sonorização ao vivo para igrejas

sonorização ao vivo para igrejas

(Parte 3 de 10)

3.4 - Interligação

É a parte que trata dos cabos e conectores, que farão a conexão dos equipamentos uns com os outros. Existem cabos e conectores adequados para usos específicos em sonorização, e o uso inadequado deles pode estragar totalmente o som.

Cabos e conectores são quase sempre menosprezados, mas são a maior fonte dos problemas em um sistema de PA. Em caso de falhas, são os primeiros e principais suspeitos.

3.5 - Acústica

O som projetado pelas caixas acabará sendo alterado pela acústica do ambiente. Quanto menor e mais uniforme for a alteração, melhor a acústica. A acústica do lugar é a responsável pela existência da chamada reverberação - uma série de rápidos reflexos do som que se confundem com o som original, atrapalhando a nitidez e a compreensão da palavra falada ou cantada e que, portanto, devem ser evitados ou minimizados.

Saiba que muitos problemas de acústica são resolvidos com a mudança da posição das caixas de som, outros são resolvidos simplesmente com a alteração da distribuição de volumes pelas caixas, e algumas situações se resolvem até com a diminuição da quantidade delas. Também é possível melhorar a acústica com o uso de materiais que aumentam a absorção do ambiente.

3.6 - Operação

É a parte relacionada com o técnico de áudio, o operador do sistema de som. Quanto à parte técnica, é o elo mais importante de todos. Os equipamentos, por melhor que sejam, não trabalham sozinhos. É uma pessoa que vai operar, fazer tudo funcionar. É o elo mais importante pois será o responsável por todos os outros elos, fazendo tudo funcionar convenientemente. É claro que equipamentos bons trazem bons resultados, mas somente se alguém souber aproveitar os recursos.

operador sabe até onde ir, evita as microfonias, faz o possível. Já o inexperiente

Costumo dizer que prefiro um bom operador com equipamento mais simples, do qual ele vai tirar o máximo possível, do que um operador inexperiente com equipamento de ponta. O bom 12

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3.7 - O sétimo elo da corrente: a parte espiritual

Quando uma empresa faz a sonorização de uma palestra, um evento qualquer, um show, ela tem que se preocupar com 6 elos da corrente, referentes ao aspecto material da sonorização. Mas dentro de uma igreja, existe mais um elo para nos preocuparmos. Existe o inimigo das nossas almas, que está sempre a nossa volta procurando brechas e falhas. São as potestades malignas, as opressões deste mundo. O inimigo não gosta da pregação da palavra de Deus, e onde ele puder atuar para atrapalhar, irá fazê-lo, e a parte de som é um dos seus locais preferidos para atacar.

Cabe ao servo do Senhor que opera som nas igrejas ter o cuidado para estar com a sua vida espiritual "em dia" com o Senhor. Não basta ter os melhores equipamentos e os maiores conhecimentos sobre sonorização. Também é necessário cuidar do testemunho pessoal, ser um servo de oração, jejuns e madrugadas. Tudo isso é importante na luta contra o maligno. Precisamos pedir livramentos ao Senhor para esse trabalho, que é muito visado pelo inimigo.

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4 - O primeiro elo: Interligação - Cabos

Sempre todos estão ansiosos para aprender sobre mesa de som, microfones, amplificadores, etc. Mas o início de tudo precisa ser sobre os cabos e conectores utilizados em áudio. É possível alguém imaginar que cabos e conectores não mereçam grande atenção, mas em um culto ou evento, teremos uma mesa de som, alguns amplificadores, algumas caixas e dezenas de cabos, com diversos tipos de conectores.

Exatamente pela grande quantidade deles, e por serem os componentes mais frágeis, é grande a chance de problemas. A maioria dos problemas de som (tiros, estalos, ruídos, barulhos, falhas) é causada pela utilização de cabos ou conectores inadequados ou em mau estado.

Engana-se quem não compreende, valoriza e cuida dos seus cabos e conectores, pois, embora custem muito menos que os outros componentes, a utilização de cabos impróprios ou defeituosos pode ter efeitos que vão desde a degradação da qualidade do som até a queima dos aparelhos a que estiverem ligados!

Vamos dividir o estudo em duas partes. A parte geral abrange características comuns a todos os cabos. E a parte específica aborda cada um dos tipos.

