manejo de defensivos agricolas

manejo de defensivos agricolas

ESCOLA GROTÉCNICA FEDERAL DE SOMBRIO

DISCIPLINA DE CONTROLE SANITÁRIO VEGETAL

Prof. Carlos A. Krause

MANEJO DE DEFENSIVOS AGRÍCOLAS

1.1 Avaliação do problema

A aplicação de produtos fitossanitários, ou qualquer método de controle de um "problema fitossanitário", só é válida e adequada se realmente existe o referido problema.

Cabe aos técnicos a grande responsabilidade de identificar e orientar os agricultores quanto a presença de insetos, fungos, plantas daninhas, etc. ocasiona um problema fitossanitário com danos econômicos.

Existem circunstâncias em que o uso de produtos químicos não é necessário, como quando os métodos culturais e/ou biológicos de controle são eficazes.

1.2 Informações e receituário agronômico

Quando o uso de produtos fitossanitários é considerado necessário, devem ser obtidas informações sobre:

*produtos recomendados e locais onde podem ser obtidos;

*doses, diluições, épocas e freqüência das aplicações;

*método(s) de aplicação;

*precauções a serem tomadas;

*custos por unidade da área a ser tratada.

Antes da aquisição de um produto fitossanitário, deve-se obter uma receita agronômica que é prescrita por um profissional habilitado, registrado no CREA.

1.3 O processo educativo

O manuseio correto e seguro dos produtos fitossanitários apoia-se, principalmente, no aplicador desses produtos. Se ele estiver informado sobre os produtos que vai manusear e compreender a importância de tomar as precauções adequadas, poderá fazer muito pela própria saúde e pela dos outros.

Resulta daí que um dos pontos mais importantes é a educação, envolvendo o pessoal de decisão e supervisão (proprietários, técnicos, orientadores, administradores, feitores) e, de maneira especial, aqueles que manipulam e aplicam o produto. É com a finalidade de se obter os melhores resultados agronômicos com a utilização dos produtos fitossanitários e, ao mesmo tempo, evitar os possíveis problemas de intoxicação, poluição ambiental e contaminação de alimentos com resíduos acima dos limites permitidos, que o uso correto e seguro desses insumos deve merecer a atenção constante de todos.

2.1 Aquisição

Fornecimento em tempo hábil

Para garantir que tudo esteja pronto na época do controle fitossanitário, os fornecedores e os usuários devem assegurar-se de que os produtos, os equipamentos de aplicação e de proteção e as peças de substituição foram encomendadas e recebidas em tempo hábil. Devem estar disponíveis também os manuais de operação, manutenção e reparos dos equipamentos.

Estes cuidados são particularmente importantes em áreas de difícil acesso ou onde o mau tempo possa atrasar os transportes.

Aquisição do produto certo

Ao adquirir os produtos fitossanitários, certifique-se de que os produtos adquiridos são precisamente aqueles que foram prescritos pelo profissional habilitado. Os rótulos dos produtos fitossanitários têm escrito, de forma clara, o nome do produto, sua composição e sua formulação. A bula contém todas as informações necessárias para orientá-lo na correta utilização dos produtos.

Recusa de embalagens danificadas

As embalagens dos produtos fitossanitários devem ser examinadas com cuidado na hora de seu recebimento, devendo ser recusadas as que estiverem em mau estado, apresentarem vazamentos ou sinais de violação, que podem indicar falsificação do produto.

Recusa de produtos com validade vencida

Certifique-se de que o produto que você está comprando está dentro do prazo de validade. Esta informação deverá constar, obrigatoriamente, dos rótulos de todas as embalagens.

2.2 Transporte

Deve ser seguida a legislação competente, atualmente estabelecida pelos Decretos n° 96.044, de 18 de maio de 1988, Decreto n° 1.797, de 25 de janeiro de 1996, Decreto Lei 2.063, de 6 de outubro de 1983, Portaria n° 204, de 20 de maio de 1997, do Ministério dos Transportes e normatização técnica da ABNT.

Esta legislação é obedecida, naquilo que lhes compete, pela indústria e comércio de produtos fitossanitários, pelas empresas de transporte rodoviário e pelos outros segmentos que efetuam o transporte desses produtos.

Recomendações para o transporte

Ao transportar produtos fitossanitários devem ser observados cuidados básicos, a fim de serem evitados riscos para a saúde humana, bem como para os animais domésticos e o ambiente.

Nunca transportar produtos fitossanitários juntamente com alimentos, medicamentos, rações animais e sementes.

