Mesa para emergencia em enchente

Mesa para emergencia em enchente

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SANTOS, Carlos Alberto de Souza

Graduando em Design do Produto – Faculdade da Cidade do Salvador (e-mail: csantos84@gmail.com)

Palavras-chave: sistema, emergencial, enchente.

Resumo: Todos os anos na época das chuvas, várias regiões do Brasil são castigadas pelas enchentes, como resultando temos milhares de desabrigados, danos materiais e até algumas mortes. Para ajudar no problema do deslocamento das vítimas da área inundada para a área seca, temos a proposta do desenvolvimento de um sistema que possibilite o deslocamento seguro do usuário da zona inundada para a área seca, desenvolvendo assim um produto para atuar numa situação emergencial.

1. INTRODUÇÃO

O aquecimento global tem causados alterações climáticas, incluindo aumento no nível do mar e em padrões de precipitação resultando em enchentes e secas. Podem também haver alterações nas freqüências e intensidades de eventos de temperaturas extremas, apesar de ser difícil de relacionar eventos específicos ao aquecimento global. As catástrofes causadas pelo aquecimento global se tornaram realidades presentes em todos os continentes do mundo. Os desafios passaram a ser dois: se adaptar à iminência de novos e mais dramáticos desastres naturais; e buscar soluções para amenizar o impacto do fenômeno (Veja.com, 2008).

Apesar de ser um fenômeno da natureza, as enchentes também têm influência da ação do homem no meio ambiente, onde podemos citar: a retirada das coberturas vegetais, a utilização de materiais impermeáveis no solo, o depósito indevido de lixo nas ruas e outras atitudes humanas que colaboram para a proporção do problema. As enchentes já tiraram milhões de vidas nos últimos cem anos em todo mundo. Elas matam mais do que qualquer outro fenômeno climático (HARRIS, 2001).

No cenário mundial, por exemplo, citamos as chuvas fortes na primavera de 2001 que inundaram Davenport, no estado norte-americano de Iowa. Até o momento em que o nível das águas baixou, os habitantes locais tiveram que trafegar usando um bote improvisado (figura 01).

Figura 01- Davenport, no estado norte-americano de Iowa em 2001

No Brasil, a ocorrência das chuvas torrenciais que caíram sobre o Vale do Itajaí, em

Santa Catarina, em 2008 ficou marcada para toda a população brasileira. Em cinco dramáticos dias caíram, 300 bilhões de litros de água, afetando em torno de 60 cidades e mais de 1,5 milhões de pessoas l. 135 pessoas morreram, 9.390 habitantes foram forçados a sair de suas casas para que não houvesse mais vítimas e 5.617 desabrigados (Revista Veja, 2008).

Todos os anos na época das chuvas, várias regiões do Brasil são afetadas pelas enchentes, como resultando temos milhares de desabrigados, danos materiais e até algumas mortes. Como sabemos os maiores prejudicados são as pessoas pobres e que não possuem condições ideais de moradia.

O problema a ser trabalhado é o deslocamento das vítimas da área inundada para a área seca, temos a proposta do desenvolvimento de um sistema que possibilite este deslocamento de forma segura e para atuar somente numa situação emergencial.

Para ajudar no problema o qual classificamos como prioritário, que seria o deslocamento da área inundada para a área seca em local mais alto, propomos neste artigo o desenvolvimento de um sistema que possibilite o deslocamento seguro do usuário da zona inundada para a área seca, desenvolvendo assim um produto para atuar numa situação emergencial.

Figura 02 - Moradores transitando à barco pela enchente, em Itajaí, Santa Catarina.

2. JUSTIFICATIVA

A promoção de um meio que favoreça ao indivíduo no seu deslocamento para um local seguro com vistas à importância de salvaguardar um bem maior e imprescindível que é a vida. Em todo e qualquer acidente ou desastre, é importante tomarmos medidas necessárias reduzir os danos o máximo possível, pois o restabelecimento dos serviços essenciais pode durar de algumas horas até semanas.

Numa ocorrência de enchente, poucas são as possibilidades de meios para locomoção para as zonas secas, obrigando as pessoas a se valerem de improvisos, muitas das vezes inadequados.

Figura 03 - Moradores deixando suas casas após enchente

3. METODOLOGIA

A metodologia utilizada para o desenvolvimento do sistema para atuar em situação emergencial de uma enchente, consistiu primeiramente em conhecer as circunstancias a que ficam expostas as pessoas em tal situação e posteriormente as necessidades primárias, priorizando assim a saída do local de risco.

Foram revisados os seguintes autores: Iida (1990, p.3), defende que “o desenvolvimento de sistemas deve ser feito com uma metodologia claramente definida, para que os objetivos possam ser alcançados dentro de prazos e custos previamente estabelecidos”.

