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REVISÃO DE ANATOMIA

O pâncreas é uma glândula anexa ao sistema digestivo, situada junto à parede posterior do abdome e se estende desde o baço até o duodeno. Além de produzir a insulina e o glicogênio, secreta enzimas pancreáticas. Possui uma cauda próxima ao baço, um corpo e a cabeça que é envolvida pelo C duodenal.

REVISÃO DA FISIOLOGIA

A Insulina é secretada pelas células β e sua regulação é baseada na glicose.

1.ocorre o transporte de glicose para dentro da célula β;

2. metabolismo da glicose ocorre dentro da célula β;

3. ATP (energia) fecha canais de potássio;

4. despolarização das células;

5. abertura dos canais de cálcio voltagem dependentes;

6.entrada de cálcio e aumento da insulina.

Conhecida como hormônio liberador da “fartura” ou da saciedade.

O Glucagon é secretado pelas células α nas ilhotas de Langerhans no pâncreas. É o hormônio da “inanição”. Tem ação fisiológica de regulação da secreção, ou seja, coordenada para aumentar a concentração de glicose no sangue.

O QUE É DIABETES?

O Diabetes mellitus é um grupo heterogênio de distúrbio caracterizado por uma elevação no nível de glicose no sangue. Normalmente há uma cera quantidade de glicose circulando no sangue que resulta dos alimentos ingeridos e da formação de glicose pelo fígado. O diabetes é uma doença em que há aumento da glicemia (açúcar no sangue), ocorre porque o pâncreas não produz insulina suficiente ou porque a insulina não age bem no organismo.

COMO SE DESENVOLVE O DIABETES?

Quando nos alimentamos, o pâncreas libera uma quantidade maior de insulina para permitir que a glicose que consumimos durante a refeição sirva como fonte de energia para o organismo, mantendo os níveis de açúcar no sangue normais. A insulina é um hormônio que age transportando a glicose do sangue para dentro da célula, para servir de fonte de energia. Trata-se de um hormônio essencial para a sobrevivência.

DIABETES MELLITUS - TIPO 1

È caracterizado pela destruição das células β pancreáticas produtoras de insulina, levando geralmente a deficiência absoluta de insulina. Embora os fatores que levam á destruição destas células não sejam totalmente compreendidos, em geral se aceita a suscetibilidade genética como uma fator subjacente comum no desenvolvimento do diabetes tipo 1. As pessoas não herdam propriamente o diabetes tipo 1, mas herdam uma predisposição genética, ou tendência, no sentido de desenvolver este tipo de diabetes. Além dos fatores genéticos e imunológicos, estão sendo investigados os fatores ambientais, como vírus ou toxinas, que podem iniciar a destruição da células β, pois a destruição das mesmas resulta em menor produção de insulina, produção livre de glicose pelo fígado e hiperglicemia em jejum, além disso,a glicose derivada do alimento não pode ser armazenada pelo fígado, mas, em seu lugar, permanece na corrente sanguínea e contribui para a hiperglicemia pós prandial (depois das refeições). Quando a concentração de glicose no sangue excede o limiar renal da glicose, comumente de 180 a 200mg/dl, os rins não podem reabsorver a totalidade da glicose filtrada, então a glicose aparece na urina, ela é acompanhada por perda excessiva de líquidos e eletrólitos (diurese osmótica). Este tipo de diabetes comumente se desenvolve durante a infância e adolescência, mas pode acontecer em qualquer idade, os indivíduos geralmente são magros e o inicio dos sintomas é usualmente súbito.

TRATAMENTO

O tratamento deste tipo de diabetes é necessariamente feito com aplicações de injeções de insulina, dieta e exercícios físicos. A quantidade de insulina dependerá do nível glicêmico, a alimentação contribui muito para a determinação destes níveis glicêmicos e os exercícios físicos baixam os níveis, diminuindo assim a necessidade de insulina.

