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SEXUALIDADE

A sexualidade é amplamente definida como um desejo pelo contato, calor, carinho ou amor. Ela inclui olhar e conversar, dar as mãos, beijar ou o autoprazer; e a produção do orgasmo mútuo. A sexualidade faz parte da sensação total de si próprio por uma pessoa.

O comportamento sexual humano é diversificado e determinado por uma combinação de vários fatores tais como os relacionamentos do individuo com outros, pelas próprias circunstancias de vida e pela cultura na qual ele vive. Por tal motivo é difícil conceituar o que é normal em termos de sexualidade. O que se pode afirmar é que a normalidade sexual está relacionada ao fato da sexualidade ser compartilhada de forma que o casal esteja de acordo com o que é feito, sem caráter destrutivo para o individuo ou para o parceiro e não afronta regras comuns da sociedade em que se vive.

A sexualidade humana envolve além do ato sexual em si, as fantasias, pensamentos eróticos, carícias e masturbação. As fantasias sexuais são pensamentos representativos dos desejos sexuais mais ardentes de uma pessoa e tem a função de complementar e estimular a sexualidade. A masturbação também é componente normal da sexualidade, e consiste no toque de si mesmo, em áreas (erógenas) que dão prazer ao individuo, que incluem genitais e outras áreas do corpo, com a finalidade de obter prazer.

Fases da Resposta Sexual Humana

No ser humano, as sensações sexuais despertadas, seja por fantasia, por masturbação ou pelo ato sexual em si, ocorrem em uma sucessão de fases que estão interligadas entre si. São as Fases da Resposta Sexual Humana, e compreendem:

  • Desejo: consiste numa fase em que fantasias, pensamentos eróticos, ou visualização da pessoa desejada despertam vontade de ter atividade sexual.

  • Excitação: fase de preparação para o ato sexual, desencadeado pelo desejo. Junto com as sensações de prazer, surgem alterações corporais que são representadas basicamente no homem pela ereção, e na mulher pela lubrificação vaginal.

  • Orgasmo: é o clímax de prazer sexual, sensação de prazer máximo, que ocorre após uma fase de crescente excitação. No homem, junto com o prazer, ocorre a sensação de não conseguir mais segurar a ejaculação, e então ela ocorre; e na mulher ocorrem contrações da musculatura genital.

  • Resolução: consiste na sensação de relaxamento muscular e bem-estar geral que ocorre após o orgasmo, que para os homens em geral, se associa ao seu período refratário (intervalo mínimo entre as ereções). Na mulher este período não existe, ela pode logo após o ato sexual ter novamente desejo, excitação e novo orgasmo sem necessitar esperar um tempo para que isso ocorra novamente.

Comportamentos sexuais

Existem muitas modalidades de expressão sexual.

  • Heterossexual: uma pessoa que é sexualmente atraída por membros do sexo oposto

  • Homossexual: uma pessoa que é sexualmente atraída por membros do mesmo sexo

  • Bissexual: uma pessoa que é sexualmente atraída por pessoas de ambos os sexos

  • Travestido: uma pessoa que se veste com roupas do sexo oposto

  • Transexual: uma pessoa que geneticamente é um homem ou uma mulher sob o prisma anatômico, mas que expressa, com forte convicção, que tem a mente do sexo oposto e procura modificar legalmente seu sexo e através de redefinição sexual hormonal e cirúrgica.

Respostas sexuais adaptativas e de má adaptação

As expressões da sexualidade variam desde respostas adaptativas até a má adaptação. As respostas sexuais de maior adaptação são observadas como comportamentos que satisfazem aos seguintes critérios:

  • Entre dois adultos que consentem

  • Satisfação mútua dos indivíduos envolvidos

  • Nenhum dano psicológico ou físico para ambas as partes

  • Ausência de força ou coação

  • Conduzidas em caráter privado

As respostas sexuais de má adaptação compreendem os comportamentos que não satisfazem a um ou mais desses critérios.

Deve-se ter cautela quando se tenta rotular os comportamentos sexuais como adaptativos ou de má adaptação. Por exemplo, o comportamento sexual pode satisfazer os critérios, mais ainda será insatisfatório para uma pessoa quando alterado pelo impacto do que a sociedade dita como comportamento aceitável e inaceitável.

