Escrita da Llingua de Sinais

Escrita da Llingua de Sinais

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I SEMINÁRIO NACIONAL: SURDOS UM OLHAR SOBRE AS PRATICAS EM EDUCAÇÃO – CAXIAS DO SUL 27-29/09/2001

Nota: Este documento que se apresenta como documento final do I Seminário está sendo montado numa tentativa de busca de temas/propostas de formação de surdos professores/profissionais de educação onde igualmente se encontram reflexões teóricas sobre o importante vínculo entre cultura e educação e a preferência por uma pedagogia da diferença para complementar o que já existe em matéria de formação de professores.

O professor/educador surdo deverá: História 1. Conhecer a História da surdez e dos surdos, bem como saber distinguir os

Micro e macro períodos históricos - mapas das representações dos surdos feitas pelos ouvintes. 2. Conhecer a história das comunidades, das culturas surdas - representação nas narrativas surdas, movimento surdo, etc. 3. Ter condições de pesquisar/conhecer história da cultura surda local (RS).

4. Buscar conhecimentos sobre relações históricas entre educação e escolarização.

Comunidade surda 5. Conhecer a comunidade surda: organização política, lingüística e social, movimentos e lutas. 6. Ter noções sobre formação de comunidades surdas, as pré-comunidades, comunidades surdas do interior. Propostas para comunidades surdas no interior (onde existe e/ou não existe comunidade surda) 7. Ter noções sobre as questões de Direitos Humanos e Cidadania, manifestações, dia do surdo. 8. Identificar realidade das diferentes identidades surdas que são continuamente recriadas as possíveis identificações e os locais onde as identidades aparecem ou tomam conteúdos de mudança: família, escola, associação, etc. 9. Conhecer a diferença de uso da experiência visual na língua, nas comunidades, na arte e na cultura surda.

Comunidade surda e escola 10. Ter condições de saber estabelecer/criar um espaço de interação entre a comunidade surda e a escola de surdos, bem como com a comunidade ouvinte.

Artes Surdas 1. Considerar referências de iniciação a arte surda, priorizando a arte visualmente expressiva e representativa criada pelos artistas surdos como de fotos, vídeos, pinturas, esculturas, teatro. 12. Ver a arte surda como forma de significação que produz certas características determinantes para a diferença e as construções históricas e culturais. 13. Considerar que os olhos, as mãos, a expressão corporal e facial são sinais referenciais para os surdos 14. Considerar que há artistas surdos em diferentes contextos como cineastas, atores, poetas em língua de surdos, pintores, mágicos, escultores, contadores de histórias e outros. 15. Saber proporcionar nas escolas a discussão com os alunos sobre como criar a arte surda, exposição da arte surda (escultura, desenho, fotografia), bem como de momentos de arte (teatro, poesia, piadas). 16. Observar que o uso das imagens na sala de aula precisa conter algo dos surdos. Um bom ponto de pesquisa está na internet, onde há sites de surdos que trazem imagens sobre a cultura surda. 17. Considerar necessária a arte e expressão surda para que o aluno surdo possa desenvolver sua criatividade e não se envergonhar ou esconder a sua arte. 18. Reconhecer que alguns surdos têm dons muito próprios para a arte de expressão corporal e ela deve ser incentivada pela família, escola ou associação de surdos a fim de que sejam promovidas exposições ou apresentações artísticas.

19. Assegurar que a arte a ser usada na escola não inclua apenas a pintura de desenhos “pré-feitos por professores”, ou “cantar” músicas que são destituídas de significado para a cultura surda. 20. Ter conhecimentos sobre como encorajar os surdos para a busca de significados que expressem a/s cultura/s surda/s.