Antes de carregar, retirar os pregos ou metais salientes ou lascas de madeira porventura existentes na carroceria dos veículos e que podem perfurar as embalagens e causar vazamentos.

O carregamento, empilhamento e a descarga das embalagens de produtos fitossanitários devem ser sempre feitos com cuidado.

Nunca colocar sobre as embalagens dos produtos fitossanitários volumes pesados que as possam danificar, ou que as façam cair, o que se consegue procedendo a uma arrumação cuidadosa.

Não transportar embalagens abertas, furadas ou com vazamentos.

Em caminhões e outros meios de transporte sem cobertura própria, proteger os produtos fitossanitários com uma cobertura de lona.

Todas as pessoas envolvidas no carregamento, arrumação e descarga de produtos fitossanitários devem utilizar os equipamentos de proteção adequados (avental, camisa de manga comprida, chapéu, luvas, etc.) durante as operações citadas.

Não fumar, não beber, não usar sanitários, nem se alimentar sem antes lavar as mãos e o rosto com água e sabão.

Não transportar pessoas ou animais junto com a carga, no mesmo compartimento.

Os veículos para o transporte de produtos fitossanitários devem passar por revisões periódicas de forma a garantir o transporte seguro. Itens como freios, extintores, luzes, pneus e amortecedores devem ser checados antes de iniciar qualquer viagem.

Medidas a serem tomadas em caso de emergência

Quedas ou vazamentos da carga:

Mantenha pessoas e animais à distância. Use os cones de aviso. Não sinalize com fogo.

Circunscreva o vazamento construindo um camalhão de terra ou serragem.

Não fume perto de vazamentos de líquidos nem use qualquer fonte de luz que possa gerar centelhas ou faíscas. Algumas formulações de produtos fitossanitários são inflamáveis.

Use roupas protetoras durante a operação de limpeza.

Retire as embalagens danificadas e coloque-as em terreno limpo, longe de habitações e de cursos d'água, em posição que evite vazamentos. Se possível forre o chão.

Use terra ou serragem para absorver o material derramado; varra cuidadosamente o material misturado com o produto derramado. Coloque em tambor, feche bem; coloque rótulo do conteúdo.

Lave bem todas as partes contaminadas do veículo, longe de poços, rios, córregos e outras fontes de água.

Coloque em aterro aprovado para lixo tóxico ou em local protegido, aguardando destinação final (incineração/recuperação/reciclagem).

Contaminação de pessoas:

Retire todas as roupas contaminadas, as quais deverão ser cuidadosamente lavadas, separadamente, das roupas comuns de uso diário da família.

Lave imediatamente todas as partes atingidas do corpo, procure imediatamente orientação médica, levando a embalagem com rótulo do produto.

Contaminação de alimentos

Em caso de alimentos contaminados, procure assistência da ANDEF ou de suas associadas, ou órgão ambiental de sua região, sobre a forma mais viável de realizar o descarte dos mesmos.

Os alimentos contaminados nunca devem ser ingeridos por pessoas ou animais.

Instruções em caso de acidente no transporte

Conforme estabelecido na legislação e pelas Normas ABNT, NBR 7503, 7504 e 8285, o transporte de todo produto fitossanitário de natureza química deve ser acompanhado de sua respectiva ficha de emergência (fornecida pelo fabricante ou expedidor), onde estão contidos todos os procedimentos no caso de acidente.

Nestes casos, isole a área e contate a defesa civil.

2.3 Armazenagem

Os produtos fitossanitários são substâncias que podem se deteriorar e se tornar ineficazes e até perigosos se não forem armazenados em condições apropriadas.

As embalagens devem ser mantidas sempre fechadas e abrigadas na sombra, em lugar seco e ventilado.

Os produtos fitossanitários devem ser sempre armazenados com segurança:

* fora do alcance de crianças, pessoas não habilitadas e animais. Local fechado à chave e sinalizado "Perigo - Produtos Fitossanitários".

*separados de alimento, medicamentos e rações animais; nunca no mesmo armazém.

*distante de fontes de abastecimento de água.

*em locais não sujeitos a inundações.

Armazenagem separada

Armazenar produtos fitossanitários separadamente de outras mercadorias e também separar as classes de produtos fitossanitários - inseticidas, fungicidas, herbicidas, acaricidas e outros - de forma a não haver troca de produtos.

Manter, também, afastadas dos alimentos as iscas raticidas e as sementes tratadas com produtos fitossanitários, para evitar consumo acidental.

Rotação de estoque

Em caso de produtos estocados de safra anterior, deve-se reduzir os riscos de envelhecimento e ultrapassagem do prazo de validade utilizando-se, primeiramente, os produtos remanescentes mais antigos.

