Etnomatemática- Pesquisa

Etnomatemática- Pesquisa

UNIVERSIDADE TIRADENTES

LICENCIATURA EM MATEMÁTICA

Alessandra Santo Aranha Vieira

Erika Santana Melo de Jesus

Fabiane Vieira dos Santos Cruz Guimarães

Farailde Silva Matos

Joedina Oliveira Lapa

José Germano Régis

Pesquisa Bibliográfica

Educação e Comunicação

Etnomatemática

Aracaju

Setembro,2009

Alessandra Santo Aranha Vieira

Erika Santana Melo de Jesus

Fabiane Vieira dos Santos Cruz Guimarães

Farailde Silva Matos

Joedina Oliveira Lapa

José Germano Régis

Pesquisa Bibliográfica

Educação e Comunicação

Etnomatemática

Pesquisa bibliográfica apresentada

como requisito de avaliação da disci-

plina Práticas Investigativas I, sob orienta-

cão da profª Maria Balbina e do profº Danilo

Batista, no 2º semestre de 2009.

Aracaju

Setembro,2009.

SUMARIO

Introdução.............................................................................................................4

A matemática contextualizada nos Parâmetros Curriculares Nacionais............5

Ubiratan D`Ambrosio e a etnomatemática ..........................................................7

O Programa Etnomatemática .............................................................................9

O Programa etnomatemática na matemática ....................................................11

Considerações....................................................................................................14

Referências........................................................................................................15

Introdução

Este trabalho apresenta a etnomatemática uma relação à questões, sobre manutenção, valorização, reconhecimento e aceitação de diferentes formas de explicar, entender e conhecer a produção, organização e difusão do conhecimento.

Por causa das dificuldades do ensino aprendizagem da matemática, novas propostas pedagógicas devem ser consideradas. A etnomatemática é uma proposta que fornece métodos contextualizados com o ambiente no qual o educando está inserido.

O programa etnomatemática teve seus primórdios na tentativa de se ensinar matemática a culturas periféricas e marginalizadas, mas sem desconsiderar suas raízes culturais, tendo como característica a construção de novas situações e aplicabilidade de regras de ação.

Representada no Brasil e no mundo a partir da década de 70 e tem como principal idealizador o pesquisador brasileiro Ubiratan D`Ambrósio. Para ele, a matematica é usada como o filtro social que define quem tem condições de tomar decisões.

A matemática contextualizada nos Parâmetros Curriculares Nacionais

Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN`s) são uma proposta do ministério da Educação para referenciar a qualidade do ensino publico brasileiro. Foram Criados em 1996 pelo governo federal e tem como objetivo principal tornar o ensino publico padronizado e e direcionar o professor para como e o que deve ser ensinado.São divididos por disciplinas e o seu uso para estruturação do currículo escolar é obrigatório para a rede publica e opcional para o privado.

Segundo o PCN de matemática para o ensino fundamental, o ensino da matemática nessas séries deve ter o papel de explorar a aplicabilidade do conhecimento matemático nas diversas áreas do saber. Como o Brasil é um país formado por várias etnias, existem diferentes modos de viver e culturas diferenciadas ;os alunos trazem para a sala de aula as ideias,intuições e conhecimentos adquiridos no meio em que ele vive. Esse fato apresenta-se como um desafio à educação matemática, que, de acordo com o PCN, deve valorizar as diversas realidades sócio culturais e, ao mesmo tempo preparar o aluno para que ele ultrapasse as barreiras do seu espaço social e se torne ativo na transformação de seu ambiente.

Já a matemática do ensino médio, ainda de acordo com o PCN, tem um valor formativo, deve estruturar o pensamento e o raciocónio dedutivo, para que o aluno esteja capacitado a resolver problemas e tenha uma visão ampla e científica da realidade. O aluno deve compreender que a matemática é um instrumento constituído de regras e estratégias que devem, ser aplicadas em outras áreas e adfptas-se a diferentes contextos.

A etnomatemática caracteriza-se principalmente pela preocupação em apresentar a matemática contextualizada para o aluno, promovendo a melhor aprendizagem de conhecimentos matemáticos a partir dos que o aluno já possui. Desta forma, uma metodologia de ensino baseada no programa etnomatemática colabora para a concretização da educação matemática contextualizada.A aplicação do programa etnomatemática é uma ferramenta importante para que melhor se possa contextualizar o ensino de conceitos abstratos, sem apresentá-los de maneira mecânica e pouco atrativa.

