Elaboração de Comandos de Eletrohidráulica - Exercícios Comentados

Elaboração de Comandos de Eletrohidráulica - Exercícios Comentados

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André Luis Lenz SENAI – SP – NAI – CFP 1.06 14

Comandos de Eletrohidráulica Exercícios Comentados para Elaboração, Montagem e Ensaios

Elementos de Processamento de Sinais:

Os componentes de processamento de sinais elétricos são aqueles que analisam as informações emitidas ao circuito pelos elementos de entrada, combinando-as entre si para que o comando elétrico apresente o comportamento final desejado diante dessas informações.

Entre os elementos de processamento de sinais podemos citar os relês auxiliares, os contatores de potência, os relês temporizadores e os contadores, entre outros, todos destinados a combinar os sinais para energização ou desenergização dos elementos de saída.

Relés Temporizadores:

Os relês temporizadores, também conhecidos como relês de tempo, geralmente possuem um ou dois contatos NA mais um ou dois contatos NF, podendo ser ainda um ou dois contatos reversíveis. Seja qual for o tipo e quantidade de contatos, eles são manobrados de forma conjunto, de forma simultânea, pela energização de uma bobina eletromagnética. Esta, por sua vez, poderá ser acionada com retardo na energização ou com retardo na desenergização e isso é o que distingue dois tipos distintos de relês temporizadores.

A ação de temporizar, apesar de não implicar na ocorrência de movimento algum, deve ser considerada como um passo na seqüência de acionamento. No mapa de acionamentos, o intervalo de tempo (T) deve ocupar uma coluna própria, do mesmo modo como cada um dos movimentos ocupam suas próprias colunas.

Relé Temporizador com Retardo na Energização:

Este relê temporizador possui além dos contatos, uma bobina com retardo na energização, onde o retardo equivale a um intervalo de tempo que pode ser ajustado por meio de um potenciômetro.

Quando a bobina é energizada, ao contrário dos relês auxiliares comuns, que comutam imediatamente seus contatos, um circuito eletrônico que existe internamente ao relê temporizador, tem a função de causar um retardo (∆T) no acionamento do contato, de acordo com o ajuste de um potenciômetro.

Se o ajuste de tempo no potenciômetro for, por exemplo, de 5 segundos, o temporizador então aguardará esse período de tempo, que se inicia a partir do instante em

Simbologia

André Luis Lenz SENAI – SP – NAI – CFP 1.06 15 que a bobina do relê de tempo for energizada, e somente então, depois de transcorrido este tempo, os contatos serão acionados, abrindo os NF e fechando os NA.

Já, quando a bobina deste relê de tempo é desligada, o contato comutador retorna imediatamente à posição inicial. Devido a este comportamento é que deriva a designação relé temporizador com retardo na energização.

Relé Temporizador com Retardo na Desenergização:

Este outro tipo de relé temporizador apresenta retardo no desligamento. A aplicação deste tipo de relê costuma, às vezes, causar um pouco de confusão caso o técnico não esteja bem atento, pois este relê trabalha com lógica invertida tanto no que diz respeito ao acionamento de seus contatos ao fim da temporização como também com relação a energização da sua bobina para início da temporização.

Quando sua bobina é energizada, seu contato é imediatamente acionado, mas esta condição é a condição de repouso do temporizador e ele não está contando tempo.

A partir do momento em que a bobina é desligada, é que o período de tempo ajustado no potenciômetro começa a ser contado e somente então, com o tempo decorrido, os contatos associados são desacionados, indo para suas posições normais.

Outro tipo de relé temporizador, também encontrado em comandos elétricos é o relê temporizador cíclico, também conhecido como relé pisca-pisca.

Este tipo de relé possui, além dos contatos e da bobina, dois potenciômetros que permitem ajustar independentemente os tempos de retardo para as inversões dos contatos. Quando a bobina é energizada, o contato é invertido ciclicamente.

