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Manual técnico de pedologia _ no campo, de Lemos e Santos (1996); Manual para interpretação de análise de solo, de Tomé Junior (1997); Manual de métodos de análise de solo (1997), da Embrapa; Field book for describing and sampling soils, de Schoeneberger e outros (1998); Sistema brasileiro de classifi cação de solos (1999), da Embrapa; Soil taxonomy: a basic system of soil classifi cation for making and interpreting soil surveys (1999) do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos; Field book for describing and sampling soils, version 2.0, de Schoeneberger e outros (2002); Manual de descrição e coleta de solo no campo, de Santos e outros (2005) e Sistema brasileiro de classifi cação de solos (2006), da Embrapa..

Conceito de solo

Dentre as diversas defi nições de solo, a que melhor se adapta ao levantamento pedológico é a do Soil taxonomy (1975) e do Soil survey manual (1984):

Solo é a coletividade de indivíduos naturais, na superfície da terra, eventualmente modifi cado ou mesmo construído pelo homem, contendo matéria orgânica viva e servindo ou sendo capaz de servir à sustentação de plantas ao ar livre. Em sua parte superior, limita-se com o ar atmosférico ou águas rasas. Lateralmente, limita-se gradualmente com rocha consolidada ou parcialmente desintegrada, água profunda ou gelo. O limite inferior é talvez o mais difícil de defi nir. Mas, o que é reconhecido como solo deve excluir o material que mostre pouco efeito das interações de clima, organismos, material originário e relevo, através do tempo.

Em razão da necessidade de se fazer referência a determinados solos ou porções deles, alguns termos ou expressões passaram a integrar o cotidiano dos cientistas de solos. A seguir serão relacionados alguns, que são empregados com razoável freqüência na área de Pedologia, cuja conceituação está de acordo com o Vocabulário de ciência do solo, de Curi (1993).

Solo - material mineral e/ou orgânico inconsolidado na superfície da terra que serve como meio natural para o crescimento e desenvolvimento de plantas terrestres.

Observação: O termo solo, quando empregado em sistemas taxonômicos, se refere a todas as partes do perfi l do solo, presentes acima do material de origem (camadas e horizontes genéticos).

Figura 1- Perfi l de ARGISSOLO VERMELHOAMARELO Eutrófi co típico. Goiânia - GO.

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Solum - parte superior e pressupostamente mais intemperizada do perfi l do solo, compreendendo somente os horizontes A e B (excluído o BC).

Solo autóctone - solo desenvolvido a partir de material de origem proveniente das rochas imediatamente subjacentes.

Solo alóctone - solo desenvolvido de material de origem não proveniente das rochas subjacentes. Podem ter natureza distinta ou compatível com as rochas subjacentes.

Observação: A natureza alóctone é de difícil percepção no campo quando se tratam de solos de constituição semelhante à das rochas subjacentes. Linhas de pedras (stone lines) de formato arredondado ou subarredondado (seixos), geralmente são indícios de descontinuidade entre os solos e as rochas locais. Porém não é uma regra geral, visto que ocorrem linhas de pedras em perfi s de solos (angulosas), devido a outros condicionantes.

Foto 1 - Stone line (pedras subarredondadas) em perfil de ARGISSOLO VERMELHO-AMARELO Eutrófi co típico. Anápolis – GO.

Foto 2 - Stone line (pedras angulosas) em perfi l de LATOSSOLO VERMELHO Distrófi co típico. Posse – GO.

Paleossolo – solo formado em uma paisagem numa época passada e que foi posteriormente recoberto por sedimentos. Os paleossolos podem estar à superfície caso tenham sido expostos pela erosão do manto de sedimentos sobrejacente.

Foto 3 - Paleossolo recoberto por espessa camada de sedimentos. Petrópolis – RJ. Neusa Maria Costa Mafra

Paleossolo

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Solo azonal - solo que não apresenta infl uência marcante da zona climática e/ou da vegetação do ambiente em que está inserido.

Observação: geralmente solos jovens, onde o tempo foi insufi ciente para seu desenvolvimento sob a infl uência dos condicionantes locais, são assim caracterizados.

Solo zonal - solo desenvolvido sob a infl uência dos condicionantes climáticos e da vegetação do local.

Observação: geralmente trata-se de solo bem desenvolvido, tendo havido a formação de todos os horizontes (A, B e C).

Solo halomórfi co - solo cuja gênese foi muito infl uenciada pelo excesso de sais.

Solo de mangue - solo halomórfi co de áreas alagadas, formado sob infl uência de marés e com vegetação característica, denominada mangue.

Solo transportado - solo formado a partir de depósitos superfi ciais não consolidados do tipo colúvio, talus, cones de dejeção, etc.

Taxonomia de solos

A completa caracterização dos solos tem como maiores objetivos a sua classifi cação e delimitação cartográfi ca. Depois de descritos e caracterizados, os solos deverão ser então classifi cados em sistemas taxonômicos organizados com este propósito. No Brasil, vem sendo desenvolvido um sistema de classifi cação, disponível na publicação Sistema brasileiro de classifi cação de solos (2006), da Embrapa, organizado com o propósito de atender às condições de clima tropical a que está submetida a maior parte do País, e que se encontra estruturado até o seu quarto nível categórico (Apêndice 2).

