Oficinas de Fotografia

Oficinas de Fotografia

(Parte 1 de 5)

Oficinas de Fotografia nas Aldeias Guarani Projeto AVA MARANDU

MS – 2010

Fotografia: Elis Regina

Fotografamos o que vemos, e o que vemos depende de quem somos. Ernest Hass

Ava Marandu, os Guarani Convidam

O projeto AVA MARANDU – OS GUARANI CONVIDAM envolve a cooperação de governos, sociedade civil organizada e as Nações Unidas em uma causa com grande repercussão no mundo de hoje: os direitos humanos e a sustentabilidade em bases culturalmente diferenciadas dos povos indígenas.

Trata-se de projeto cultural, em realização de 1° de janeiro a 30 de junho de 2010, que reúne atividades voltadas para as questões dos direitos humanos dos Povos Guarani. O foco da iniciativa é sensibilizar a população em geral para as gravíssimas violações dos direitos humanos que afligem, com grande repercussão, os Guarani, Kaiowa e Ñandeva do Mato Grosso do Sul, uma população superior a 40 mil pessoas.

O projeto visa promover a reflexão sobre o confinamento social e cultural que aflige especialmente essas etnias e incidir, por meio da valorização cultural, sobre a autoestima dos jovens. Insere-se no esforço de fortalecer a identidade étnica e o protagonismo dos Kaiowa e Ñandeva, informa os não índios sobre a cultura indígena, suas tradições e conhecimentos, e propicia a oportunidade de intercâmbio e troca de experiências entre os Guarani e a população não indígena.

Espera-se uma nova percepção, pelas futuras gerações, da cultura, dos valores e dos direitos dos Povos Guarani, como integrantes de coletividades indígenas e enquanto cidadãos brasileiros, e um novo patamar de discussão para a questão indígena em Mato Grosso do Sul, com a ampliação do debate sobre diversidade cultural no Brasil.

Oficinas de Cinema e Fotografia nas Aldeias

As oficinas visam estimular a utilização da fotografia e do cinema para registro, documentação, memória e expressão de olhares dos indígenas.

Serão realizadas nas aldeias Guyra Roka e Te‟ýikue, no município de Caarapó; aldeias Panambizinho, Jaguapiru e Bororo, em Dourados; aldeia Yvy Katu, em Japorã; aldeia Amambaí, em Amambai e aldeia Jaguapire, em Tacuru.

Esta apostila foi elaborada pelos fotógrafos Elis Regina, Vânia Jucá e Leonardo Prado, com a finalidade de apoiar os participantes durante e após os treinamentos.

A Feira Meio Ambiente, Cultura e Direitos Humanos, que será realizada em Campo Grande no dia 15 de maio, juntamente com o Show Cultura e Direitos Humanos dos Povos Guarani, acolherá uma mostra fotográfica resultante das oficinas de fotografia e uma mostra audiovisual resultante das oficinas de cinema, como um inventário das representações sobre os Guarani, pelo olhar dos participantes. Um estudo desse material poderá contribuir para a superação de preconceitos em relação à cultura indígena.

Belchior Cabral Coordenador-Geral

Introdução

A fotografia é uma arte e técnica e com ela podemos aprimorar nossos sentidos de percepção, criação e comunicação. Com a fotografia também podemos registrar lembranças e comunicar nossas idéias e pensamentos, e é a única com capacidade de congelar pra sempre um momento comum, um momento especial ou encanto universal.

Para fazer uma boa foto não basta apenas apertar o botão. A gente tem que aprender a usar a máquina fotográfica, entender e controlar a luz, além de explorar bem todos os tipos de assunto. Porém, na fotografia, apenas saber como funciona a câmera não é um ponto decisivo, por mais importante que isso seja. Na fotografia é fundamental aprender a ver e a compreender, muito mais do que simplesmente olhar.

Nesta apostila você vai saber que, acima de tudo, a fotografia é interessante e divertida.

Krahô - Aldeia Nova (TO) Fotografia: Leonardo Prado

Um pouco da História da Fotografia

Foi através da fotografia que o homem encontrou uma das formas mais perfeitas e práticas para gravar e reproduzir suas manifestações culturais.

Por volta de 1554, Leonardo da Vinci descobriu o principio da câmara escura, que é o seguinte: a luz refletida por um objeto projeta fielmente sua imagem no interior de uma câmara escura, se existir apenas um orifício para a entrada dos raios luminosos.

Baseados neste principio, os artistas simplificam o trabalho de copiar objetos e cenas, utilizando câmeras dos mais diversos formatos e tamanhos. Enfiavam-se dentro da própria câmera e ganhavam a imagem refletida em uma tela ou pergaminho preso na parede oposta ao orifício da caixa.

