Projeto de Pesquisa: Assistência de Enfermagem nos Transtornos Alimentares

Projeto de Pesquisa: Assistência de Enfermagem nos Transtornos Alimentares

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1 TÍTULO DO PROJETO

TRANSTORNOS ALIMENTARES: ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM

2 INTRODUÇÃO

A Anorexia e a Bulimia são Transtornos Alimentares que envolvem fatores psicológicos, levando a complicações nutricionais de ampla complexidade, que afetam especialmente adolescentes, adultos jovens e um grande número de crianças mais freqüentemente do sexo feminino, tendo havido nos últimos anos um grande aumento do número de incidência desses transtornos que se relaciona ao fato da grande influência sócio-cultural da mídia e outros meios de comunicação que estipulam um conceito irreal de beleza que associa a magreza com a atratividade e o sucesso pessoal e profissional, gerando uma busca incontrolável em alcançar este corpo perfeito e encaixar-se neste padrão estético de beleza estipulado pelos meios de comunicação. Este quadro representa um desafio para o profissional de saúde, exigindo muita dedicação perante intervenções e tratamento, onde o melhor prognóstico se dá em razão a um diagnóstico e tratamento precoces realizados por uma equipe multidisciplinar. Através de pesquisa e revisão bibliográfica sobre o tema, o presente estudo discorrerá sobre a assistência prestada ao portador desses transtornos e também a identificação de sinais predisponentes que sinalizam a possível presença e/ou manifestação dos mesmos, possibilitando o diagnóstico e intervenções precoces, havendo então a possível identificação de grupos de risco, onde o enfermeiro por se encontrar na comunidade realizando ações de promoção e prevenção em saúde utilizará medidas educativas em conjunto com a equipe multidisciplinar, paciente e família que visem à promoção da saúde e a prevenção de possíveis complicações visando amenizá-las e diminuir a incidência.

3 JUSTIFICATIVA

O presente trabalho torna-se relevante em razão do índice elevado de incidência dos Transtornos Alimentares relacionado a grande exposição e influência dos meios de comunicação quanto ao conceito irrealista de beleza, gerando uma preocupação com a imagem perfeita e inatingível representada pela magreza, ocasionando uma busca incontrolável para alcançar o corpo perfeito, levando o individuo a grandes prejuízos biopsicossociais com uma alta taxa de morbi-mortalidade.

Os transtornos alimentares caracterizam-se por apresentar quadros graves, desafiadores e de difícil tratamento, pois as recaídas costumam acontecer. Os índices de óbito na Anorexia são de aproximadamente 5 a 10% dos pacientes tratados ou por desnutrição ou por suicídio, pois por ser um distúrbio psicológico ou comportamental os sintomas de depressão costumam aparecer e persistir. Infelizmente quando os portadores de Anorexia chegam ao serviço de saúde buscando tratamento já apresentam um grau acentuado de desnutrição e desidratação. A Bulimia é mais comum do que a Anorexia e menos facilmente identificada, pois a magreza não é tão evidente, os indivíduos bulímicos são normalmente eutróficos, apesar de oferecer um melhor prognóstico mais de 80% dos pacientes apresentam recaídas e várias complicações em longo prazo, necessitando de muita atenção quanto ao tratamento. Ambas requerem muita dedicação do profissional de saúde.

Ressalta-se a importância de estar atento para os sinais predisponentes que possam sinalizar a presença e/ou manifestação desses transtornos, enfatizando a necessidade de um tratamento multiprofissional, cujos melhores resultados acorrem nos casos de intervenção e tratamento precoces. Quanto ao plano de tratamento de enfermagem é de grande importância incluir os familiares na avaliação e no processo desse planejamento, sendo necessário avaliar a família como um sistema de apoio ao paciente e também o impacto que este transtorno poderá causar.

4 PROBLEMATIZAÇÃO

Os transtornos alimentares não aparecem repentinamente, vão se desenvolvendo ao longo de vários anos. A intensidade e complexidade do tratamento dependem das gravidades das complicações clínicas e psicológicas e o sucesso ou fracasso terapêutico esta ligado ao diagnóstico precoce. O que fazer para possibilitar o diagnóstico precoce e diminuir a incidência?

5 HIPÓTESES

Os portadores dos transtornos alimentares comumente escondem os sintomas da doença, dificultando assim o diagnóstico precoce. Há a necessidade de se estar atento para os sinais de predisposição que possam sinalizar a presença ou a possível manifestação desses transtornos. Sendo necessário um maior conhecimento sobre a gravidade dessas patologias, intervenções e tratamento por parte da equipe de saúde. Uma conscientização pela mídia e meios de comunicação, pois são estes que estipulam o conceito irreal de beleza representado pela magreza que a associa ao sucesso pessoal e profissional e também a atratividade, voltada fundamentalmente para que se consiga diminuir os índices de manifestação desses transtornos, alertando e conscientizando a população sobre a gravidade que representam e a complexidade para recuperação.