Descrição morfológica de perfi s de solos

A descrição do solo no campo compreende o registro das suas características, através do estudo e do exame do seu perfi l em seu meio natural.

A descrição completa do solo, a ser feita quando do seu estudo no campo, deve incluir a delimitação dos horizontes e camadas com identifi cação e registro das características morfológicas de cada um(a) individualmente, caracterizando transição entre horizontes ou camadas, profundidade e espessura, cor, textura, estrutura, consistência e demais características, cujas conceituações são apresentadas em seguida. Após a descrição procede-se a coleta de amostras.

Nomenclatura de horizontes e camadas de solos

Defi nição de horizontes e camadas

Por horizonte do solo deve-se entender uma seção de constituição mineral ou orgânica, à superfície do terreno ou aproximadamente paralela a esta,

Foto 4 - Capa do Sistema Brasileiro de Classifi cação de Solos - SiBCS

________________________________________________________Manual técnico de pedologia - 2a edição parcialmente exposta no perfi l e dotada de propriedades geradas por processos formadores do solo que lhe confere características de interrelacionamento com outros horizontes componentes do perfi l, dos quais se diferencia em virtude de diversidade de propriedades, resultantes da ação da pedogênese.

Derivado de Soil survey manual (1962).

Por horizonte genético deve-se entender diferenciações qualitativas em determinadas seções dos perfi s de solos, condicionadas pelos diferentes graus de alteração por que passam o material de origem. Tais diferenças são avaliadas por meio de atributos ou conjunto deles, que levam a uma distinção destas com as demais seções do perfi l.

Horizontes genéticos (pedogênicos), ainda que constituam manifestação de transformações determinadas por processamento da formação dos solos, podem não ser preferidos (escolhidos) para concessão de prerrogativa taxonômica, em termos de características diferenciais para estabelecimento e distinção de classes em sistemas taxonômicos.

A conceituação de horizonte diagnóstico constitui matéria pertinente ao estabelecimento de requisito referente a um conjunto de propriedades selecionadas, em grau arbitrado como expressivo, por razão de conveniência (arbítrio) para construção taxonômica, adotado para criar, identifi car e distinguir classes (taxons) de solos.

No referente aos horizontes pedogênicos, a conceituação é de natureza mais genética e o enunciado das defi nições é ordinariamente mais qualitativo. No caso dos horizontes diagnósticos as conceituações são mais de tendência distintiva (fi ns taxonômicos de delimitação de classes) e o enunciado das defi nições é desejavelmente mais quantitativo.

Portanto, horizontes genéticos (pedogênicos), nem sempre são diagnósticos de classes de solos. No SiBCS, para boa parte deles são estabelecidas condições, quase sempre de espessura, para que sejam diagnósticos de classes em alguns de seus níveis categóricos.

Por camada deve-se entender uma seção de constituição mineral ou orgânica, à superfície do terreno ou aproximadamente paralela a esta, parcialmente exposta no perfi l do solo e possuindo conjunto de propriedades não resultantes ou pouco infl uenciadas pela atuação dos processos pedogenéticos.

Derivado de Soil survey manual (1981).

Defi nição de símbolos e sufi xos de horizontes e camadas

A seguir são caracterizados sucintamente os símbolos e notações de horizontes e camadas de solo adotados no Brasil. Defi nições pormenorizadas podem ser encontradas na publicação Defi nição e notação de horizontes e camadas do solo (1998), da Embrapa.

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Para a designação dos horizontes e camadas do solo, usam-se letras maiúsculas, minúsculas e números arábicos. As letras minúsculas são usadas como sufi xos para qualifi car distinções específi cas dos horizontes ou camadas principais, diagnósticos ou não, enquanto as maiúsculas são usadas para designar horizontes ou camadas principais, horizontes transicionais ou combinações destes.

Prefi xos numéricos (ex.: 2, 3, etc.) são usados para denotar descontinuidade litológica. Por convenção o 1 não é mostrado, ex.: A, E, Bt1, 2Bt2, 2BC, 3C1, 3C2.

Sufi xos numéricos são usados para subdivisão de horizontes principais em profundidade. A divisão é feita a partir da parte superior do horizonte, de forma sucessiva, sendo o símbolo numérico colocado após todas as letras usadas para designar o horizonte. Ex. A1, A2, E, Bt1, Bt2, Bt3, BC e C.

A numeração é reiniciada sempre que houver mudança de simbolização alfabética na seqüência vertical de horizontes. Ex.: Bt1, Bt2, Btx1, Btx2; C1,

C2, Cg1, Cg2. Para horizonte A ou H qualifi cados com sufi xo p, a numeração não é reiniciada.

Observações:

- Prefi xo numérico pode ser usado em R, se admitido que o material originário do solo não foi produzido por rocha da mesma natureza da subjacente.