Inspeção

As embalagens deverão ser inspecionadas regularmente para detectar danos ou com sinais de vazamento. Deverão ser retiradas do estoque as que estiverem nestas situações. Mantenha-as em local isolado e protegido, até a destinação final.

Embalagens danificadas

O conteúdo dessas embalagens poderá, eventualmente, voltar a ser embalado, se estiver em boas condições, em recipientes corretamente rotulados. Os materiais danificados e não recuperáveis devem ser destruídos ou descartados, de acordo com as instruções da autoridade local ou regional responsável pela fiscalização do comércio e uso dos produtos fitossanitários, ou de acordo com a orientação do fabricante.

Reembalagem

É proibido dividir as embalagens originais em quantidades menores para vendas a varejo, e mesmo para utilizá-las na lavoura; é desaconselhável a reembalagem em garrafas, sacos, caixas ou outros recipientes avulsos.

Os produtos fitossanitários devem sempre ser mantidos em sua embalagem original. Nunca transferir esses produtos para outros recipientes (garrafas, sacos, caixas, etc.).

As embalagens originais vêm devidamente rotuladas e com bula anexa, de acordo com a Lei.

3. Instruções de Uso

Todos os produtos fitossanitários têm seus usos devidamente registrados pelo Ministério da Agricultura e do Abastecimento, aprovados pelo Ministério da Saúde e pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) quanto às culturas a serem protegidas, bem como aos cuidados a serem observadas na proteção da saúde dos aplicadores e na preservação do meio ambiente. As precauções de ordem geral e específica no uso dos produtos fitossanitários fazem parte do processo de registro. Os rótulos, as bulas e os folhetos complementares dos produtos fitossanitários contêm todas as instruções de uso devidamente aprovadas, conforme determina a legislação.

A leitura dos rótulos, das bulas, dos folhetos complementares e a rigorosa observância de suas instruções são condições indispensáveis ao uso correto e seguro.

3.1 Classificação toxicológica

Os rótulos apresentam uma faixa que, de acordo com a cor, indica a classe toxicológica de cada formulação de produto fitossanitário:

Classe I Faixa Vermelha - extremamente tóxico

Classe II Faixa Amarela - altamente tóxico

Classe III Faixa Azul - medianamente tóxico

Classe IV Faixa Verde - pouco tóxico

3.2 Preparo das caldas

Formulações

Os produtos fitossanitários são apresentados em diversas formulações de acordo com as características próprias de cada produto e tendo em vista a forma mais prática, mais segura e adequada de uso do produto.

Formulações para uso direto: UBV, pós secos, granulados.

Formulações que requerem diluição em água: pós molháveis, concentrados emulsionáveis e solúveis, emulsões concentradas, suspensões concentradas, grânulos dispersáveis em água. Alguns produtos vêm acondicionados em saquinhos que se solubilizam na água, liberando seu conteúdo.

Cuidados essenciais

Ao abrir uma embalagem de produto fitossanitário, faça-o com os devidos cuidados para não ser atingido por respingos, pelo pó ou grânulos desprendidos.

Nunca fure as embalagens para retirar o produto. Se necessário, use meios e ferramentas adequadas para remover a tampa.

Provetas, copos graduados, funis, balanças, filtros, baldes, canecas, tambores, vasilhames e outros são os utensílios recomendados para o preparo das caldas.

Estes utensílios devem ser usados exclusivamente na preparação das caldas.

Nunca utilizar utensílios domésticos.

Nunca manipular os produtos fitossanitários com as mãos desprotegidas. Usar luvas impermeáveis. Ex. luvas nitrílicas ou de Neoprene®.

Nunca agitar as caldas com as mãos. Empregar para esse fim uma haste de material e resistência adequados.

Após seu uso, lavar todo material que serviu para a preparação da calda.

Utilizar sempre água limpa; coar as impurezas que nela possam se encontrar para que não entupam os bicos ou interfiram no funcionamento do produto aplicado.

Ao manusear líquidos, evitar respingos, utilizando um funil, se necessário.

Nunca aspirar um produto fitossanitário utilizando mangueiras ou qualquer outro utensílio.

Manusear os pós secos, os pós molháveis, os pós solúveis e os grânulos dispersíveis em água de modo a evitar o desprendimento de poeiras.

Usar os equipamentos de proteção indicados no rótulo. O uso de protetor facial e de avental impermeável é indicado no preparo da calda de qualquer produto fitossanitário.

