sonorização ao vivo para igrejas

sonorização ao vivo para igrejas

(Parte 4 de 10)

Várias dicas práticas sobre fios e cabos: Apresentamos a seguir dicas práticas referentes a parte geral de cabos.

- Nas casas de materiais elétricos é possível encontrar alguns dos fios utilizados em sonorização, mas não todos. O certo é comprar em uma eletrônica. Nelas encontramos todos os tipos de fios, inclusive alguns feitos para o mercado elétrico.

- É possível comprar cabos prontos, mas também é fácil comprar as peças (o fio e os conectores) e montá-los. A escolha depende inteiramente do bolso e do conhecimento de solda do comprador. A diferença entre comprar um cabo pronto e montar um pode chegar a 50% de economia, mesmo usando exatamente os mesmos materiais. Uma solda bem feita em materiais bem escolhidos pode perfeitamente gerar um cabo de padrão profissional. Mas se quem for montar o cabo não souber fazer uma boa solda, é preferível comprar um já montado.

Está com o dinheiro curto e não sabe fazer solda? Pergunte na eletrônica onde comprar o material se não tem alguém que possa montar os cabos para você. Quase sempre tem. Faça um teste e, se ficou bom, então compre outros dessa mesma forma.

- Os fios são feitos para durar anos e anos, mas também não são eternos. Já vi cabos utilizados em eventos em uso por 10 anos. Se estiverem dentro de tubulação, vão durar mais ainda.

- Para durarem mais, os fios devem sofrer o mínimo de tração mecânica. Sempre que possível, os fios devem estar embutidos na parede ou em canaletas, para não sofrerem tração mecânica. Se for possível instalar a tubulação, não desperdice a chance. Já cabos que são usados em eventos precisam de manutenção constante. Por sofrerem muito com trações, é comum o rompimento do cabo em alguma parte, principalmente próximo aos conectores. Até mesmo a forma de dobrar o cabo pode rompê-lo. Cabos não são feitos para serem dobrados em ângulos de 90º ou menos, eles vão se partir.

- Nas igrejas, é possível aproveitar os mesmos conduítes de energia elétrica para passar também os cabos de sonorização. Desde que se respeite o uso correto de cada tipo específico de fio (paralelos para caixas de som, coaxiais para instrumentos, balanceados para microfones – conforme veremos adiante), podem-se embutir os cabos de sonorização em canaletas, conduítes ou eletrodutos, junto com energia elétrica, telefonia, antenas ou rede de computadores, sem problemas de interferências (não recebe nem emite interferências). Claro que um caminho exclusivo será melhor, para evitar que a manutenção de outra coisa estrague outra.

- Por causa da resistência elétrica do fio, o ideal é que o cabo tenha o menor comprimento possível. Teoricamente. Na prática, tenha sempre em mente uma sobra. É muito melhor sobrar comprimento de fio no final do que faltar alguns metros, o que vai gerar um enorme trabalho para emendar ou substituir.

Sonorização ao vivo para Igrejas

- Em um sistema de sonorização, com certezas teremos dezenas de cabos instalados, a maioria da mesma cor (em geral, preta). Mas às vezes precisamos descobrir que cabo está ligando o quê aonde. Costumo identificar meus cabos assim: coloco pedaços de fita Durex (ou fita isolante) colorida, nos conectores ou próximo, nas duas pontas do cabo, de forma que eu saiba qual é o cabo somente olhando a cor dessa fita. De longe dá para ver. A pena é que não há tantas cores disponíveis no mercado.

Algumas pessoas usam etiquetas com números ou texto, mas não gosto. De longe não dá para ler. Alguns fabricantes de conectores já os fazem com cores, facilitando a identificação. Eu também mantenho um único cabo de cor diferente dos outros, reservado para uma função mais importante, como o microfone do cantor solo.

- Quando for adquirir fios, saiba que a maioria das lojas vende-os a metro, mas o bom é comprar a peça inteira (100 metros) e conseguir bons descontos. Se uma peça é muito gasto para você, procure outras igrejas e compre em conjunto.

Erros mais comuns sobre cabos:

- Não os deixe no caminho das pessoas, onde o mesmo será alvo de chutes, empurrões, etc., ou onde até mesmo colocará a segurança das pessoas em risco – tropeções, quedas. Passe seus fios sempre pelo local onde menos haverá tráfego de pessoas. Se necessário, prenda o fio com fitas adesivas no chão ou no rodapé, etc.

- Nunca deixe os cabos esticados no exato tamanho: tenha sobra. Para uma caixa de som, deixe alguns metros sobrando junto da caixa (devidamente enrolados e escondidos atrás da caixa). Às vezes, na hora do evento, é necessário mudar a posição de uma caixa, e essa sobra será útil. O mesmo acontece com microfones. Esses cabos devem ter sobra, pois as pessoas podem precisar mudar de lugar, um cantor pode precisar passar o microfone para outro, etc. Entretanto, lembre-se que, em caso de sobra de muito fio, a sobra maior deve estar junto do equipamento de som e não junto às pessoas.