Língua de Sinais Oferecer uma disciplina de língua de sinais para os professores/educadores surdos explorar os seguintes aspectos: 21. estabelecimento do olhar

2. exploração das configurações de mãos

23. exploração dos movimentos dos sinais (movimentos internos e externos, ou seja, movimentos do próprio sinal e movimentos de relações gramaticais no espaço)

24. utilização de sinais com uma mão, duas mãos com movimentos simétricos, duas mãos com movimentos não simétricos, duas mãos com diferentes configurações de mãos

25. uso de expressões não manuais gramaticalizadas (interrogativas, topicalização, foco e negação)

26. exploração das diferentes funções do apontar

27. utilização de classificadores com configurações de mãos apropriadas (incluem todas as relações descritivas e preposicionais estabelecidas através de classificadores, bem como, as formas de objetos, pessoas e ações e relações entre eles, tais como, ao lado de, em cima de, contra, em baixo de, em, dentro de, fora de, atrás de, em frente de, etc.)

28. exploração das mudanças de perspectivas na produção de sinais

29. exploração do alfabeto manual

30. estabelecimento de relações temporais através de marcação de tempo e de advérbios temporais (futuro, passado, presente, ontem, semana passada, mês passado, ano passado, antes, hoje, agora, depois, amanhã, na semana que vem, no próximo mês, etc.)

31. exploração da orientação da mão

32. especificação do tipo de ação, duração, intensidade e repetição (adjetivação, aspecto e marcação de plural)

3. jogos de perguntas e respostas observando o uso dos itens lexicais e expressões não manuais correspondentes

34. utilização de “feedback” (sinais manuais e não-manuais específicos de confirmação e negação, tais como, o sinal CERTO-CERTO, o sinal NÃO, os movimentos de cabeça afirmando ou negando)

35. exploração de relações gramaticais mais complexas (relações de comparação, tais como, isto e aquilo, isto ou aquilo, este melhor do que aquele, aquele melhor do que este, este igual àquele, este com aquele; relações de condição, tais como, se isto então aquilo; relações de simultaneidade, por exemplo, enquanto isto acontece, aquilo está acontecendo; relações de subordinação, como por exemplo, aquele que tem isso, está fazendo aquilo)

36. estabelecimento de referentes presentes e não presentes no discurso, bem como o uso de pronominais para retomada de tais referentes de forma consistente

37. exploração da produção artística em sinais usando todos os recursos sintáticos, morfológicos, fonológicos e semânticos próprios da LIBRAS.

Trabalhar com estórias explorando diferentes formas de expressões: 38. produção de estórias utilizando configurações de mãos específicas, por exemplo, as configurações de mãos mais comuns utilizadas na língua; as configurações de mãos do alfabeto; as configurações de mãos dos números

39. produção de estórias na primeira pessoa

40. produção de estórias sobre pessoas surdas

41. produção de estórias sobre pessoas ouvintes

O professor de língua de sinais de crianças surdas deverá: 42. ensinar a apreciar a LIBRAS enquanto língua espacial-visual através de produções artísticas

43. explorar o reconhecimento das funções da LIBRAS 4. ampliar o vocabulário

45. incentivar o aluno a participar da comunidade surda enquanto membro crítico e criativo

46. ensinar o aluno a ajustar a produção de acordo com a audiência com o fim de comunicar efetivamente através da língua

47. proporcionar o desenvolvimento da habilidade de reconhecer as variações e dialetos da própria língua, bem como a habilidade de reconhecer padrões sociais e culturais associados a tais variações

48. utilizar os estudos sobre a estrutura da língua, convenções sociolingüísticas, linguagem figurativa e técnicas de produção para criar, discutir e criticar nas formas escrita e oral (em sinais)

Considerando o processo de leitura, o professor de língua de sinais deverá observar os seguintes objetivos: 49. desenvolver o uso de estratégias específicas para resolução de problemas

50. exercitar o uso de jogos de inferência

51. trabalhar com associações

52. desenvolver as habilidades de discriminação visual

53. explorar a comunicação espontânea

54. ampliar constantemente o vocabulário

5. oferecer constantemente literatura impressa na escrita em sinais

56. proporcionar atividades para envolver a criança no processo de alfabetização como autora do próprio processo

