Apostila de pediatria

Apostila de pediatria

(Parte 1 de 16)

UNIDADE ASSUNTO PÁG 01 Introdução a Enfermagem Pediátrica 3 02 Cuidados de Enfermagem ao Recém Nascido 6 03 Teste de PKU 12 04 Programa Nacional de Imunização 14 05 Assistência de Enfermagem no Crescimento e Desenvolvimento da Criança 20 06 Atenção Integrada as Doenças Prevalentes na Infância - AIDPI 32 07 Infecções Respiratórias Agudas 3 08 Diarréia Aguda 38 09 Desnutrição 41 10 Desidratação 43 1 Necessidades Básicas da Criança 46 12 Hospital Pediátrico 54 13 Humanização da Assistência a Criança Hospitalizada 59 14 Admissão e Alta da criança 61 15 Cuidados de Enfermagem no Pré, trans e pós – operatório da criança 64 16 Assistência de enfermagem a Criança Terminal 67 17 Assistência de Enfermagem nas doenças prevalentes na infância 70

Escabiose 70 Pediculose 71 Impetigo 71 Dermatites 72 Monilíase Oral 72 Glomerulonefrite Difusa Aguda 73 Crise Convulsiva 74 Septicemia 78

Técnicas Pediátricas 81

18 Referências Bibliográficas 86 19 Anexos 87

UNIDADE 1

O significado social e a existência de um grande número de crianças em qualquer população são marcas de enfermagem pediátrica. Esta se caracteriza pela atenção a um grupo de pessoas que está em constante crescimento e desenvolvimento e pela abordagem de ações preventivas em seu cotidiano de assistência.

O aparecimento da Pediatria como especialidade ocorreu na Europa, quando alguns médicos começaram a observar e a estudar as diferenças das doenças ocorridas em adultos e em crianças. Antes disso, o fato não tinha o menor significado tanto para médicos quanto para enfermeiras. O aparecimento do primeiro departamento de Pediatria na Universidade de Havard se deu em 1888.

Há algum tempo, a assistência de enfermagem à criança hospitalizada seguia condutas e procedimentos extremamente rígidos. A ausência de medicamentos antibióticos, os altíssimos índices de infecção, o grande número de crianças doentes e o próprio despreparo de profissionais levavam ao estabelecimento de regras de isolamento e repouso muitas vezes absurdas, como o uso de camisas - de - força. Preocupados com o risco de infecção cruzada e despreparados para atender as necessidades individuais da criança e dos pais, os profissionais de saúde as mantinham isoladas, tanto uma das outras como da mãe e do restante da família. Com os avanços na área de saúde, houve mudanças nos métodos de assistência à criança.O advento da Psicologia, os estudos de Freud e de outros sobre o comportamento humano deram início a uma abordagem mais integral à criança, possibilitando a compreensão das suas necessidades emocionais,em suas diversas fases de crescimento e desenvolvimento.

1.0 – CONCEITOS BÁSICOS NA ASSISTÊNCIA À SAÚDE DA CRIANÇA:

1.1- Enfermagem Pediátrica: É um campo de estudo e de prática da enfermagem dirigida à assistência à criança até a adolescência. Ou, ainda, é um campo da enfermagem que se dedica ao cuidado do ser humano em crescimento e desenvolvimento, desde o nascimento até a adolescência. 1.2- Pediatria: É o campo da Medicina que se dedica à assistência ao ser humano em crescimento e desenvolvimento, desde a fecundação até a adolescência. 1.3- Neonatologia: é o ramo da Pediatria que atende o recém-nascido, desde a data do nascimento até completar 28 dias; 1.4- Puericultura: também denominada de Pediatria Preventiva, é o ramo da Pediatria que cuida da manutenção da saúde da criança e do acompanhamento de seu crescimento e desenvolvimento. 1.5- Hebiatria: é o ramo da Pediatria que atende as necessidades de saúde do adolescente.

1.6- Classificação da infância em grupos etários:

Período neonatal: 0 a 28 dias; Infância: de 29 dias a 10 anos

- Lactente: 29 dias a 2 anos - Pré – escolar: 2 a 7 anos

- Escolar: 7 a 10 anos. Adolescência: de 10 anos a 20 anos.

2.0. DIREITOS DA CRIANÇA:

2.1- DECLARAÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS: Em 1924, os direitos da criança foram declarados pela ONU, mas o reconhecimento da Declaração Universal dos Direitos Humanos aconteceu em 1959.

