(Parte 5 de 6)

c - Concreções ou nódulos endurecidos Usado com A, E, B e C para designar acumulação signifi cativa de concreções ou nódulos, cimentados por material outro que não seja sílica.

d - Acentuada decomposição de material orgânico Usado com O e H para designar muito intensa ou avançada decomposição do material orgânico, do qual pouco ou nada resta de reconhecível da estrutura dos resíduos de plantas, acumulados conforme descrito nos horizontes O e H.

e - Escurecimento da parte externa dos agregados por matéria orgânica não associada a sesquióxidos Usado com B e parte inferior de horizontes A espessos, para designar horizontes mais escuros que os contíguos, podendo ou não ter teores mais elevados de matéria orgânica, não associada com sesquióxidos, do que o horizonte sobrejacente.

f - Material laterítico e/ou bauxítico brando (plintita) Usado com A, B e C para designar concentração localizada (segregação) de constituintes minerais secundários, ricos em ferro e/ou alumínio, em qualquer caso, pobre em matéria orgânica e em mistura com argila e quartzo. Indicativo de presença de plintita.

g - Glei Usado com A, E, B e C para designar desenvolvimento de cores cinzentas, azuladas, esverdeadas ou mosqueamento bem expresso dessas cores, decorrentes da redução do ferro, com ou sem segregação.

h - Acumulação iluvial de matéria orgânica Usado exclusivamente com B para designar relevante acumulação iluvial, essencialmente de matéria orgânica ou de complexos orgânico-sesquioxídicos amorfos dispersíveis, se o componente sesquioxídico é dominado por alumínio e está presente em quantidade muito inferior em relação à matéria orgânica.

i - Incipiente desenvolvimento de horizonte B Usado exclusivamente com B para designar transformações pedogenéticas pouco expressivas, que se manifestam como: decomposição fraca do material

________________________________________________________Manual técnico de pedologia - 2a edição originário ou constituintes minerais, associada à formação de argila, desenvolvimento de cor ou de estrutura; alteração química intensa associada a destruição apenas parcial da estrutura da rocha matriz e/ou desenvolvimento de cor em materiais areno-quartzosos.

j - Tiomorfi smo Usado com H, A, B e C para designar material palustre, permanente ou periodicamente alagado, de natureza mineral ou orgânica, rico em sulfetos (material sulfídrico).

k - Presença de carbonatos Usado com A, B e C para designar presença de carbonatos alcalino-terrosos, remanescentes do material originário, sem acumulação, comumente carbonato de cálcio.

k - Acumulação de carbonato de cálcio secundário Usado com A, B e C para designar horizonte de enriquecimento com carbonato de cálcio secundário.

m - Extremamente cimentado Usado com B e C para designar cimentação pedogenética extraordinária e irreversível (mesmo sob prolongada imersão em água), contínua ou quase contínua.

n - Acumulação de sódio trocável Usado com H, A, B e C para designar acumulação de sódio trocável, expresso por 100.Na/T > 6%, acompanhada ou não de acumulação de magnésio trocável.

o - Material orgânico mal ou não decomposto Usado com O ou H para designar incipiente ou nula decomposição do material orgânico.

do - Material orgânico intermediário entre d e o com predomínio de d. od - Material orgânico intermediário entre d e o com predomínio de o.

p - Aração ou outras pedoturbações Usado com H ou A para indicar modifi cações da camada superfi cial pelo cultivo, pastoreio, ou outras pedoturbações.

q - Acumulação de sílica Usado com B ou C para designar acumulação de sílica secundária (opala e outras formas de sílica).

qm - Usado com B ou C para designar acumulação de sílica secundária, em caso de ocorrer cimentação contínua por sílica.

r - Rocha branda ou saprolito Usado com C para designar presença de camada de rocha subjacente, intensamente ou pouco alterada, desde que branda ou semibranda. Esta notação identifi ca presença de saprolito.

s - Acumulação iluvial de sesquióxidos com matéria orgânica Usado exclusivamente com horizonte B para indicar relevante acumulação iluvial ou de translocação lateral interna no solo de complexos organo-sesquioxídicos amorfos dispersíveis.

Manual técnico de pedologia _ t - Acumulação de argila Usado exclusivamente com B para designar relevante acumulação ou concentração de argila.

u - Modifi cações e acumulações antropogênicas Usado com A e H para designar horizonte formado ou modifi cado pelo uso prolongado do solo.

v - Características vérticas Usado com B ou C para designar características vérticas.

w - Intensa alteração com inexpressiva acumulação de argila, com ou sem concentração de sesquióxidos Usado exclusivamente com B para designar intensa alteração com inexpressiva acumulação de argila, com ou sem concentração de sesquióxidos.

x - Cimentação aparente, reversível Usado com B ou C e ocasionalmente E, para designar cimentação aparente, reversível.

y - Acumulação de sulfato de cálcio Usado com B ou C para indicar acumulação de sulfato de cálcio.

z - Acumulação de sais mais solúveis em água fria que sulfato de cálcio Usado com H, A, B ou C para indicar acumulação de sais mais solúveis em água fria que sulfato de cálcio.

