caderno de atenção basica n.22

caderno de atenção basica n.22

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Brasília – DF 2009

VIGILÂNCIA EM SAÚDE Zoonoses

Secretaria de Atenção à Saúde Departamento de Atenção Básica

VIGILÂNCIA EM SAÚDE Zoonoses

Brasília – DF 2009

Série B. Textos Básicos de Saúde Cadernos de Atenção Básica, n. 2

© 2009 Ministério da Saúde. Todos os direitos reservados. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra, desde que citada a fonte e que não seja para venda ou qualquer fim comercial. A responsabilidade pelos direitos autorais de textos e imagens desta obra é da área técnica. A coleção institucional do Ministério da Saúde pode ser acessada, na íntegra, na Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde: http://www.saude.gov.br/bvs

Série B. Textos Básicos de Saúde Cadernos de Atenção Básica, n. 2

Tiragem: 1ª edição – 2009 – 35.0 exemplares

Elaboração, distribuição e informações: MINISTÉRIO DA SAÚDE Secretaria de Atenção à Saúde Departamento de Atenção Básica Esplanada dos Ministérios, Bloco G, 6º andar, sala 655 CEP: 70058-900 – Brasília – DF Tel.: (61) 3315-2497 Home page: w.saude.gov.br/dab

Impresso no Brasil / Printed in Brazil

Ficha Catalográfica

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica.

Vigilância em saúde : zoonoses / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica. –

Brasília : Ministério da Saúde, 2009. 28 p. : il. – (Série B. Textos Básicos de Saúde) (Cadernos de Atenção Básica ; n. 2)

CDU 616.993

ISBN 978-85-334-1591-1 1. Zoonoses. 2. Atenção básica. 3. Saúde pública. I. Título. I. Série. Catalogação na fonte – Coordenação-Geral de Documentação e Informação – Editora MS – 2009/0167

Títulos para indexação: Em inglês: Health surveillance: zoonoses Em espanhol: Vigilancia en salud: zoonosis

1 PAPEL DOS SERVIÇOS DE ATENÇÃO BÁSICA NA RESPOSTA ÀS EMERGÊNCIAS EM SAÚDE PÚBLICA
E EVENTOS DE POTENCIAL RISCO SANITÁRIO NACIONAL8
2 DOENÇA DE CHAGAS13
3 FEBRE AMARELA46
4 LEISHMANIOSE TEGUMENTAR AMERICANA63
5 LEPTOSPIROSE8
6 ACIDENTES POR ANIMAIS PEÇONHENTOS116
7 RAIVA147
REFERÊNCIAS170
ANExOS173
EqUIPE TÉCNICA225

APRESENTAÇÃO ...............................................................................................................................................7 SUMÁRIO

VIGILÂNCIA EM SAÚDE: Zoonoses APRESENTAÇÃO

As atividades rotineiras das equipes de Atenção Básica / Estratégia Saúde da Família e da Vigilância em Saúde devem ser desenvolvidas visando tornar viáveis os princípios e diretrizes de acesso universal e da integralidade do cuidado conforme a necessidade de saúde onde a utilização da epidemiologia para o estabelecimento de prioridades, de alocação de recursos e de orientação programática torna-se de fundamental importância. A proximidade com a comunidade mantém um canal de comunicação oportuno para a difusão de informações relativas ao processo saúde-doença; as doenças e suas formas de prevenção e controle proporcionam um melhor conhecimento sobre os fatores condicionantes e situação de saúde e favorecem a participação da população local na definição de prioridades, na elaboração e na manutenção das ações de controle de agravos a serem desenvolvidas de acordo com as suas especificidades.

As atividades de prevenção e controle dos agravos apresentados neste caderno são baseadas tanto no controle dos agentes causais, quanto na melhoria das condições sanitárias e de moradia da população, minimizando sua exposição ao risco. Assim, a integração de equipes de Atenção Básica/Saúde da Família e Vigilância em Saúde pode contribuir visivelmente para o alcance dos objetivos propostos, principalmente no que se refere às atividades de prevenção das doenças e manejo ambiental. O êxito na manutenção de atividades voltadas ao meio ambiente está diretamente relacionado com o envolvimento da comunidade.

