sonorização ao vivo para igrejas

sonorização ao vivo para igrejas

(Parte 1 de 10)

Sonorização ao vivo para Igrejas Sonorização ao vivo para Igrejas

Sonorização ao vivo para Igrejas

1 - A importância do trabalho de sonorização de Igrejas1
2 - Organização do louvor nas Igrejas6
3 - Os 7 elos da corrente de sonorização ao vivo (PA)1
3.1 - Captação1
3.2 - Processamento1
3.3 - Projeção12
3.4 - Interligação12
3.5 - Acústica12
3.6 - Operação12
3.7 - O sétimo elo da corrente: a parte espiritual13
4 - O primeiro elo: Interligação - Cabos14
4.1 - Cabos utilizados em sonorização – parte geral14
4.2 - Cabos utilizados em sonorização – parte específica19
4.3 - Cabo Paralelo:19
4.4 - Cabos Coaxiais:20
4.5 - Cabos Balanceados (ou coaxial duplo ou Blindado Estéreo):21
4.6 - Multicabos2
4.7 - Casos Reais envolvendo cabos24
5 - Conectores (ou plugues)25
5.1 - Conectores XLR ou Canon25
5.2 - Conectores P10 (ou ¼”) :26
5.3 - Conector Combo29
5.4 - Conectores RCA29
5.5 - Conectores Speakon29
5.6 - Conectores Banana30
5.7 - Conector P231
5.8 - Adaptadores31
5.9 - Casos Reais envolvendo cabos e conectores32
5.10 - Soldagem de cabos e conectores3
5.1 - Teste de cabos38
6 - Captação – os Microfones41
6.1 - Vazamento de captação46
6.2 - Microfonia (Realimentação ou Feedback)46
6.3 - Efeito de Proximidade48
6.4 - Sibilância e efeito PB49
6.5 - Tipos de microfone quanto à cápsula49
6.6 - Microfones de Lapela50
6.7 - Microfones Goosenecks52
6.8 - Microfones de mão54
6.9 - Microfones Headsets57
6.10 - Microfones Earsets58
6.1 - Microfones para coral59
6.12 - Microfones Overs61
6.13 - Microfones de estúdio63
6.14 - Microfones específicos64
6.15 - Microfones sem fio65
6.16 - Teste de sonoridade de microfones67
6.17 - Casos reais envolvendo microfones68
7 - Processamento de sinal73
7.1 - Caixas Amplificadas (ou Amplificadores Multi-Uso)73
7.2 - Cabeçotes74
8 - A mesa de som (ou Console ou Mixer)76
8.1 - Visão Geral76
8.2 - Mesa Ciclotron série MXS7
8.3 - Entradas de microfone e de linha (MIC IN e LINE IN)78
8.4 - Seção de equalização de Agudo, Médio e Grave79
8.5 - Como equalizar81
8.6 - Potenciômetro de Efeito (EFF) do canal82
8.7 - Potenciômetro de ajuste de Panorama (PAN)83
8.8 - Fader de volume de canal84
8.9 - Seção Master85
8.10 - Faders de Master Left e Master Right (Master ou Main ou MIX)85
8.1 - Luzes indicadoras Peak Level Master (PEAK ou CLIP ou OL)86
8.12 - Saída Rec Out (plugue RCA)86
8.13 - Entrada CD/MD/Tape In (plug RCA) e Volume CD/MD/Tape In86
8.14 - Conectores Efeito Send e Return (plugues P10)87
8.15 - Conectores Master L OUT e Master R OUT (plugues P10)87
8.16 - Phone (ou Headphone) - plugue P10 - e botão Phone Volume87
8.17 - Mesa Ciclotron série AMBW8
8.18 - Entrada MIC IN com plugue XLR89
8.19 - Entrada/Saída INSERT (plugue P10)90
8.20 - Controle de Ganho (GAIN ou TRIM)91
8.21 - Regulagem de ganho91
8.2 - Controle de Auxiliar 1 (MON – monitor, Aux Pré)92
8.23 - Chave MUTE (ou MIX ou ON)93
8.24 - Chave PFL (ou SOLO)94
8.25 - Controles de equalização de graves e agudos por Master95
8.26 - Volume de Retorno do Auxiliar 2 Eff por Master96
8.27 - Volume Master do Auxiliar 1 Monitor96
8.28 - Volume de Retorno do Auxiliar 2 Eff para Monitor96
8.29 - Luzes indicativas de sinal por Master (VU Meter)96
8.30 - Controle de Volume de Rec OUT96
8.31 - Phone (plugue P10), Phone Volume e chave L/R – Aux 1/PFL96
8.32 - Saídas Balanced Main Outs (saídas dos masters), com plugues XLR96
8.3 - Saída Auxiliar 1 Monitor Out, com plugue P1097
8.34 - Entrada Stereo Auxiliar 2 Effect Return, com P10 por canal97
8.35 - A série CSM e CMC97
8.36 - Saída Direct Out (plugue P10)9
8.37 - Chave de acionamento do Phantom Power9
8.38 - Chave de corte de graves (LOW CUT) a 100Hz100
8.39 - Equalização e Varredura de freqüência de médios100
8.40 - VU Indicativo por canal, com 3 leds, incluindo led de sinal101
8.41 - Chave Mute102
8.42 - Fader de volume do canal102
8.43 - Seção Master102
8.4 - Utilizando mesas com Subgrupos (ou Submasters)102
8.45 - Mesas de grande porte (ou Consoles)104
8.46 - Mesas com recursos integrados106
8.47 - Mesas Digitais (ou Consoles Digitais)107
8.48 - Casos reais envolvendo mesas de som108
9 - Teoria geral de áudio e sonorização1
9.1 - O que é som1
9.2 - Características da Onda Senoidal112
9.3 - Frequência ou Tom113
9.4 - Amplitude (ou Intensidade ou Volume)113
9.5 - Comprimento de Onda:114
9.6 - Fase de onda115