Ubiratan D`Ambrosio e a etnomatemática

“O ensino da matemática não pode ser de didfícil compreensão, nem o missão de palavras. Deve considerar a realidade sócio cultural do indivíduo, o ambiente em que ele vive e o conhecimento que ele traz de casa.” Essa afirmação faz parte da Etnomatemática de Ubiratan D’Ambrósio. Ele é Professor Emérito de Matemática da Universidade Estadual de Campinas / UNICAMP.Nascido em São Paulo em 8/12/32. Bacharel e Licenciado em Matemática pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo (1954). Doutor em Matemática pela Escola de Engenharia de São Carlos da Universidade São Paulo (1963). Pós-doutorado na Brown University, USA, (1964-65).Atualmente, professor do Programa de Estudos Pós-graduados de História da Ciência da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo / PUC; professor credenciado no Programa de Pós-Graduação da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo; professor do Programa de Pós-Graduação em Educação Matemática do Instituto de Geociências e Ciências Exatas da Universidade Estadual Paulista "Julio de Mesquita Filho" / UNESP; professor visitante no Programa Sênior da FURB / Universidade Regional de Blumenau.Ele também é Presidente da Sociedade Brasileira de História da Matemática / SBHMat; Presidente do ISGEm / International Study Group on Ethnomathematics; Presidente do Instituto de Estudos do Futuro / IEF de São Paulo; pesquisador e membro do Conselho Diretor do NACE-ATC (Núcleo de Apoio à Cultura e Extensão - Arte, Tecnologia e Comunicação) da universidade de São Paulo; Membro do Conselho Diretor do Institute for Information Technology in Education (IITE), da UNESCO, sediado em Moscou (1998-2002); Membro do Conselho Científico do Museu de Astronomia e Ciências Afins / MAST, do Conselho Nacional de Pesquisas / MCT (1996-2003).

Na década de 70, apareceram entre os educadores matemáticos correntes educacionais contrárias à existência de um currículo comum, e forma de apresentar a matemática de uma só visão, como conhecimento universal. Não havia valorização conhecimento que o aluno traz para a sala de aula, proveniente do seu social.

Uma das primeiras definições do pensamento etnomatemático é dada pelo próprio D’ Ambrosio em uma conferência intitulada ICME-5 (5th International Congress on Mathematics Education) realizado em Adelaide (Austrália), em 1984, quando o autor apresenta inúmeras vezes, quase que com o mesmo sentido (D’ Ambrosio 1985(a), 1985(b), 1993(a), 1993(b)): “etno”, do grego referente a contexto cultural, “matema”, também do grego significa entender/conhecer/explicar/ e “tica” sugerida pela palavra techne que é a mesma raiz de arte e técnica. “Assim poderíamos dizer que etnomatemática é a arte ou técnica de explicar, de conhecer, de entender em diversos contextos culturais (D’AMBROSIO, 1993(b):5)

O Programa etnomatemática

A primeira revista da Sociedade Brasileira de Educação Matemática (SBEM)- A Educação Matemática em revista (1993) publicou em seu primeiro número a etnomatemática. O artigo foi de Ubiratan D’Ambrósio e teve como título: “Etnomatemática um programa” Escreveu ele:

É um programa de pesquisa no sentido lakatosiano1que vem crescendo em repercursão e vem, mostrando uma alternativa váçida para um programa de ação pedagógica. Etnomatemática propõe um enfoque epistemológico alternativo associado a uma historiografia, mais ampla.Parte da verdade e chega, de forma natural, através do enfoque cognitivo com forte fundamentação cultural, a ação pedagógica.(D’AAMBRÓSIO,1993,P6)

Um programa de pesquisa científica, segundo Lakatos caracteriza-se pelo “núcleo”, articulando e criando hipóteses auxiliares, formando um cinto de proteção em, torno desse núcleo, redirecionando se for o caso. Esse cinto de proteção de hipóteses auxiliares deve suportar o impacto dos testes, ajustando , reajustando ou substituindo, em defesa do núcleo. Um programa de pesquisa é bem sucedido se conduzido a uma mudança progressiva de problemas, e mal sucedido na mudança degenerativa de problemas.

A etnomatemática como um programa científico de pesquisa lakatosiano deve conhecer o seu núcleo e atuação do cinto de proteção desse núcleo. Segundo D’Ambrósio, constitui o núcleo do programa a geração, transmissão, e difusão do conhecimento. Para ele a percepção matemática é característica da espécie humana, nas atividades de comparar, classificar, medir, esplicar, generalizar e avariar.

O poder de um programa de pesquisa contrói-se pela resolução de problemas (quais caminhos evitar, quais devem ser seguidos), e interação com outros programas científicos. O programa etnomatemática traz para seu cinto de segurança a modelagem matemática, a resolução de problemas, a história da matemática, a antropologia social. Outro fator para fortalecer o cinto de segurança é refutar críticas que tentam atingir o núcleo.

