Fitoterapia -Apostila

Fitoterapia -Apostila

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UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA

CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE

DEPARTAMENTO DE FISIOLOGIA E PATOLOGIA

NÚCLEO DE ESTUDOS E PESQUISAS HOMEOPÁTICAS E FITOTERAPICAS

DISCIPLINA FITOTERAPIA I

FITOTERAPIA I

João Pessoa,

Abril de 2009

PLANTAS MEDICINAIS: HISTÓRIA, TRADIÇÃO E ATUALIDADE

Ao longo da história, o homem sempre buscou a superação dos seus males. Inúmeras etapas marcaram a evolução da arte de curar. Porém, é difícil delimitá-las com exatidão, uma vez que a arte de curar esteve, por muito tempo, associada às práticas mágicas, místicas e ritualísticas. Em todas estas etapas, as práticas de cura utilizaram as plantas medicinais.

Inicialmente, o homem se preocupou com o alívio imediato dos sintomas das doenças, principalmente a dor e, posteriormente, se dedicou ao entendimento do funcionamento do organismo, na saúde e na doença. E para curá-lo, utilizava-se daquilo que a natureza oferecia, com destaque para a utilização das plantas.

O homem sempre observou como os animais utilizavam as plantas e os efeitos que as mesmas eram capazes de provocar. Se determinada planta provocava um efeito benéfico para o animal, deduzia-se que, certamente, para o homem também ocorreria o mesmo.

Mas o conhecimento da utilização das plantas como medicamento não foi adquirido apenas observando os animais. O homem sempre utilizou as plantas como fonte de alimentos e observava os efeitos que elas provocavam no seu organismo. Em função disto, foi fazendo a triagem das plantas que tinham atividades alimentícias, medicinais e tóxicas, etc.

Posteriormente, passou a fazer a busca das plantas medicinais, de forma sistemática. Nesta busca, durante muito tempo, foi marcante a teoria das assinaturas. Por ela, acreditava-se que, na natureza, havia elementos capazes de curar todos os males e que estes elementos tinham um sinal, um indício capaz de identificá-los com sua função terapêutica. O principal indício seria a semelhança da forma e da cor da planta, ou de suas partes, com os órgãos acometidos pelas doenças.

E foi assim que se deu a descoberta do potencial terapêutico das plantas medicinais. A princípio, de forma intuitiva e, posteriormente, através da experimentação sistemática.

Como exemplo do processo intuitivo e experimental, utilizado pelo homem nos primórdios das civilizações, temos a fábula que diz que um pastor todos os dias levava as suas cabras para o pasto. Enquanto pastoreava, ele observava que os animais comiam os frutos de umas das plantas que ali se encontravam e que, após algum tempo, elas ficavam completamente eufóricas a correr pelos campos. Então, ele resolveu consumir esses frutos e assim fazendo, conseguia se manter acordado e fazer suas orações. Posteriormente, passou-se a torrar os frutos desta planta, para transformá-lo em pó, usando-o na preparação de um chá, que se tornou mundialmente usado. Assim, segundo a tradição descobriu-se o uso do café.

Na antiguidade, acreditava-se na magia do reino vegetal e isto podia ser descoberto e usado através do conhecimento empírico das plantas. Essa crença foi apropriada pela alquimia e pelo ocultismo que atribuíam às plantas um campo astral capaz de interferir no corpo físico e espiritual que oscilava do bem ao mal, do amor ao ódio, da saúde à doença, da vida à morte.

Esse entendimento foi transmitido de geração a geração e até hoje, em algumas religiões, tanto orientais quanto ocidentais, acredita-se no poder mágico das plantas, a ponto de algumas delas serem consideradas plantas sagradas, das quais se faz preparações que são capazes de provocar um estado de transe que reportam seus usuários a entidades espirituais. Em nossa cultura, podemos citar a jurema preta e o ayuasca.

Usadas com finalidades místicas ou não, ao longo do tempo, as plantas adquiriram respeitabilidade em todas as civilizações pela demonstração do seu potencial terapêutico no processo saúde-doença, bem como de suas propriedades tóxicas.