Sonorização ao vivo para Igrejas 9.7 - Vibração................................................................................................................. 117

9.8 - Fundamentais, Harmônicos, Oitavas e Timbre118
9.9 - Tessitura Musical118
9.10 - Envelope do Som120
9.1 - Decibel – decibéis (dB)121
9.12 - O decibel como fator de multiplicação122
9.13 - Frequências graves, médias e agudas123
10 - Equalizadores Gráficos126
1 - Compressores / Expansores / Limitadores / Gates131
12 - Amplificadores de potência134
12.1 - Componentes dos amplificadores134
12.2 - Consumo elétrico e potência do amplificador135
12.3 - Consumo elétrico e instalações elétricas136
12.4 - Parâmetros e circuitos de proteção dos amplificadores137
12.5 - Circuitos de Proteção137
12.6 - Painel Frontal de um Amplificador140
12.7 - Atenuadores de Volume140
12.8 - Painel Traseiro de um Amplificador141
12.9 - Entradas de sinal141
12.10 - Conexões para as caixas acústicas142
12.1 - Comprando amplificadores142
12.12 - Casos reais envolvendo amplificadores143
13 - Conexões e interligações entre equipamentos144
13.1 - Mono x Estéreo144
14 - Projeção de Som146
14.1 - Alto-Falantes146
14.2 - Caixas acústicas148
14.3 - Impedância de caixas acústicas150
14.4 - Associação de caixas acústicas151
14.5 - Posicionamento das caixas acústicas153
14.6 - Crossovers Passivos e Ativos156
14.7 - Queima de alto-falantes157
14.8 - Relação Potência RMS x Sensibilidade da Caixa Acústica158
14.9 - Caixas Ativas159
14.10 - Comprando caixas de som160
15 - Acústica161
15.1 - Reverberação162
15.2 - Materiais absorventes e não absorventes163
15.3 - Arquitetura absorvente e não absorvente164
15.4 - Acústica de igrejas164
16 - Operação de Som165
16.1 - Responsabilidade165
16.2 - Dedicação165
16.3 - Compromisso ou Comprometimento166
16.4 - Pontualidade166
16.5 - Zelo e Organização167
16.6 - Planejamento168
16.7 - Estudo170
16.8 - Atenção171

Sonorização ao vivo para Igrejas 17 - Anexo I – Bibliografia e Direitos Autorais...............................................172

