Positivismo na construção do Brasil República

Positivismo na construção do Brasil República

Positivismo: o seu papel e fundamentos na Construção do Brasil República:

Peter Danilo Ferreira*

José Humberto Rodrigues (Orientador) **

Resumo:

Esse artigo apresentado abrirá uma questão sobre a “construção” do Brasil-República, desde sua implantação até os conceitos para fundamentá-la nesse modelo com a linha positivista, levantando-se algumas questões para reflexão e conclusão.

Palavras Chave: República, Brasil, Positivismo, Positivista, Construção, Regime Político.

Introdução:

Em estudos demonstrados que a partir da Proclamação da República, em 15 de Novembro de 1889, fica demonstrado que foi nula a participação de um movimento popular para tal finalidade, a queda do modelo imperial e a incorporação do tema em questão. O governo republicano significaria para alguns correntes tanto base libertária (governo popular) quanto como o governo da lei e ordem. Nesse caso, a linha filosófica na construção deveria compreender um amplo campo, definindo o público como a soma dos interesses individuais, a complementação da atuação do mesmo em prol de uma visão. A linha positivista veio a agregar esses fundamentos, conseguindo manipular a classe popular até os nossos dias, sendo que alguns tabus ao longo dos anos foram caindo através de estudos e análises dos fatos que buscavam ligar essa identidade com a construção republicana no Brasil. O importante é que nessa análise, serão delimitados pontos que ajudaram a inserir o modelo republicano, causas, etc.

 Desenvolvimento:

Partindo do estudo sobre o tema, podemos destacar pontos fortes sobre as causas e quais foram às conseqüências que levaram a tais medidas do Marechal Deodoro da Fonseca e seus apoiadores nesta dita “revolução”. Nesse período do Séc. XIX (logo após a Guerra do Paraguai), já havia manifestações com ideais republicanos para gerar protestos contra a monarquia imperial brasileira, respectivamente. Podemos subdividir esses pontos em dois grupos:

  • Três linhas filosóficas para a República:

Um dos instrumentos para a implantação de um modelo político, quer seja com fundamentos elitistas ou populares, a base dessa legitimação de regimes políticos modernos (que entra nesse tema da análise) é a própria ideologia, a justificativa e como o poder vai influenciar nesse campo. Mesmo essas ideologias ou modelos republicanos, as suas justificativas poderiam tomar caráter utópicos e visionários. Antes das concepções da mentalidade republicana no Brasil, havia três correntes filosóficas atuantes para uma “definição completa” para essa natureza: o Liberalismo (influência deixada após a Guerra de Secessão Americana – 1861-1865), o Jacobinismo (defendiam mudanças mais radicais, eram contrários à Monarquia e queria implantar uma República com base populista), e o Positivismo.

No caso do jacobinismo, a sua base ideológica atuante seria a democracia clássica, que na qual, seguia um modelo direto como governo e a participação de todos. Já no liberalismo, a visão era contrária, na qual o governo não era interventor e a sociedade era composta por indivíduos autônomos, sendo o mercado com um papél de importância neste cenário. No positivismo, as ideologias eram mais abrangentes. Ela postulava como uma futura “idade do ouro”, e que aqueles que as classes populares iriam se realizar plenamente neste modelo. Os primeiros republicanos brasileiros, analisando essas ideologias positivistas, se voltam o seu olhar para a esses ideais, com uma riqueza de materiais discursivos para se inspirar. No caso do positivismo, a visão linear dos fatos em discurso ajudou a buscar uma indentidade para legitimar a situação da República, instaurada da noite para o dia, até referido nesta frase de Aristides Lobo, citado po José Murilo de Carvalho, em seu livro Os Bestializados: o Rio de Janeiro e a República que não foi:

“O povo que, pelo ideário republicano deveria ter sido o protagonista dos acontecimentos, assistira a tudo bestializado, sem compreender o que se passava, julgando ver talvez uma parada militar.” (Carvalho, 1987, p.9).

O positivismo ortodoxo (presente em grande parte da construção da República) ganha na sua concepção uma espécie de montagem das ideologias republicanas, tendo um papél importante nesse quesito, sendo um modelo bastante difuso entre os “proclamantes”, tais como a construcão da figura feminina, mito da origem, do herói, do hino e da bandeira.