Por conhecer a realidade local, as equipes de Atenção Básica terão maiores subsídios para realização de diagnóstico e investigação dos casos e, por terem como princípio o desenvolvimento de vínculo com a população e o acompanhamento longitudinal, as equipes poderão optar por um projeto terapêutico adequado às condições de vida do paciente.

As equipes de Atenção Básica também têm um importante papel no desenvolvimento de atividades intersetoriais, em conselhos de saúde, em associações, em grupos de moradores, entre outros dispositivos sociais. Incentivando e ensinando a comunidade a utilizar esses dispositivos, as equipes de saúde estarão investindo na transformação da relação dos indivíduos com os fatores que propiciam o desenvolvimento de doenças e, além disso, estarão trabalhando o fortalecimento do conceito de cidadania e a autonomia dos sujeitos para a modificação e melhoria da qualidade de suas vidas.

Ministério da Saúde

MINISTÉRIO DA SAÚDE / Secretaria de Atenção à Saúde / Departamento de Atenção Básica

1 PAPEL DOS SERVIÇOS DE ATENÇÃO BÁSICA NA RESPOSTA ÀS EMERGÊNCIAS EM SAÚDE PÚBLICA E EVENTOS DE POTENCIAL RISCO SANITÁRIO

1.1 INTEGRAÇÃO VIGILÂNCIA EM SAÚDE E ATENÇÃO BÁSICA

Serviços envolvidos na melhoria das condições de vida e saúde da população, a

Vigilância em Saúde e a Atenção Básica em Saúde atuam em diferentes escopos, mas agem integradas dentro de um mesmo objeto de trabalho: a coletividade, dividindo suas atuações na detecção e resposta a eventos de saúde.

A Vigilância em Saúde (VS), entendida como uma forma de pensar e agir, tem como objetivo a análise permanente da situação de saúde da população e a organização e execução de práticas de saúde adequadas ao enfrentamento dos problemas existentes.

A Atenção Básica (AB), como primeiro nível de atenção do Sistema Único de

Saúde (SUS), caracteriza-se por um conjunto de ações, no âmbito individual e coletivo, que abrangem a promoção e proteção da saúde, a prevenção de agravos, o diagnóstico, o tratamento, a reabilitação e visa à manutenção da saúde. Deve ser desenvolvida por equipes multiprofissionais, de maneira a promover responsabilidade sanitária sobre as diferentes comunidades adstritas a territórios bem delimitados.

Um mesmo cidadão, em dado momento da sua vida, pode ser alvo das ações de ambos os serviços. A paciente que hoje faz seu pré-natal sob orientação da Estratégia de Saúde da Família na unidade básica de saúde pode ser aquela que deixa de contabilizar as estatísticas de óbito materno. O caso de tuberculose ou meningite que foi oportunamente identificado pelos agentes comunitários de saúde desencadeará as respostas necessárias tanto no segmento de vigilância em saúde quanto na promoção, prevenção e assistência à saúde. Assim, é prejudicial que se pense em dissociar as atividades de ambos os segmentos, que, apesar de independentes, seguem integrados numa finalidade comum.

Além dos eventos de saúde enfrentados na rotina desses serviços, novos desafios se apresentam como surtos e epidemias, ou na forma de doenças desconhecidas, emergentes ou reemergentes. O objetivo deste capítulo é dar conhecimento a todos os profissionais de saúde, principalmente os da Atenção Primária, referentes ao processo de detecção, notificação, monitoramento e resposta em emergências em saúde pública e outros eventos de potencial risco sanitário nacional e internacional.

1.2 NOVOS DESAFIOS À SAÚDE PÚBLICA

Nos últimos anos, a ocorrência de surtos e epidemias por doenças emergentes ou reemergentes obrigou a comunidade internacional a pensar numa nova lógica de organização dos serviços de saúde visando o aprimoramento da capacidade de detecção e resposta a eventos sanitários de grande magnitude e repercussão internacional.