Fechar as embalagens depois de usadas, de modo a evitar qualquer perda ou contaminação e guardá-las em local apropriado (vide 2.3)

Não manusear os produtos fitossanitários nem proceder à preparação da calda no interior ou na proximidade de residências, escolas, etc., ou onde permaneçam animais. Faça-o em local ventilado.

Afastar as crianças e outras pessoas não envolvidas no trabalho.

Não contaminar poços, fontes e quaisquer cursos de água.

Nunca utilizar cursos de água ou poços para abastecer, diretamente, os tanques dos pulverizadores. Utilize carretas-pipas para serem abastecidas, nos cursos de água ou poços, para o abastecimento posterior dos tanques dos pulverizadores.

Medidas em caso de derramameno ou respingos

Se houver contaminação da pele, lavar as partes atingidas com água e sabão. Em caso de contaminação dos olhos, lavá-los imediatamente e abundantemente com água corrente por 15 minutos.

Retirar imediatamente a roupa contaminada e trocá-la por roupa limpa após lavar abundantemente as áreas da pela contaminadas.

No caso de derramamento de produto - sem atingir pessoas - proceder conforme indicado nos itens anteriores.

Procedimento para o preparo das caldas

No rótulo constam informações sobre a concentração da formulação, a dose a utilizar, a diluição e respectivos cuidados.

Siga sempre as doses e diluições recomendadas. Doses mais altas não significam melhorar a eficácia do produto e ainda podem acarretar fitotoxicidade e riscos para a saúde e o meio ambiente. Por outro lado, doses mais baixas que as recomendadas serão menos eficazes ou até ineficazes.

Os métodos adotados no campo para medir ou pesar os produtos fitossanitários e preparar as diluições (caldas) respectivas, assim como o equipamento necessário, variam em função da formulação do produto e de sua escala de utilização.

Formulações para pronto uso, tais como os pós secos, os grânulos ou os UBV's deverão ser usadas sem qualquer diluição prévia e aplicadas sempre com os equipamentos adequados.

Já as formulações líquidas concentradas (concentrados emulsionáveis, soluções concentradas, suspensões concentradas, grânulos dispersíveis em água) devem ser medidas e despejadas nos tanques dos pulverizadores já parcialmente cheios com água. Os pós molháveis devem ser, primeiramente, misturados com pequena quantidade de água para formar um creme homogêneo, que é depois colocado no tanque do pulverizador, que já deverá estar parcialmente cheio com água. O tanque deverá então ser completado com a quantidade de água de acordo com a diluição desejada. A agitação constante da calda é importante para manter sua homogeneidade. Os pulverizadores não devem ficar demasiadamente cheios, pois poderá haver derramamento de calda durante o uso. Caso haja necessidade de preparar um estoque de calda para abastecer um ou mais pulverizadores, não preparar quantidades maiores do que aquelas necessárias para o trabalho de um dia. Para misturas em tanque deve-se atentar para as instruções específicas contidas nos rótulos, quanto a ordem e forma de realizar as diluições para preparação da calda.

O preparo da calda de formulações de produtos fitossanitários, acondicionadas em embalagens hidrossolúveis, não requer medição, bastando colocar o número recomendado de embalagens no tanque do pulverizador parcialmente cheio (cerca de 1/4 do volume) completando posteriormente o volume com água e mantendo contínua agitação.

Tríplice lavagem de embalagens vazias

Esgotar todo conteúdo da embalagem do produto Colocar 1/4 de água do volume total* Tampar e agitar para lavar a embalagem*

Despejara água da lavagem dentro do pulverizador* Fure o fundo da embalagem para não ser reutilizada e conserve o rótulo

Esgotar todo conteúdo da embalagem do produto Colocar 1/4 de água do volume total* Tampar e agitar para lavar a embalagem*

Despeja água da lavagem dentro do pulverizador* Fure o fundo da embalagem para não ser reutilizada e conserve o rótulo

Esgotar todo conteúdo da embalagem do produto Colocar 1/4 de água do volume total* Tampar e agitar para lavar a embalagem*

Despejar a água da lavagem dentro do pulverizador* Fure o fundo da embalagem para não ser reutilizada e conserve o rótulo

* Repita esse passo três vezes

Após o uso dos produtos fitossanitários, restam as embalagens vazias, contaminadas pelos produtos que continham, e que precisam ser descartadas de maneira correta e segura, para não contaminar o homem, os animais domésticos e o ambiente (solo, ar e água). Portanto, antes de qualquer destinação final de embalagens vazias, é extremamente importante que o resto do produto, que ainda fica no seu interior, seja retirado e descartado de maneira correta, segura e eficaz. Este procedimento é regulamentado pela ABNT, através da NBR 13.968.

