Apostila de Editoração Eletrônica

Apostila de Editoração Eletrônica

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Markus Vinicius Rodrigues de Oliveira marvinro@uol.com.br http://www.geocities.com/Yosemite/7160

Editoração Eletrônica

Introdução

Ao longo da história, os modos de expressão por meio de imagens evoluíram desde os desenhos pictográficos do homem pré-histórico gravados em pedras e cavernas, até as mais complexas formas de expressão da nossa realidade atual.

Para que a escolha de uma entre as muitas técnicas conhecidas seja fruto de uma atitude sábia e responsável, é imprescindível não apenas o conhecimento teórico delas, mas também poder tê-las à mão para uma experimentação.

Os recursos de Computação Gráfica colocam à disposição de quem dela se utiliza, um vasto repertório de formas de expressão, que abrangem desde a utilização pura e simples de traço e ponto até os mais complexos efeitos tridimensionais. O bom aproveitamento desses recursos depende do nível de interação que o usuário tem com a máquina.

Ao contrário do que possa parecer, a Computação Gráfica não é um universo radicalmente novo e diferente da forma tradicional de se desenhar e pintar. Na verdade, a constituição da máquina, como não poderia deixar de ser, tem vários pontos de equivalência com as ferramentas de que dispõe o artista para fazer tradicionalmente seu desenho ou a sua pintura.

Quando surgiram, na metade dos anos 80, os programas de editoração eletrônica eram considerados uma ferramenta restrita apenas a especialistas que atuavam em empresas do ramo editorial. Hoje ela pode ser vista nas editoras de jornais, revistas, livros, bancos, indústrias, empresas comerciais e de serviços, agência de publicidade e até em casa. Essa diversidade de aplicações provocou uma diversidade de softwares para essa aplicação. Para cada perfil de usuário, há no mercado uma opção mais adequada. Ao contrário do início do ciclo da editoração eletrônica, hoje um usuário não especialista pode criar publicações com qualidade profissional.

Enquanto os softwares evoluíram, os processadores de texto adquiriram a capacidade de manusear gráficos e passaram a produzir relatórios, cartas e até pequenos boletins informativos incluindo fotos e desenhos. Mas isso não eliminou a necessidade de softwares de editoração. Em muitas situações, documentos longos, layouts de páginas complexos ou trabalhos em que os gráficos predominam, o processador de texto não é prático e não proporciona a produtividade e os recursos desejados.

A Editoração Tradicional

Uma descrição de como era montado um jornal antes do aparecimento dos softwares de editoração eletrônica.

Processo Gráfico

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Desde o momento em que as matérias, o material fotográfico e a publicidade eram confeccionados, até o momento em que a publicação saia da rotativa, ocorria uma série de modificações que transformavam o produto inicial dando-lhe uma feição mais adequada à linguagem de editoração. Essa série de transformações constituíram o processo gráfico.

Num grande jornal esse processo tinha início a partir do momento em que o jornalista terminava a sua matéria e ela passava às mãos do copy-desk. O copydesk tinha por função (dependendo da linha editorial de cada jornal) corrigir o texto e suas imperfeições, dando-lhe uma linguagem mais jornalística. A ligação do copydesk com a parte gráfica do jornal acontecia na medida que ele assinalava quais os trechos da matéria que deveriam entrar em negrito ou itálico.

Edição

Tendo em mãos as matérias, o material publicitário e as fotos, o editor do jornal cuidava de distribuir esse material pelas páginas. O editor tinha que ter em mente o espaço que cada página lhe proporciona para ser coberto com as partes do texto, foto e publicidade e assim determinava em primeira instância o que a página iria conter.

Diagramação

Terminado o trabalho de edição do jornal, cada página, com o material correspondente era passado para o diagramador. A tarefa do diagramador consistia em desenhar previamente a disposição de todos os elementos que integravam cada página do jornal, ordenar conforme uma orientação pré-determinada, como ficariam, depois de montados e impressos, os títulos, os textos, as fotografias, os anúncios etc, indicando o número de colunas das matérias e outras especificações complementares.

Existiam algumas etapas que o diagramador executava antes de enviar o material para a oficina. a primeira etapa, a diagramação propriamente dita, o diagramador desenhava a futura página sobre um papel de tamanho reduzido (tamanho ofício), dando idéia, com o emprego de traços e signos, de como ela ficaria depois de impressa. Esse papel tinha o nome de raf e continha o mesmo número de colunas do jornal e a indicação da página em centímetros, com algarismos a esquerda e a direita, dispostos em ordem ascendente e descendente em cada margem. O trabalho quando pronto tinha o nome de boneco ou espelho.

A seguir o diagramador iniciava o processo de confecção do diagrama. De posse do boneco da página ele passava os dados para um diagrama (o raf ampliado na medida exata em que o jornal seria impresso). Tal passagem obedecia a cálculos que convertiam o texto em centímetros, de acordo com a escolha determinada pelo diagramador. Da mesma forma as fotos e a publicidade nem sempre conservavam seu tamanho original sujeitando-se a reduções ou ampliações de acordo com o espaço que lhes tinha sido reservado na página.