As primeiras informações escritas sobre as plantas medicinais foram encontradas em escavações na Mesopotâmia, em 1872, e datam do século 16 a.C. São os Papiros de Ébers, escrito egípcio que inclui mais de 700 prescrições com produtos naturais, principalmente as plantas, dentre elas, alho, rícino, mirra, aloe, linho, tomilho, canabis, funcho, açafrão, entre outros.

Na verdade, as plantas foram a primeira fonte onde se buscou recurso para a intervenção no adoecimento humano. A Bíblia faz referência ao uso de alho, poejo, cominho, menta, urtiga, etc.

Os egípcios deram grande contribuição à Fitoterapia pelo uso que faziam das plantas, não apenas para curar as doenças, mas também para embalsamar os corpos e para os rituais religiosos. O bulbo da cebola era tido como um símbolo do universo e era consagrada à deusa mãe Íris. Os egípcios usavam muitas preparações com plantas que apresentavam propriedades aromáticas, anti-sépticas e cosméticas, além de cultivarem plantas purgativas, diuréticas, vermífugas, etc.

Já os assírios cultivavam várias plantas que serviam de matéria-prima para a preparação de tinturas, ungüentos, águas aromáticas, ao passo que os hebreus usavam as plantas que cultivavam para a realização de suas cerimônias e oferendas, a exemplo da mirra.

Na China, existem relatos de cura com plantas, desde 3000 a.C. Por isto, a China é considerada o berço do uso das plantas com propriedades medicinais. Na literatura, é citado que o imperador Shen Nung, considerado o Hipócrates chinês, estudou e relatou, no livro das ervas, o poder terapêutico e tóxico de mais de 300 espécies de plantas.

Na Roma antiga, o alho era utilizado para espantar os espíritos malvados e os soldados da Grécia antiga levavam alho em bolsas nos seus gorros para se protegerem da bruxaria e das desgraças.

Hipócrates, considerado o pai da medicina ocidental, acreditava que a prevenção e a cura das doenças encontravam-se na natureza, cabendo ao homem apenas a sua decodificação. Com este entendimento, reuniu em sua obra, Corpus Hipocraticum, um conjunto de informações a cerca do tratamento das enfermidades, com remédios à base de plantas Ele foi seguido por muitos outros, como Teofrasto, Plínio, Asclepíades, Pelacius, Dioscórides, etc.

Dioscórides (40-90) realizou a primeira compilação sistemática de plantas, na sua obra chamada De Matéria Médica. Nela, estão catalogadas 579 plantas e descritos 4.700 usos e formas de atuação destas plantas. Este livro foi de grande importância para a medicina européia, até o século XVII.

A Índia é o país que, ao lado da China, tem grande tradição na utilização das plantas medicinais, que constituem a base da terapêutica da Medicina Ayurvédica. Lá, foram escritas várias obras sobre medicamentos à base de plantas, como sândalo, canela, cardamono e sobre a preparação de elixires, tinturas, essências, sucos, extratos, etc.

Foi no século II depois de Cristo que as plantas ganharam uma maior utilização na terapêutica. Isto se deve incansável de vários estudiosos como Galeno, que escreveu várias obras e ganhou notoriedade dentro da farmacologia pela preparação de suas formulações, hoje denominadas fórmulas galênicas.

Com a queda do império romano, ocorreu o descrédito do conhecimento médico porque este já não era capaz de atender à demanda das patologias existentes. Neste período, a guarda e a reprodução de escritos relacionados à medicina foram confinadas nos mosteiros, que passaram a funcionar como depositários dos conhecimentos médicos. Era comum, nestes locais a existência de grandes jardins medicinais.

A igreja que já exercia um grande poder com relação à questão espiritual passou a ser detentora de poder sobre o corpo físico, pois eram os religiosos os responsáveis pelas transcrições dos registros. A população, no entanto, encontrava-se totalmente desprovida de cuidados e por si só passou a desenvolver práticas de cura. É dentro desse contexto que surge a medicina popular, permeada de práticas mágicas exercidas por curandeiros, bruxos, viajantes e a população em geral.

Na Idade Média, há o redimensionamento dos saberes popular e erudito a cerca das plantas. Neste período ganhou prestígio a teoria das assinaturas. Por ela, acreditava-se que a cura se encontrava na natureza cabendo ao homem a decodificação dos sinais. Por exemplo, para tratar uma patologia que acometia os rins usavam-se as plantas que tinham o formato de feijão, que é o formato dos rins. Para enfermidades no cérebro, plantas com formato de nozes, etc.