No caso de embalagens metálicas, plásticas rígidas e de vidro, que contiveram produtos fitossanitários para serem aplicados diluídos em água, a remoção é feita usando-se a Tríplice Lavagem. Este método não se aplica aos produtos embalados em recipientes não rígidos como: sacos plásticos, sacos aluminizados, e sacos multifoliados. Estes recipientes deverão ser descartados de maneira diversa.

Tríplice Lavagem significa enxaguar três vezes a embalagem vazia. Esta medida de segurança torna possível a reciclagem do material usado na fabricação da embalagem de produtos fitossanitários.

Na execução da Tríplice Lavagem deve-se utilizar sempre equipamentos de proteção individual adequados como: luvas, botas, óculos protetores ou protetor facial.

Imediatamente após o esvaziamento da embalagem, você deverá mantê-la com a abertura voltada para baixo, sobre a abertura do tanque pulverizador ou sobre o vasilhame que está sendo utilizado para o preparo da calda, por no mínimo 30 segundos, até o esgotamento do produto da embalagem, quando o pingamento ficar bastante espaçado.

A seguir, volte a embalagem à posição normal e coloque água na mesma, em volume aproximado de até 1/4. Por exemplo: em uma embalagem de 20 litros, coloque 5 litros de água.

Coloque a tampa da embalagem e aperte adequadamente, o suficiente para evitar vazamento durante a agitação.

Agite a embalagem, vigorosamente, em todos os sentidos (horizontal e vertical), durante aproximadamente 30 segundo, para remover os resíduos do produto que ficaram aderidos às paredes internas da embalagem.

Retire a tampa da embalagem e coloque cuidadosamente a água de lavagem no tanque do pulverizador.

Mantenha a embalagem sobre a abertura do tanque do pulverizador, por aproximadamente 30 segundos, até o esgotamento total do seu conteúdo.

Repita as operações de lavagem por mais duas vezes. Assim você completou a tríplice lavagem.

A seguir inutilize as embalagens plásticas e metálicas, perfurando com um instrumento pontiagudo o fundo das embalagens, para evitar que os seus rótulos sejam danificados para permitir a sua identificação e para impedir a sua reutilização.

As embalagens inutilizadas poderão ser estocadas temporariamente em local adequado, aguardando destinação final.

No caso de embalagens de tamanho médio ou grande (50, 100 e 200 litros), após adicionar a água de lavagem em volume adequado e colocar a tampa da embalagem, role-a no chão durante aproximadamente 30 segundos.

A retirada da água de lavagem da embalagem deverá ser feita da mesma maneira que você fez para a retirada do produto, colocando no tanque do pulverizador ou sobre o vasilhame que está utilizando para o preparo da calda.

Repita as operações de lavagem por duas vezes. Na última, esvazie totalmente a embalagem, colocando sempre as águas de lavagem no tanque do pulverizador.

Quanto menor for a quantidade de água de lavagem que ficar na embalagem, de uma lavagem para outra, mais perfeita e mais completa será a descontaminação.

Para a execução da Tríplice Lavagem, não use volume de água muito menor, nem muito maior que 1/4 do volume da embalagem.

A Tríplice Lavagem deverá ser executada imediatamente após o esvaziamento da embalagem, durante o preparo da calda.

5. Aplicação dos produtos fitossanitários

Existem muitas técnicas para aplicação dos produtos fitossanitários , dependendo da cultura a ser protegida, do problema fitossanitário e do equipamento a ser usado.

Estas técnicas podem ser melhor assimiladas pelos agricultores ou pelos aplicadores em cursos de formação locais. Consulte a ANDEF e o SENAR de seu estado para saber a agenda de eventos em sua região.

Há, entretanto, alguns princípios básicos, comuns à maioria das situações, que permitem aos usuários a obtenção dos melhores resultados fitossanitários, sem perigo para eles próprios, outras pessoas e para o meio ambiente.

Todas as pessoas responsáveis pela aplicação, sejam os aplicadores ou auxiliares envolvidos, devem estar perfeitamente preparadas e informadas para garantir bons resultados.

Não aplique produtos fitossanitários sem ter o conhecimento necessário para este tipo de operação.

Não desentupa com a boca os bicos do equipamentos de aplicação; desmonte-os e limpe-os com água.

Mantenha afastadas todas as pessoas envolvidas no trabalho, bem como os animais domésticos.

Nunca permita que crianças, idosos, pessoas doentes ou gestantes trabalhem com os produtos fitossanitários, ou fiquem expostos de alguma maneira a eles.

