sonorização ao vivo para igrejas

sonorização ao vivo para igrejas

(Parte 5 de 10)

Sonorização ao vivo para Igrejas

Muitos chamam-no de fio estéreo, pois permite transmitir um sinal neutro comum (através da malha) e dois sinais positivos distintos, um em cada condutor interno. Apesar dessa função existir realmente, em sonorização profissional é raríssimo se utilizar o fio dessa maneira.

Cabo Coaxial Balanceado. Além da malha, ainda há uma cobertura de papel alumínio.

Erros mais comuns:

Sistemas balanceados exigem fios balanceados e conectores balanceados (também com positivo, negativo e terra). O erro mais comum é pegar um cabo balanceado e colocar conectores P10 não balanceados (só tem positivo e negativo). É errado porque um cabo coaxial que custa menos poderia fazer exatamente o mesmo serviço (o mesmo nível de proteção), só que com economia.

4.6 - Multicabos

Às vezes é necessário passar muitos fios de uma só vez e por longas distâncias, como entre os músicos no palco e uma mesa de som situada no meio do público ou nos fundos do local.

Nessa situação, a passagem de vários fios é inconveniente, trazendo problemas de manejo, como por exemplo: fica muito grosso para passar através de canaletas ou tubulações, possibilidade de embolar, identificação difícil, etc.

Para solucionar isto, existem no mercado multicabos, que nada mais são que vários fios balanceados reunidos em um isolante só. Os conjuntos todos possuem cores diferentes, cada um tem seu terra e ainda cada um é envolto em uma fita semelhante a papel alumínio, para proteger o sinal de cada conjunto. Existem modelos com 4, 6, 8, 12, 16, 20, até 60 vias (sendo cada via um conjunto completo de condutores – positivo, negativo e terra).

É utilizado para a montagem de medusas, um tipo de extensão específica para sonorização, com conectores machos XLR ou P10 numa ponta e uma caixa com conectores fêmeas XLR ou P10 na outra. Multicabos e medusas se prestam para conectar microfones e instrumentos à mesa de som, mas também podem interligar equipamentos (mesa e amplificador, etc) que estejam distantes entre si. Funcionam basicamente como uma grande emenda.

As medusas permitem que uma maior maleabilidade quanto à colocação dos cantores e instrumentistas em relação aos equipamentos de som. Pode-se afastar a mesa de som para uma posição mais cômoda ou mais fácil de monitorar.

É sempre interessante ter medusas disponíveis. Entretanto, o custo das mesmas é muito, muito alto. O metro do multicabo, a caixa de conexões e os conectores tornam as medusas de valor muito elevado.

Sonorização ao vivo para Igrejas

Medusa montada. Caixa de um lado com conectores fêmea, plugues macho na outra ponta. Erros mais comuns:

- Os fios de um multicabo são extremamente finos; logo, não são adequados a transportar o - sinal de um amplificador até caixas de som. Não utilize, não só por causa das perdas, as altas potências podem até mesmo derreter o isolante e com isso o multicabo inteiro pode ficar imprestável.

- Os cabos de um multicabo são muito finos e próximos e a soldagem precisa ser excelente. Estes sãos os principais tipos de fios utilizados em sonorização ao vivo. Dicas práticas de fios e cabos (parte específica):

- Tenha cabos pequenos, médios e grandes. Eles serão utilizados de acordo com a necessidade. Quem estiver mais próximo da medusa ou da mesa de som ficará com os cabos pequenos, assim como quem estiver mais afastado ficará com os cabos grandes.

- Para quem faz muitos eventos fora das igrejas (praças, escolas, etc), é preferível ter somente cabos grandes. A razão é simples: em um evento, você não terá tempo para descobrir que um cabo é pequeno demais, que precisa fazer uma emenda, etc. Mesmo que o microfone esteja a apenas 5 metros da mesa de som, é melhor ter um cabo de 10 metros que pode ser recolhido no seu excesso do que um cabo de 4 metros que não alcançará ou ficará muito esticado.

- É interessante se ter uma maior quantidade de cabos do que o necessário, para no caso de em qualquer emergência termos uma alternativa fácil e rápida. A idéia é a seguinte: tenha 30% mais cabos de microfone e P10, e tenha 20% mais cabos de caixas de som. Vai ligar 4 caixas de som? Então tenha à mão 5 cabos, de diferentes tamanhos. Vai ligar 10 microfones? Tenha no mínimo 13 cabos. É essencial ter sobra de cabos.

