Utilização dos defensivos agrícolas no brasil

Utilização dos defensivos agrícolas no brasil

(Parte 1 de 6)

UTILIZAÇÃO DOS DEFENSIVOS AGRÍCOLAS NO BRASIL Análise do seu Impacto sobre o Ambiente e a Saúde Humana

Autor: Prof. Claud Ivan GoellnerEng° Agr° MS. Professor Titular da Disciplina de Toxicologia e Ecotoxicologia da Faculdade de Agronomia da Universidade de Passo Fundo, RS

INTRODUÇÃO

"A filosofia do risco zero é politicamente inadequada, socialmente suicida e cientificamente ingênua”.                                                                                               Claud Goellner

Certamente, nos dias de hoje, estamos vivendo e vivenciando a chamada era do Holocausto Químico, onde toda e qualquer substância produzida pelo homem é contestada quanto aos seus efeitos nocivos ao mesmo e ao ambiente. Sem dúvida nenhuma, um dos grupos mais contestados no momento é o dos defensivos agrícolas, que tem levantado as maiores polêmicas e controvérsias, quase todas elas, sem base científica e sendo alvo de especulações.

Este trabalho busca analisar o uso dos defensivos agrícolas no Brasil e seus impactos na saúde e no ambiente, tomando como base os dados técnicos existentes e os seguintes aspectos:

  1. Consumo e Produção de Defensivos Agrícolas

  2. Perdas na agricultura ocasionadas por insetos, doenças e plantas invasoras

  3. Intoxicações com Defensivos Agrícolas

  4. Resultados existentes no Brasil sobre resíduos de defensivos agrícolas em alimentos

  5. Descarte de Embalagens

  6. Riscos dos Defensivos Agrícolas para o homem e o ambiente

Esperamos que o mesmo possa contribuir para uma análise mais técnica deste problema e que a realidade possa ser discutida com mais profundidade.

1. CONSUMO E PRODUÇÃO DE DEFENSIVOS AGRÍCOLAS

Como mostra a Tabela 1, o consumo de defensivos agrícolas passou, no Brasil, de 27.728,8 toneladas em 1970 para 80.968,5 toneladas dez anos depois, fenômeno estreitamente relacionado com a expansão do cultivo de cana-de-açúcar e da soja. Mas no início da década de 1980 aparece uma tendência à queda no uso desses insumos, decorrente de fatores como a elevação de preços (Figura 1), a redução da disponibilidade de crédito para custeio e o corte de subsídios ao crédito rural (com a consequente elevação da taxa de juros para o setor). A melhoria no manejo dos defensivos (evitando gastos desnecessários), o surgimento de técnicas alternativas de combate às pragas e outros fatores de natureza tecnológica também podem ter exercido influência, embora pequena, sobre a contração do consumo, fenômeno responsável, já em 1982, pela existência de uma imensa capacidade ociosa no setor.

Tabela 1: Consumo de defensivos agrícolas no Brasil no período de 1970-1991. (Em toneladas de ingrediente ativo):

Ano

Consumo Aparente

Incremento Relativo % Ano/Ano

1970

27.728

-

1971

35.658

+ 28,6

1972

62.441

+ 75,1

1973

62.158

- 0,45

1974

79.456

+ 27,82

1975

60.592

- 31,13

1976

54.965

- 10,23

1977

68.734

+ 25,0

1978

79.768

+ 16,05

1979

79.990

+ 0,27

1980

80.968

+ 1,22

1981

59.369

- 36,38

1982

42.533

- 39,58

1983

34.390

- 23,67

1984

50.224

- 46,04

1985

43.081

- 16,58

1986

55.221

+ 28,15

1987

44.135

-25,11

1988

45.208

+ 2,43

1989

48.413

+ 7,08

1990

49.695

+ 2,64

1991

60.188

+ 21,11

Aumento Acumulado (1970/1991)

117,06

Figura 1: Variação no preço real de uma tonelada de ingrediente ativo no Brasil:

Fonte: Andef, 1986

No entanto, as diferentes culturas e regiões agrícolas não seguem necessariamente o mesmo padrão no que diz respeito à sua demanda por defensivos, fazendo com que o comportamento global do mercado não seja um indicador seguro das variações ocorridas em cada produto ou em cada área do território nacional. A introdução de inovações tecnológicas e o advento de outros tipos de estímulo (aumentos de preços dos produtos, por exemplo) tendem a ser individualizados, por vezes induzindo a que certas culturas contrariem a tendência em geral do setor no que diz respeito ao uso de insumos. Por isso, a queda verificada em 1981 e 1982 no uso das três classes de defensivos - inseticidas, herbicidas e fungicidas - não se distribui por igual, chegando a haver, por exemplo, aumento do consumo de herbicidas na cana-de-açúcar (fortemente incentivada pelo governo) e de fungicidas no cacau (cujo preço internacional aumentou).