Leia e siga as instruções do rótulo, da bula e do folheto complementar ou peça orientação quando tiver dúvidas sobre a dose recomendada, a dose a utilizar, equipamentos de proteção, épocas de aplicação e intervalo de segurança (período de carência).

Observe sempre as condições do tempo; não trabalhe com ventos fortes, que podem ocasionar arrastamento (deriva) do produto para outros locais. A deriva pode causar maus resultados no controle esperado e pode tornar-se perigosa se o produto desviado atingir o aplicador, outras culturas, fontes de água, animais ou habitações. A pulverização deve ser efetuada sempre a favor do vento.

Algumas formulações de produtos fitossanitários são facilmente lavadas e necessitam de um período sem chuva depois da aplicação para atuarem.

Mantenha as pessoas não envolvidas e os animais afastados das áreas recém-tratadas.

Procure sempre adotar práticas de Manejo Integrado.

6. Equipamento de proteção

Os produtos fitossanitários podem ser aplicados com segurança, desde que as instruções do rótulo, da bula, do folheto complementar e o uso das outras práticas de prevenção de acidentes sejam seguidas rigorosamente. As precauções devem estar relacionadas com o risco específico de cada grupo – os rótulos, as bulas e os folhetos dão instruções a respeito. O aplicador deve cuidar para não se contaminar quando do manuseio e uso de qualquer produto fitossanitário. Para prevenir a contaminação da pele, deve usar vestimenta de proteção, como: camisa de manga comprida, macacão, avental, botas, chapéu de aba larga e outros meios de proteção.

Para alguns produtos fitossanitários, o rótulo, a bula e o folheto complementar especificam a necessidade de equipamentos de proteção adicional, tais como luvas e óculos de proteção.

Em alguns outros casos, há exigência de uma proteção mais completa, com uso de máscara respiratória.

O Receituário Agrônomo deve indicar também quais os equipamentos de proteção individual são necessários em cada caso.

O uso, a manutenção e a guarda adequados dos equipamentos de proteção individual são essenciais e devem ser objeto de orientação e supervisão especializada junto aos aplicadores.

É, também, muito importante assegurar que haja sempre a disponibilidade de tais equipamentos.

Recomenda-se aplicar os produtos fitossanitários durante as horas mais frescas do dia, quando a operação se torna menos desconfortável, especialmente para os aplicadores que estiverem usando equipamento completo de proteção exigidos pelo produto. Não permita que pessoas sob sua responsabilidade apliquem os produtos fitossanitários sem estar usando devidamente os equipamentos de proteção individual.

7. Descarte e Destinação Final de Embalagens

Deve-se observar rigorosamente a legislação estadual e municipal específicas, e as recomendações dos órgãos ambientais.

Caso sua região disponha de um programa de reciclagem controlada e/ou disposição final de embalagens de produtos fitossanitários, você deverá contribuir:

* realizando a Tríplice Lavagem das embalagens.

* inutilizando as embalagens usadas através da perfuração do fundo das mesmas.

* transportando as embalagens para os postos de recebimento e coleta de material para reciclagem.

As embalagens externas dos produtos fitossanitários, como caixas de papelão e invólucros externos, desde que não contaminadas por resíduos dos produtos a que se destinaram, poderão ser descartadas como lixo comum, ou oferecidos para reciclagem.

8. Recomendações Complementares

Intervalo de Segurança

Os rótulos, as bulas e os folhetos complementares indicam sempre o intervalo de segurança (período de carência) que é o intervalo em dias a ser observado entre o último tratamento e a colheita, comercialização ou consumo do produto tratado.

Este intervalo de segurança deve ser rigorosamente obedecido.

Há, por vezes, o perigo de contaminação de pessoas ou de animais domésticos em trânsito em culturas recentemente tratadas. Os rótulos, as bulas e os folhetos complementares mencionam o prazo mínimo que deve decorrer antes que pessoas desprotegidas ou animais possam entrar na cultura tratada ou que se proceda à sua colheita.

Quando não houver indicação específica no rótulo, é aconselhável observar um período mínimo de reentrada de 24 horas.

Eliminação de sobras

Depois de qualquer aplicação de produtos fitossanitários, a área de operação deve ser mantida livre de restos de produtos ou de embalagens vazias, caixas de papelão externas e o equipamento de aplicação deve ser esvaziado e limpo.

Os produtos não usados devem ser mantidos em suas embalagens originais, que deverão ser fechadas apropriadamente e armazenadas com segurança.

No caso das caldas (produtos diluídos em água), o planejamento de trabalho deve ser tal para que não haja sobras ao fim do dia de operação.