- Teste seus cabos antes de usá-los em qualquer evento.

Sonorização ao vivo para Igrejas

4.7 - Casos Reais envolvendo cabos

Precisei comprar cabos de microfone. Encontrei um importado que era menos da metade do preço do Santo Ângelo, com XLR nas duas pontas, cabo balanceado. Fui testar na loja, o microfone começou a dar um zumbido grave bem forte. Tirei o microfone, deixei só o cabo, aumentei o volume e ali estava o mesmo zumbido. O vendedor achou que era a peça com problema. Abriu e conferiu as soldas. Tudo certo. Pegou outro então, e o mesmo problema. Pegou a caixa, testou mais de 5. Todos com o zumbido. O Santo Ângelo funcionou perfeito.

Fui assistir o culto em uma igreja. Ao começar o culto, e noto um ruído de fundo no microfone do dirigente. Não consegui entender direito, pareciam duas pessoas falando. Após o período de louvor, sobe o pregador. Ele, e um locutor de rádio! O volume da rádio não estava alto, mas estava claríssimo, como se houvesse mesmo um rádio ligado dentro da igreja. Há certo tempo, o pregador diz: “Porque o Espírito Santo está presente aqui conosco” e fez uma pausa. A voz no rádio então falou “Rádio Espírito Santo-to-to”. O pregador olhou para a caixa de som, olhou para o rapaz na mesa de som e falou: “Desliga tudo, agora!” Após o culto, fui verificar, e lá estava o problema: fio paralelo em todas as instalações, inclusive entre o microfone do púlpito e a mesa de som!

Fui em uma igreja, "intimado" pelo Pastor responsável, pois a igreja dele estava com zumbido no fundo, e ninguém sabia a causa. Olho daqui, olho dali, não estava encontrando problemas até que resolvo olhar as soldas nos cabos de instrumentos (P10-P10). Minha surpresa foi grande quando encontrei todos os fios do tipo P, em vez de coaxiais. Tudo foi feito com fio paralelo P: os cabos de interligação entre equipamentos e cabos de instrumentos. Só não foi pior porque estavam usando os cabos originais dos microfones (balanceados).

O rapaz precisava passar um cabo para um microfone do outro lado da igreja. Aproveitou então o eletroduto de energia elétrica. Não funcionou, disse que o microfone ficou uma chiadeira só, que já tinha revisado as soldas e tudo certo. Fui olhar, e lá estava ele, o fio flamenginho, junto com energia. Passou fio balanceado e tudo funcionou perfeitamente.

Em um Anfiteatro da minha denominação, a secretaria fica a mais de 100 metros do local de reuniões, e lá ficam os computadores. O responsável pelos computadores queria gravar os eventos. Resolveu então passar um cabo interligando a sua sala até o local do som, mas não avisou ninguém. E adivinhe o tipo de fio que ele passou? Paralelo! Fez até os conectores para ligar da mesa no computador. Avisei: não vai funcionar, esse fio não tem blindagem, é uma antena de rádio ou TV. Ele insistiu muito, até que fizemos sua vontade. Pediu para alguém mandar sinal da mesa de som, e o que chegou no computador era o programa de TV de uma conhecida apresentadora. Nada do MP3. Ele praticamente montou uma antena de 100 metros.

Duas caixas de som idênticas, lado a lado. Liguei a primeira ao amplificador, usando um cabo P de 2,5mm2. Usei para interligar uma com a outra um cabinho qualquer. Era só um metro de distância, pensei. Engano total. Na hora do evento, a caixa ligada direto no amplificador “falava” muito mais que a outra. Foi só trocar por outro mais grosso e tudo funcionou direito.

No Anfiteatro, são dois templos, um para 5.0 pessoas e outro para 2.0 pessoas. Às vezes, a reunião é muito grande, e os dois templos precisam ser usados. Nessa situação, precisamos interligar o som de um templo com o som de outro. A distância a ser percorrida foi de 250 metros, e passamos o fio através das eletrocalhas já existentes. Utilizamos fio RFS balanceado, com a maior bitola que encontramos. Mesmo a essa distância, um microfone colocado em um templo funciona perfeitamente bem em outro, sem ruídos.

