Panorama Setor Florestal Brasileiro

Panorama Setor Florestal Brasileiro

Setor Florestal Brasileiro, panorama atual.

Lucas Hordones Chaves¹ Miguel Domingues Dias Júnior1 Alberto²

O Setor Florestal Brasileiro vem sendo pressionado ao longo dos anos pelo mercado e pela sociedade a se adequar frente às realidades ambientais ao mesmo tempo em que a demanda por matérias primas florestais vem crescendo significativamente, em parte pelo aumento da renda média em ascensão em países emergentes, enquanto que a área plantada não teve um acréscimo considerável em relação demanda. Ora outros tipos de ocupação do solo vêem tendo incentivos produtivos mais expressivos, como a produção de cana de açúcar para fabricação de álcool e geração de energia e outros produtos destinados a produção de biodiesel, agricultura familiar entre outros. Isto levou tanto florestas naturais como plantadas e a pecuária a recuar em área e ao mesmo tempo buscar maior performance produtiva.

Este constante aumento de demanda tende a elevar os preços no mercado tornando a atividade cada vez mais interessante no ponto de vista econômico, propiciando o aparecimento de empresários aventureiros que muita das vezes não estão comprometidos com as boas praticas agrícolas de produção, muito menos com os impactos ambientais e sociais gerados pela atividade.

No Brasil a legislação ambiental é considerada uma das melhores do mundo o que anda em desacordo com a fiscalização que é deficiente e carente de recursos para desempenhar suas atividades. Muitos destes citados aventureiros vêem infringindo a lei e plantando próximo a áreas de preservação (APP) e reserva legal (RL), utilizando-se de mão de obra barata e até mesmo escrava, gerando um desconforto junto à sociedade e os órgãos fiscais e ambientais propiciando que se forme uma imagem negativa do setor florestal, o que em médio e longo prazo, tende a que os ditos órgãos se tornem muito mais rigorosos no futuro quando na liberação de novos projetos.

Economia Florestal

Representa 3,4% do PIB empregando cerca de 8,6 milhões de pessoas, ou seja, 9% da população econômica ativa, arrecadando 7,2 bilhões de dólares aproximadamente 1,5% da arrecadação nacional, exportando 8,8 bilhões dólares, 55% das exportações brasileiras, tendo um superávit de 7,4 bilhões de dólares, 18,5% do superávit nacional, grande parte oriunda de produções de florestas plantadas, somando cerca de menos de 1% do território brasileiro, com perspectivas de crescimento de 5,7 milhões de hectares atuais para de 8 a 10, até 2020 segundo dados da ABIMCI (2007), tudo isto tomando como base somente a produção de bens e ativos florestais descartando o ecoturismo e outras atividades em que não seja necessária a extração da madeira, o que geraria com certeza uma renda produzida bem maior.

Atualmente nossa posição no mercado internacional é bem mais modesta onde estamos bem atrás de países que produzem em condições muito menos favoráveis em tipos de solo e clima onde se limita a produção sendo que o Canadá participa com 16%, Estados Unidos com 9%, e a Finlândia com 8%. O que falta na verdade é melhorar o beneficiamento da madeira, que chega a render somente 30% depois de industrializada e agregar valor na mesma.

Há também o crescimento claro da inclusão do pequeno produtor, cerca de 7% ao ano, o que vai, no longo prazo, aumentar consideravelmente a produção, com financiamento principalmente do PRONAF Florestal, o que ao longo prazo possibilitara o aprimoramento na produção de lenha, carvão vegetal e álcool.

Plantações Florestais Comerciais.

As plantações comerciais brasileiras possuem e trabalham com alta tecnologia observando produções, principalmente nas plantações de pinus e eucalipto, altíssimas na ordem de 43 até 70 m³.ha.ano-¹. O avanço genético também foi excelente nos últimos anos, selecionando variedades precoces e tolerantes a fitopatologias e a pragas que limitavam a produção em algumas áreas. Hoje a pesquisa busca inclusive variedades tolerantes a mudanças climáticas do clima, já se antecipando as alterações climáticas previstas. Tudo isto graças a estudos e experimentação das faculdades e núcleos de pesquisa e desenvolvimento, aos quais se destacam as Embrapas Floresta e Meio Ambiente e a faculdades como a UNESP.

No ponto de vista industrial as tecnologias avançaram mais na parte de processos do que no que diz respeito ao produto florestal. As empresas modernizaram o seu beneficiamento e transporte visando a diminuição do impacto dos custos sobre este quesito.

Nas plantações de florestas nativas infelizmente o foco bem menor, as pesquisas caminham a passos lentos, mesmo com incentivo governamental. Muitas espécies de interesse deixam de ser cultivas por razão do desconhecimento técnico desde cultivo à beneficiamento. A carência de trabalhos é notória neste quesito.

Caráter social dos projetos florestais

Muito questionado ao longo dos anos, por pressões principalmente de ONGs (Organizações Não Governamentais), o setor vem promovendo uma verdadeira revolução, quanto ao tratamento sócio ambiental dos projetos. Muito deste esforço visa principalmente melhorar a imagem dos empreendimentos bem como do produto produzido frente ao mercado consumidor.

Varias empresas ao sofrerem com este questionamento socioambiental aumentaram seus investimentos no setor, promovendo um aumento significativo nos postos de trabalhos gerados, chamando a população e a opinião publica para os benefícios gerados pela atividade produtiva. Algumas empresas foram além começando a definir e implantar e sustentar projetos educacionais, sociais e culturais fora de sua área produtiva, fortalecendo o apoio de suas atividades econômicas.