É competência dos educadores confirmar continuamente na construção do cinto de proteção. Criado por Ubiratan D’Ambrósio, respaldado na metodologia lakatosiana, é o programa educacional, na área da matemática, de maior repercursão internacional. (RBHM, Especial nº1,p273-280,2007)

O Programa Etnomatemática na Matemática

A etnomatemática trabalha com as idéias da matemática no processo de comparar, classificar, quantificar, medir, organizar, e de interferir e de concluir; só que utilizando as raízes de uma cultura, como o idioma, a música, os costumes. A essênssia da etnomatemática é reconhecer essas especificações culturais onde a educação é multicultural.

Para chegar na matemática aplicada hoje nas escolas, os gregos, os romanos, e outros utilizaram a matemática no contexto social, “a etnomatemática”, para aprimorar e chegar na ciência matemática, então a disciplina matemática na verdade, é uma etnomatemática.

A matemática aplicada atualmente as teorias, das proposições e regras leva o aluno a só estudar o que é dado, a aprendizagem pode ocorrer, mas como um mero domínio de técnicas , habilidades e memorização. Alguns resultados mostram que a matemática tanto na Brasil, como em outros países vai mal.

O programa etnomatemática sugere que deve-se trabalhar o contexto social, seu meio junto com a matemática em si, não é para deixar de ensinar a matemática, mas utilizá-la de forma que agucem o interesse, a curiosidade, o despertar do aluno para tornar a disciplina mais agradável de se aprender, pois trabalhando seu meio ele está aprendendo seu cotidiano.

Os professores enquanto educadores do processo de aprendizagem da matemática devem esclarecer para seu aluno a importância desta ciência como um instrumento de melhor compreensão do mundo em que ele vive, pois a matemática está inserida no seu dia-a-dia.

A aprendizagem tem a capacidade de explicar, de aprender e compreender situações novas. Procura-se uma educação que estimule o desenvolvimento de criatividade, proporcionando uma diversidade na organização da sociedade.

Conectar a matemática que ensinam na escola, com a matemática de seu cotidiano, D’Ambrósio propões que:

“É necessário modificarmos a imagem que a matemática possui de funcionar como uma máquina seletora que determina quais os alunos irão concluir cada estágio escolar.Devemos discutir sobre a importância da matemática para construção da cidadania, em ânfase principalmente, na participação crítica e autônoma doa alunos, proporcionando-lhes o estabelecimento de conexões da matemática com outros temas de sua vida cotidiana.”(D’Ambrósio,1993,pg327)

A matemática como um instrumento social e de cidadania deve-se assegurar com forte fundamentação conceitual para não ser transformada em forma instrumentalizada ou folclórica e sem desenvolver o raciocínio lógico e a capacidade de pensar onde os alunos não apenas memorizem, mas que evoluam no saber crítico e mostrar a matemática como um “saber” ligado a vida e a história dos seres humanos.

A etnomatemática privilegia o raciocínio qualitativo, ela pode ser uma ferramenta impressionante, simples e eficaz na tarefa de desmitificar a matemática como sendo o terror dos alunos, e aproximá-la cada vez mais do convívio do ambiente em que eles vivem.

Por todo esse contexto a etnomatemática passa a ser uma nova proposta pra qua os educadores trabalhem de forma que seus alunos aprendam realmente a matemática e sua essência no seu dia-a-dia.

Considerações

Para a etnomatemática, o conhecimento matemático passa por um processo que inicia-se pelas práticas do dia-a-dia, dos indivíduos, elaborando conhecimento e valores, modificado pela presença de outro, permitindo sobreviver e ultrapassar através de técnicas, levando em conta os conhecimentos que ajudem a compreender e melhorar o fazer matemático e seus diferentes caminhos de construção, reconhecendo o indivíduo como um ser vinculado ao ambiente em que vive, pois nenhum conhecimento deve ser imposto à outro.

Referências Bibliográficas

D’AMBROSIO, Ubiratan. Educação matemática – da teoria à prática. Ex: 2. ed. Papirus.

D’AMBROSIO, Ubiratan. Etnomatemática – elo entre as tradições e a modernidade. Ex.: 8. ed. Autêntica

D’AMBROSIO, Ubiratan. Sociedade, cultura, matemática e seu ensino. Revista Educação e Pesquisa. São Paulo. V. 31, p. 99-120, 2005.

PARÂMETROS Curriculares Nacionais (1ª a 4ª série): matemática/Secretaria de Educação. Educação Fundamental. Brasília: MEC/ SEF,1997.142 p.

PARÂMETROS Curriculares Nacionais: matemática / Secretaria de Educação Fundamental. Brasília: MEC/ SEF,1998. 146 p.

1 D’Ambrósio adjetivou o programa como lakatosiano referindo-se a Imre Lakatos(1922-1974), filósofo da ciência, húngaro, da família judia. Obra mais conhecida “Provas e Refutações” (pós morte).Baseado no artigo O falsamento e a metodologoa dos programas da pesquisa científica( lakatos, p109-243), que D’Ambrósio confere a Etnomatemática como um Programa.

Comentários