Comparação da simbologia que qualifi ca horizontes e camadas principais

Para fi ns de correlação, é dada a seguir uma síntese comparativa entre as qualifi cações utilizadas atualmente e as anteriores.

Fonte: Definição e notação de horizontes e camadas de solo. 2. ed. rev. e atual. Rio de Janeiro: Embrapa, Serviço Nacional de Levantamento e Conservação de Solos, 1998. (Embrapa - SNLCS. Documentos, 3).

Quadro 1 - Comparação da simbologia que qualifica horizontes e camadas principais

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OOB1BA ou BE O1Oo, Ood−B/A O2Od, OdoB &AB/E − H B2 B A B3 BC − A/O − B/C A1 A − B/R A2 E − F A3AB ou EBCC AB − C1 CB − A/B − C/B A & BE/B−C/R AC AC R R A/C A/C − B/C/R B

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Características morfológicas

Transição

Descreve-se como transição entre horizontes ou camadas, a faixa de separação entre os mesmos, defi nida em função da sua nitidez ou contraste, espessura e topografi a.

Quanto à nitidez ou contraste e espessura, a transição é classifi cada como: Abrupta - quanto a faixa de separação é menor que 2,5cm; Clara - quando a faixa de separação varia entre 2,5 e 7,5cm; Gradual - quando a faixa de separação varia entre 7,5 e 12,5cm; e Difusa - quando a faixa de separação é maior que 12,5cm. Quanto à topografi a a transição é classifi cada como:

Plana ou horizontal - quando a faixa de separação dos horizontes é praticamente horizontal, paralela à superfície do solo;

Ondulada ou sinuosa - quando a faixa de separação é sinuosa, sendo os desníveis, em relação a um plano horizontal, mais largos que profundos;

Irregular - quando a faixa de separação dos horizontes apresenta, em relação a um plano horizontal, desníveis mais profundos que largos; e

Quebrada ou descontínua - quando a separação entre os horizontes não é contínua. Neste caso, partes de um horizonte estão parcial ou completamente desconectadas de outras partes desse mesmo horizonte.

Figura 2 - Exemplos de tipos de transição

Adaptado de Schoeneberger e outros (1998).

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Observação: As informações referentes à transição devem ser registradas ao fi nal da descrição morfológica de cada horizonte ou camada, considerando a seqüência: topografi a - nitidez. Exemplo: transição irregular e clara.

Profundidade e espessura dos horizontes e camadas

Em alguns solos a profundidade dos limites dos horizontes ou camadas, varia dentro do mesmo perfi l. Deve-se então registrar a profundidade e espessura verifi cadas na parte do perfi l que é mais comum ou representativa no local do exame. A profundidade do limite inferior de um horizonte coincide com a do limite superior do horizonte subjacente.

Após a separação dos horizontes ou camadas, efetua-se a medida de suas profundidades e espessuras de acordo com os seguintes critérios:

- A profundidade é obtida colocando-se uma fi ta métrica ou trena na posição vertical, fazendo-se coincidir o zero da mesma com a parte superior do horizonte ou camada superfi cial do solo e fazendo-se a leitura de cima para baixo a partir da marca zero. Para cada um dos horizontes ou camadas, anota-se então a medida observada nos seus limites superior e inferior. No caso de horizontes ou camadas com limites de transição ondulada ou irregular, anota-se o valor médio, conforme exemplos abaixo. Deve-se juntamente anotar a unidade utilizada, preferencialmente centímetros.

- A espessura por sua vez, deve ser anotada ao fi nal da descrição morfológica, sempre que se tratar de horizontes ou camadas com transição ondulada, irregular ou quebrada e deve conter as espessuras dos limites máximos e mínimos.

Nota: Sempre que a profundidade do último horizonte examinado for além da profundidade de observação, utilizar o sinal “+”, para indicar que o mesmo se estende a maiores profundidades. Exemplo: 78-110cm+.

Figura 3 - Exemplo de tomada de profundidades e espessuras para solos com transição plana e ondulada

Profundidade dos Horizontes Horizonte A - 0 - 28cm Horizonte E - 28 - 56cm Horizonte EB - 56 - 78cm Horizonte B - 78 - 110cm+

Espessura dos Horizontes Horizonte A - 28cm Horizonte E - 2 - 33cm Horizonte EB - 17 - 28cm Horizonte B - 32cm+

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Para caso de horizontes ou camadas apresentando transição ondulada ou irregular em seus limites superior e inferior, e em razão disto, com profundidades variáveis em cada um deles, registra-se para as profundidades o valor médio e para a espessura, adota-se os valores mínimos e máximos, considerando-se ambos os limites, conforme exemplo abaixo.