Fatores predisponentes das respostas sexuais desadaptadas

Atualmente, nenhuma teoria pode explicar de maneira adequada o processo do desenvolvimento sexual ou os fatores que predispõem uma pessoa a respostas de má adaptação sexual. Varias teorias foram postuladas, da seguinte forma:

  1. Fatores biológicos. A princípio, estes são responsáveis pelo desenvolvimento do sexo, ou seja, se uma pessoa é geneticamente masculina ou feminina.

  2. Visão psicanalítica. Freud visualizava a sexualidade como uma das principais forças da vida humana. Ele foi o primeiro teórico a acreditar que a sexualidade era formada antes do inicio da puberdade e que a escolha da expressão sexual de uma pessoa dependia de uma inter-relação da hereditariedade, da biologia e de fatores sociais.

  3. Visão comportamental. Esta perspectiva visualiza o comportamento sexual como uma resposta mensurável com componentes fisiológicos e psicológicos a um estímulo aprendido ou evento de reforço. O tratamento dos problemas sexuais envolve processos para mudar o comportamento por meio da intervenção direta sem a necessidade de identificar as causas subjacentes ou a psicodinâmica.

Fatores estressores precipitantes

A identidade sexual não pode ser separada do autoconceito de uma pessoa ou de sua imagem corporal. Portanto, quando ocorrem alterações no corpo ou nas emoções da pessoa, as respostas sexuais também se modificam. As ameaças específicas incluem as seguintes:

  • Doença e lesão física

  • Doença psiquiátrica

  • Medicamentos

  • Vírus da imunodeficiência humana (HIV), síndrome da imunodeficiência adquirida (AIDS)

  • O processo de envelhecimento

Os sentimentos sobre si próprio como um ser sexualizado mudam durante todo o ciclo de vida e são fortemente influenciados pela avaliação da pessoa sobre uma situação estressante.

Adequação

Os recursos de adequação podem incluir o conhecimento do individuo sobre a sexualidade, as experiências sexuais positivas no passado, as pessoas que dão apoio, inclusive o parceiro sexual da pessoa, e as normas sociais ou culturais que encorajam a expressão saudável.

Inúmeros mecanismos de adequação podem ser empregados na expressão da resposta sexual de uma pessoa, incluindo:

  1. A fantasia pode ser utilizada para estimular experiências sexuais.

  2. A negação pode ser empregada para negar o reconhecimento dos conflitos sexuais ou das insatisfações.

  3. A racionalização pode ser utilizada para justificar ou tornar aceitável impulsos sexuais, sentimentos, comportamentos ou motivos de outra forma inaceitáveis.

  4. A abstinência pode ser utilizada para lidar com sentimentos não resolvidos sobre se tornar vulnerável e com os resultantes sentimentos ambivalentes sobre a intimidade.

Disfunções Sexuais

Disfunções sexuais são problemas que ocorrem em alguma das fases da resposta sexual humana.

Na mulher, as disfunções sexuais mais comuns são: as inibições do desejo sexual, a anorgasmia, o vaginismo e a dispareunia.

A anorgasmia consiste no retardo persistente ou recorrente ou ausência de orgasmo depois de uma fase de excitação sexual normal durante a atividade sexual.

O vaginismo consiste no espasmo involuntário recorrente ou persistente da musculatura do terço externo da vagina que interfere com o coito.

A dispareunia consiste na dor genital persistente ou recorrente antes, durante ou depois da relação sexual.

Isso ocorre mais comumente devido a problemas no casamento, falta de intimidade, dificuldades de comunicação entre o casal, conflitos psicológicos, ou ainda devido a tabus sobre a própria sexualidade, por exemplo, associações de sexo com pecado, com desobediência e com punições. Inibições também podem decorrer de traumas sexuais (abuso sexual, estupro) ou ainda de doenças, problemas hormonais e uso de certas drogas e medicamentos. O diagnostico pode ser feito por médico clinico, ginecologista, psiquiatra ou psicólogo, através das queixas apresentadas pela paciente; dependendo das queixas pode ser necessária a realização de exames, para se descobrir a origem da disfunção. O tratamento se faz de acordo com a causa. No entanto a maioria dos casos deve-se a problemas psicológicos ou problemas de relacionamento do casal, e estes deverão ,ser tratados por psicólogo ou psiquiatra, tentando descobrir as causas, compreendê-las e resolvê-las.

No homem as disfunções sexuais mais comuns são: a disfunção erétil (impotência) e a ejaculação precoce.

