a criança - desenvolvimento infantil

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Estrutura e Dinâmica da Personalidade em Desenvolvimento desde o Início de sua Formação

Titul

Edição Ano 1-2-3-4-5-6-7-8-9-10. 91-92-93-94-95

CAPITULO UM A Relação Primal Mãe-Filho e as Primeiras Fases do Desenvolvimento da Criança 7

CAPÍTULO DOIS Relação Primal e Desenvolvimento da Relação Ego-Self 23

CAPÍTULO TRÊS Distúrbios da Relação Primal e suas Conseqüências 49

Do Matriarcado ao Patriarcado7
A Criança e o Masculino na Fase Matriarcal84
Higiene, Postura Ereta é o Problema do Mal94

O Uroboros Patriarcal e a Mulher 80 A Crescente Independência do Ego e o Surgimento de Conflitos 89 O Desmame 92

Os Estágios no Desenvolvimento do Ego da Criança 109

Os Estágios Fálico-ctônico e Fálico-Mágico do Ego 113 A Transcendência do Matriarcado pelo Ego Mágíco-Guerreiro e pelo Ego

Solar 126

Conclusões a Serem Tiradas desse Mito 131 Totemismo e o Desenvolvimento Patriarcal . 135

O Arquétipo do Pai e o Princípio Masculino148

O Patriarcado.. 141

Notas 165 Fontes 173 Bibliografia... 179

Assim como o mundo matriarcal — no qual o predomínio é do inconsciente e no qual a consciência egóica ainda não se desenvolveu — domina a psicologia das culturas primitivas, o mesmo acontece ontogeneticamente no desenvolvimento de cada ser humano isolado.

Uma das características fundamentais que diferencia o homem dos animais, até mesmo daqueles que se encontram mais próximos do homem na escala evolutiva, é o fato de o filhote humano, para empregar a terminologia de Portmann, precisar passar por uma fase embrionária intra-uterina, e também por uma outra, extra-uterina. Os filhotes dos mamíferos superiores nascem num estado de relativa maturidade; ou imediatamente, ou logo um pouco após o nascimento, já são pequenos adultos, que têm não apenas toda a aparência dos animais adultos, como também já se encontram aptos a levar a vida sem precisarem de qualquer ajuda. O embrião humano, para nascer num estado de amadurecimento equivalente, precisaria passar por um período de gestação de cerca de vinte a vinte e dois meses. Em outras palavras, o filhote humano, após os nove meses que passa no útero, requer ainda mais um ano para atingir o grau de maturidade que caracteriza a maioria dos demais mamíferos ao nascer. Deste modo, todo o primeiro ano da infância precisa ser considerado como fazendo parte da fase embrionária. Soma-se à fase embrionária, em que a criança se encontra psíquica e fisicamente integrada no corpo da mãe, uma segunda fase, pós-uterina, pós-natal, durante a qual a criança já fez sua entrada na sociedade humana e, como seu ego e sua consciência começam a desenvolver-se, vai incorporando a linguagem e os costumes de seu grupo. Esta fase, que Portmann denominou de período uterino social, caracteriza-se pelo domínio da relação primal com a mãe, que, de início, representa para a criança todo o mundo apreensível, todo o ambiente circundante, mas que pouco a pouco vai propiciando à criança experimentar aspectos novos dq mundo.

Este fenômeno básico, específico da humanidade, estabelece um contexto humano para o desenvolvimento da criança desde "seu início. O estado de dependência da existência humana é único no reino animal pelo fato de, na parte final de sua vida embrionária, o filhote humano ser retirado das mãos da míe-natureza e. entregue a uma mãe humana. A relação primal da criança com a mãe é mais do que uma relação primária, pois graças a essa relação, antes mesmo do seu "verdadeiro" nascimento, que ocorre quando tem por volta de um ano de idade, a criança vai sendo moldada pela cultura humana, uma vez que a mãe vive imersa num coletivo cultural, cujos valores e linguagem influenciam, inconscientemente mas de modo efetivo, o desenvolvimento da criança. A atitude do coletivo em relação à criança, ao seu sexo, à sua individualidade e ao seu desenvolvimento, pode ser uma questão de vida ou de morte. 0 fato de ser menino ou menina, ou gêmeos, a aparência física da criança ou as circunstâncias do seu nascimento, se avaliados negativamente pelo coletivo, demonstra-se tão desastroso para o futuro da mesma quanto ser portador de uma deformidade física ou de uma deficiência mental.

Por isso, já na fase pré-natal existe uma evidente adaptação à coletividade, relacionada com a atitude que esta mantém, de aceitação ou rejeição, de cada um de seus indivíduos componentes. Ao lado, porém, desta tendência à adaptação, encontramos já bem desde o início o automorfismo do indivíduo, uma necessidade de formar seu próprio ser a partir dos elementos particulares que o constituem, no interior da coletividade e, se necessário, independentemente dela ou em oposição a ela.

Quando a Psicologia Analítica tenta formular as leis que dirigem o desenvolvimento da personalidade, precisa inventar uma nova terminologia, visto que tomar emprestados os termos criados por Freud e sua escola pode tornar indistinguíveis as diferenças profundas entre as direções das duas psicologias profundas. Os adeptos da Psicologia Analítica até agora negligenciaram essa imposição e a conseqüência tem sido ocorrer uma perda na clareza. Postular a necessidade dessas correções na terminologia tem um fundamento teórico, além do que, o uso de termos inadequados freqüentemente leva a interpretações redutivistas de fenômenos psíquicos e, daí, a mal-entendidos que tornam difícil, se não impossível, uma abordagem terapêutica compreensiva.

Em nosso esforço para descrever com clareza a relação primal mãe-filho, confrontamo-nos com a interligação, central para a psicologia da criança, entre o desenvolvimento do ego e o desenvolvimento da personalidade como um todo.

Qualquer discussão que se coloque na perspectiva da Psicologia Analítica a respeito do desenvolvimento da personalidade e, de modo especial, da personalidade da criança — deve começar assumindo o fato de que o que vem primeiro é o inconsciente, e que só depois é que surge a consciência. A personalidade como um todo e o seu centro diretor, o Self, existem antes de o ego tomar forma e desenvolver-se como centro da consciência; as leis que regem o desenvolvimento do ego e da consciência estão subordinadas ao inconsciente e à personalidade como um todo, que é representado pelo Self.

Damos o nome de centroversão à função da totalidade, que na primeira metade da vida leva, entre outras coisas, à formação de um centro de consciência, posição esta que gradualmente vai sendo assumida pelo complexo do ego. Com a formação deste centro, o Self estabelece um "derivado" de si próprio, uma "autoridade", o ego, cujo papel é representar os interesses da totalidade, defendendo-os das demandas particulares do mundo interior e do meio ambiente. Simbolicamente, a relação do ego com o centro da totalidade é uma relação de filho. O centro da totalidade, ou Self, enquanto relacionado com o desenvolvimento do ego, encontra-se estreitamente ligado aos arquétipos parentais. Durante a primeira metade da vida predomina a psicologia do ego e da cons- ciência, e a personalidade é centrada no ego e na consciência. No processo de individuação da segunda metade da vida, ocorre um deslocamento de foco do ego para o Self. Todos esses processos, assim como a ampliação e a síntese da consciência e a integração da personalidade, ocorrem sob o comando da centroversão.

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