Sonorização ao vivo para Igrejas

1 - A importância do trabalho de sonorização de Igrejas "De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela Palavra de Deus." Rom 10:17

Quando observamos esse versículo, a primeira pergunta a se fazer é: o que quer dizer a expressão "a fé é?". No contexto em que a expressão foi apresentada, o apóstolo Paulo estava falando da pregação da Palavra. E prega-se a Palavra para aqueles que ainda não aceitaram Jesus. Logo, o sentido da expressão é que aqueles que não tem fé vão passar a ter fé. Vão aceitar Jesus como seu único Redentor, vão alcançar salvação.

Nós temos 5 sentidos: audição, visão, olfato, paladar e tato. É através dos sentidos que temos contato com o mundo. Alguns sentidos são mais importantes que outros dependendo da situação. A comida precisa ter gosto, paladar. Um perfume ativa nosso olfato. Para atravessarmos uma rua, usamos a visão e a audição. Na igreja é a mesma coisa. O trabalho da igreja é fazer com que as pessoas tenham contato com Jesus, que as pessoas "percebam" que Jesus está vivo e pode ajudar a todos. E a Bíblia dá a receita de como fazer isso: pelo sentido da audição, por ouvir a pregação da Palavra (seja em um hino, seja pela pregação propriamente dita).

Mas existem denominações que "esquecem" desse versículo. Há igrejas que acham que a fé em Deus vem pelo sentido da visão. Então constroem igrejas suntuosas, enormes, altíssimas, todas em mármore e granito, bancos forrados com veludo, altares de ouro. Luzes, efeitos especiais, telões. Não discordo que o sentido da visão é importante, mas não é ele que vai fazer as pessoas terem fé.

Existem denominações que acham que a fé vem pelo paladar. Fazem então a "Campanha da Cesta Básica" ou a "Noite do Sopão", distribuindo comida para as pessoas carentes. Pregam o pão da padaria, a água da concessionária. Água e comida na mesa são essenciais para a sobrevivência do corpo, mas não é isso que a alma quer. Não vem fé pelo paladar.

Outras igrejas acreditam que a fé vem pelo tato, pelo que sentimos com as mãos. Que melhor exemplo disso que o dinheiro? E há igrejas pregam que o dinheiro vai levar a pessoa a Deus. E tome sacolinha, envelope, pedido de contribuições. Quem pode dar 10,0? Quem pode dar 50,0? "Olha gente, quem puder dar 1.0,0 tá com lugar garantido no céu!" Ou então fazem o contrário: pregam que Jesus vai dar bom emprego, carro, casa própria (a chamada "Teologia da Prosperidade"). "Nem se preocupe em estudar, em trabalhar muito. Se entregue a Deus que você vai ganhar riquezas" dizem. Só que essas riquezas são aqui na Terra, enquanto a Bíblia ensina a ajuntar tesouros nos Céus. Dinheiro é bom e necessário, mas não é por isso que alguém vai ter fé ou não.

Ainda não conheço igrejas que investem no sentido do olfato. Ainda

O caminho para as pessoas terem fé é um só: pela audição. É pelo ouvir da Palavra de Deus que as pessoas vão crer, acreditar que Jesus pode transformar as suas vidas. É pelo ouvir de uma Palavra Revelada, viva, cheia do Espírito Santo de Deus, que o homem vai se arrepender dos seus pecados e aceitar a Jesus como seu único Salvador. Pode ser o templo mais suntuoso do planeta, pode oferecer o banquete que for, pode prometer rios de dinheiro. Se não houver uma mensagem que atinja o profundo da alma, a necessidade do homem, então não vai haver fé, não vai haver verdadeira salvação.

Sonorização ao vivo para Igrejas

A mensagem é muito importante, pois é ela que alcançará os corações. Mas vamos falar agora do meio de transmissão dessa mensagem, a forma dela conseguir alcançar as pessoas. Vamos falar das pregações da Palavra de Deus que acontecem nos templos, nas igrejas. É certo que existem templos pequenos, para algumas dezenas de pessoas, como também grandes templos, para milhares de pessoas. Para algumas dezenas, um pregador com voz potente com certeza não precisará de ajuda para se fazer ouvir. Mas quando crescemos para centenas ou milhares de pessoas, a voz humana não mais conseguirá atingir a todos, e será necessário um reforço através de equipamentos. É desse reforço - os equipamentos e sua operação - que queremos falar.