Sonorização ao vivo para Igrejas

5 - Conectores (ou plugues)

Da mesma forma que temos um tipo de fio para cada uso, existe um tipo de conector para cada tipo de utilização também. Respeitar isso é fundamental.

Existem inúmeros fabricantes de conectores para áudio no mercado, indo desde produtos de primeira linha até "genéricos" sem marca. Neutrik, Amphenol, Switchcraft e Santo Ângelo são marcas excelentes. Todos são conectores caros, mas têm durabilidade de décadas sem perder suas características. Praticamente os outros fabricantes ("genéricos") copiam os modelos dos grandes, sendo algumas cópias bem feitas, outras mal-feitas. Genéricos costumam duram muito menos, variando de meses a alguns poucos anos.

Os conectores das boas marcas chegam a custar cinco vezes mais caro que os “sem marca”. Mas sem sombra de dúvida, valem o preço, pois vão durar 10 vezes mais.

Quem faz a conexão elétrica entre os terminais dos plugues e os condutores são as soldas. A qualidade da solda influencia muito no resultado do cabo. Atente sempre para esse detalhe.

5.1 - Conectores XLR ou Canon

Conforme já vimos, o ideal é que se empregue fios balanceados para a ligação de microfones. Estes fios são formados por três condutores, e cada um será conectado a um terminal diferente. Logo, o conector deverá também ter 3 terminais. Portanto os microfones de padrão profissional terão três pinos em suas saídas, destinados a receberem uma fêmea XLR (ou Cannon - caso em que o fabricante acabou se tornando nome genérico para o plugue como aconteceu com o termo Gilete). Na outra ponta do fio deverá haver, portanto, um conector XLR macho conectando o cabo à mesa de som ou à medusa.

Em outros equipamentos, como mesas, amplificadores e caixas de som, a opção de uso de plugues balanceados mostram um cuidado do fabricante em fazer com que haja a menor chance possível de ruídos. Ou seja, mostra que o equipamento é voltado para o público profissional, e não o amador.

. Conectores XLR de Linha e de Painel

Em outros equipamentos, como mesas, amplificadores e caixas de som, a opção de uso de cabos e plugues balanceados mostram um cuidado do fabricante em fazer com que haja a menor chance possível de ruídos. Ou seja, mostra que o equipamento é voltado para o mercado profissional, e não o amador.

Sonorização ao vivo para Igrejas

Existe uma norma internacional (IEC 268) que especifica qual deve ser a pinagem dos plugues XLR. Os números vêm gravados junto a cada terminal (pino) do plugue. A norma diz:

• Pino (terminal) 1 –malha de terra

• Pino (terminal) 2 – fase ou positivo

• Pino (terminal) 3 – neutro ou negativo

Se você respeitar essa norma, terá garantia de som limpo e sem problemas. Fugir dela é certeza de dor de cabeça. E é comum isso acontecer.

Algumas pessoas ficam na dúvida sobre qual dos fios internos é o positivo e qual é o negativo. Isso não importa, desde que as duas pontas de conectores sejam feitas com a mesma conexão. Se for usado o condutor vermelho no pino 2 do conector macho, então o condutor vermelho também deve estar ligado ao pino 2 no conector fêmea.

Para economizar, algumas pessoas utilizam fios coaxiais para o uso em microfones, com conectores Cannon nas duas pontas. Não é recomendado fazer isso, pois se corre o risco de queimar o microfone caso haja Phantom Power no canal. O custo do fio é pouco quando comparado com o risco de queimar o microfone.

Mesas de som mais simples têm entradas P10 para microfones. Nesse caso, podem-se utilizar fios coaxiais com plugues XLR de um lado e P10 de outro. Ainda assim, sugerimos que é melhor utilizar logo fios balanceados, pois quando for possível substituir a mesa por um modelo com entradas XLR, será necessário apenas trocar o plugue P10 por um XLR.

A grande vantagem dos plugues Cannon é que eles têm um sistema de travamento quando encaixados no lugar. Esse sistema permite que os cabos equipados com esse tipo de conector sejam emendados facilmente, uns nos outros, sendo difícil ocorrer de um cabo se soltar do outro com apenas um puxão. Além disso, o travamento evita que o cabo se solte de microfones e da conexão com a mesa de som.

(Parte 5 de 10)

Comentários