- Em caso de Organossolos, não se usam os prefi xos numéricos para expressar material contrastante.

- Em caso de ocorrer dois ou mais horizontes com a mesma designação, separados por horizontes ou camadas de natureza diversa, usa-se o símbolo (‘) posposto à letra maiúscula designativa do segundo horizonte repetido na seqüência, como no exemplo: A, E, BE, Bhs, E’, BC, ou Hd, C, H’d, C.

- Caso raro de ocorrência de três horizontes com a mesma designação no mesmo perfi l, usa-se o símbolo duplo ( “ ), posposto à letra maiúscula designativa do 3º horizonte.

- Quando cabível o uso de mais de um sufi xo, as letras d, i, o, h, s, t, u, r, w têm precedência sobre os demais sufi xos necessários para completar a designação integral de horizontes ou camadas.

- Sufi xo b, conotativo de horizonte enterrado, deve ser precedido de outro sufi xo, quando em notação binária, como por exemplo, Btb.

A seguir é apresentada de forma sintética, a conceituação de símbolos e sufi xos utilizados para designação de horizontes e camadas.

Símbolos de horizontes e camadas

O - Horizonte ou camada superfi cial de cobertura, de constituição orgânica, sobreposto a alguns solos minerais, podendo estar ocasionalmente saturado com água.

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H - Horizonte ou camada de constituição orgânica, superfi cial ou não, composto de resíduos orgânicos acumulados ou em acumulação sob condições de prolongada estagnação de água, salvo se artifi cialmente drenado.

A - Horizonte mineral, superfi cial ou em seqüência a horizonte ou camada O ou H, de concentração de matéria orgânica decomposta e perda ou decomposição principalmente de componentes minerais. (Fe, Al e argila).

AB (ou AE) - Horizonte subsuperfi cial, com predomínio de características de horizonte A e algumas características de horizonte B (ou E).

A/B (ou A/E ou A/C) - Horizonte mesclado com partes de horizonte A e de horizonte B (ou A e E ou A e C), porém com predomínio de material de A.

AC - Horizonte subsuperfi cial, com predomínio de características de horizonte A e algumas características de horizonte C.

E - Horizonte mineral, cuja característica principal é a perda de argilas silicatadas, óxidos de ferro e alumínio ou matéria orgânica, individualmente ou em conjunto, com resultante concentração residual de areia e silte constituídos de quartzo ou outros minerais resistentes e/ou resultante descoramento.

EA (ou EB) - Horizonte subsuperfi cial, com predomínio de características de horizonte E e algumas características de horizonte A (ou B).

E/A - Horizonte mesclado com partes de horizonte E e de horizonte A, porém com predomínio de material de E.

E/Bt - Presença de lamelas espessas (Bt), dentro de horizonte E.

BA (ou BE) - Horizonte subsuperfi cial, com predomínio de características de horizonte B e algumas características de horizonte A (ou E).

B/A (ou B/E) - Horizonte mesclado com partes de horizonte B e de horizonte A (ou E), porém com predomínio de material de B.

B - Horizonte subsuperfi cial de acumulação de argila, Fe, Al, Si, húmus, CaCO3,

CaSO4, ou de perda de CaCO3, ou de acumulação de sesquióxidos; ou com bom desenvolvimento estrutural.

BC - Horizonte subsuperfi cial, com predomínio de características de horizonte B e algumas características de horizonte C.

B/C - Horizonte mesclado com partes de horizonte B e de horizonte C, porém com predomínio de material de B.

CB (ou CA) - Horizonte subsuperfi cial, com predomínio de características de horizonte C e algumas características de horizonte B (ou A).

C/B (ou C/A) - Horizonte mesclado com partes de horizonte C e de horizonte B (ou A), porém com predomínio de material de C.

C - Horizonte ou camada mineral de material inconsolidado sob o solum, relativamente pouco afetado por processos pedogenéticos, a partir do qual o solum pode ou não ter se formado, sem ou com pouca expressão de propriedades identifi cadoras de qualquer outro horizonte principal.

F - Horizonte ou camada de material mineral consolidada sob A, E ou B, rico em ferro e/ou alumínio e pobre em matéria orgânica, proveniente do endure-

Manual técnico de pedologia _ cimento irreversível da plintita, ou originado de formas de concentração possivelmente não derivadas de plintita, inclusive promovidas por translocação lateral de ferro e/ou alumínio.

R - Camada mineral de material consolidado, que constitui substrato rochoso contínuo ou praticamente contínuo, a não ser pelas poucas e estreitas fendas que pode apresentar.

Sufi xos de Horizontes e Camadas a - Propriedades ândicas Usado com A, B e C para designar constituição dominada por material amorfo, de natureza mineral, oriundo de transformações de materiais vulcanoclásticos.

b - Horizonte enterrado Usado com H, A, E, B e F para designar horizontes enterrados, se suas características pedogenéticas principais puderem ser identifi cadas como tendo sido desenvolvidas antes do horizonte ser enterrado.

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