Aqui cabe um aparte - falamos em "pregador de voz potente". E todo pregador tem voz potente? Não! Há pessoas cheias do Espírito Santo mas cujo falar não alcança sequer uma dúzia de pessoas próximas. Se não houvesse os recursos tecnológicos - microfones, amplificadores, etc - com certeza essas pessoas nunca seriam pregadoras. Escolheríamos os pregadores pela potência de voz, e não pelo seu testemunho, pelo seu coração. Não é assim que Deus escolhe as pessoas. Saul foi escolhido porque era belo e o mais alto de todos (I Samuel 9:2). Mas a Obra de Saul não prosperou. Mas Davi foi escolhido por ter um coração segundo o Senhor, e a Obra de Davi prosperou.

Trabalhar com sonorização nas igrejas é algo maravilhoso. O operador de som não precisa abrir sua boca em nenhum momento, mas através do seu trabalho a mensagem é levada para todos os presentes. Concretiza-se o que está expresso no verso - a fé vem pelo ouvir - e as pessoas alcançam salvação. Em resumo, o trabalho do servo no som é salvar vidas para Jesus. Da mesma forma que o pregador precisa se preocupar com a mensagem a ser transmitida, o operador de som vai se preocupar para que essa mensagem chegue de maneira bastante inteligível (de fácil entendimento) a todos os presentes. Evidentemente, quanto maior a igreja e o público, maior a responsabilidade do quesito sonorização.

É muito difícil conseguir que as pessoas que não conhecem ao Senhor venham às igrejas. Algumas pessoas só vão após insistentes convites. São muitas as dificuldades materiais e espirituais que se levantam contra isso. Mas nada pode ser pior que conseguir levar um visitante à igreja e depois do culto a pessoa comentar que não conseguiu ouvir, não conseguiu entender parte (ou mesmo tudo) do que foi falado.

É absolutamente normal um visitante, ao entrar em um lugar desconhecido, se sentar em geral lá atrás, no fundo, onde também em geral a sonorização é mais deficiente, seja pelos problemas acústicos do lugar ou por deficiência nos equipamentos. E todos os esforços materiais (convites, telefonemas, visitas) e espirituais (oração, jejum) empregados para conseguir levar essa pessoa à igreja foram perdidos por causa de uma falha de sonorização.

Precisamos entender que o trabalho de sonorização não é meramente aumentar volume e apertar botões. Nosso trabalho é salvar vidas para Jesus! E salvar vidas é um trabalho de muita responsabilidade, que não pode ser feito de qualquer jeito. Pode e deve ser feito da melhor maneira possível, com todos os recursos que pudermos dispor, com todo o cuidado.

Já vi dezenas de cultos que foram "arrasados" por causa de uma sonorização deficiente. Cultos em que ninguém entendeu o que foi pregado; cultos em que o Senhor se manifestou através de dons espirituais mas ninguém conseguiu ouvir nada; cultos em que houve tantas microfonias irritantes (toda microfonia é irritante) que as pessoas não conseguiram prestar atenção em mais nada. Já imaginou ser cobrado por Deus por causa dessas situações? Vidas que o Senhor queria alcançar mas que não pôde por causa de problemas no som?

Sonorização ao vivo para Igrejas

A responsabilidade do técnico de som na igreja é muito grande. O resultado do seu trabalho não é só audível, mas também visível. Uma boa pregação aliada a uma boa sonorização faz o rebanho do Senhor crescer a cada dia. Mas igrejas que sofrem com sonorização deficiente acabam perdendo almas.