A relação empresa e produtor rural inclusive vêem mudando com o tempo e a monocultura anterior, histórica em contratos florestais, esta sendo substituída por contratos agroflorestais mais ecológicos, modelos de exploração da terra mais sustentáveis, como é o caso dos projetos agrosilvopastoris, que esta virando moda em algumas regiões e se baseia a incorporar o trabalho humano, junto com atividades agrícolas, cultivo de grãos por exemplo, e de pecuária, tanto leite como corte, aliado ao plantio de espécies florestais.

Florestas Plantadas

Como comentado anteriormente a demanda por produtos florestais vem crescendo na medida em que a renda média dos países emergentes aumenta. Os países mais ricos continuam necessitando dos mesmos recursos em escala cada vez maior. As atividades industriais com destaque na produção de aço e energia vêm se recuperando da desaceleração provocada pela crise de credito registrada a partir da economia America. O cenário desenhado gera um problema grave o que faz com que as empresas busquem áreas, meios de aumentar a produção para atender essa demanda.

Uma das formas encontradas é o plantio de florestas, que em suma seria a recuperação de áreas degradadas, no entorno de APPs e RLs, buscando uma integração entre floresta Nativa e comercial, formando corredores ecológicos, condicionando que haja uma recuperação dos biomas da região e inclusive que ocorra o contato entre eles. O Estado do Paraná é um dos pioneiros nessa técnica, o que chamou a atenção do governo e do Ministério do Meio Ambiente que busca levar projetos nesta conformação para outras regiões de interesse no Brasil.

Florestas Naturais

Florestas Naturais ou florestas de manejo sustentável são empreendimentos florestais complexos que demandam um alto conhecimento técnico científico. Em suma são florestas naturais e que são estabelecidas espécies de interesse econômico onde são processadas sua extração da área, de forma técnica, e a mesma espécie é novamente plantada recompondo a população. O entrave é que segundo especialistas, pode ocorrer uma perca da variabilidade genética das plantas retiradas no momento da extração. Ora sabe-se que segundo Emerenciano (2007) cada árvore abatida de interesse comercial 2,4 arvores são derrubadas, sendo que 28% delas são queimas, pois não há tecnologia para o aproveitamento das mesmas.

Nota se, portanto, que a extração de madeira de baixo impacto se demonstra no ponto de vista comercial e ambiental carente de estudos e que nas atuais condições ela tende a diminuir. Principalmente na questão da certificação, muitas já não estão conseguindo liberação para implantação de atividade, em parte pelo custo de certificação em parte por não conseguirem atender aos requisitos ambientais e sociais mínimos.

Vale ressaltar que ainda existem muitos projetos bem sucedidos neste formato, entretanto tais projetos não se baseiam unicamente na extração de madeira o que seria inviável economicamente se tão somente assim procedessem.

Oportunidades para o Setor Florestal

Podemos destacar como oportunidade para o setor florestal principalmente a comercialização de madeira para fins energéticos, pois em varias regiões, inclusive na Amazônia, se observa a extração de madeira para indústrias siderúrgicas, muita das vezes de forma ilegal ou levemente suspeita.

Há também a produção de álcool e biodiesel através da celulose, onde já temos tecnologia necessária e já há iniciativas de empresas interessadas neste nicho de mercado. A produção de energia elétrica, onde com a crescente demanda energética brasileira é uma das políticas de obtenção de energia já admitidas de interesse pelo governo.

Ampliação na questão de venda de créditos de carbono, o que hoje ainda não esta sendo efetivado, por conta de deficiências no modo de mensuração, entre outros aspectos legais, o que ainda trava a negociação dos créditos.

Implantação de florestas urbanas em parques e ou recomposições de áreas ambientais dentro da área urbana, o que vem crescendo e demonstrando interesse do setor florestal, uma forma mais ecológica de produção e de conservação promovendo um contato maior com a sociedade consumista, melhorando a opinião sobre as atividades.

Referências Bibliográficas

ABIMCI. A importância do setor para o Brasil. Disponível em: <HTTP://www.abimci.com.br/importancia_setor.html>. Acesso em: 4 de Nov. 2009.

EMERENCIANO, D, B. A missão de promover o Desenvolvimento Sustentável, v. 9, p. 44, Set./Nov. 2007.

OZINGA, S. Footprints in the florest: Current pratice and future challenges in florest certification. Gloucestershire: FERN – Fosseway Business Centre, Fev. 2004.

PAPP, L. M. Certificação de Manejo Florestal pelos padrões do FSC (Forest Stewardship Council): Contribuição para o Ecodesenvolvimento. 2006. , p.151. (Dissertação - Engenharia Ambiental) – Universidade Regional de Blumenau – Blumenau-SC.

SIMPOSIO DE SILVICULTURA TROPICAL, 1., 15 à 16 Jun. 2009. Botucatu-SP Anais..., Botucatu-SP. FCA/UNESP. 2009.

VIANA, V. M., et. al. Certificação Florestal. São Paulo. Conselho Nacional da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica. 2002. 98 p. (Cadernos da reserva de Mata Atlântica: Series de política pública 23)

1¹ - Graduandos em Engenharia Agronômica do IFTM- Campos Uberaba

² - Ms. Alberto – Prof. do IFTM – Campos Uberaba.

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