4.1 - Cabos utilizados em sonorização – parte geral

Que os cabos interligam os diversos equipamentos, nós já sabemos. Mas o que eles conduzem? Conduzem sinais elétricos, gerado por microfones e instrumentos até a mesa de som, desta para outros equipamentos, até chegar aos amplificadores e daí às caixas acústicas. Da mesma forma que a energia elétrica – 110V ou 220V, o sinal elétrico de som também tem Positivo, Negativo e até Terra, e também é medido em Volts e Watts.

Saiba que os sinais elétricos gerados por equipamentos de som são de voltagem bem baixa. Microfones e instrumentos geram sinais na casa dos miliVolts (menos que uma pilha pequena). Os sinais mais fortes* são gerados pelas saídas dos amplificadores e situam-se por volta de 25 a 30 Volts.

*Existem amplificadores com saídas na faixa dos 70V a 120V. Não são utilizados em sonorização profissional, mas sim em instalações onde existem dezenas ou centenas de caixas de som distribuídas, como grandes lojas, shoppings, aeroportos, etc.

Características gerais dos cabos:

Apresentamos a seguir características comuns a todos os cabos, sejam de energia ou de sonorização.

Tipo de condutor de cobre - existem condutores sólidos, formados por um único fio de cobre, quando é chamado então de fio rígido, ou na forma de cabo flexível (na verdade vários fios sólidos bem finos - filamentos - formando um conjunto mais grosso). Em sonorização, os condutores utilizados são sempre flexíveis, pois precisam ser enrolados e desenrolados. Fios rígidos não são recomendados, mas até podem ser utilizados, desde que somente em tubulações e conexões fixas, como canaletas ou eletrodutos. Se ficarmos “mexendo” muito em um fio rígido, a tendência dele é se partir, pois não agüenta tração mecânica.

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Nesta apostila vamos apresentar a seguinte terminologia: chamaremos de "cabos" um fio com conectores instalados. O cabo sem conectores será chamado de fio. Dentro de um fio poderemos ter um ou mais "condutores".

Número de condutores – como o sinal elétrico é sempre formado por um positivo (ou fase) e um negativo (ou neutro), os fios utilizados em sonorização sempre terão pelo menos dois condutores. Mas muitas vezes são necessários fios com 3 condutores, sendo o terceiro condutor utilizado para malha (ou terra).

Bitola ou diâmetro do condutor de cobre – existem cabos finos e grossos. A diferença está na capacidade que esses fios têm de conduzir mais ou menos energia (mais ou menos Watts). Os condutores podem ser finos quando transportam pouca energia (ou por pouca distância), mas precisam ser grossos quando transportam muita energia (ou por longas distâncias).

Daqui já se tira uma regra prática: os cabos que vão ligar as caixas de som em um amplificador de 2.0 Watts não serão os mesmos cabos para fazer a ligação com um amplificador de 200 Watts. Quanto maior a potência, maior terá que ser a bitola.

Da mesma forma, uma extensão elétrica para ligar potentes amplificadores terá que ser mais grossa que a extensão utilizada para a ligação de instrumentos (teclados, pedaleiras, etc).

Existem duas normas para indicar a bitola de condutores: a americana, indicada pela sigla AWG e a norma ABNT, em que os cabos são medidos em milímetros quadrados. Na norma AWG, quanto menor o número, mais grosso é o condutor. Um condutor 24AWG é mais fino que um condutor 20AWG. Na norma ABNT, indica-se assim: 0,30mm2, 0,18mm2, 1,5mm2, 4mm2, etc. Quanto maior o número, mais grosso o condutor.

Resistência ou Impedância – quando o sinal elétrico (elétrons) vai passar por um condutor, ele não faz isso de forma fácil. Os elétrons encontram uma resistência, e isso faz com que uma parte do sinal elétrico se perca em forma de calor. Isso é ruim, pois não chega tanto sinal ao final quanto entrou. Se o fio for muito menor que o indicado, as perdas com certeza afetarão o resultado esperado.

A regra geral é que: quanto mais grosso (maior bitola) o fio for, menos resistência haverá. A resistência é medida em Ohms, cujo símbolo é Ω. O tamanho do cabo também influencia. Quanto mais comprido maior a resistência. Assim, sempre que possível use cabos com a maior bitola possível.

Já deu para perceber que bitola e impedância dos condutores são fatores inter-relacionados. Cada tipo de uso exigirá uma bitola diferente. Isso dependerá da potência aplicada e do comprimento do cabo. Esteja sempre atento à esses fatores.