É importante que cada técnico tenha plena consciência da a utilidade e importância do seu trabalho, e essa primeira parte da introdução foi exatamente para isso. Entretanto, na prática, infelizmente, são muito poucos os que reconhecem esse valor. Na maioria das igrejas a "sonorização" ainda é relegada a um segundo plano, sem muita importância. É encarado como mais um gasto, como um "ralo de dinheiro". Em geral, quanto menor a igreja, também menos importante é a sonorização (evidente que há exceções, igrejas que valorizam o som). Pode parecer difícil de acreditar, mas em muitas igrejas é mais fácil conseguir dinheiro para uma reforma qualquer (algo visível) ou para a compra de novos instrumentos musicais do que para um novo amplificador, uma nova mesa de som ou mesmo treinamento de operadores.

Existem inúmeros motivos para a falta de valorização, falta de reconhecimento desse trabalho. Acontece tanto por desconhecimento da finalidade da sonorização (salvar vidas para Jesus), como também pelo alto custo dos equipamentos. Um bom equipamento custa muito, muito dinheiro e assusta as lideranças da igreja. Até questões de estética tem mais importância às vezes que um bom som.

A questão de dinheiro é muito complexa em qualquer igreja, mas existem casos que parecem absurdos. Certa vez fui em uma igreja e estranhei o fato do microfone de lapela do pregador ser branco, pois nunca vi um microfone de lapela dessa cor, apenas preto. A voz estava péssima, mal dava para entender alguma coisa. Após o culto, fui lá na frente, quis olhar o microfone. Na verdade, o microfone era um LeSon ML-70, mas como havia quebrado a cápsula, alguém adaptou no lugar a cápsula de um desses microfones de computador (desses com haste grande, de plástico), que deve custar no máximo R$ 5,0. E esse "microfone" estava sendo usado já a muito, sem ninguém reclamar. Segundo o operador, ele não conseguiu juntar o dinheiro necessário para comprar um microfone novo (R$ 50,0, a igreja é muito humilde), e a solução foi o "quebra-galho" que foi ficando, ficando. Será que ouvir bem não vale R$ 50,0?

Outra coisa que influencia é o "costume". Se sempre ouvimos música em um "radinho de pilha", nos acostumamos com esse som e achamos que esse mesmo som é bom!!! Muitas igrejas têm som de "taquara rachada" e aceitam isso como um fato normal. Conheci uma igreja assim, e os membros simplesmente não achavam que precisavam investir nisso. Só quando a liderança foi trocada e o novo pastor comprou um som melhor do seu próprio bolso é que os irmãos se deram conta do quanto eles estavam perdendo.

Às vezes a questão de estética da igreja importa mais que a qualidade de sonorização. Vivi essa situação em dois casamentos em uma mesma igreja. Um na sexta-feira, outro no sábado. Na sexta, levei tudo de bom, incluindo duas caixas de som realmente boas para ficar no lugar das caixas existentes, muito ruins. O casamento foi perfeito, tudo certo, alto e claro, deu para todo mundo dentro (e até do lado de fora) ouvir tudo perfeito. Só que a igreja era relativamente estreita, e as caixas de som que levei ficaram muito perto da decoração colocada, pois não havia outro lugar. No outro dia, pela manhã, o pastor da igreja me telefonou, pediu para eu retirar as caixas. "Qual o problema? O som ficou ruim?" - perguntei. "Não, foi ótimo, mas as irmãs reclamaram que as caixas tiraram toda a beleza da decoração. Então acho melhor tirá-las de lá." - respondeu o pastor. Por mais que eu falasse que as caixas

Sonorização ao vivo para Igrejas que havia levado foram as responsáveis pela boa qualidade de som, por mais que eu argumentasse, prevaleceu a idéia de que a fé vem pelo ver, não pelo ouvir.

Pior ainda é a escolha dos operadores de som. Em absoluto as igrejas querem que membros operem os equipamentos. Não há problemas nisso. O problema é que som exige tempo, chegar cedo (o primeiro a chegar), sair tarde (o último a sair), como também exige responsabilidade, dedicação, zelo, organização, estudo, atenção. E os adultos (em geral, os mais responsáveis) nunca têm tempo. São todos ocupados com trabalho, com família. Sobra para quem a operação do sistema? Jovens, adolescentes. Inclusive, em algumas igrejas a escolha é feita assim: quem tem aptidão vai tocar instrumentos. Quem tem voz boa vai cantar. Quem não serve para essas duas funções ("mais nobres", no entender de muitos) "sobra" e vai para o som. Há algo mais humilhante que isto?