Entretanto, se alguma sobra ocorrer, devido a circunstâncias imprevistas, ela poderá ser usada logo no dia seguinte, a não ser que haja recomendações em contrário, do fabricante, para o produto envolvido.

Cuidados de higiene

A higiene pessoal é de extrema importância para todas as pessoas envolvidas na aplicação e manuseio de produtos fitossanitários. Os aplicadores devem ser bem esclarecidos sobre o seguinte:

Lavar completamente as mãos e o rosto antes de comer, beber ou fumar.

Não comer, beber ou fumar durante a aplicação dos defensivos.

Não tocar o rosto ou qualquer parte da pele com as mãos ou luvas sujas.

Lavar, externamente, as luvas com água e sabão após o uso e antes de retirá-las.

Após retiradas deverão ser lavadas, também, internamente.

Tomar banho completo com água e sabão após cada dia de trabalho e vestir roupa limpa.

Cuidados com os animais domésticos

Os animais domésticos também podem se intoxicar pela penetração do produto fitossanitário através da pele ou pelo consumo de alimentos ou água contaminados. Por isso, eles devem ser mantidos afastados quando da aplicação dos produtos fitossanitários das áreas recentemente tratadas e também dos locais onde as embalagens usadas forem armazenadas.

Cuidado com o ambiente

Onde um produto fitossanitário estiver em uso, existe a possibilidade de, por acidente, negligência ou falta de conhecimento, ocorrer contaminação ambiental que coloque em risco a vida silvestre e o homem. Entre as áreas de especial risco estão:

Poços, nascentes, açudes e cursos de água (córregos, riachos, rios).

Terras cultivadas, onde a cultura seguinte pode ficar contaminada.

Terras não cultivadas, onde existam componentes da flora e da fauna silvestre que precisam ser preservados.

Toda a água de lavagem de equipamentos de aplicação, de proteção individual, de roupas usadas na aplicação ou manuseio de produtos fitossanitários deverá ser conduzida para local que não ofereça risco ao meio ambiente.

Não abandone embalagens vazias de defensivos agrícolas na lavoura e, principalmente, às margens de coleções de água (rios, riachos, córregos, sangras, lagos, lagoas, represas). Faça a Tríplice Lavagem e proceda o descarte como indicado nos itens anteriores.

9. Toxicologia dos Produtos Fitossanitários

Os produtos fitossanitários podem ser perigosos quando usados incorretamente. Os usuários devem ser informados e esclarecidos sobre os riscos potenciais dos produtos que vão utilizar e as precauções que devem tomar para a prevenção de acidentes.

Deve-se ter a preocupação constante de evitar intoxicações humanas e dos animais e, também, a contaminação do ambiente.

9.1 Mecanismos de penetração dos produtos fitossanitários no corpo humano

São três as vias de penetração dos produtos fitossanitários no corpo humano:

Pele (absorção, via cutânea ou dérmica).

Boca (ingestão, via oral).

Aparelho respiratório (inalação, via respiratória).

A via dérmica

É a via mais freqüente nas intoxicações por produtos fitossanitários. Isto pode ocorrer não apenas pelo contato direto do produto com a pele (respingos, derramantes) mas, também, pelo uso de roupas contaminadas ou pela exposição continuada à aplicação do produto fitossanitário.

Os produtos químicos passam da vestimenta para a pele e podem penetrar no corpo mesmo que a pele esteja intacta, sem cortes ou abrasões.

Cuidados especiais devem ser tomados nos dias muito quentes, pois a transpiração aumenta a absorção cutânea.

As mãos e os braços são particularmente vulneráveis à exposição dos produtos fitossanitários.

A via oral

Pode ser particularmente perigosa, mas são simples as medidas de prevenção:

Não coma, não beba, não fume com as mãos contaminadas por produtos fitossanitários. Sempre lave bem as mãos e mesmo os braços com água e sabão depois de manusear ou aplicar produtos fitossanitários.

Não guarde produtos fitossanitários em garrafas de bebidas, de alimentos e de medicamentos, ou outros recipientes de alimentos. Os produtos fitossanitários devem permanecer sempre em embalagens originais.

Não transporte ou armazene produtos fitossanitários juntamente com alimentos, rações animais ou medicamentos, para evitar contaminação.

A via respiratória

Pode ser perigosa, se produtos voláteis são usados em espaços confinados, ou sem arejamento. São poucas as situações de aplicação de produtos fitossanitários que favorecem a passagem de partículas através do nariz até os pulmões. Mesmo assim, assegure-se de que haja uma ventilação plena quando manusear produtos fitossanitários e use máscaras respiratórias apropriadas quando houver esta recomendação no rótulo.