DIABETES MELLITUS TIPO 2

Sabe-se que o diabetes tipo 2 possui um fator hereditário maior que no tipo 1, além disso, há uma relação com a obesidade e o sedentarismo. Os dois principais problemas relacionados com a insulina no diabetes tipo 2 são a resistência á insulina e a secreção de insulina comprometida. A resistência á insulina refere-se à redução da sensibilidade tecidual da mesma. Normalmente a insulina liga-se a receptores especiais nas superfícies celulares e inicia uma série de reações envolvidas no metabolismo da glicose. No diabetes do tipo 2, essas reações intracelulares estão diminuídas, tornando assim, a insulina menos efetiva na estimulação da captação da glicose pelos tecidos e na regulação da liberação da glicose pelo fígado. Para superar a resistência á insulina e evitar o acúmulo de glicose no sangue, maiores quantidades de insulina devem ser secretadas para manter normal o nível de glicose ou ligeiramente elevado. Entretanto quando as células β não podem lidar com a maior demanda por insulina, o nível de glicose se eleva, desenvolvendo-se o diabetes tipo 2. Este tipo de diabetes ocorre mais freqüentemente em pessoas com mais de 30 anos de idade que são obesas, embora sua incidência esteja aumentando nos adultos jovens. Como ele está associado a uma intolerância à glicose progressiva e lenta, o inicio deste tipo de diabetes pode passar desapercebido por muitos anos. Para a maioria doa pacientes (75%), o diabetes tipo 2 é detectado por acaso em exames laboratoriais rotineiros ou exames oftalmológicos.

TRATAMENTO

Como a resistência à insulina está associada à obesidade, o tratamento primário do diabetes tipo 2 é a perda de peso, o exercício físico também é importante na estimulação da eficácia da insulina. Existem várias substâncias que auxiliam o tratamento do diabetes tipo 2 que são diferenciadas pela maneira como agem no organismo. Como são muitas e algumas possuem a mesma finalidade, caracteriza-se então em três grupos de medicamentos:

  1. Os que auxiliam a secreção de insulina;

  2. Os que diminuem a resistência insulínica;

  3. Aqueles que diminuem a velocidade de digestão dos carboidratos.

Lembrando que o uso desses compostos não será suficiente e satisfatório, caso não sejam combinados com uma boa alimentação e exercícios físicos.

SINTOMAS

  • Fadiga;

  • Irritabilidade;

  • Poliúria (urinar muito);

  • Polifagia (muita fome);

  • Polidipsia (muita sede);

  • Feridas cutâneas com dificuldades na cicatrização;

  • Infecções repetidas na pele e mucosas;

  • Perda de peso sem explicação;

  • Formigamentos, dormências e dores nas mãos, pernas e pés, por causa da má circulação.

Em alguns casos não há sintomas, isto ocorre com maior freqüência no diabetes tipo 2, neste caso, a pessoa pode passar muitos meses, ás vezes anos, para descobrir a doença, os sintomas muitas vezes são vagos, como formigamento nas mãos e pés, portanto, é importante pesquisar o diabetes em todas as pessoas com mais de 40 anos de idade.

EXAMES LABORATORIAIS

  • Glicemia em jejum, resultado ≥ 126mg/dl;

  • Glicemia 2 horas após as refeições, resultado = 75mg/dl;

  • Glicemia em qualquer momento, resultado ≥ 200mg/dl,com sintomas de diabetes.

ALIMENTAÇÃO

É necessária uma alimentação equilibrada, aquela que contém todos os nutrientes: carboidratos, proteínas, gorduras, sais minerais, vitaminas, fibras vegetais e água. As quantidades devem, ser baseadas na pirâmide alimentar.

  • Os produtos diet são aqueles que tem redução de algum nutriente, mais comumente o açúcar, são utilizados em dietas especiais para pessoas com diabetes.

  • Os produtos light são assim chamados porque tem menor valor calórico em relação ao tradicional.

O QUE É INSULINA?

A insulina é um hormônio protéico produzido pelo pâncreas, ajuda no transporte da glicose do sangue ás células do corpo, onde será usada como fonte de energia. Com isso a tendência é que o corpo mantenha a taxa de glicose no sangue dentro de uma faixa padrão de variação normal, entre 70 e 110mg/dl. Quando o pâncreas não produz insulina ou não produz o suficiente, ou ainda, quando a insulina produzida não funciona adequadamente, a glicose passa a se acumular em grande quantidade no sangue.O resultado desse processo é o desenvolvimento do diabetes, com o tempo os altos níveis de glicose no sangue podem causar problemas sérios à saúde.