6 OBJETIVOS

6.1 Objetivo Geral

Identificar a atuação da Equipe de Enfermagem na assistência prestada a pacientes com transtornos alimentares.

6.2 Objetivos Específicos

Enfatizar que a obtenção do diagnóstico precoce favorece um melhor prognóstico, mencionando os sinais predisponentes que sinalizam a presença e/ou manifestação desses transtornos.

Discorrer sobre os cuidados de enfermagem na prevenção da Anorexia Nervosa na adolescência, que é a faixa etária mais susceptível a manifestação e instalação desses transtornos.

7 REFERÊNCIAL TEÓRICO

A Anorexia e a Bulimia são patologias distintas, mas ambas ligadas à alimentação. Segundo Timby e Smith (2005, p. 155) “A anorexia nervosa é um transtorno alimentar caracterizado por obsessão por magreza a qual é atingida por meio da auto-inanição.” O primeiro caso foi descrito há três séculos e a patologia só começou a receber atenção a partir do final do século XIX. As pessoas acometidas mantêm um peso corpóreo abaixo de um nível considerado normal mínimo para a estatura e a idade, sendo instalada em pacientes durante a infância ou inicio da adolescência, onde a perda de peso ocorre principalmente pela redução progressiva de consumo de alimentos e também pela prática excessiva de exercícios físicos intensos, em casos extremos pode-se chegar inclusive a restrição da dieta líquida.

Com esse desequilíbrio nutricional muitas complicações podem aparecer, a patologia acaba levando a uma desordem endócrina que pode evoluir com amenorréia nas mulheres e impotência nos homens, desgaste emocional, lesões no aparelho digestivo, hipotensão, anemia, desidratação, hipotermia, bradicardia, osteoporose devido a um baixo nível de cálcio ou a deficiência do intestino em absorvê-lo e também pode chegar a infecção generalizada devido a debilidade do sistema imune. (OLIVARES, 2008)

A Bulimia Nervosa apresenta características centrais, segundo Neto (2003, p. 435) “Referidos episódios recorrentes de compulsões alimentares seguidas de comportamentos compensatórios inadequados e presença do medo mórbido de engordar.”

O individuo bulímico além de fazer períodos prolongados de jejum e exercícios físicos intensos, após a voracidade incontrolável de comer tudo o que está ao seu alcance, acomete-se por um sentimento de culpa e angústia utilizando métodos compensatórios inadequados para aliviar este sentimento, como os vômitos auto-induzidos e também o uso abusivo de laxantes e diuréticos e drogas anorexígenas.

Encontrou-se em Borges et al (2008) que os transtornos alimentares como a Anorexia Nervosa e a Bulimia Nervosa representam quadros graves e desafiadores para o profissional de saude, envolvem fatores psicológicos e complicações nutricionais de ampla complexidade que afetam mais freqüentemente adolescentes e adultos jovens e também um grande número de crianças, principalmente do sexo feminino, conduzindo o indivíduo a grandes prejuízos biopsicossociais, com uma significativa taxa de morbi-mortalidade. Assiduamente os portadores desses transtornos empenham-se em manter a sua doença em segredo, o problema pode ser percebido pelos familiares e amigos próximos após notarem algumas repetidas alterações emocionais e comportamentais ou quando já se exibi um problema grave de saúde.

Com destaque, o contexto sócio-cultural contribui de maneira significativa no desenvolvimento e perpetuação desses quadros, sendo responsável de certa forma, pela mudança observada nos padrões de beleza feminina como sendo o ideal o corpo cada vez mais magro. O culto à magreza assumiu a transmissão da mensagem de que o corpo esbelto e linear está associado diretamente à imagem de poder, autonomia e sucesso. (RIBEIRO, 2008)

A anorexia é mais facilmente diagnosticada, pois o individuo perde peso rapidamente apresentando um estado extremo de magreza, porém, estatisticamente a Bulimia é mais comum do que a Anorexia, mas apresenta uma maior dificuldade para ser identificada, o individuo não apresenta um estado evidente de magreza, podendo conviver com a patologia por muitos anos sem que alguém consiga perceber.

O comportamento bulímico segundo Lamounier e Vilela (2001, p. 298) começa com uma tentativa de controle de peso e apesar de oferecer um melhor prognóstico, mais de 80% dos pacientes tem recaídas e as maiores complicações consistem nos métodos que são utilizados para a compensação da quantidade de alimentos ingeridos. O paciente bulímico pode apresentar hipertrofia bilateral das glândulas salivares, inflamação na garganta, desidratação, desgaste dentário intenso provocado pelo suco gástrico presente nos vômitos, desequilíbrio eletrolítico, dores musculares e câimbras, hematêmese, dor abdominal e epigástrica que resulta da dilatação gástrica aguda, lesão na pela do dorso da mão que é causada pela introdução da mão na boca para induzir o vômito e também esofagite.