Lingüística e educação de surdos A formação dos professores surdos deverá ter:

57. uma introdução à Lingüística. 58. conhecimentos sobre o modo de aquisição e desenvolvimento da linguagem. 59. noções sobre o cérebro e a Língua de Sinais. 60. Conhecimentos dos processos cognitivos e lingüísticos. 61. noções sobre os aspectos gramaticais da Língua de Sinais 62. posição para analisar situações concretas da educação de surdos a partir das experiências dos alunos/as. 63. metodologia/s de ensino de segundas línguas para ensinar português

Escrita de língua de sinais – SIGNWRITING® A formação do profissional surdo em educação deverá ter: 64. um conhecimento do histórico do sistema de escrita de língua de sinais 65. Conhecimentos dos códigos básicos das mãos, comparação entre os sistemas da escrita das línguas orais e das línguas de sinais 6. experiências nas aulas de escrita de sinais manuscritos 67. experiências nas aulas de escrita de sinais utilizando o editor de textos em sinais SignWriter 68. Condições de elaborar lições na escrita de língua de sinais (conforme

Lessons in SignWriting) 69. Condições de elaborar exercícios de leitura e escrita de configurações de mão básicas 70. Conhecimentos de propostas de exercícios de leitura e escrita de configurações de mão, alfabeto manual e números

71. Noções gerais sobre movimento e expressões faciais 72. Saber organizar um workshop para debater a escrita de sinais e a alfabetização dos surdos; 73. Publicar o manual e o dicionário em grande escala, para distribuir para as escolas de surdos; 74. Saber buscar recursos como bolsas para publicar como, por exemplo: dicionário em sign write, material didático sobre escrita de sinais e outros materiais; 75. Aprender a fazer fitas de vídeo com escrita de sinais, (geografia, matemática, português, história, ciências, etc.) para uso nas escolas; 76. Incentivar o ensino e o estudo da escrita de sinais e preparo material didático escrito em línguas de sinais; 7. Estar habilitado para publicar livros didáticos escritos com língua de sinais; 78. Criar brinquedos pedagógicos com língua de sinais escrita; 79. Estar incentivado para ajudar a fazer/publicar histórias em quadrinhos e histórias de infantis com textos escritos em língua de sinais; 80. Usar e desenvolver software educacional com língua de sinais escrita; 81. Ajudar/apoiar pesquisas sobre alfabetização de crianças surdas em língua de sinais, antes da alfabetização em Português; 82. Utilizar o SignEd Editor de língua de sinais (Este software é composto por dois módulos - um referente à escrita da língua de sinais e o outro, à escrita em 3 dimensões dos sinais propriamente ditos. O usuário escreve os sinais informando as configurações e os movimentos dos elementos envolvidos na produção dos sinais quer sejam dedos, mãos, pulsos, braços bem como a expressão facial e a seqüência destes para formar o sinal. Esta escrita segue o sistema SignWriting.)

83. UTILIZAR O SIGNSIM TRADUTOR DA LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS PARA A LÍNGUA

PORTUGUESA (Este software permite a tradução da Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS - para a Língua Portuguesa, e vice-versa. É possível visualizar os sinais em 3D possibilitando, assim, que possa ser utilizada também no processo de aprendizagem da língua de sinais. O módulo de escrita de sinais é similar ao do SIGNED onde existe a possibilidade de utilizar sinais construídos naquela ferramenta). 84. Saber utilizar o SignTalk (Uma ferramenta de bate-papo em língua brasileira de sinais e na escrita da língua portuguesa: Este software configura-se como uma ferramenta para conversa on-line (chat) onde o usuário escolhe como deseja ler e escrever suas mensagens. Desta forma, pode escolher entre a LIBRAS, a Língua Portuguesa ou, no que se refere a visualização das interações (das conversas), as duas línguas onde é efetuado um processo de tradução similar ao do SIGNSIM. Esta escolha do modo de visualização pode ser alterada quantas vezes forem desejadas e a qualquer momento da conversação).