  • A Busca da Identidade Republicana:

A manipulação do imaginário para legitimação de qualquer regime político é muito usada para ligar a situação vigente com tal fundamento que os influenciou, no caso do positivismo no Brasil não foi diferente.

O Positivismo Ortodoxo (que segue a linha comtiana fielmente) ajuda na montagem na identidade republicana através de símbolos, que estabelece um significado para os objetivos de luta, as aspirações fundamentalistas, objetos que possam trazer reflexões e imagens que interliga esses fatos.

Nos mitos da Origem, haveria uma procura de estabelecer uma versão dos fatos que levará o sentido a outros campos e dará à legitimidade a situação vencedora, no caso, a implantação da República.

No ponto de vista de Deodoro da Fonseca, a proclamação foi ato estritamente militar, sendo executado sob a liderança insubstituível do Marechal, que no caso dos civis, nada influíram. A república seria o último ato na busca de uma solução definitiva, com a intenção de eliminar um regime que era elitista e desrespeitosa aos interesses militares. Buscou nesse ponto, uma identidade com a Guerra do Paraguai, que inflamaram os corações dos militares e o orgulho ligou a força ao símbolo positivista. No ponto de vista de Benjamin Constant, o Exército seria mais um instrumento do que o fim da ação dita, que a finalidade da república era promover o modelo social, garantindo de um lado a todas as liberdades e a incorporação da classe popular a sociedade. Para Bocaiúva, que representava todos os civis na proclamação, já buscava uma visão da república liberal, sendo contrário às idéias positivistas. Vários são os pontos de vista sobre essa origem da real implantação da república.

Na questão da figura do herói, que por sua vez possui uma importância em qualquer processo (seja político ou não). Todo regime político tenta criar o seu mural de “heróis lendários”, afim que selecionar aqueles membros que sirvam de exemplo para todos. Ela ganha uma figura mitológica como pessoa real, mesmo nesse processo, tem-se a necessidade de criar uma pessoa ideal para ficar a frente de qualquer influência que possa acontecer. De maneira geral, as pessoas que lutam por algum ideal plausível acaba sendo eternizados de tal maneira que certos pontos podem modificar a figura heróica do personagem. No caso do Brasil, possuímos dez heróis nacionais registrados, mas o que ganha mais destaque é a figura de Joaquim José da Silva Xavier, o “Tiradentes”, que devido às idéias da Inconfidência Mineira e a sua pena de morte, sua imagem é ligada aos ideais republicanos, pois “herói que se preze, tem que ter a cara da nação” (Carvalho, p. 55). Já havia com alguma preocupação da ala republicana desde 1870 em colocar Tiradentes em seu local de destaque, mesmo que tenha tal preocupação as construções do mito precisa levar em conta se pode transcender o debate histórico. Para construir o mito Tiradentes, buscavam olhar os registros em vários campos, com a falta de informações sobre sua memória, há um estudo ligado ao dias do inconfidente através de seus companheiros, até de Joaquim Silvério dos Reis, o “traidor” dos inconfidentes. Se pararmos para analisar como os positivistas, olharam as penas que todos os inconfidentes sofreram e compararam com a de Tiradentes, a maioria foi para o exílio, mas Tiradentes foi o único a sofrer pena de morte, sendo enforcado e esquartejado. A mitificação ficou completa quando a história da traição dos inconfidentes foi ligada ao da traição de Judas a Jesus Cristo, com a mudança da imagem de Tiradentes a um homem de cabelo e barba grande e comprida, como Cristo na sua época. A imagem de alienação criada por Joaquim Norberto de Souza e Silva, que escreve o livro História da Conjuração Mineira, não aceita que Xavier teria um papel secundário, colocando nesse patamar e mitificando previamente o “herói nacional”, que como era religioso transformou Tiradentes em peça de sacrifício para honrar a república que estava a se constituir.