Profª Aretusa Delfino

Objetivando afirmar que toda criança merece uma infância feliz e que possa gozar de direitos e liberdades, essa declaração enunciou os seguintes princípios:

“Toda criança gozará de todos os direitos enunciados na Declaração”:

A criança gozará de proteção especial e ser-lhe-ão proporcionadas oportunidade e facilidade, a fim de facultar o desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social de forma sadia e normal e em condições de dignidade. Toda criança terá direito a nome e nacionalidade, desde o nascimento;

A criança gozará os benefícios da previdência social,a criança terá direito à alimentação, habitação, recreação e assistência médica adequadas;

À criança incapacitada física ou mentalmente, serão proporcionados o tratamento, a educação e os cuidados especiais;

Para o desenvolvimento completo e harmonioso da sua personalidade, a criança precisa de amor e de compreensão.

A criança terá direito a receber educação, que será gratuita e obrigatória, pelo menos no grau primário; A criança figurará, em qualquer circunstância, entre os primeiros a receber proteção e socorro;

A criança deve ser protegida contra quaisquer formas de negligência, crueldade e exploração;

A criança gozará de proteção contra atos que possam suscitar discriminação racial, religiosa ou de qualquer outra natureza (ONU, 1959).

3.0. ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE:

O Estatuto da criança e do adolescente foi legalizado em 1990, pela Lei Federal nº 8.069. Ao prestar sua assistência, os técnicos e os auxiliares de enfermagem, assim como os demais profissionais de saúde, deverão considerar os direitos prescritos por esse Estatuto, sob pena de serem acionados judicialmente. No Brasil, com relação à saúde, as crianças e os adolescentes têm os seguintes direitos:

Art.7º. A criança e o adolescente têm direito à proteção, à vida e a saúde, mediante a efetivação de políticas sociais públicas que permitam o nascimento e o desenvolvimento sadio e harmonioso, em condições dignas de existência.

Art. 8º. É assegurado à gestante, através do SUS, o atendimento pré e perinatal.

Art 9º. O Poder público, as instituições e os empregadores propiciarão condições adequadas ao aleitamento materno, inclusive aos filhos de mães submetidas a medida privativa de liberdade.

Art 10º. Os hospitais e demais estabelecimentos de atenção à saúde de gestantes, públicos e particulares, são obrigados a:

I- manter registro das atividades desenvolvidas pelo prazo de 18 anos; I- Identificar o recém-nascido; I- Proceder a exames visando ao diagnóstico e terapêutica de anormalidades no metabolismo do recém-nascido, bem como, a orientação aos pais;

IV- Fornecer declaração de nascimento onde constem as intercorrências do parto e do desenvolvimento de neonato.

Art 11º. È assegurado atendimento médico à criança e ao adolescente, através do SUS, garantindo o acesso universal e igualitário às ações e serviços para a promoção, proteção e recuperação da saúde.

Profª Aretusa Delfino

Anotações

Art 12º. Os estabelecimentos de atendimentos á saúde deverão proporcionar condições para a permanência em tempo integral de um dos pais ou responsável, nos casos de internação de criança ou adolescente.

Art 13º. Os casos de suspeita ou maus tratos contra criança ou adolescente serão obrigatoriamente comunicados ao Conselho Tutelar da respectiva localidade.

Art 14º. O SUS promoverá programas de assistência médica e odontológica para a prevenção das enfermidades que ordinariamente afetam a população infantil, e campanhas de educação sanitária para pais, educadores e alunos.

Parágrafo único: É obrigatória a vacinação das crianças nos casos recomendados pelas autoridades sanitária. ( MS, 2001)

Profª Aretusa Delfino

UNIDADE 2

1. CONCEITO E CLASSIFICAÇÃO DO RN (RECÉM-NASCIDO) QUANTO: 1.1. Idade Gestacional:

RN À TERMO OU NORMAL: é toda criança nascida de uma gestação entre 38 a 42 semanas de gestação. (280 dias/ Dando margem de 15 dias antes ou após o parto).

RN PREMATURO: é toda criança nascida de uma gestação entre 28 a 37 semanas de gestação.

RN POSMATURO: é toda criança nascida de uma gestação com mais de 42 semanas de gestação.

1.2. Peso Ao Nascer

A.I.G (Adequado para a Idade Gestacional): é todo RN que nasce com peso > 2,5 a 4 kg – entre percentis 10 e 90.

P.I.G (Pequeno para a Idade Gestacional): é todo RN que nasce com peso igual ou inferior a 2,5 kg, abaixo do percentil 10.

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