Toxicologia Geral Módulo 2

Toxicologia Geral Módulo 2

(Parte 1 de 2)

CURSO DE

TOXICOLOGIA GERAL

MÓDULO I I

MÓDULO II

INTOXICAÇÃO POR DOMISSANITÁRIOS

Saneantes são substâncias ou preparações destinadas à higienização, desinfecção ou desinfestação domiciliar (domissanitários ou domissaneantes), em ambientes coletivos e/ou públicos, em lugares de uso comum e no tratamento de água.

São Domissanitários:

•Detergentes, sabões, saponáceos e congêneres;

•Alvejantes;

•Ceras;

•Desincrustantes;

•Polidores de Metais;

•Removedores;

•Desinfetantes;

•Desodorizantes;

•Esterelizantes;

•Algicidas e Fungicidas para piscinas;

•Desinfetantes de água para consumo humano;

•Produtos biológicos;

•Inseticidas domésticos;

•Raticidas domésticos;

•Produtos para jardinagem amadora;

•Repelentes de insetos.

Estatísticas

•3o Grupo mais freqüente em humanos desde 1996:

–Medicamentos (30,4%);

–Animais peçonhentos (22,2%);

–Domissanitários (9,3%).

•2o Grupo mais freqüente em menores de 5 anos:

–Medicamentos (40,7%);

–Domissanitários (18,3%);

–Produtos químicos industriais (10,6%).

•3a Causa mais freqüente de Intoxicações Acidentais:

–Animais peçonhentos (31,8%);

–Medicamentos (20,1%);

–Domissanitários (12,4%);

–Produtos químicos industriais (8,4%)

A ingestão de produtos cáusticos, relativamente freqüente, constitui uma emergência endoscópica, mas o clínico é o primeiro a atender o paciente intoxicado e a evolução e o prognóstico dependem das medidas terapêuticas iniciais. Efeitos e complicações sistêmicas são decorrentes da ação corrosiva local, nos tecidos expostos.

Esquematicamente, os produtos corrosivos constituem dois grupos: os ácidos e os alcalinos, seus derivados e substâncias de efeitos semelhantes. PRODUTOS:

ÁCIDOS:

ÁLCALIS:

Desentupidores – ácido sulfúricoHigiene de Piscinas – hipoclorito de sódio e cálcioLimoadores de Vasos Sanitários – ácido sulfúrico, ácido clorídrico, ácido oxálico, bissulfeto de sódioPolidores de Metais – ácido fosfórico, ácido oxálico, ácido clorídrico ou muriático, ácido sulfúrico, ácido crômicoBaterias de Veículos – ácido sulfúricoOutros produtos ácidos: ácido acético, ácido bórico, ácido bromídrico, ácido fluorídrico, ácido nítrico, cloro, dióxido de cloro, anidrido acético, anidrido sulfúrico.

Desentupidores – hidróxido de sódio e potássioDetergentes de Máquina de Lavar – tripolifosfato de sódio, metassilicato de sódio, carbonato de sódio, silicato de sódioLimpadores de Forno – hidróxido de sódioSoluções de Limpeza c/ hipoclorito de sódio, silicatos e carbonatos

Outros álcalis: amônia, etanolamina, trietanolamina, óxido de cálcio, peróxido de sódio. 

INGESTÃO:

ÁCIDOS

ÁLCALIS

Gravidade depende

Tempo de exposiçãoConcentraçãopHVolume ingerido

VolumeConcentraçãoViscosidadeMolaridade

Patogenia

Necrose de coagulação 

Necrose de liquefação 

Local mais acometido

Estômago (antro e piloro) 

Esôfago

QUADRO CLÍNICO: DOR INTENSA na região acometida, cefaléia, tontura, fraqueza, hipotensão arterial, taquicardia; ESPASMO GLÓTICO (asfixia); HEMORRAGIA DIGESTIVA (vômitos em borra de café, desidratação, hipotensão arterial, choque); IRRITAÇÃO RESPIRATÓRIA: dispnéia, tosse, aumento de secreção brônquica, cianose e edema pulmonar; edema e inflamação de boca, língua, faringe posterior e laringe, diminuição do calibre das vias aéreas superiores. QUEIMADURAS por contato cutâneo: região esbranquiçada e edema, vesículas, necrose. Contato Ocular leve: CONJUNTIVITE QUÍMICA (hiperemia, lacrimejamento e fotofobia). Contato ocular grave: dor intensa, edema de conjuntiva, LESÃO CORNEANA.