Figura 4 - Exemplo de tomada de profundidades e espessuras para solos com mais de um horizonte ou camada apresentando transição ondulada ou irregular

Profundidade dos Horizontes Horizonte Ap - 0 - 9cm Horizonte Bi - 9 - 42cm Horizonte BC - 42 - 58cm Horizonte Cr - 58 - 90cm Camada R - 90 - 140cm+

Espessura dos Horizontes Horizonte Ap - 9cm Horizonte Bi - 30 - 37cm Horizonte BC - 9 - 24cm Horizonte Cr - 16 - 45cm Camada R - 40 - 51cm+

Bi BC

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Figura 5 - Exemplo de tomada de profundidades e espessuras para solos com transição descontínua ou quebrada, entre horizontes ou camadas

Nota: O limite inferior do horizonte Cr varia predominantemente entre as profundidades de 4 e 91cm, havendo porém, línguas que se estendem até o fi nal da trincheira (150cm).

Profundidade dos Horizontes Horizonte A - 0 - 18cm Horizonte Bi - 18 - 38m Horizonte Cr - 38 - 91cm Camada R - 91 - 150cm+

Espessura dos Horizontes Horizonte A - 18cm Horizonte Bi - 20cm Horizonte Cr - 6 - 112cm+ Camada R - 59 - 106cm+

A Bi

No caso de horizontes com limites complexos, como por exemplo, transição descontínua ou quebrada, deve-se registrar o fato no campo Observações conforme nota abaixo e proceder de acordo com exemplo.

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No caso de horizonte com transição descontínua ou quebrada, ocorrendo disperso dentro de outros horizontes (lamelas por exemplo), registrar o fato no campo Observações e para tomada de profundidade e espessura, proceder como indicado abaixo, sendo que as lamelas deverão ter as suas principais características morfológicas registradas separadamente, tomando-se por base a unidade/ocorrência mais representativa.

No campo Observações, registrar o somatório das espessuras de todas as lamelas, conforme nota abaixo.

Figura 6 - Exemplo de tomada de profundidades e espessuras para solos com ocorrência de lamelas

Profundidade dos Horizontes Horizonte A - 0 - 43cm

Horizonte E/Bt1 - 43 - 115cm Horizonte Bt2 - 115 - 200cm+

Espessura dos Horizontes Horizonte A - 43cm

Horizonte E/Bt1 - 72cm Horizonte Bt2 - 85cm+

Nota: Presença de lamelas (Bt) no horizonte E/Bt, totalizando 25cm de espessura, com as seguintes características: bruno-amarelado (10YR 5/6, úmido); franco-argilosa; moderada média blocos subangulares; ligeiramente dura, friável, plástica e pegajosa.

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Cor

As cores dos solos, são mais convenientemente defi nidas por meio de comparação com cartas de cores. Normalmente se utiliza para determinação de cores de solos, parte da coleção de cores do livro Munsell (Munsell book of color). Esta parte do livro, também denominada Munsell soil color charts, contém somente aquela porção de cores necessária para a caracterização dos solos.

As principais ou mais comuns edições do Munsell soil color charts, contêm sete cartas (correspondentes a sete notações de matiz) que somam 199 padrões de cores, organizados com base nas variáveis matiz, valor e croma, apresentados na forma de caderno ou caderneta.

As notações de matiz em número de sete, são representadas pelos símbolos 10R, 2,5YR, 5YR, 7,5YR, 10YR, 2,5Y e 5Y, que são formados pelas iniciais em inglês das cores que entram em sua composição (R de red - vermelho; Y de yellow - amarelo e YR de yellow-red - vermelho-amarelo), precedidos de algarismos arábicos de 0 a 10, organizados a intervalos de 2,5 unidades. Dentro de cada composição de matiz (R, YR ou Y), os algarismos crescem da esquerda para a direita da caderneta, representando o aumento da participação do amarelo em detrimento da participação do vermelho. O ponto 0 de cada composição de matiz, coincide com o ponto de máxima participação da composição anterior e não é representado. Assim os símbolos de matiz variam sempre de 2,5 a 10 para cada composição, sendo 5 a posição central.

As notações de valores indicam a maior ou menor participação do branco ou do preto (claridade ou escurecimento) em relação a uma escala neutra (acromática) e variam de 0 a 10, posicionadas em escala vertical no lado esquerdo das páginas das cartas, aumentando a intervalos regulares da base para o topo. A notação zero corresponde ao preto absoluto e o 10 ao branco absoluto.

As notações de cromas indicam o grau de saturação pela cor espectral. São representadas horizontalmente no fundo das páginas das cartas, aumentando de 0 a 8 (no caso das cartas de solos). O croma zero, corresponde a cores absolutamente acromáticas (branco, preto e cinzento) e na sua representação a notação de matiz é substituída pela letra N de neutra.

Em síntese, os cadernos ou cadernetas de cores para solos, contêm comumente sete cartas ou cartões de cores, correspondentes a sete notações de matiz, sendo cada uma delas constituída de duas páginas, ambas contendo o respectivo símbolo em sua parte superior. Na página da direita constam os vários padrões de cores pertinentes àquela notação de matiz, junto a perfurações em forma de círculo, que têm o objetivo de facilitar a comparação das amostras com os diversos padrões de cores. Na página da esquerda, constam os códigos de notação de valor e croma correspondentes a cada padrão de cor, junto ao nome da cor em inglês.

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