Exercício 1:

Dado o esquema eletrohidráulico mostrado ao lado:

Usando o método intuitivo, elabore um diagrama de comando elétrico para executar a seguinte seqüência: A+ T A-

Onde T seja um intervalo de tempo de 5s determinado por um relê de tempo com Retardo na Energização. Considere a necessidade de um botão de partida para dar início a execução da seqüência.

Simbologia

Válvula Duplo Solenóide 4 vias 3 Posições com

Centro Aberto

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Exercício 2:

Para o mesmo circuito hidráulico, usando o método intuitivo, elabore um novo diagrama de comando elétrico para executar a seqüência: A+ T A-

Onde T é um intervalo de tempo de 5s determinado por um relê de tempo com Retardo na Desenergização.

Relês Contadores (Predetermináveis):

Os relês contadores normalmente apresentam um único contato do tipo reversível (SPDT). Os relés contadores funcionam usando os seguintes modos de operação possíveis:

a- Modo Simplificado (Contador Regressivo):

Registram internamente um certo valor predeterminado (valor positivo inteiro, normalmente de 0 a 9);

Decrementam o valor do registro (contagem regressiva), toda vez que o contador recebe um pulso elétrico em sua bobina que é a ela enviado pelo circuito de comando;

Comparam o valor do registro com zero e emitem em sua saída um sinal de comando, ou seja, o relê inverte seu contato reversível, abrindo 1 com 12 e fechando 1 com 14, sempre que o valor da registro se tornar igual a zero. Quando o registro chega a zero o contador está atuado e nesta situação passa a ignorar quaisquer pulsos elétricos que porventura ocorram em sua bobina;

Estando atuado, precisam de um pulso de reinicialização (reset) para retornar seu contato comutador à posição inicial visando o início de uma nova contagem; O pulso de reinicialização pode ser dado em sua bobina de reset R1/R2 ou simplesmente acionar manualmente o botão reset, localizado na parte frontal do mostrador.

b- Modo Completo (Up-Down Counter = Contador Progressivo Regressivo):

Registram internamente um certo valor predeterminado (preset value = valor predeterminado: valor positivo inteiro, normalmente de 0 a 9);

Registram internamente a quantidade de pulsos elétricos a eles enviados pelo circuito de comando (current value = valor atual ou valor da contagem). Estes pulsos podem chegar à sua bobina por duas entradas distintas:

• Uma entrada para contagem progressiva; • Outra entrada para contagem regressiva;

Comparam o valor da contagem com o valor previamente determinado;

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Emitem em sua saída um sinal de comando sempre que o valor da contagem se tornar igual ao valor predeterminado, mas este sinal é desligado sem necessidade de zerar os registros, basta continuar contando. Outros sinais de saída avisam sobre os transbordos do contador (valor de contagem maior que o máximo de contagem ou valor de contagem menor que zero).

A qualquer momento um pulso de reinicialização pode ser dado em sua bobina de reset ou simplesmente acionar manualmente o botão reset, localizado na parte frontal do mostrador.

A aplicação dos relês contadores em circuitos elétricos de comando é de grande utilidade, não somente para contar e registrar o número de ciclos de movimentos efetuados por um atuador da máquina, mas principalmente, para controlar o número de peças a serem produzidas, interrompendo ou encerrando a produção quando sua contagem atingir o valor neles determinado.

Os relês contadores normalmente possuem um mostrador (display) no qual ele apresenta o número de vezes que sua bobina for energizada. A energização da bobina normalmente é feita por receber um pulso elétrico de um elemento de entrada, geralmente de um sensor ou chave fim de curso.

Através de uma chave seletora manual (Tumble Wheel), é possível definir o valor predeterminado, ou seja, o número de pulsos que o relé deve contar. Alguns modelos mais sofisticados permitem o ajuste do valor predeterminado através de botões de incremento e decremento e com monitoramento pelo mostrador.

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