Entre os defensivos, apenas alguns tipos de inseticidas eram produzidos no Brasil até o início da década de 1970. A política de isenção de impostos para a importação de formulados e de diversos produtos técnicos foi substituída por uma orientação que privilegiava os incentivos à importação de matérias-primas, tendo em vista a diversificação da capacidade produtiva instalada no país. Como resultado, aumentou a produção nacional de defensivos (e, dentro dela, como mostra a Figura 2, a participação relativa de herbicidas e fungicidas) e houve nítida modificação no perfil de importação dos componentes (Tabela 2). Até esbarrar, em 1980, em uma retração do mercado, a produção desses insumos experimentou rápida evolução, embora isso não tenha traduzido uma clara tendência de menores compras no mercado internacional. No entanto, deve-se registrar que, na pauta de importação do setor, as matérias-primas passaram a ocupar lugar destacado, redefinindo, mas não eliminando, nossa dependência externa. Apesar de uma nítida evolução percentual da participação da produção nacional no consumo interno, mostrada na Tabela 2, também não houve significativa transferência de tecnologia.

Tabela 2: Participação percentual da produção nacional no consumo aparente de defensivos agrícolas em termos de ingrediente ativo.

Defensivos Agrícolas

1965

1970

1976

1980

1982

1984

1986

1987

1988

1989

1990

Inseticidas

31.5

32.3

31.7

35.8

59.8

69.2

59.8

57.7

59.9

59.4

88.4

Fungicidas

-

21.2

50.4

65.1

81.7

87.2

85.8

89.3

89.5

87.0

88.7

Herbicidas

-

-

6.0

55.3

66.0

81.7

79.5

89.4

89.5

87.4

88.7

Geral

23.5

27.3

31.5

52.2

69.4

80.3

76.4

80.9

82.9

79.8

82.8

FONTE: ANDEF, 1986 e 1991.

A mudança no perfil das importações, com aumento das compras externas de matérias-primas e diminuição relativa das compras de produtos técnicos, trouxe vantagens econômicas ao país.

Além desse ganho imediatamente quantificável, deve-se levar em conta que a implantação de um novo segmento industrial no país traz benefícios na geração interna de empregos e de renda, mesmo se ele é dominado por empresas estrangeiras. É este o caso dos defensivos: grupos nacionais detinham apenas 24,8% do valor da produção em 1982.

Figura 2: Venda de Defensivos Agrícolas no Brasil:

FONTE: Andef, 1986.

Depois da década de 1940, a indústria de formulados expandiu-se em vários países para equacionar os problemas envolvidos na preparação dos defensivos orgânicos sintéticos, então comercializados pela primeira vez. No Brasil, a implantação da indústria de formulações data dos anos 50, mas as atividades de pesquisa e desenvolvimento só começaram a tomar impulso nos anos 70, com a implantação de um parque industrial de produção de defensivos.

Na Tabela 3 é apresentada a evolução no consumo, na produção e na importação e exportação dos Defensivos Agrícolas no período de 1970-1984. Houve um aumento de 81,1% no consumo acompanhado de um aumento de 504,7% na produção nacional. Já as importações tiveram uma redução de 13% em relação a 1970. O Brasil passou tipicamente de país importador para uma produção que atendeu a demanda interna e produziu um excedente exportável que corresponde a 32,97% do total (produzido + importado) e 49,19% do consumido no Brasil em 1984.

Tabela 3: Defensivos Agrícolas no Brasil, em concentração técnica (em toneladas):

Ano

Produção

Importação

Exportação

Consumo Aparente

1970

9.798

18.030

100

27.728

1971

10.823

26.535

700

36.658

1972

13.791

50.112

1. 462

62.441

1973

18.648

45.410

1.900

62.158

1974

19.795

61.191

1. 530

79.456

1975

22.441

39.659

1. 508

60.592

1976

18.450

38.686

2.171

54.965

1977

31.364

39.736

2.367

68.734

1978

45.534

38.065

3.831

79.768

1979

53.902

36.228

10.140

79.990

1980

48.477

40.799

8.308

80.958

1981

45.814

23.555

10.000

59.369

1982

41.297

15.536

14.000

42.533

1983

45.375

10.805

21.790

34.390

1984

59.249

15.683

24.708

50.224

FONTE: ANDEF, 1986.