OS CINCO TIPOS DE INSULINA

Ação rápida de insulina Lispro (Humalog)→ Começa a atuar em 5 a 15 minutos,baixa a glicemia no sangue, na maioria da vezes em 45 a 90minutos, cessa sua atuação em 3 a 4 horas.

  • Ação curta, insulina Regular (R)→ Começa a atuar em 30 minutos, baixa a glicemia no sangue na maioria das vezes em 2 a 5 horas, cessa sua atuação em 5 a 8 horas.

  • Ação Intermediária, insulina NPH ou Lenta→ Começa a atuar e,1 a 3 horas,baixa a glicemia no sangue na maioria das vezes em 6 a 12 horas, cessa sua atuação em 16 a 20 horas.

  • Ação a longo prazo, insulina Ultralenta→ Começa a atuar em 4 a 6 horas, baixa a glicemia no sangue na maioria das vezes em 7 a 12 horas, cessa sua atuação em 20 a 24 horas.

  • Mistura de insulina NPH e Regular→ dois tipos de insulina misturadas no mesmo frasco,começa a atuar em 30 minutos, baixa a glicemia no sangue na maioria das vezes em 7 a 12 horas, cessa sua atuação em 16 a 24 horas.

ARMAZENAMENTO DE INSULINA

Cuidados no armazenamento e no transporte da mesma:

  • Não exponha a insulina ao sol e evite o calor excessivo;

  • Não congele a insulina nem faça seu transporte com gelo seco;

  • Não agite violentamente o frasco de insulina;

  • Em viagens, leve-a na bagagem de mão, transporte com cuidado;

  • Não a use se observar mudança no seu aspecto (turvação);

  • A estocagem deve ser feita em geladeira, entre 2º a 8º C. Evite colocá-la na porta da geladeira, onde há maior variação da temperatura.

TABELA DE COMPARAÇÃO DOS TIPOS DE INSULINA

AÇÃO

TIPOS DE

INSULINA

INÍCIO

PICO DE

AÇÃO

DURAÇÃO

EFETIVA

DURAÇÃO

MÁXIMA

Ultra-rápida

Lispro

Aspart

15 min

5-10 min

0,5- 1,5 hs

1-3 hs

2-4 hs

3-5 hs

4-6 hs

4-6hs

Rápida

Regular

0,5 -1 hora

2-3 hs

3-6 hs

6-10 hs

Intermediária

NPH

Lenta

2-4 hs

3-4 hs

4-10 hs

4-12 hs

10-16 hs

12-18 hs

14-18 hs

16-20 hs

Longa

Ultra-lenta

Glargina/Basal

6-10 hs

2 hs

10-16 hs

variável/não tem

18-20 hs

24 hs

20-24 hs

24 hs

DIABETES GESTACIONAL

Início durante a gestação, geralmente no 2º ou 3º trimestre, devido a hormônios secretados pela placenta que inibem a ação da insulina, risco acima do normal de complicações perinatais, especialmente macrossomia (crianças anormalmente grandes). Os fatores de risco para o desenvolvimento deste tipo de diabetes são: idade acima de 25 anos. Obesidade central excessiva de gordura corporal (gordura em excesso no tronco), histórico familiar de diabetes em parentes de 1º grau, baixa altura, crescimento fetal excessivo, hipertensão ou pré-eclâmpsia na gravidez atual, antecedentes obstétricos de morte fetal ou neonatal de macrossomia ou de diabetes gestacional.

COMPLICAÇÕES AGUDAS DO DIABETES

  1. Hipoglicemia (falta de glicose no sangue), também conhecida como reação hipoglicêmica, reação à insulina e choque insulínico.

  2. Hiperglicemia (excesso de glicose no sangue), pode levar a:

    • Cetoacidose diabética do diabetes tipo 1→ um distúrbio metabólico,que resulta de uma deficiência de insulina, onde corpos cetônicos altamente ácidos são formados, resultando em acidose, em geral,exige hospitalização para o tratamento e é comumente causada por não-aderência ao regime de insulina,doença concomitante ou infecção.

    • Síndrome hiperosmolar não-cetótica no diabetes tipo 2→ um distúrbio metabólico resultante de uma deficiência relativa de insulina iniciada por uma doença intercorrente que aumenta a demanda de insulina, associada a poliúria (muita urina), a desidratação grave.