OBS 1: ÁCIDO FLUORÍDRICO: ( uso em catálises, cerâmica, sínteses químicas, gravações em vidro, petróleo, medicamentos, plásticos, processamento de combustíveis nucleares), tem afinidade com cálcio: escaras da necrose de coagulação não impede o aprofundamento da corrosão. Quando é absorvido, produz um quadro de intoxicação por fluoretos (hipocalcemia, hipercalemia, tetania e insuficiência renal).

OBS 2: ÁCIDO BÓRICO: (antisséptico) distúrbios gastrointestinais, cutâneos e neurológicos.

OBS 3: ASSOCIAÇÕES DE RISCO: Hipoclorito com Amônia - produzem fumos de cloramina e dicloramina, que em contato com mucosas, formam ácido hidrocloroso e oxigênio nascente, potentes agentes oxidantes que causam lesão celular. Hipoclorito com Soluções Ácidas – liberam gás cloro e ácido hipocloroso que penetram mais profundamente em mucosas. 

COMPLICAÇÕES: Perfuração (mediastinite ou peritonite). Aspiração: Comprometimento pulmonar (pneumonite química, edema pulmonar). A entrada de cáusticos na traquéia determina geralmente morte imediata por sufocação. Coma e convulsões. Estenose cicatricial de esôfago.

EXAMES COMPLEMENTARES: Dosagem de Eletrólitos; Gasometria Arterial; RX de Tórax e Abdômen (comprometimento pulmonar, perfuração gástrica); Endocospia Digestiva Alta nas primeiras 24 e 48 horas (grau de comprometimento digestivo); Pesquisa de Sangue Oculto em Fezes.

TRATAMENTO: INGESTÃO:-> Diluição imediata com água ou leite/volumes inferiores a 15ml/Kg, demulcentes/protetores de mucosa (óleo de oliva, clara de ovo, leite, gelatina, hidróxido de Al);

  • Uso de anti-eméticos;

  • Controle da dor (analgésicos opiáceos);

  • Assistência respiratória (manter vias aéreas livres e O2 se necessário);

  • Correção dos distúrbios hidroeletrolíticos;

  • Suspender alimentação VO (3dias para álcalis e 5 a 7 dias para ácidos – segue-se com alimentação líquida-pastosa inicialmente).

CONTRA-INDICAÇÕES:Þ Medidas de esvaziamento gástrico (lavagem gástrica, êmese);Þ Diluição em grandes volumes (risco de induzir êmese);Þ Agentes neutralizantes (reação exotérmica agrava lesão tecidual) ou substâncias carbonatadas (produção de gás carbônico, distensão gástrica, aumenta risco de perfuração);

Þ Catárticos (laxantes) aumentam dano por aumentar trânsito do ácido no trato gastrointestinal.Þ Carvão ativado (pouca capacidade adsortiva e bloqueia o campo visual endoscópico, mediastinite química quando há perfuração). Benefício quando co-ingestão de outras drogas.

Þ Endoscopia em pacientes instáveis, com evidência de perfuração, comprometimento de via aérea ou após 48 horas por aumentar risco de perfuração.

CONTROVÉRSIAS:-> CORTICÓIDES: (Hidrocortisona ou prednisona) não comprovada ação na prevenção de estenose cicatricial. Pode mascarar sintomas secundários à perfuração.-> ANTIBIÓTICO PROFILÁTICO: parece não ter valor, devendo ser reservado para casos de infecção (prevenir sepse ou no caso de perfuração, sepse, infecção).INALAÇÃO:-> Retirada do local contaminado;

-> Assistência respiratória (rouquidão ou estridor sugerem edema de laringe);-> Tratar broncoespasmo com broncodilatadores;

-> Espirometria e Rx de tórax (possibilidade de pneumonite química ou edema pulmonar).CONTATO CUTÂNEO:

-> Lavagem copiosa do local com grande quantidade de água corrente fria diminui o dano tecidual;

-> Neutralização do tecido (pela lavagem) ao pH 7;

-> Remoção de corpos estranhos contaminados;

-> Cremes tópicos antibióticos;

-> Imunização antitetânica;

-> Admissão hospitalar quando queimaduras 2º e 3º graus e 1º grau em mais de 15% da superfície corporal.

CONTATO OCULAR:

-> Descontaminação ampla com água ou soro corrente sob baixa pressão (pálpebras abertas), remover lentes de contato;

-> Instilar solução salina, ringer lactato ou dextrose por 20 min., manter o pH da conjuntiva neutro.

-> Avaliação oftalmológica.

Na Página seguinte colocamos algumas fotos de acidentes causados por domissanitários:

Ulcerações de lábio por Hipoclorito de Sódio a 10%

Lesões ulceradas em região pré-pilórica por Água Sanitária

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