A participação percentual da produção nacional no consumo aparente aumentou 23,5% em 1965 para 100% em 1990, principalmente, com um significativo incremento na área de fungicidas e herbicidas (Tabela 2).

O consumo aparente no período 1970-1990 registra um incremento na ordem de 79,22% com oscilações ano após ano que refletem a demanda em função da maior ou menor ocorrência de pragas e doenças e também das variações na área cultivada das principais culturas (Tabela 1).

Nas Tabelas 4, 5, e 6 é apresentado o volume de vendas de herbicidas, fungicidas e inseticidas/acaricidas/formicidas, respectivamente no período de 1984-1990.

Tabela 4: Vendas de defensivos agrícolas em toneladas de ingrediente ativo (herbicidas):

Culturas/Ano

1984

1985

1986

1987

1988

1980

1990

Algodão

572

721

599

848

817

533

564

Arroz

3,045

3,436

3,724

2,793

3,230

3,384

3,298

Batata Inglesa

71

9

17

58

35

40

37

Café

563

395

1,977

542

1,022

675

635

Cana-de-açúcar

5,432

5,619

7,415

5,885

5,525

5,126

6,197

Citros

69

48

403

448

307

494

498

Milho

1,346

1,449

2,561

1,824

2,271

2,965

4,153

Soja

8,131

7,486

7,817

5,188

4,561

6,777

6,688

Tomate

2

12

10

11

14

14

9

Trigo

429

666

665

794

1,124

1,328

824

TOTAL

19,660  

19,841

25,188

18,391

18,906

21,336

22,903

FONTE: ANDEF, 1991

Tabela 5: Vendas de defensivos agrícolas em toneladas de ingredientes ativos (fungicidas):

Culturas/Ano I

1984

1985

1986

1987

1988

1980

1990

Arroz

215

61

193

5

80

37

5

Batata Inglesa

1,852

2,067

2,233

2,523

2,207

2,760

2,615

Café

1,815

1,546

2,243

975

1,340

1,474

1,209

Cana-de-açúcar

36

0

9

9

0

7

3

Citros

4,074

5,078

6,956

5,934

7,471

2,088

2,096

Soja

3

0

0

0

1

14

26

Tomate

1,180

770

1,369

1,324

1,265

1,607

1,726

Trigo

1,837

1,289

3,163

2,097

3,585

1,394

674

TOTAL

11,012

10,811

16,176

12,920

15,949

9,381

8,404

FONTE: ANDEF, 1991

Tabela 6: Venda de defensivos agrícolas em toneladas de ingredientes ativos (inseticidas/acaricidas/formicidas).

Culturas/Ano

1984

1985

1986

1987

1988

1989

1990

Algodão

2,078

1,954

2,272

1,792

1,363

2,122

2,841

Arroz

91

70

95

161

18

86

44

Batata Inglesa

339

509

543

1,165

268

988

798

Café

529

465

763

1,178

672

1,381

1,752

Cana-de-açúcar

220

61

89

17

3

6

11

Citros

3,721

4,938

4,705

3,658

3,553

7,981

8,560

Milho

41

50

194

396

294

208

270

Soja

3,580

3,660

3,618

3,015

3,026

3,719

3,215

Tomate

241

403

649

648

379

399

374

Trigo

521

279

919

794

737

806

523

TOTAL

11,361

12,429

13,847

12,824

10,353

17,696

18,388

FONTE: ANDEF, 1991

Com relação aos herbicidas houve um incremento de 16,49%. As culturas que mais consumiram herbicidas foram a soja com 27%, o arroz com 14,39% e o milho 18,13%, em 1990. No caso dos fungicidas houve um decréscimo de 23,6%.

A cultura da batata consumiu 31,1%, seguida pelo citrus 24,94% e tomate com 20,5%. Para os inseticidas houve um incremento de 61,8% para o mesmo período. A cultura do citrus consumiu 46,5%, seguida pela soja com 17,48%, o algodão com 15,45%.

Com relação aos Estados, o balanço do ano de 1984 registrou que São Paulo consumiu 36% do total, seguido do Paraná com 21% e de Santa Catarina e Rio Grande do Sul com 18% (Tabela 7).