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Composição

Terminada a diagramação da página, todo o material era encaminhado para a oficina do jornal, onde tomavam direções diversas. As fotos e as publicidades que tinham a sua arte final prontas iam para o fotolito, onde através de processos fotográficos sofriam redução ou ampliação de acordo com o tamanho indicado pelo diagramador. O texto ia para uma seção chamada composição, na qual era trabalhado e transformado em filme. Revisão

Depois de composta a matéria tinha um duplo tratamento: o filme ia para a montagem da página (past-up), antes porém ele era xerocado e essa cópia juntamente com o texto da edição ia para a revisão que tinha como tarefa detectar erros gráficos e ortográficos. Numa primeira etapa o revisor tinha que verificar se a matéria tinha sido composta de acordo com as instruções dadas pelo diagramador (corpo, largura, tipo etc); feito isto o revisor tinha que corrigir os erros de datilografia, mediante um código gráfico para correção de cada erro. Geralmente a primeira revisão era executada por dois revisores: um que lia a matéria no original e outro que acompanhava a leitura pelo xerox e ia apontando os erros. Corrigido o texto o xerox ia novamente para a composição refazer apenas a linha ou parágrafo em que tinha sido apontado o erro para depois enviá-lo para a seção onde o jornal estava sendo montado.

Montagem

Na outra seção da oficina, onde o jornal estava sendo montado, os paginadores (past-up) estavam com a folha de diagramação e todos os elementos que compunham a página, à sua disposição, tratados com uma cera que dariam aderência ao papel. Assim, eles seguiriam à risca as ordens do diagramador, impressas na folha de diagramação.

Como os cálculos diagramatórios estavam sujeitos a erros, devido serem baseados em aproximações matemáticas, ou pelo fato de muitas vezes as laudas estarem mal escritas ou com alterações feitas à mão, que impedem uma contagem precisa do número de caracteres escritos, nem sempre o esquema previsto pelo diagramador era exatamente aquele que na realidade poderia ser executado pelo past-up. Assim, tornava-se necessária a figura do secretário gráfico, cuja função era adequar a real conformação das matérias e títulos aos esquemas pedidos pelo diagramador. O secretário gráfico, além de conferir a fidelidade com que o serviço estava sendo executado tinha que cortar matérias (no caso de sobrar texto) ou adequá-los aos “brancos” da página utilizando recursos como ampliação de títulos, fotos ou acréscimo de intertítulos.

Depois de terminada a montagem da página o past-up cuidava de colocar as emendas (linhas que os revisores apontaram com erros) que lhes chegavam as mãos.

Segunda Revisão Pronta a página ela era novamente entregue aos revisores que observavam

Markus Vinicius Rodrigues de Oliveira marvinro@uol.com.br http://www.geocities.com/Yosemite/7160 se as emendas dos textos tinham sido colocadas corretamente, além de corrigir se os títulos, legendas, intertítulos etc, coincidiam com as matérias.

Fotomecânica

Pronta a página ela ia para uma seção dentro da oficina que se chamava fotomecânica. Ali ela era fotografada e revelada em negativo para posterior gravação em chapas. Era na fotomecânica que se colocavam as fotos que não puderam ser colocadas na montagem. Essas fotos já tinham sido fotografadas e também reveladas em negativos que eram colocados nos espaços abertos com máscara (e que apareciam em branco) de acordo com o projeto do diagramador. Também eram colocadas as fotos coloridas e as aplicações de cores no jornal. Quando se tratava da aplicação de uma cor simples o fotógrafo batia duas chapas de cada página vedando numa tudo o que sairia em preto e noutra tudo o que sairia colorido. Porém, quando se tratava de uma foto inteiramente colorida utilizava-se o processo de quadricromia, que consistia em fotografar o original através de quatro filtros que separavam as suas cores básicas, que mais tarde seriam combinadas no processo de impressão, dando ao produto toda a gama de cores que ele tinha.

Gravação de Chapas e Impressão

Pronto o fotolito era novamente fotografado, desta vez em uma chapa de zinco, onde as partes positivas eram sensibilizadas por um processo químico que permitia que o entintamento se efetuasse somente naquelas áreas.

As chapas de zinco eram colocadas na rotativa, de acordo com a sua ordem de entrada no jornal. Depois de algumas transferências de imagens, feitas em alta velocidade, a imagem era impressa no papel.

O que é Editoração Eletrônica?

É a união de texto e ilustração feita num computador através de um ou mais softwares. Atualmente, com o advento da linguagem “window”, “ícone”, “interface gráfica” etc, viabilizou não só aos profissionais da área como também ao leigo a utilização desta faceta das maravilhas da informática. Logo que surgiu, essa forma de “arte” ficou restrita a Televisão, como já foi abordado acima, era um recurso oneroso e só especialistas tinha acesso a esse trabalho, tamanho era o grau de complexidade dos programas que se destinavam a esse fim.

A Editoração Eletrônica

Com o aparecimento da Editoração Eletrônica os processos da Editoração

Tradicional continuam, mas de maneira inteligente. A Editoração Eletrônica trouxe ferramentas que permitem que os processos sejam executados de maneira mais rápida. Vejamos agora como ficaram alguns dos processos com a ajuda da eletrônica.

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Edição

Os editores executam as mudanças nas matérias diretamente no arquivo texto entregue, utilizando-se de um editor de texto. Desta forma ganha-se em tempo, pois não haverá a redigitação.

Diagramação

Aqui o diagramador criará através do software de editoração uma folha de estilo na qual será jogada o texto, figuras etc. Este processo só será executado uma vez.

Composição

Após a criação da folha de estilo o software de editoração se encarregará de incluir e ajustar automaticamente o texto as especificações definidas pelo diagramador.

Montagem

Nesta etapa o montador só precisará posicionar os elementos não incluídos durante a preparação da página de estilo.

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