Os portadores desses transtornos apresentam quadros graves, desafiadores e de difícil tratamento, pois recaídas costumam acontecer exigindo assim muita dedicação dos profissionais de saúde que devem oferecer como melhor alternativa de tratamento um acompanhamento multidisciplinar, onde os sinais de predisposição sinalizam a presença ou manifestação desses transtornos, possibilitando o diagnóstico e o tratamento precoces que favorecem um melhor prognóstico e também a identificação de possíveis grupos de risco com a finalidade de auxiliar o enfermeiro na implementação de medidas educativas de promoção da saude e prevenção de agravos direcionadas aos indivíduos identificados em categoria de risco e seus familiares. (LIMA e KNUPP, 2008)

O tratamento indicado para estes transtornos alimentares deve ser baseado no trabalho de equipe multidisciplinar com médicos, psiquiatras, psicólogos, nutricionistas e profissionais de enfermagem. Na Anorexia, se o paciente apresentar uma perda muito excessiva de peso que seja superior a 40% do peso inicial, indica-se a internação para estabelecer uma alimentação especial, partindo dessa etapa um plano de reeducação alimentar visando em doses gradativas à reposição das vitaminas e sais minerais e os oligoelementos, deve ser traçado um plano terapêutico que seja individualizado, com prioridades de ação definidas de acordo com cada caso.(NETO, 2003, p. 434)

“O tratamento clinico da Bulimia inclui a terapia com antidepressivos, a psicoterapia individual ou de grupo e técnicas de modificação comportamental. O tratamento da maioria dos indivíduos com bulimia nervosa é feito em nível ambulatorial.” (TIMBY e SMITH, 2005, p. 159).

É claramente perceptível que ambas patologias necessitam de uma equipe multidisciplinar integrada que ofereça apoio, tratamento e atendimento integral e humanizado.

8 METODOLOGIA

O presente estudo será realizado através da Pesquisa Exploratória , tendo como finalidade levantar dados fidedignos e atualizados através de revisão e pesquisa bibliográfica, utilizando-se de livros nacionais, bem como artigos científicos, revistas e dados disponíveis na Internet, buscando favorecer a familiarização e reflexão sobre a atuação do profissional de enfermagem na assistência prestada a pacientes portadores de Transtornos alimentares e a prevenção da Anorexia Nervosa na adolescência, faixa etária mais susceptível a instalação desses transtornos.

9 CRONOGRAMA

ATIVIDADES

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B

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Contato com orientador

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Preparação da Pesquisa

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Escolha do assunto

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Esboço do plano

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Metodologia

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Pesquisa Bibliográfica

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07

Interpretação dos dados

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Síntese pessoal

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Plano definitivo

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Revisão da documentação

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Redação Provisória

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Redação Definitiva

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Revisão do Manuscrito

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Revisão Parte Referencial

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Digitação Final

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Defesa perante a Banca

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10 BIBLIOGRAFIA

BORGES, N.J.B.G. et al. Transtornos Alimentares: Anorexia e Bulimia Nervosas. Revista, v. 39, n. 3, p. 371-374, 2007. Disponível em <http://www.fmrp.usp.br> Acessado em 20. Março. 2008.

COTRAN, Ramzi S., KUMAR, Vinay; COLLINS, Trucker. Robbins Patologia Estrutural e Funcional. 6 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan S.A., 2000. p.394.

KASPER, Dennis L. et al. Harrison Medicina Interna. 16 ed. Rio de Janeiro: Mc Graw Hill, 2006. p.449-453.

LAMOUNIER, Joel Alves; VILELA, João Eduardo Mendonça. Anorexia Nervosa e Bulimia- Distúrbios Alimentares na Infância e Adolescência: Uma Visão Geral de Anorexia Nervosa e Bulimia. In FONSECA, João Gabriel Marques et al. Obesidade e Outros Distúrbios Alimentares. São Paulo: Editora Médica e Científica Ltda, 2001. p.295-305.

LIMA, Kalinka Fernandes; KNUPP, Kelly Alves. Cuidados de Enfermagem na Prevenção da Anorexia na Adolescência: Como identificar fatores predisponentes. Revista Meio Ambiente Saúde, v.2, n.1, p.166-180, 2007. Disponível em <http://www.faculdadedofuturo.edu.br> Acessado em 27. Outubro. 2008.

NETO, Faustino Teixeira. Nutrição Clínica. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan S.A., 2003. p. 431-437.

NUTRIÇÂO. São Paulo. Círculo do Livro, 1996. p. 114-117.

OLIVARES, Maria de Fátima Hiss. Transtornos Alimentares na Adolescência. Disponível em <http://www.gballone.sites.uol.com.br> Acessado em 20. Março. 2008.

RIBEIRO, Rosane Pilot Pessa. Anorexia Nervosa na Prática Clínica. Disponível em <http://www.eerp.usp.br> Acessado em 27. Outubro. 2008.

TIMBY, Bárbara K.; SMITH, Nancy E. Enfermagem Médico-Cirúrgica. 8 ed. Barueri-SP: Editora Manole Ltda, 2005. p. 154-159.

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