GRUPO I - A EDUCAÇÃO DO SURDO: PRÁTICAS DE ESCOLARIZAÇÃO - COORDENAÇÃO DE GISELE RANGEL O professor surdo deverá ter capacidade para:

Na Educação Infantil 85. Saber trabalhar com a criança surda na educação infantil 86. Conhecimentos de planejamento curricular para surdos na educação infantil 87. Saber orientar a criança surda a ampliar o vocabulário em LIBRAS e oferecer a oportunidade de inicio ao sistema escrita de sinais ( Sig Writing ).

8. Saber iniciar na língua de sinais a criança surda que tem família ouvinte 89. Ter didática de seqüência lógica em LIBRAS para a criança surda 90. Ter conhecimentos de como contar histórias infantis na língua de sinais.

91. Ensino Fundamental 92. Conhecer diferentes praticas e estratégias para as diferentes etapas do

Ensino fundamental 93. Saber construir propostas curriculares para a educação dos surdos na LS 94. Conhecer processos para a alfabetização, leitura e escrita do português para surdos. 95. Estar capacitado para o ensino da escrita de língua de sinais 96. Estar apto para ensinar a configuração das mãos, palma da mão, dorso da mão, dez grupos de mão e exercícios de leitura e escrita de configurações de mão básicas. 97. Conhecimentos sobre o ensino de gramática de língua de sinais 98. Trabalhar em/com estórias em língua de sinais 9. Estar apto para iniciar o ensino de História do surdo bem como a história do sistema de escrita de língua de sinais 100. Ter capacidade para ensinar a expansão do vocabulário em LIBRAS, da área de informática e do SignWriting 101. Saber ensinar a Linha de tempo para surdos

Ensino Médio 102. Conhecer aspectos do Ensino Profissionalizante - Educação e Trabalho

103. Conhecer e ter capacidade de discutir aspectos históricos, culturais, lingüísticos, educacionais e sociais da surdez no Ensino Médio 104. Capacidade de interpretação da Língua Portuguesa e LIBRAS, fluência em LIBRAS. 105. Dsaber discutir com os surdos os seus Direitos Humanos 106. Saber ensinar aos surdos as funções do professor de língua de sinais, do intérprete e do professor surdo 107. Ensinar sobre as lutas e movimentos de surdos pelo reconhecimento da língua e da cultura dos surdos

Educação de Jovens e Adultos

Geral

O professor surdo deverá ter a capacidade para: 108. Desenvolver a capacidade da rima e do ritmo; 109. Expressar-se através do humor e de poemas e dramatizar; 110. Expressar-se com criatividade ( e-mails, jornais, cartas,bilhetes,..) 1. Desenvolver técnicas de persuasão; 112. Reconhecer a identidade surda, cultura surda, educação surda, comunidade surda, lingüística e política surda; 113. Observar o contexto pragmático da conservação emissor, receptor, mensagem, data, local,..; 114. Ensinar a linha do tempo em relação a história do surdo, registro sobre a surdez;

115. Observar os símbolos utilizados pela comunidade surda; 116. Reconhecer os movimentos dos dedos (retos e curvos); 117. Analisar os vários movimentos; 118. Reconhecer as expressões faciais, a pontuação em sinais, leitura e escrita; 119. Narrar e descrever os exercícios de leituras das escritas; 120. Progredir a estratégia da polidez; 121. Acontecer a função das expressões faciais e a construção de sentenças interrogativas, exclamativas e negativas. 122. Expressar a descrição e narração em sinais; 123. Criar narração e descrição em sinais; 124. Discutir em sinais; 125. Reconhecer o mercado de trabalho; 126. Observar os tipos de profissões e ética profissional; 127. Observar o papel de educação; 128. Identificar as entrevistas, fichas, encaminhamentos; 129. Reconhecer a lei geral; 130. Reconhecer os acontecimentos de histórias surdas; 131. Observar os estatutos e leis 132. Observar futuros diretorias e professores de Língua de Sinais;

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