Não é difícil imaginar os passos seguintes desta evolução: uma lente, colocada no orifício, melhorou o aproveitamento da luz: um espelho foi adaptado para rebater a imagem na tela; mecanismos foram desenvolvidos para facilitar o enquadramento do assunto. Com esses e outros aperfeiçoamentos, a caixa ficou cada vez menor e o artista trabalhava já do lado de fora, tracejando a imagem protegido por um pano escuro.

Surge a fotografia

Para o processo se tornar mais automático, faltava descobrir ainda, como substituto do pergaminho, um material sensível à ação da luz, isto é, capaz de registrar uma imagem ao ser atingida pela luz refletida de um objeto.

Em 1816 o químico Frances Nephòre Nièpce deu os primeiros passos para resolver o problema, conseguindo registrar imagens em um material recoberto com cloreto de prata.

Mais tarde, em 1826, ele associou-se ao pintor também Frances Daguerre, e ambos desenvolveram uma chapa de prata que, tratada com vapor de iodo, criava uma camada superficial de iodeto de prata, substancia capaz de mudar de cor quando submetida à luz.

A experiência foi o primeiro passo prático para a fotografia em toda a Europa, possibilitando combinar a chapa foto-sensível (filme) e a câmera escura (máquina fotográfica). A partir daí, o aperfeiçoamento da técnica fotográfica teve muitas colaborações.

No campo da química, substâncias mais sensíveis à luz foram preparadas, a óptica contribuiu com lentes cada vez mais perfeitas e mecanismo com algum requinte puderam ser adaptados às máquinas descendentes das câmeras escuras.

Já em 1860 surgiram os primeiros estúdios fotográficos, alvo de enorme curiosidade. Na época, tirar uma foto era motivo de grande ginástica de um lado, a pessoa deveria ficar imóvel cerca de dois minutos e precisava ser presa a um dispositivo para não tremer; por sua parte, o fotografo era ainda um verdadeiro artesão no processamento químico e nos retoques indispensáveis.

Não tardaram a aparecer também os fotógrafos ambulantes que, como pioneiros, correram o mundo divulgando a nova arte, transportando complicados laboratórios e equipamentos em carroças.

Em 1867, o físico Frances Louis Ducos anunciou outra novidade; a fotografia colorida. Treze anos mais tarde, por iniciativa do norte-americano George Eastman, a fotografia começou a se popularizar e o filme passou a ser embalado em rolos.

O processo fotográfico

O estudo do processo pelo qual é possível se realizar uma fotografia foi dividido em três etapas: o processo do ponto de vista óptico, físico/químico e químico.

O processo óptico

Leonardo da Vinci, além de descobrir que era possível visualizar a imagem de um objeto sobre uma superfície plana através da utilização de uma câmera escura e um pequeno orifício, mostrou que esta imagem se formava invertida.

Os raios de luz caminham em linha reta, o que faz com que a luz procedente de um sujeito, ao passar por um orifício e se projetar no plano oposto, tenha várias características:

1. a imagem se forma invertida de cima pra baixo; isto se deve à trajetória retilínea da luz; 2. a imagem é muito tênue, porque a maioria dos raios não chegam até o plano de projeção; 3. quanto maior o orifício, menor a definição da imagem. Isto se dá pelo fato de os raios divergentes saídos de um mesmo ponto do sujeito alcançarem pontos diferentes no plano de projeção, criando discos de difusão. 4. a utilização de um pequeno orifício e principalmente a utilização de lentes (objetivas) possibilita a formação de uma imagem nítida.

O processo físico/químico

A palavra vem de foto + grafo (escrever com a luz), sendo o processo pelo qual formamos e fixamos uma imagem em material sensível à luz.

Certos materiais são sensíveis à luz, transformando-se sob a sua ação. Podemos citar alguns exemplos, como: a pele humana que escurece pela ação do sol, o papel que deixado ao sol fica amarelo, a prata que com a ação da luz enegrece. Esta característica é chamada de fotossensibilidade.

Foi através do estudo da fotossensibilidade que se chegou à composição dos materiais fotográficos utilizados para a impressão de imagens.

Os filmes e papéis fotográficos contêm uma emulsão formada por gelatina animal e sais de prata (material sensível à luz), que quando expostas à luz gravam a imagem formando o “negativo” que, posteriormente, será utilizado para a confecção da ampliação (positivo), no Processo Químico.

O processo químico

Enquanto não recebe luz, o papel fotográfico se encontra “virgem”, após sua exposição, passa a possuir uma imagem “latente” que deve ser processada para a revelação e fixação definitiva da imagem. Após a revelação o material deixa de ser sensível à luz.

A fotografia convencional (filme) está baseada no processo físico-químico de registro da imagem: a imagem é gravada no papel sensível à luz, como explicado acima no processo físico-químico.

A fotografia digital está baseada no processo físico-numérico: a luz que passa pela objetiva (processo óptico) sensibiliza um sensor eletrônico (chip) que produz uma interpretação numérica da intensidade luminosa, formando uma imagem que é uma combinação de dados.

Câmeras fotográficas

(Parte 1 de 5)

Comentários