Tabela 7: Consumo de defensivos agrícolas no Brasil em 1984 (toneladas) por região:

Região

Inseticidas

Fungicidas

Herbicidas

Total

%

Norte

310

57

234

601

0.48

Nordeste

5.294

1.306

2.723

9.323

7.52

Sudeste

7.192

1.577

2.404

11.173

9.0

Centro Oeste

3.060

271

2.670

3.736

3.0

M. Grosso do Sul

2.556

379

2.833

5.768

5.0

São Paulo

21.439

13.723

9.255

44.387

36.0

Paraná

6.232

4.259

10.565

25.541

21.0

S. Catarina e R. G. do Sul

8.847

1.613

11.902

22.362

18.0

Total Brasil

59.415

23.185

42.556

125.156

100.0

FONTE: ANDEF, 1984.

Na Tabela 8 é apresentado o consumo de defensivos agrícolas em termos de ingrediente ativo para o período de 1984-1990. Houve um decréscimo no consumo de 1% enquanto que a área cultivada aumentou 5,2%, sendo que o mesmo, em termos de i.a/ha, baixou de 1,34 kg/ha para 1,26 kg/ha em 1990, com uma queda de 5,9%. Esta queda, provavelmente, deveu-se a uma redução no número de aplicações pela introdução do manejo integrado em soja, algodão, citrus e café, controle biológico em cana e trigo, uso de Baculovirus em soja, uso de produtos com eficiência biológica em baixas doses como herbicidas pós-emergentes, fungicidas triazóis e inseticidas piretróides e difenil e/ou benzoiluréias. Outros fatores que podem ser enumerados são a redução de doses em muitos inseticidas de segunda geração em culturas como a soja, o fator econômico e as flutuações normais a que estão sujeitas pragas e doenças.

Tabela 8: Consumo de defensivos agrícolas por hectare no período de 1984/1990:

Ano

Consumo(ton  i.a)

Área em mil/ha

Consumo Kgi.a/ha

1984

50.224

37.224

1,34

1985

43.081

46.17

0,93

1986

55.211

40.558

1,36

1987

44.135

41.499

1,06

1988

45.208

43.096

1,04

1989

48.413

39.189

1,23

1990

49.695

39.187

1,26

Quanto a evolução em termos de consumo (i.a) por unidade de área das culturas com o maior consumo absoluto, temos que no caso dos herbicidas, para a soja houve uma diminuição de 32,5%, para a cana de 2,7% e um acréscimo de 227,2% em milho e 48,2% em arroz. A área cultivada de soja aumentou 21,87%, e a de cana 16,82%, a de milho baixou 5,23% e a de arroz baixou 26,2% (Tabela 9).

Tabela 9: Consumo de defensivos agrícolas em kg ia/ha para as principais culturas no Brasil e variação percentual na área cultivada.

Grupo DefensivoAgrícola/Cultura

Consumo Kg i.a/ha

Variação PercentualConsumo

Variação PercentualÁrea cultivada

1984

1990

HERBICIDA

Soja

0,86

0,58

- 32,5

21,87

Cana

1,48

1,44

- 2,7

16,82

Milho

0,11

0,36

227,2

- 5,23

Arroz

0,56

0,83

48,2

- 26,2

FUNGICIDAS

Batata

10,70

16,55

54,7

16,82

Citrus

6,40

2,30

- 64,0

44,1

Tomate

22,60

28,20

24,8

17,30

Café

0,72

0,41

- 43,0

16,0

INSET/ACARICIDA

Soja

0,38

0,28

- 26,3

16,82

Citrus

5,88

9,39

59,7

44,1

Algodão

1,24

2,05

65,3

- 14,76

Café

0,21

0,60

185,7

16,0

Com relação aos fungicidas, a batata registrou um aumento de 54,6% para um aumento na área de 16,82%, citrus um decréscimo de 64% para um aumento de 44,1% na área cultivada, o tomate um acréscimo de 24,77% no consumo para um aumento na área de 17,30%. O café teve um decréscimo de 43% para um aumento de 16%. Para os inseticidas, a cultura de soja teve um decréscimo de 26,31% para um aumento de 21,87% na área cultivada; citrus teve um acréscimo de 59,69%, o algodão um acréscimo de 65,3% para um decréscimo na área de 14,76% enquanto que o café 185,71% para um aumento na área de 16% (Tabela 9).

Tabela 10: Consumo de Defensivos Agrícolas por unidade de área em alguns países em 1989:

País

Consumo de Defensivos (kg i.a/ha)

Alemanha

4,27

Japão

10,0

Itália

5,92

EUA

5,50

URSS

3,26

Brasil

1,23

Reino Unido

4,65

Fonte: AGROW WORLD AGROCHEMICAL MARKETS, 1990.