As causas mais comuns são físicas, doenças como diabetes, pressão alta, colesterol alto, traumas ou acidentes envolvendo a medula espinhal e o próprio pênis, o fumo, o uso de drogas e alguns medicamentos, abuso de álcool e ainda causas psicológicas. O paciente poderá ser encaminhado ao urologista, onde certos exames podem ser feitos para descobrir a causa da disfunção. O tratamento depende da causa. É importante lembrar que muitas vezes fatores psicológicos podem ser a causa da disfunção sexual.

Parafilias

Parafilia é o termo atualmente empregado para transtornos da sexualidade, anteriormente referidos como “perversões sexuais”.

As parafilias são portanto atitudes sexuais diferentes daquelas permitidas pela sociedade, sendo que as pessoas que as praticam não tem atividade sexual normal, ou seja, a sua preferência sexual “desviada” se torna exclusiva. É importante ressaltar que ela se torna exclusiva porque exclui o normal.

O DSM-IV fala das Parafilias como uma sexualidade caracterizada por impulsos sexuais muito intensos e recorrentes, por fantasias e/ou comportamentos não convencionais, capazes de criar alterações desfavoráveis na vida familiar, ocupacional e social da pessoa por seu caráter compulsivo. Trata-se de uma perturbação sexual qualitativa e, na CID.10, estão referidas como Transtornos da Preferência Sexual, o que não deixa de ser absolutamente verdadeiro, já que essa denominação reflete o principal sintoma da Parafilia.

Está configurada a Parafilia quando há necessidade de se substituir a atitude sexual convencional por qualquer outro tipo de expressão sexual, sendo este substitutivo a preferida ou única maneira da pessoa conseguir excitar-se. Assim sendo, na Parafilia os meios se transformam em fins, e de maneira repetitiva, configurando um padrão de conduta rígido o qual, na maioria das vezes, acaba por se transformar numa compulsão opressiva que impede outras alternativas sexuais.

Algumas Parafilias incluem possibilidades de prazer com objetos, com o sofrimento e/ou humilhação de si próprio ou do parceiro (a), com o assédio às pessoas pré-púberes ou inadequadas à proposta sexual.

Estas fantasias ou estímulos específicos, entre outros, seriam pré-requisitos indispensáveis para a excitação e o orgasmo.

Em graus menores, às vezes, a imaginação fantasiosa do parafílico encontra solidariedade com o (a) parceiro (a) na iniciativa, por exemplo, de transvestir-se de sexo oposto ou de algum outro personagem para conseguir o prazer necessário ao orgasmo.

Quanto ao grau, a Parafilia pode ser leve, quando se expressa ocasionalmente, moderada, quando a conduta é mais freqüentemente manifestada e severa, quando chega a níveis de compulsão.

Há referências científicas sobre o fato de muitos indivíduos parfílicos apresentarem um certo mal estar antecipatório ao episódio de descontrole da conduta, mal estar este que alguns autores comparam com os pródromos das epilepsias temporais. Não raras vezes essas pessoas aborrecem-se com seu transtorno e, por causa da compulsão, acham-se vítimas de sua própria doença.

As parafilias são praticadas por uma pequena porcentagem da população, mas como estas pessoas cometem atitudes parafílicas com muita freqüência e repetição, tem ocorrido um grande numero de vitima delas.

Em geral, as perversões sexuais são mais comumente vista em homens, e o tipo mais comum é a pedofilia.

As parafilias decorrem de alterações psicológicas durante as fases iniciais do crescimento e desenvolvimento da pessoa. Em geral, pessoas que apresentam tais problemas não buscam tratamento espontaneamente, o que só acontecerá quando seu comportamento gerar conflitos com parceiro ou com a sociedade.

O tratamento se constitui em psicanálise, psicoterapia, e/ou uso de algumas medicações.

Tipos de Parafilias

Exibicionismo

É quando a pessoa mostra seus genitais a uma pessoa estranha, em geral em local publico, e a reação desta pessoa lhe desperta excitação e prazer sexual, mas geralmente não existe qualquer tentativa de atividade sexual com o estranho. Em alguns casos, o prazer está em ver o espanto da vitima. Às vezes o individuo masturba-se durante a exposição ou enquanto fantasia que se expõe. É mais comum em homens que em mulheres.

As pessoas que abaixam as calças em sinal de protesto ou ataque a preceitos morais não são exibicionistas, pois não fazem isto com finalidade sexual.