VIGILÂNCIA EM SAÚDE: Zoonoses

Entre os fatores que contribuíram para essa mudança estão a pressão demográfica, as mudanças no comportamento social e as alterações ambientais. Outro fator importante foi a globalização, que, integrando países, aumentou a circulação de pessoas e mercadorias entre estes e, consequentemente, levou ao compartilhamento de doenças capazes de provocar graves problemas de ordem econômica, social, política e de saúde.

Nenhum país é capaz de enfrentar isoladamente problemas de saúde como

SARS (síndrome aguda respiratória grave) e Influenza A (H1N1), entre outros. Como iniciativa de resposta a esses desafios e embasada nas diretrizes do Regulamento Sanitário Internacional, a OMS, então, constituiu a Rede Global de Alerta e Resposta a Surtos, da sigla em inglês GOARN, Global Outbreak Alert and Response Network, num esforço de promover a cooperação e o aprimoramento da capacidade de resposta dos serviços de vigilância em saúde dos país ativa brasileira de aperfeiçoamento dos serviços da vigilância em saúde do Sistema Único de Saúde (SUS) e da sua capacidade de respostas frente às emergências epidemiológicas, em âmbito nacional e internacional, a Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde (SVS/MS) tem, no CIEVS (Centro de Informações Estratégicas e Respostas em Vigilância em Saúde), o seu ponto focal para manejo de crises agudas.

Paralelamente, vem constituindo a Rede Nacional de Alerta e Resposta às

Emergências em Saúde Pública “Rede Cievs”, com representantes de todas as esferas de governo e todas as Unidades Federadas, além de Centros de Pesquisa e Diagnóstico de referência nacional.

O objetivo do Cievs e da Rede Cievs é desenvolver atividades de manejo de crises agudas, incluindo o monitoramento de situações sentinelas e apoio para oportuna e efetiva resposta das emergências epidemiológicas de relevância nacional, por meio das Equipes de Respostas Rápidas, sendo elemento facilitador na formulação de respostas oportunas e integradas nas diferentes esferas de gestão do SUS. Para isso, estabelece mecanismo para identificar emergências epidemiológicas, de modo contínuo e sistemático, por meio de notificação telefônica (Disque-Notifica: 0800 644 6 45), eletrônica (E-notifica: notifica@saude.gov.br) e mineração de informações nos principais meios de comunicação (Clipping Cievs), esses mecanismos já existiam, mas como CIEVS ficaram institucionalizados e centralizados, requisito básico na estruturação dos serviços para situações de emergências.

Nesse escopo, dada a sua capilaridade de inserção, principalmente nas populações menos abastadas, no contexto da vigilância em saúde, os serviços de Atenção Básica inserem-se tanto como promotores das ações de prevenção e controle das doenças transmissíveis – local privilegiado para o desenvolvimento da vigilância epidemiológica, quanto como elementos responsáveis pela identificação de novas situações e potenciais ameaças sanitárias nacionais. Essa última prática deve a curto prazo estar inserida cotidianamente nas rotinas das equipes de saúde de Atenção Básica de forma que gradativamente impactem sobre os principais indicadores de saúde, mudando a realidade e a qualidade de vida das populações.

MINISTÉRIO DA SAÚDE / Secretaria de Atenção à Saúde / Departamento de Atenção Básica

1.3 OBJETIVOS DA REDE CIEVS

• Identificar emergências epidemiológicas, de modo contínuo e sistemático, por meio de notificação telefônica (Disque-Notifica), eletrônica (e-Notifica) e mineração de informações nos principais meios de comunicação (Clipping Cievs);

• Aperfeiçoar os mecanismos de triagem, verificação e análise das notificações para identificar e responder às emergências epidemiológicas;

• Fortalecer a articulação entre as três esferas de gestão do SUS na resposta coordenada às emergências;

• Prestar apoio técnico, presencial e/ou virtual nas respostas às emergências em saúde pública;

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