COMPLICAÇÕES DO DIABETES EM LONGO PRAZO

  1. Doença macrovascular:

  1. Doença coronariana (infarto do miocárdio);

  2. Doença cerebrovascular (derrame/AVC);

  3. Doença vascular periférica (má circulação dos membros inferiores e desenvolvimento de gangrena).

  1. Doença microvascular:

  1. Retinopatia (o sistema microvascular do olho se mostra lesado);

  2. Nefropatia (células renais lesadas).

  1. Neuropatia (lesão da célula nervosa):

  1. Neuropatia sensoriomotora (afetando as extremidades);

  2. Neuropatia autônoma (afetando o funcionamento gastrintestinal, cardiovascular e geniturinário).

PÉS DIABÉTICOS

AS úlceras neuropáticas ocorrem nos pontos de pressão com sensação diminuída na polineuropatia diabética. A dor está ausente, portanto a úlcera pode passar desapercebida.

CUIDADOS COM OS PÉS:

  • Passe creme hidratante nas pernas e pés, não passe entre os dedos;

  • Não use esparadrapo, talco ou spray nos pés;

  • Não corte calos nem use produtos para retirá-los;

  • Corte as unhas com tesoura apropriada e em linha reta e evite deixá-las muito curta;

  • Não retire cutículas e nem canto das unhas;

  • Use calçados fechados, macios, sem costura interna e confortáveis;

  • Compre sapatos sempre no fim do dia, quando os pés estão mais inchados, assim evita-se que eles fiquem apertados depois;

  • Evite sandálias, calçados apertados de bico fino e salto alto;

  • Antes de calçar meias e sapatos, verifique se não há nada dentro deles, como pedras, pregos ou furos;

  • Não ande descalço, nem dentro de casa;

  • Quando indicado, use palmilhas, diariamente, durante todo o tempo;

  • Use meias de algodão sem costura, sem elástico e que não apertem, trocando-as diariamente.

TESTE DE MONOFILAMENTO

O teste de monofilamento é usado para avaliar o limiar sensorial nos pacientes com diabetes. O instrumento do teste, um monofilamento, é delicadamente aplicado em aproximadamente cinco pontos de pressão no pé (conforme mostrado na figura à esquerda). O examinador aplica o monofilamento na área de teste para determinar se o paciente sente o dispositivo.

  1. Exemplo de um monofilamento utilizado para o exame quantitativo avançado;

  2. Monofilamento usado por médicos

  3. Monofilamento descartável usado pelos pacientes.

CONCLUSÃO

O trabalho abordou o Diabetes mellitus que é uma doença crônica que se caracteriza por hiperglicemia que resulta de defeitos na produção de insulina, ação da insulina ou ambos e a patologia é acompanhada por uma acentuada propensão a desenvolver formas específicas da doença: renal, ocular, neurológica e cardiovascular.

O trabalho abordou também o Diabetes Tipo 1, que pode ocorrer em qualquer idade, embora mais comumente antes dos 30 anos, são indivíduos magros e inicialmente apresenta-se uma significativa perda de peso, poliúria e polidipsia, é caracterizado por destruição das células β, levando geralmente a deficiência absoluta de insulina. O tratamento na maioria dos casos consiste na aplicação diária de insulina, dieta e exercícios.

O trabalho abordou ainda o Diabetes Tipo 2, que ocorre mais freqüentemente após os 40 anos de idade, possui uma fator de hereditariedade maior que o tipo 1, com uma grande relação com obesidade e sedentarismo. O problema está na incapacidade de absorção das células musculares e adiposas, por muitas suas células não conseguem metabolizar a glicose suficiente da corrente sangüínea, isto é denominado “resistência insulínica”. O tratamento consiste três categorias: os que auxiliam a secreção de insulina; os que diminuem a resistência insulínica e aqueles que diminuem a velocidade de digestão dos carboidratos, claro que com a combinação de uma alimentação balanceada e exercícios físicos. Abordou também o diabetes gestacional que é detectado pela primeira vez na gravidez, podendo persistir ou desaparecer.

O presente trabalho abordou a insulina, os locais de armazenamento, os tipos de insulina e os cuidados com os pés diabetes, englobando o teste de monofilamento.

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