Fetichismo

O foco está no uso de objetos inanimados, tais como cuecas ou tangas, soutiens, meias, luvas, sapatos, botas ou atentam para apenas uma parte do corpo da outra pessoa. A pessoa utiliza tais objetos para se masturbar ou exige que a parceira use sempre o objeto em questão durante o ato sexual, caso contrario não conseguira se excitar e realizar o ato sexual. O fetichismo enquanto desvio sexual implica em não poder variar seu objeto de amor.

Fetichismo transvéstico

é caracterizado pela utilização de roupas femininas por homens heterossexuais para se excitarem, se masturbarem ou realizar o ato sexual, sendo que em situações não sexuais se vestem de forma normal. Quando passam a se vestir como mulheres a maior parte do tempo, pode haver um transtorno de gênero, tipo transexualismo por baixo desta atitude. É importante ressaltar que o fetichismo transvéstico também só é diagnosticado como uma parafilia quando é feito de forma repetitiva e exclusiva para obter prazer sexual.

Frotteurismo

É a atitude de um homem que para obter prazer sexual, necessita tocar e esfregar seu pênis em outra pessoa, completamente vestida, sem o consentimento dela, excitando-se e masturbando-se nesta ocasião. Esfrega seus genitais contra as coxas e nádegas ou acaricia com as mãos o genital ou os seios da vitima. Isso ocorre mais comumente em locais onde há grande concentração de pessoas.

Pedofilia

Envolve pensamentos e fantasias eróticas repetitivas ou atividade sexual com crianças menores de 13 anos de idade. Está muito associado a casos de incesto, ou seja, a maioria dos casos de pedofilia envolve pessoas da mesma família (pais/padrastos com filhos e filhas). Em geral o ato pedófilo consiste em toques, carícias genitais e sexo oral, sendo a penetração menos comum. Atualmente, com a expansão da internet, fotos de crianças tem sido divulgadas na rede, sendo que ver essas fotos, de forma freqüente e repetida, com a finalidade de se excitar ou de se masturbar consiste em pedofilia.

Mazoquismo e Sadismo Sexual

Existe Mazoquismo quando a pessoa tem necessidade de ser submetido a sofrimento, físico ou emocional, para obter prazer sexual.

O Sadismo consiste no ato de obter prazer causando dor e sofrimento, seja físico ou psicológico, a outra pessoa.

O mais comum ao se pensar em sadomazoquismo é associar o sofrimento a agressões físicas e torturas, mas o sofrimento psicológico também pode ser considerado forma de sadomazoquismo, e consiste na humilhação que se pode sentir ou impor. Atos sadomazoquistas só serão considerados parafilias quando forem repetitivos e exclusivos, sendo que quando eles ocorrem ocasionalmente, dentro de um relacionamento sexual normal, são apenas formas alternativas de prazer, e não uma perversão.

Voyeurismo

É quando alguém precisa observar pessoas que não suspeitam estarem a ser observadas, quando elas se estão a despir, nuas ou no ato sexual, para obter excitação e prazer sexual. É importante ressaltar que essas condições só serão consideradas doenças quando elas forem a única forma de sexualidade do individuo, e que a tentativa dele em recorrer a outras formas de sexualidade para obter prazer sexual geralmente são fracassadas, o que levara a pessoa a insistir na mesma atitude.

Clismafilia (Enema)

É o prazer obtido com a aplicação de líquidos dentro do ânus, ou através dele.

Coprofilia/Coprofagia

Coprofilia: excitação erótica motivada pelo cheiro, visão ou contato com excrementos humanos.

Coprofagia: além da excitação obtida com o cheiro e contato, o mesmo ocorre ao comer esses excrementos.

Fisting ou Fistfucking

É uma forma intensa de sexo que envolve a inserção da Mao, e as vezes do antebraço no ânus. Também é praticado com a introdução da mão na vagina.

Hipoxifilia

Envolve a excitação sexual pela privação de oxigênio, obtida por meio de compressão torácica, sufocação com saco plástico, mascara ou substancia química.

A asfixia como cunho sexual, pode ter inicio com tentativas frustradas ou não muito convincentes de suicídio.

Necrofilia

A pessoa obtém excitação e prazer sexual com uma pessoa já morta, podendo chegar ao orgasmo. A investigação clinica conduz a percepção de características psicopáticas em alto grau, sendo pessoas frias e insensíveis, rejeitadas pelas mulheres.

Urofilia

Prazer e excitação sexual obtidos com contato pelo corpo ou ingestão de urina. Também é conhecida como “chuva dourada”.

Zoofilia

Implica o contato com animais com o objetivo de obter excitação e/ou prazer sexuais.

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