- Não deixe os fios em baixo de objetos pesados, pois os mesmos podem ser esmagados. Duas coisas são fatais para os fios: “pés” de cadeiras ou bancos e sapato feminino de salto alto. Todos concentram grande peso em uma pequena área do fio. Em geral, o fio se rompe logo nessa parte que sofreu o peso, mas a capa externa estará intacta (é feita de borracha, agüenta ser torcida e dobrada sem danos). Observe a existência de um calombo no fio. É onde o fio está rompido.

- É comum o cabo romper logo após o conector. Porque é exatamente nesse lugar que o cabo será mais retorcido, dobrado e virado. Nas mesas de som em que de som em que o plugue fica na vertical, em cima da mesa, o peso do cabo o faz arrebentar aí.

- Nunca se deve retirar um cabo conectado a um equipamento puxando pelo fio, mas sim pelo corpo do plugue, que é feito para isso. O ato de puxar o cabo submete-o a um esforço para o qual não foi projetado, o que pode acarretar em rompimento dos fios internos, ou então - até mais provável que aconteça - rompimento da solda do cabo no conector.

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4.2 - Cabos utilizados em sonorização – parte específica

Essa parte introdutória apresentou características que serão encontradas em qualquer tipo de cabo, para qualquer tipo de uso, seja energia ou sonorização. Visto isso, agora é necessário entrar nos tipos de cabo. Existem várias formas de se fabricar cabos, com essa ou aquela característica especial. Mas saiba que, para cada uso, um tipo de cabo será o mais adequado. A escolha errada pode fazer com que o seu cabo funcione como uma antena, captando todos os ruídos de rádio e tv que circulam pela atmosfera e os inserindo no seu sistema de P.A. como ruído ou coisa pior (em alguns casos, a interferência é perfeitamente audível). Já imaginou as vozes do pregador e do locutor da rádio saindo pela caixa de som? Pois isso não é raro de acontecer.

Os tipos de cabos mais utilizados em sistemas de PA são:

Paralelo Coaxial Simples Coaxial Duplo (ou Balanceado ou Blindado duplo ou Blindado Estéreo)

Vamos estudar cada um deles. É fundamental conhecê-los muito bem.

4.3 - Cabo Paralelo:

O fio paralelo é o tipo mais barato, mas não tem nenhum tipo de blindagem. Basicamente são dois condutores que são presos juntos, um ao lado do outro (um paralelo ao outro). Esses fios devem ser utilizados, em sonorização, apenas onde o nível de sinal elétrico seja suficientemente elevado para que os sinais eletromagnéticos presentes na atmosfera (TV, rádio, celular, etc.) não apareçam. E níveis elevados de sinal elétrico só são encontrados entre a saída dos amplificadores e as caixas de som (aproximadamente 25 a 30 Volts).

As extensões elétricas domésticas são bons exemplos de uso de fios paralelos. Entretanto, para sonorização, é melhor que os condutores tenham cores diferentes (o que é raro em energia elétrica). Embora não imprescindível, cada fio ter uma cor facilita a identificação dos pólos positivo e negativo, e isso tem uma grande importância, principalmente na ligação das caixas de som (estudaremos isso adiante). Em sonorização, o mais comum é o uso de fios chamados de “bicolor”, “preto e vermelho” ou "flamenguinho".

Os fios paralelos são muito usados em instalações fixas das igrejas, quando estarão dentro de conduítes ou canaletas. Para quem realiza eventos externos, é necessário um fio que suporte melhor as trações mecânicas, e o fio paralelo bicolor tem pouca resistência. Nesse caso, devese utilizar um tipo especial de fio paralelo, que além do isolante individual de cada condutor, ainda tem uma terceira camada de isolante. São chamados de fio P. O fio P é mais caro que o fio paralelo normal, mas é muito mais resistente.

A escolha do cabo paralelo certo é tão importante que os fabricantes de amplificadores citam e dão dicas do uso correto nos manuais, e isso por um motivo simples: fios finos demais (de bitola insuficiente) podem causar perda de até 30% na potência de um amplificador. A potência é perdida pelo cabo na forma de calor, deixando de ser aproveitada na forma de som. Pode parecer incrível, mas por causa de erros na utilização de fios inadequados, um amplificador muito potente pode ter o mesmo resultado que um amplificador menor (e mais barato) usando os cabos corretos para ligação com as caixas.

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Todos os fabricantes de amplificadores colocam nos manuais uma tabela com a indicação da bitola dos cabos indicadas para uma determinada potência e comprimento do fio. Não deixe de consultá-la.