A partir do séc. XVI houve grandes transformações e inovações no campo das artes, da filosofia, da ciência, culminando com o Renascimento.

Neste período, três fatores contribuíram para a consolidação da Fitoterapia: o avanço da botânica que foi incrementado pelo estudo classificatório das plantas; a disseminação do herbalismo, com a criação de herbários e jardins de plantas medicinais, principalmente junto às universidades e a descoberta e a troca de plantas medicinais entre diferentes regiões, devido às grandes navegações e ao estabelecimento de rotas comerciais.

No Brasil, os primeiros registros sobre o uso de plantas datam do século XVI e correspondem aos manuscritos do Padre. Anchieta. Nestes, ele relata que nas pescarias feitas pelos índios que aqui habitavam, os peixes vinham à tona apenas com o toque de cipós na água. Posteriormente isto foi explicado com a descoberta das substâncias narcóticas e curarizantes contidas nas plantas por eles utilizadas. Os jesuítas tiveram grande importância na difusão dos conhecimentos dos indígenas sobre as plantas medicinais para a população em geral.

Ao longo da história da colônia, foi se consolidando o uso de plantas medicinais nativas do Brasil com aquelas trazidas pelos portugueses e africanos, concomitantemente com práticas religiosas. A movimentação de pessoas que faziam o desbravamento do interior do país, em busca do ouro ou de índios para a escravização, foi fundamental na troca de informações sobre o uso das plantas medicinais.

Também cabe destaque a alguns estudiosos que fizeram a compilação das plantas usadas pelas diversas comunidades, em publicações muito importantes como fontes históricas e científicas no uso de plantas medicinais. Como exemplo destas obras, podemos citar: Flora Fluminensis, de Frei José Mariano da Conceição Veloso (1742-1811), Systema Materiae Medicae Vegetabilis Brasiliensis, publicado em 1843, de autoria de Karl Friedrich Philipp Von Martius, Matéria Médica Brasileira, publicada entre 1862 e 1864, de autoria de Manuel Freire Allemão Cysneros.

No século XX, a obra mais importante sobre plantas medicinais é o Dicionário das Plantas Úteis do Brasil e das Exóticas Cultivadas, de Pio Correia, uma coleção de 06 volumes, publicada a partir de 1926.

O séc. XIX foi marcado pela construção do saber anatomofisiopatológico. Então, houve o afastamento das ciências médicas do saber herbalístico e passou-se a valorizar a sintomatologia, respaldada pelas teorias de Clark, médico biologicista.

Em 1805, pela primeira vez foi isolado um princípio ativo de planta, a morfina, um alcalóide da papoula e em 1838 a salicina foi extraído do salgueiro. A partir dele, em 1860, foi sintetizado o primeiro medicamento em laboratório, a aspirina. Com base nesta técnica, houve um crescente desenvolvimento da química e novas substâncias foram isoladas em laboratório e delas novos produtos de síntese foram surgindo, levando à paulatina substituição do uso das plantas pelos medicamentos produzidos em laboratório, o que ocorreu de forma plena na segunda metade do século XX, motivado por vários fatores, dentre eles um dos mais importantes foi a descoberta dos antibióticos.

Paralelo à substituição da planta pelo medicamento feito a partir de drogas sintéticas, houve também um intenso trabalho de desqualificação do saber popular sobre as plantas medicinais, como prova a proibição da prática da fitoterpia por pessoas leigas e até mesmo por médicos que ocorreu em diversos países.

Esta ofensiva contra as plantas medicinais e o saber popular, não se restringiu aos países mais desenvolvidos, mas se expandiu às colônias, na América, na África e na Ásia. Como exemplo, temos a proibição, por parte da Inglaterra, do uso de plantas medicinais na Índia, algo injustificável, tendo em vista que este país, ao lado da China, tem o uso de plantas fortemente arraigado nos seus sistemas de cura.

Nos Estados Unidos, em 1907, o governo deixou de dar subsídios às escolas médicas que ensinassem o uso de plantas medicinais.