Já vi um caso de um garoto de 1 anos cuidar do som de uma igreja com 400 pessoas. Ainda por cima ele se sentava no pior lugar possível, na parede ao lado do púlpito, sem retorno de som algum. O garoto confessou-me estar ali por exigência do pai, um dos responsáveis pela igreja. Que se pudesse largava aquilo na mesma hora, dava muito problema e todo mundo reclamava. Se som já é complicado por si só, imaginem quando feito com má-vontade!

E operadores de som não são formados da noite para o dia. Além de qualidades, o técnico precisa ter conhecimento, estudo. Um pregador precisa estudar a Bíblia, conhecê-la bem, e ele faz isso antes de subir ao púlpito para pregar. Um músico precisa também conhecer bem seu instrumento musical. Um cantor precisa conhecer muito bem as nuances da música que vai cantar. Todos se preparam muito antes de pregar, tocar ou cantar. E o operador de som? Será que dá para ser apenas um aumentador de volume e apertador de botões? Será que uma leitura do manual do equipamento será suficiente? Tanto quanto os pregadores, os músicos e os cantores - talvez até mais que eles - o técnico de áudio precisa conhecer muito bem o que está fazendo, precisa estudar, precisa se aprimorar.

Apesar disso, são raríssimas as igrejas que possibilitam treinamento em áudio para os seus operadores. Na maioria dos casos, é simplesmente escolher uma pessoa (uma vítima) e colocá-la para operar os equipamentos, e cobrá-la por resultados. Como o engenheiro de áudio David Distler diz muito bem, "nas igrejas a escala do som é a escola do som".

pessoal do som"

Mas a despeito de todas essas situações e de toda a falta de importância para com a sonorização das igrejas, as cobranças por causa de problemas existem, são implacáveis. Deu microfonia? Repreensão no pessoal do som. Ninguém conseguiu entender nada? "Culpa do

Tenho por costume visitar sempre que posso lojas de equipamentos de sonorização. Vi uma cena terrível: uma igreja queria trocar sua antiga mesa (simples) por uma Behringer Xenix nova, com muito mais recursos. Estava ali um homem mais velho, que pagou o equipamento, e um jovem. O vendedor deu 10 minutos de aula para o rapaz sobre a mesa, e ao final o homem perguntou: "Entendeu tudo?" Sem esperar resposta já disparou "Hoje à noite vamos usá-la no culto". Dez minutos e querem que o operador saiba tudo do equipamento?

Trabalhar no som é duro, difícil mesmo. O reconhecimento é zero, o trabalho é enorme. Quantas vezes carreguei (e ainda carrego) caixas de som pesadíssimas enquanto vários outros rapazes próximos só olhavam. Raríssimas vezes alguém me ofereceu ajuda, na maioria das vezes precisei conseguir alguém "a laço". Quantas vezes fui o último a sair da igreja depois de um culto de casamento, quando todo mundo já estava na festa?

Sonorização ao vivo para Igrejas

O trabalho é invisível, só "aparece" quando dá problema. É idêntico ao trabalho de juiz de futebol: não existe juiz famoso, nem ganhando rios de dinheiro como os jogadores, mas o juiz corre tanto quanto os outros jogadores (até mais, pois ele "joga" em todas as posições). Quando a arbitragem é boa, nem uma nota sequer no jornal. Quando erra, ninguém perdoa. "Time X prejudicado por causa da arbitragem" é uma notícia comum de se encontrar. Trabalhar com som é exatamente assim.

Não raro, as pessoas desistem. Se olharmos as dificuldades todas, desistimos mesmo. Eu também cheguei próximo disso. Cansei das reclamações, da falta de apoio, cansei de fazer o meu melhor possível, mas ninguém valorizar isso. Busquei ao Senhor e pedi a ele uma Palavra para o meu coração, que estava doído, machucado mesmo. E o texto que tive na Bíblia foi o seguinte: Jeremias 31:16: "Assim diz o Senhor: Reprime a tua voz de choro, e as lágrimas de teus olhos, porque há galardão para o teu trabalho, diz o Senhor". Entendi o recado. De homens nunca virá nada, mas do Senhor não vão faltar as bênçãos.