Cabo paralelo com capa protetora (cabo P), de 2,5mm2 de bitola Erros mais comuns:

- Como o fio paralelo é mais barato em relação aos outros (coaxial, balanceado), algumas pessoas fazem a instalação de sonorização somente usando esse tipo. Mas ele não tem blindagem, e corre-se o risco de captar os sinais eletromagnéticos do ambiente e o fio atuar como se fosse uma antena. No mínimo, “pegam” ruídos, mas em algumas igrejas já “pegaram” coisa muito pior. Ele realmente só pode ser utilizado na ligação entre as caixas acústicas e os amplificadores.

- Nunca, passe energia elétrica (110V, 220V) por um cabo paralelo do tipo "flamenguinho". Eles não foram feitos para suportar as altas tensões encontradas em energia elétrica. Já os cabos P são cabos feitos para uso em eletricidade, então próprios para isso.

-Um problema sério: um cabo de ligação entre amplificador e caixas de som que esteja defeituoso (em curto circuito, por exemplo), vai trazer problemas sérios. O som sairá "rachando" e, se insistirmos no uso, poderá haver danos ao equipamento. Existem amplificadores que são "inteligentes" e desligam o canal em curto circuito e outros que cuja proteção é queimar o fusível do aparelho, parando de funcionar. Muito cuidado ao confeccionar e utilizar cabos entre amplificadores e caixas acústicas. Já imaginou isso acontecendo no meio de um culto?

4.4 - Cabos Coaxiais:

Fios coaxiais recebem este nome por serem compostos de dois condutores - um central e outro que o envolve. Como ambos têm o mesmo centro (eixo axial), recebem o nome co+axial. O condutor central (que conduz o sinal positivo) é protegido pelo condutor externo, que funciona como blindagem, e conduz o sinal negativo. O condutor externo também é chamado de malha. As interferências eletromagnéticas que atingem o fio ficam “presas” no condutor externo, que só conduz o retorno dos elétrons (sinal negativo).

Como o fio apresenta blindagem, ele é apto a transportar sinais elétricos de baixa voltagem tais como: de instrumentos musicais para mesa de som, ligação entre equipamentos (mesa de som, equalizadores, amplificadores). Nesses casos, a voltagem do sinal varia de 250 miliVolts a 2,5 Volts.

Esses fios também podem ser utilizados com microfones (nível de sinal entre 30mV e 77mV). Muitos fabricantes de microfones mais simples até os vendem acompanhados de fios desse tipo. O problema é que a malha faz parte do caminho necessário ao sinal (conduz o sinal

Sonorização ao vivo para Igrejas negativo). Logo, as interferências que foram captadas por este condutor externo, poderão acabar se misturando ao áudio e até mesmo sendo ouvidas quando a sua intensidade for suficiente. Esses fios são aceitáveis em sistemas não profissionais, com comprimento menor que 10 metros. Mais que isso, arrisca-se captação de ruídos.

Da mesma forma, o fio coaxial também pode ser utilizado para ligação entre caixas acústicas e amplificadores, desde que as potências envolvidas sejam pequenas (100 a 200W RMS) e principalmente as distâncias sejam pequenas, até 10 metros, como por exemplo a ligação de caixas de retorno. Mas esteja ciente que, por causa de sua bitola ser pequena, a perda será grande. Para saber se as perdas do fio estão atrapalhando, "escute" o resultado dessa ligação. Se o volume desejado não foi alcançado, deve-se utilizar cabos paralelos de bitola maior.

Cabo Coaxial – repare que o condutor externo envolve totalmente o interno

Erros mais comuns:

- Nunca, nunca passe energia elétrica (110V, 220V) por um cabo coaxial. Eles não foram feitos para suportar as altas tensões encontradas em energia elétrica.

- Não tente usar microfones com cabos coaxiais grandes, mais de 10 metros. Existe risco do cabo virar uma "antena", igual aos paralelos.

- Não se pode utilizar cabos coaxiais em sistemas que exigem a presença de Phantom Power (mais detalhes adiante).

4.5 - Cabos Balanceados (ou coaxial duplo ou Blindado Estéreo):

É um tipo de fio coaxial que tem no seu centro não um, mas dois condutores, sempre em cores diferentes, revestidos por uma malha – o condutor externo. Os condutores internos carregam os sinais positivo e negativo, e a malha serve como aterramento. Qualquer interferência captada pelo cabo fica “presa” na malha e vai para o aterramento – não afetando o sinal de áudio. Essa configuração proporciona uma melhor blindagem do que o fio coaxial, onde a malha carrega o sinal negativo. Mas isso também o torna um fio mais caro que os outros tipos.

São os microfones os maiores beneficiados por este tipo de fio. O seu nível elétrico de trabalho é muito próximo do nível das interferências eletromagnéticas encontradas na atmosfera, e somente o uso de cabos balanceados provê a proteção realmente necessária.

Sistemas de sonorização profissional (com maior compromisso com a qualidade) exigem o uso desse tipo de fio, na ligação entre microfones e a mesa de som e até mesmo na ligação entre equipamentos, como da mesa de som para periféricos (equalizadores, compressores) e amplificadores. São os chamados sistemas balanceados, onde a chance de captação de ruído externo será mínima.

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