Na Tabela 10 observa-se o consumo médio de defensivos agrícolas em kg i.a/ha do Brasil comparativamente ao dos EUA e Japão. O Brasil apresenta um consumo 4,47 vezes menor por unidade de área que os EUA e 8,13 vezes menor que o Japão, comprovando que a idéia de que o País aplica uma quantidade absurda de defensivos agrícolas é totalmente errônea.

O número de moléculas de defensivos agrícolas disponíveis ao agricultor brasileiro até 1988 era de 156. Se agruparmos estes 156 ingredientes ativos segundo a sua classe de uso, teremos o seguinte:

Tabela 11: Número de moléculas de defensivos agrícolas registrados no Brasil:

Classe

Número

Percentual

Inseticidas

61

39,10

Herbicidas

52

33,33

Fungicidas

43

27,57

Total

156

100,00

Fonte: ANDEF, 1988

Se observarmos estes dados da Tabela 11, veremos que este arsenal representa um número de ingredientes ativos perfeitamente adequado às nossas necessidades, uma vez que a relação entre estas moléculas e as culturas de importância econômica demonstra bastante equilíbrio. Um outro aspecto que deve ser ressaltado é que em relação ao mercado internacional estamos usando em torno de 40% das moléculas disponíveis, o que sem dúvida nenhuma, contraria a idéia errônea e amplamente difundida, de que o Brasil é um "depositário" de moléculas de países desenvolvidos. Nestes últimos anos, o ingresso de produtos novos no mercado tem diminuído face às novas exigências de toxicologia e ambiente para registro destas moléculas. Podemos dizer que nestes últimos anos (1988-1991) o Brasil deverá registrar cerca de 15-20 novas moléculas o que não muda nossa posição em relação ao mercado internacional, uma vez que estas moléculas já estão registradas em outros países.

Na Tabela 12 é apresentada a taxa de crescimento anual nas vendas de defensivos no mercado mundial, onde o Brasil apresentou uma taxa de 6,5%, comparativamente à Índia com 7%, Espanha com 5,5% e China com 5%. O Brasil em termos de consumo mundial está em quinto lugar com 5,3% onde os EUA e o Japão se destacam com 28,8% e 13%, respectivamente. Estes dados reforçam a idéia que embora se considerando o consumo no Brasil, em termos absolutos, o mesmo não é elevado, quando comparado com outros países com área agrícola equivalente ou bem inferior e de clima frio ou temperado onde os problemas de pragas e doenças teoricamente são menores.

Tabela 12: Incremento no consumo de defensivos agrícolas no mercado mundial no período 1985/1990 e consumo no ano de 1985.

País

Taxa Crescimento Anual (%) (1985-1990)

% em Relação ao Consumo Mundial (1985)

EUA

1.0

29,8

Japão

3.0

13,0

França

2.5

8,5

URSS

4.5

5,5

Brasil

6.5

5,3

Reino Unido

2.0

3,7

Canadá

2.5

3,4

Itália

3.5

3,2

Alemanha

1.0

3,1

Índia

7.0

2,7

China

5.0

2,6

Espanha

5.5

1,9

Austrália

4.5

1,8

Hungria

4.0

1,6

Coréia

3.5

1,4

México

2.0

1,2

Outros

4.5

12,4

Fonte: MYAMOTO, 1990

2.  PERDAS NA AGRICULTURA OCASIONADAS POR INSETOS, DOENÇAS E PLANTAS INVASORAS

Desde tempos mais remotos, os problemas fitossanitários têm causado inúmeros prejuízos à agricultura. Indubitavelmente, esta batalha persistirá, pois homem, pragas, patógenos e plantas invasoras têm em comum um princípio básico de busca: o alimento, sem o qual não sobrevivem.A maior expansão demográfica ocorrida no início deste século, a maior demanda de alimentos, o monocultivo, a abertura de novas fronteiras agrícolas em áreas tropicais e sub-tropicais, bem como as significativas modificações nos ecossistemas fizeram com que estes agentes biológicos e seus subsequentes danos abalassem a economia de diversos países, com enormes prejuízos.Os primeiros dados de perdas anuais na agricultura são apresentados por PIMENTEL (1972) para o período de 1904-1975 (Tabela 13).

Tabela 13: Perdas anuais (%) na agricultura ocasionadas por insetos, doenças e plantas invasoras no período 1904 - 1975:

Período

INSETOS

PATÓGENOS

PLANTAS INVASORAS

1904

9.8

ND

ND

1910-35

10.5

ND

ND

1935-51

17.1

10.5

13.8

1951-60

12.9

12.2

8.5

1975

13.0

12.0

8.0

FONTE: PIMENTEL, 1972ND = Não disponível

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