Não realize operações de tratamento e armazenamento de sementes tratadas com produtos fitossanitários em locais pouco arejados e sem uma boa ventilação.

9.2 Primeiros socorros

A rapidez é essencial no tratamento de qualquer caso de intoxicação, especialmente quando uma pessoa for exposta a um produto fitossanitário extremamente ou altamente tóxico.

Procure o médico imediatamente, ou leve o paciente o mais rápido possível para um hospital, levando os rótulos ou as bulas dos produtos envolvidos.

As medidas de primeiros socorros mencionadas a seguir são aquelas que podem ser usadas no campo, antes da assistência de um médico ou quando surgirem os primeiros sintomas de intoxicação.

No rótulo ou nas embalagens de alguns produtos existem números de telefone 24 horas para atender as intoxicações. Procure anotá-los e memorizá-los para o caso de alguma emergência.

Princípios gerais

As pessoas podem sentir-se mal no campo por várias causas, inclusive devido à intoxicação por produtos fitossanitários.

Assim, é muito importante estabelecer se um produto fitossanitário está envolvido antes que se inicie o tratamento. Um tratamento equivocado pode piorar as condições do enfermo.

Mantenha o paciente calmo em posição confortável, protegido do calor ou do frio, além de obter uma atenção médica imediata, para que ele possa se recuperar mais rapidamente.

Se ocorrer parada respiratória, pratique imediatamente a respiração artificial.

Em caso de suspeita de intoxicação por produtos fitossanitários, não tome bebida alcóolica! Em caso de ingestão, também não tome leite.

Alguns sintomas podem ser localizados, como, por exemplo, irritação do nariz, da garganta, da pele ou dos olhos, ou gerais.

Um tratamento de primeiros socorros deve levar em conta a via de penetração do produto.

Intoxicações - Vias de penetração do produto
Via oral

Embora a ingestão de produtos fitossanitários ocorra menos freqüentemente que a penetração por outras vias, quando isso ocorre, ela pode representar um risco considerável de envenenamento. É geralmente acompanhada por vômitos, dores abdominais e diarréias, sintomas comuns causados por intoxicações com a maioria dos produtos fitossanitários.

Em caso de ingestão, não provoque vômito, a menos que seja indicado pelo rótulo/bula do produto. Jamais provoque vômito em pessoas inconscientes. Cuide para que o paciente não aspire o próprio vômito, colocando-o de preferência, sentado.

Via respiratória

Em caso de mal-estar e suspeita de intoxicação, mesmo ligeira, proceda da seguinte forma:

Remova imediatamente a pessoa do local de trabalho para um local arejado;

Afrouxe completamente a roupa à volta do pescoço, do peito e do ventre.

A inalação de um produto fitossanitário pode ocasionar sintomas semelhantes aos que resultam da absorção oral ou cutânea.

Via dérmica

Os produtos fitossanitários podem ser irritantes ou cáusticos à pele e por ela penetram em quantidades que variam dependendo da formulação e do tempo de exposição à mesma.

Em caso de contaminação da pele, lave imediatamente as partes atingidas com bastante água e sabão ou, ao menos, com bastante água corrente.

Retire imediatamente as roupas contaminadas e lave todas as partes do corpo que foram atingidas.

Se o produto tiver tempo suficiente para penetrar através da pele, poderão aparecer sintomas semelhantes aos provocados pela ingestão (via oral).

Via ocular

No caso de respingos de produtos fitossanitários atingirem os olhos, lave-os cuidadosamente com bastante água corrente. Se a irritação dos olhos for grave, leve imediatamente o acidentado ao médico.

Informações médicas de emergência poderão ser obtidas pelos telefones das Centrais de Emergências dos fabricantes (número do telefone indicado no rótulo, caixas externas e folhetos complementares) ou através do Centro de Informações Toxicológicas mais próximo.

9.3 Informações Toxicológicas

Centros vinculados ao Sistema de Informações Tóxico-Farmacológicas

RIO GRANDE DO SUL

Centro de Informações Toxicológicas do RS - Porto Alegre

Responsável: Dr. Alberto Micolella

Rua Domingos Crescêncio, 132 - 8° andar - Bairro Santana

90.650-090 Porto Alegre (RS)

Tel. 051 223-6110

Fax. 051 217 9067

SANTA CATARINA

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Centro de Informações Toxicológicas

Responsável: Profa. Marlene Zanin

Campus Universitário Trindade

88.040-900 Florianópolis (SC)

Tel. 048 231-9535

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