca de 30% a areia, afastando os grânulos um do outro, possibilitando

A areia dos filtros é trocada somente após vários anos de funcionamento (5 a 10 anos), bastando apenas completar anualmente pois alguns grânulos podem escapar juntamente com a água da retrolavagem. A retrolavagem ocorre sempre que a diferença de pressão (entrada-saída) ultrapassar o valor de 5 a 8 mca. Este processo dura de 1 a 4 minutos, dependendo da quantidade de impurezas retidas.

Para escolha do filtro a ser utilizado, é necessário conhecer o teor de sedimentos inorgânicos e orgânicos da água a ser filtrada. Em geral pode-se empregar as seguintes recomendações:

Sedimentos orgânicos (mg/l)

Sedimentos inorgânicos (mg/l) Tipo de filtro

< 5 < 5 5 a 10 > 10

Tela manual Disco manual Tela ou disco automático

5 a 10 < 5 5 a 10 > 10

Tela ou disco automático Areia manual Areia manual

>10 Qualquer concentração Areia automático

Fertirrigação

Para fazer a aplicação do fertilizante junto a água de irrigação é necessário que o sistema possua um injetor para incorporar os produtos na água. Este injetor é considerado um dos principais componentes do sistema de irrigação localizada. Os injetores podem ser classificados em três grupos:

• Os que utilizam pressão positiva (por exemplo, bomba injetora);

• Os que utilizam diferença de pressão (por exemplo, tanque de derivação);

• Os que utilizam pressão efetiva negativa como, por exemplo, injetor tipo

Venturi; e injeção por meio da tubulação de sucção da própria bomba do sistema de irrigação (este método não é recomendável pois pode poluir as fontes de água).

* Bomba injetora

É um equipamento que retira o fertilizante a ser aplicado de um reservatório e o injeta diretamente no sistema de irrigação. Os equipamentos que promovem a injeção do fertilizante podem ser do tipo pistão, do tipo diafragma ou mesmo uma bomba centrífuga. Usa-se a bomba de pistão quando o sistema a trabalhar é de alta capacidade e alta pressão.

As bombas injetoras do tipo centrífugas são as mais utilizadas atualmente e são comercializadas acopladas a motores elétricos. A potência dos motores é de aproximadamente 1 CV e o material da bomba em contato com o adubo é, em geral, de inox ou plástico.

Agitador

Motobomba Dreno de fundo

Pré-mistura

(Parte 1 de 3)

Comentários