Isolação – isolante é o nome daquela borracha que envolve o fio, a capa externa. Quando o fio é utilizado para energia elétrica, o isolante precisa agüentar uma certa voltagem e uma temperatura que não são encontradas em sonorização. Logo, o fio elétrico possui um isolante mais resistente que os fios de sonorização. Estes, por sua vez, podem aproveitar as baixas voltagens e temperaturas para terem isolantes mais maleáveis, bons para serem facilmente enrolados e dobrados.

Dica prática: fios voltados para o mercado elétrico podem ser utilizados em sonorização, mas são difíceis de manejar. Fios específicos para sonorização são de fácil manejo, mas não podem ser utilizados para energia elétrica.

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Blindagem – os sinais elétricos entre alguns equipamentos de sonorização é tão baixo, mas tão baixo, na casa de poucos miliVolts (1 Volt dividido por 1000) que passam a sofrer interferências eletromagnéticas causadas por sinais de rádio, TV e celular existentes na atmosfera, ou por motores elétricos próximos (ar-condicionado, elevadores, etc). Assim, os cabos precisam ser construídos de uma forma que o sinal trafegue protegido por uma blindagem.

Essa blindagem é feita com algum tipo de proteção metálica, tal como enrolar os condutores em papel alumínio ou ainda fazer um condutor interno envolto por outro condutor externo (um fio dentro de outro fio), ou uma soma dessas soluções. Dependendo do uso, se cabos blindados não forem usados, o resultado sonoro será qualquer coisa menos o som desejado.

Identificação dos cabos – existe uma norma ABNT que obriga os fabricantes a colocarem certas informações gravadas no próprio fio. As informações vão da marca do fabricante, o tipo (ou uso) e até a sua bitola. Veja na prática:

1. RFS Brasil – kmP – AF – Sonorização 1P – 22AWG(nota: 1P = 1 par de condutores)
2. RFS Brasil – kmP – AF – Sonorização 1C – 0,28mm2(nota: 1C = 1 condutor)

3. SC30 Supercord – Santo Ângelo microfone cable 2 x 0,30mm2 - NOV/2005 4. Tiaflex cabo para guitarra 0,30mm2 5. Condutti – Microfone / Guitarra (Áudio Freqüência) 0,33mm2 6. Condumax P 2 x 2,5mm2 750V 7. High Grade Professional Microfone/Guitar Cable 8. CES High Grade Professional Low Noise Cable

Veja que os fios brasileiros (1 a 6) têm a marca – RFS, Santo Ângelo, Tiaflex, Condutti, Condumax; a utilização (sonorização, AF = áudio freqüência, microfone, guitarra, P = cabo paralelo de energia elétrica) e a bitola. O primeiro dos cabos é bem mais antigo, ainda expressa a bitola em AWG. Já o cabo da Santo Ângelo é recente, expressa até a data de fabricação.

As bitolas (em milímetros ou AWG) são referentes ao(s) condutor(es) interno(s). Nos fios blindados, a malha de blindagem não recebe indicação de bitola (que é sempre maior que a bitola do condutor interno). Veja que 2 x 0,30mm2 indica haver dois condutores internos, enquanto 0,30mm2 indica somente um condutor (como se fosse 1 x 0,30mm2).

O fio 6 é para uso em energia elétrica. Note que a voltagem suportada é de 750V, muito além do encontrado em sonorização.

Agora, veja os fios 7 e 8. A tradução seria “Cabo profissional de alta qualidade para microfone ou guitarra” e “CES cabo profissional de alta qualidade e baixo ruído”. Qual a bitola? Quem fabricou? Alta qualidade? São fios importados, que variam de norma, padrão e qualidade.

Dica prática: os fios que seguem a norma ABNT e tem selo do INMETRO são bons. Desconfie dos fios que não são fabricados no Brasil. Existem alguns excelentes, mas também existem ruins. Na dúvida, escolha um fio de fabricante renomado, como RFS ou Santo Ângelo.

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Tração mecânica –característica de o fio suportar tração - ser puxado, torcido, pisado, esmagado, etc. Tem a ver com a qualidade dos isolantes externos e internos. Existem fios com dupla isolação, com isolante reforçado, com isolação à prova de água; alguns vêm com cerdas de nylon ou algodão internamente, que aumentam a resistência. Os fios utilizados em sonorização não apresentam essa característica explicitamente. Entretanto, na minha experiência pessoal, tenho visto que algumas marcas resistem bem mais que outras. Marcas renomadas costumam ser melhores. Infelizmente, só a prática pode mostrar isso.

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