Se houvesse um personagem bíblico para os operadores de som, eles seriam os "Valentes do Rei Davi". Davi teve centenas de milhares de soldados, mas apenas 37 tiveram seus nomes registrados na Bíblia. Esses fizeram coisas grandiosas para que o reinado de Davi prevalecesse. Arriscaram suas vidas por amor ao Rei. Trabalhar no som exige dedicação, e muitas vezes vamos ter que fazer sacrifícios para que tudo saia correto. É preciso amar essa função, pois só com amor esquecemos as dificuldades. Não devemos esperar reconhecimento de ninguém, mas devemos ter certeza que o Rei dos Reis reconhece o nosso esforço.

Os valentes de Davi não recuavam diante da adversidade. Enfrentavam-nas, venciam-nas. O pessoal do som precisa também vencer as dificuldades. Mostrar a todos o valor que a sonorização nas igrejas deve ter. Ensinar os pregadores, músicos e cantores a como utilizar os seus microfones, os recursos disponíveis; convencer as lideranças da igreja a investir em equipamentos, resolver problemas com vizinhos, tudo isso são batalhas enfrentadas todos os dias. A Bíblia não cita, mas os valentes - como soldados que eram - treinavam muito antes das batalhas. Hoje, treinamento é essencial para o operador de áudio conseguir um bom resultado, e os servos envolvidos nesse trabalho precisam buscar aprender sobre o assunto. Estudar mesmo. Esta apostila e o manual dos equipamentos da igreja já são um bom começo.

Mas nunca, nunca se deixar abater pelo desânimo. Quanto maior a luta, maior será a benção. No seu reinado Davi enfrentou muitas dificuldades e batalhas. Mas ao fim de seus dias, quando Davi foi passar o seu reino para Salomão, ele chamou a Zadoque, o sacerdote, a Natã o profeta e a Benaia, o maior dos seus valentes. A missão deles: levar Salomão montado em cima da mula do rei por todo o Israel e apregoar um grito: Viva o Rei! Hoje nós no som fazemos o mesmo. Passamos lutas e dificuldades, mas com a certeza de que, com a graça de Deus (o sacerdote) e junto com o Espírito Santo (o profeta), vamos apregoando Viva o Rei Jesus!

Também temos que dar esse brado: Viva o Rei! VIVA O REIquando for necessário
carregar e montar o som sozinhoVIVA O REI, quando os outros viram o microfone para a
frente da caixa, dá microfonia e todo mundo olha para o cara do somVIVA O REI... quando
conectoresVIVA O REI... quando todo mundo já foi embora, ou esta lá lanchando... foi
para a festa do casamentoe nós estamos desmontando o som.... VIVA O REI JESUS!

a gente tem que tirar dinheiro do próprio bolso para comprar pilhas e baterias, cabos, 5

Sonorização ao vivo para Igrejas

2 - Organização do louvor nas Igrejas

O louvor é uma das colunas de sustentação de qualquer igreja, não importando a denominação. A palavra "sustentar" é empregada no sentido de salvar vidas e as manter na igreja. Atos 2:47 nos comprova isso: "Louvando a Deus e caindo na graça de todo o povo. E todos os dias acrescentava o Senhor à igreja aqueles que se haviam de salvar".

O louvor é constituído por diversas pessoas, em diversos grupos que interagem entre si. São 3 os grupos envolvidos com o louvor da igreja:

a) Grupo de Músicos (ou Instrumentistas): responsáveis por tanger os instrumentos. b) Grupo de Louvor (ou Coral): são os cantores. Usam suas vozes para louvar ao Senhor.

c) Grupo de Som: são os responsáveis por operar os equipamentos de som da igreja.

Ajustam os volumes e equalizam os instrumentos e os microfones, para que o resultado final seja suficiente para todos ouvirem e agradável, harmonioso.

Note que as várias denominações tem nomes diferentes para tais grupos/equipes, mas o sentido é o mesmo. Da mesma forma, a maioria das igrejas tem um responsável para cada equipe e um responsável geral para a parte de louvor (chamado de maestro, diriginte, ministro, etc).

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