No Brasil, a Fitoterapia chegou ao século XX como a terapêutica mais usada, apesar do declínio acarretado pelo surgimento do conhecimento biológico. Esse período foi marcado pela prosperidade econômica impulsionada pela cultura do café, pela grande imigração de europeus, pelo aumento da urbanização, pelo incremento da exportação e pelo início da industrialização. Tudo isto levou ao agravamento da situação sanitária das cidades, provocando o surgimento das grandes endemias e epidemias. Neste novo contexto econômico, sanitário e científico o uso de plantas não era mais adequado.

Neste período, em todo o mundo, em função da acelerada construção de conhecimento na área da saúde, a Biomedicina se fortaleceu como racionalidade médica capaz de nortear o entendimento e o manuseio do processo saúde-doença. Neste modelo biologicista, não havia muito espaço para a utilização de plantas medicinais devido à sua vinculação com o conhecimento popular. O método científico foi erigido à categoria de única forma de construir e aplicar conhecimentos verdadeiros e eficazes. Foi também o início da indústria farmacêutica, com sua promessa de descobertas de medicamentos capazes de combater todas as doenças e com acessibilidade a toda a população. Esta nova conjuntura favoreceu a mercantilização da saúde, e a doença da população passou a ser vista como fonte de lucros.

No Brasil, e no mundo, a Fitoterapia perdeu espaço para o medicamento sintético, produzido em larga escala. Em síntese, os motivos que levaram à diminuição do uso das plantas medicinais, ao longo do século XX, foram:

  1. Desenvolvimento científico e tecnológico, com repercusões na área da saúde;

  2. Consolidação e expansão das profissões da área da saúde, principalmente da medicina, fazendo com que aumentasse significativamente o número de pessoas com acesso a esses profissionais, que não usavam a Fitoterapia;

  3. Combate à prática de cura por pessoas leigas, que normalmente usavam as plantas medicinais, por parte dos profissionais de saúde e suas entidades de representação;

  4. Desqualificação dos saberes populares e exaltação do conhecimento científico como o único conhecimento correto e confiável;

  5. Desenvolvimento da indústria farmacêutica e descoberta de novos fármacos;

  6. Praticidade do uso do medicamento industrializado;

  7. Falta ou insuficiência de estudos comprobatórios da eficácia e da segurança dos fitoterápicos;

  8. Falta de contato da população urbana com as plantas medicinais, levando a sua desvalorização;

  9. Mercantilização da saúde.

Posteriormente, pôde-se observar a lacuna existente entre o proposto e o real. A partir da década de 60, começou a ocorrer o desencanto com a promessa da eficácia, da segurança e da eficiência da medicalização da população. Sua eficácia não foi suficiente para vencer as doenças já que estas são resultado de múltiplos fatores, dentre eles a falta de condições econômicas que propiciem uma vida saudável, com qualidade. Além disto, o medicamento sintético tem custos que o tornam inacessível para uma grande parcela da população. Estas pessoas continuaram a fazer uso das plantas medicinais.

O desencanto com o medicamento sintético estava inserido no contexto do desencanto com a sociedade tecnológica e capitalista que havia criado a expectativa de que a tecnologia traria facilidades e abundância para todos. Isto fez com que ocorresse a busca por uma vida natural, tendência esta que se consolidou nas décadas seguintes, levando ao ressurgimento e ao fortalecimento da Fitoterapia, no mundo todo.

Onde a Fitoterapia sempre foi uma prática largamente difundida, este ressurgimento foi mais intenso, como a Índia e a China. Neste país, com a vitória do partido comunista, houve um grande incentivo ao uso das plantas medicinais, principalmente através dos médicos de pés descalços. A Medicina Tradicional Chinesa tem na Fitoterapia uma de suas principais terapêuticas, o mesmo ocorrendo com a Medicina Ayurvédica (Índia). Estas práticas convencionais convivem em pé de igualdade com a Biomedicina.

Esta tendência de crescimento tem se verificado em todo o mundo. Na Europa, em países como a Inglaterra, a Alemanha e a Espanha, medicamentos fitoterápicos são muito consumidos por grande parte da população. Este crescimento também se observa nas universidades, através do ensino e da pesquisa sobre as plantas medicinais.