Abramovitz (apud Kindlein Junior, Platcheck e Cândido, 2005), salienta a necessidade de se especificar metas, requisitos e restrições do projeto, e a montagem de um cronograma de execução dessas etapas, e torna a aplicação da metodologia como um instrumento guia, e define o resultado dessa aplicação como o caminho mais seguro no desenvolvimento de um produto.

Baxter (1998, p.3), diz que “a atividade de desenvolvimento de um novo produto não é tarefa simples. Ela requer pesquisa, planejamento cuidadoso, controle meticuloso e, mas importante, o uso de métodos sistemáticos”.

Apesar de existirem diversas metodologias, todas seguem uma estrutura básica, para este projeto, basicamente teremos os seguintes passos:

• Projeto informacional: Definição do problema, pesquisa, definição de objetivos e restrições; • Projeto conceitual: análise de similares, geração de alternativas, conceito do produto;

• Projeto preliminar: seleção de alternativas, testes, aprimoramento, detalhamento;

• Projeto detalhado: desenho técnico, construção e produção.

4. OBJETIVOS

Desenvolver um sistema para atuar numa situação emergencial de uma enchente, o qual possibilite o deslocamento do usuário de um local inundado para uma zona seca.

4.2. Específicos

• Percorre as etapas metodológicas para o desenvolvimento do produto; • Possibilitar a saída do usuário de uma zona inundada com segurança;

• Adequar o sistema de forma harmoniosa ao ambiente em que reside o usuário;

• Reduzir o número de mortos por afogamentos em situações de enchentes.

5. PROJETO INFORMACIONAL

5.1. Problematização

Torna-se relevante a preocupação com situações emergenciais, no particular das enchentes, considerando que tal fenômeno, nas regiões vulneráveis a chuva, tem um potencial propício a ocorrer com certa periodicidade (figura 04).

Como todo fenômeno natural pode-se sempre calcular o período de retorno ou tempo de recorrência de uma enchente - O inverso da probabilidade de ocorrência de um evento hidrológico qualquer é denominado em Hidrologia de período de retorno ou intervalo de recorrência. Assim se uma determinada grandeza hidrológica tem a probabilidade de ser igualada ou excedida igual a 5% (p = 0.05) seu período de retorno será: T = l/p = l/0.05 = 20 anos O período de retorno é expresso em anos. Assim se um evento hidrológico, como por exemplo, uma cheia, é igualada ou excedida em média a cada 20 anos terá um período de retorno T = 20 anos. Em outras palavras, diz-se que esta cheia tem 5% de probabilidade de ser igualada ou excedida em qualquer ano. (NAGHETTINI e PINTO, 2007)

Figura 04 – Componentes do ciclo hidrológico Fonte: Hidrológia, Ciência e Aplicação, p.38, 2004

As enchentes provocam situações críticas, o salvamento é efetuado, principalmente, retirando-se as pessoas ilhadas, em locais de difícil acesso ou em perigo para locais seguros (os abrigos). Os equipamentos utilizados nos salvamentos são: barco, bote, bóia salva-vidas, colete salva-vidas, corda e helicóptero.

Os números das enchentes

A fim de contribuir para o estudo coletamos alguns dados para nos permitirem realizar uma melhor análise do problema:

Na Europa

Os países europeus, em 2006 sofrem com enchentes que causaram evacuações de povoados e deixaram pelo menos 7 mortes.Vários povoados do Estado da Saxônia ficaram isoladas. O nível do rio Elba em Dresden era de 7,38 metros, Mais de mil pessoas que vivem ao longo do rio tiveram que deixar suas casas.

Na Ásia

Na china, em 2005 64 pessoas - entre elas 62 crianças com idades que variavam de 6 a 14 anos - morreram devido a uma enchente que invadiu uma escola na cidade de Shalan (nordeste da China). As águas atingiram a escola às 14h (3h de Brasília), quando havia 352 crianças no local e outros 31 professores. A maior parte da cidade ficou sob as águas. Em alguns locais, as águas subiram mais de um metro.

A enchente aconteceu devido a uma torrente de água e lama que desceu de uma montanha, próxima à cidade. Segundo o jornal "Beijing News", a força das águas foi tão forte que vários estudantes foram levados na correnteza

Na África

Em 2007, países do oeste, centro e leste da África sofreram com as fortes chuvas, as enchentes mataram mais de 200 pessoas, desalojaram centenas de milhares e afetaram mais de um milhão de habitantes. No leste de Uganda morreram nove pessoas e 150 mil ficaram desabrigadas. Mais de 400 mil agricultores perderam suas plantações e as estradas da região foram destruídas (figura 05).

Figura 05 – Enchentes na África No Brasil

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