Nos Estados Unidos da América este crescimento também ocorre, mas os fitoterápicos são comercializados como suplementos alimentares.

A Fitoterapia e outras medicinas naturais e práticas complementares podem ser usadas ao mesmo tempo em que se usa a alopatia, de forma substitutiva ou complementar entre si, dependendo da natureza da doença, das condições econômicas do paciente, da estrutura dos serviços de saúde e da capacitação dos profissionais de saúde.

A retomada da Fitoterapia nos últimos tempos ocorreu em função de uma série de fatores, como os estudos científicos que comprovam a sua eficácia, sua segurança e sua efetividade; acesso fácil às plantas; credibilidade da população na sua eficácia e na sua segurnaça; inserção da Fitoterapia no contexto cultural da população; utilização das plantas medicinais através de formas de preparação simples; crença na baixa possibilidade de provocar efeitos adversos, etc.

Contudo, é necessário saber que a ação terapêutica da planta medicinal e do medicamento fitoterápico é baseada no mesmo princípio do medicamento alopático que é a cura através de princípios ativos que também podem ter efeitos adversos, o que demanda cuidados. É preciso superar o mito de que planta, por ser natural, não faz mal. Quando não se utiliza a dose correta, a preparação e a via adequadas, a planta, mesmo sendo medicinal, poderá causar transtornos ao indivíduo, como uma intoxicação.

A FITOTERAPIA NO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE (SUS)

Com a criação do Sistema Único de Saúde (SUS), em 1990, estabeleceu-se a universalização do atendimento e sua integralidade. Como consequência, passou-se a valorizar as múltiplas formas de tratamento. Dentro deste novo enfoque, a Fitoterapia ganhou muitos adeptos entre os profissionais de saúde, os gestores e os usuários do SUS e entre professores e pesquisadores das universidades.

Atualmente, a atenção básica no SUS é feita principalmente através das equipes do Programa Saúde da Família (PSF) que atendem nas Unidades Básicas de Saúde da Família (UBSF). Estas unidades estão situadas nas próprias comunidades. As situações de adoecimento atendidas pelas equipes do PSF, na sua maioria, podem ser tratadas com a Fitoterapia. Disto resulta a importância de que a Fitoterapia seja incrementada no Sistema Único de Saúde (SUS).

Em 1988, portanto antes da criação do SUS, a Resolução Nº. 08 da Comissão Interinstitucional de Planejamento e Coordenação (CIPLAN) disciplinou a implantação e implementação da Fitoterapia nos serviços de saúde. Contudo, a mera existência da lei não foi capaz de levar este objetivo a termo. Mas, apesar das dificuldades, a Fitoterapia e outras medicinas naturais e práticas complementares cresceram bastante.

Reflexo deste crescimento, em 03 de maio de 2006, o Ministério da Saúde, através da Portaria 971, formulou a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) para o Sistema Único de Saúde. Num primeiro momento, foram incluídos nesta política a Fitoterapia, a Fitoterapia, a Medicina Tradicional Chinesa (Acupuntura) e o Termalismo.

A criação desta política foi muito importante já que ela estabelece diretrizes e medidas para a implantação e o desenvolvimento das práticas que ela contempla. Na área da Fitoterapia as diretrizes são:

1- Elaboração da Relação Nacional de Plantas Medicinais e da Relação Nacional de Fitoterápicos;

2- Provimento do acesso a plantas medicinais e fitoterápicos aos usuários do SUS;

3- Formação e educação permanente dos profissionais de saúde em plantas medicinais e Fitoterapia;

4- Acompanhamento e avaliação da inserção e implementação das plantas medicinais e Fitoterapia no SUS;

5-Fortalecimento e ampliação da participação popular e do controle social;

6- Estabelecimento de política de financiamento para o desenvolvimento de ações voltadas à implantação das plantas medicinais e da Fitoterapia no SUS;

7- Incentivo à pesquisa e desenvolvimento de plantas medicinais e fitoterápicos, priorizando a biodiversidade do País;

8- Promoção do uso racional de plantas medicinais e dos fitoterápicos no SUS;

9- Garantia do monitoramento da qualidade dos fitoterápicos pelo sistema Nacional de Vigilância Sanitária;

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