A imagem feminina em alguns aspectos políticos, principalmente na república e francesa e após a brasileira, foram muito usados para representar algum ideal de liberdade. A busca dessa visão teria resgate através da antiguidade grega, em que as deusas eram a representações da imagem perfeita feminina, como as deusas Atena, Afrodite, etc. Mas essa imagem feminina no Brasil teria sido de certa forma rejeitada, mesmo com aqueles positivistas com ligação nas idéias francesas. A imagem feminina era muito usada em pinturas, estátuas e bustos, mas ainda não gerou uma forte ligação ao imaginário coletivo. A escolha da mulher como imagem perfeita da liberdade é citada por José Murilo de Carvalho na seguinte parte:

“Na escala dos valores positivistas, em primeiro lugar vinha à humanidade, seguida pela pátria e pela família. (...) A mulher representava a idealmente a humanidade.” (Carvalho, p. 81).

A imagem perfeita para tal concepção seria a da virgem-mãe, que por acreditar que além de possuir outras imagens mais usadas, essa figura cada vez mais entre os positivistas, por sugerir que a humanidade fosse capaz de reproduzir sem interferências externas.

Uma das imagens que marca qualquer nação patriótica seria a bandeira e o hino. Essas imagens ganham tanta força que chega a ser quase de uso obrigatório, tornando-se uma das identidades mais marcante em qualquer nação. A história das bandeiras e hinos avança no sentimento patriota, colocando e exclamando algo que o país possui de abundante ou aquilo é importante e coloque esse sentimento em destaque. No Brasil, os positivistas colocam a importância e a riqueza do Brasil estampados na bandeira, além de ressaltar do sonoro hino que se constitui ainda no verso “antes de amar, tem que sonhar”. A escolha inicial para a bandeira da república seria a uma adaptação aos dos inconfidentes, com referencial ao herói Tiradentes, mas os positivistas colocaram as idéias de Auguste Comte em ação, conservaram alguns detalhes da bandeira imperial, conservando a estampa verde, o losango amarelo e a esfera azul, mas anexando a dita frase “Ordem e Progresso”, em uma faixa representando o zodíaco que cruzava da esquerda para a direita. O lema “ordem e progresso” teriam uma característica comum, com embasamento na confraternização universal e ligação com o antigo com o novo, com um mundo divido em ordem na sua estrutura e a progresso para crescimento. Não abriremos discussões para justificar o lema positivista, pois podem se ter inúmeras interpretações sobre sua ligação a república. Para citarmos a questão do hino, marca uma vitória na tradição popular (mesmo que a constituição da república não tenha sido popular). O hino escrito por Medeiros e Albuquerque foi adotado pelos republicanos como sendo hino do partido, mas eles procuravam musicar a letra que era ainda inacada por não possuir uma harmonia sonora através de concursos. Feita a melodia que interligava a letra com o sentimento nacionalista, a busca de ligar esse hino com a fonte patriota, ainda mesmo que se voltou para as tradições culturais profundas é que se caracteriza a popularização do hino ligado a qualquer tema, que no caso do Brasil, possuem algumas, como o caso do Hino Nacional, da Independência, da própria Proclamação da República, dentre outras.

Conclusão:

A partir das análises feitas, podemos constar que na concepção da República, houve uma preocupação em montar alguns aspectos que ligasse a classe popular e elitista com os fatos decorrentes daqueles dias de queda do modelo imperial. Como foi citado na frase de Aristides Lobo (que o episódio ganhou uma figura cômica e respeitada), responde como foi à implantação da república no conceito derivado de impulsionador. Mas a partir desse estudo e montagem do artigo, fica clara a contradição de ideais que os membros da organização teriam em fundamentar esse modelo político no Brasil.

Ainda abordando nas montagens, agora na busca da identidade com os fatos decorrentes (consolidação da república no imaginário das pessoas), essas características exprimem o sentimento nacionalista a ponto de mitificar e construir uma perspectiva linear, reflexões esporádicas e errôneas de algo que seria comum a alguns. Nas analises de cada ponto que identidade patriótica é demonstrada, levanta-se uma questão bastante comparativa, que de todo modo, pode ou não ser respondida:

- Como seria a República nos dias de hoje se abandonássemos tais figuras positivistas, como a mitificação de Origem e do Herói?

A questão é que o positivismo está tão presente em nosso cotidiano que qualquer tentativa de derrubar esses mitos, a sociedade brasileira perderia algo com que se identificasse que nesta questão, essas ideologias ainda ficam embutidas na consciência do brasileiro.

Referências:

  • Carvalho, José Murilo de. Os Bestializados: o Rio de Janeiro e a República que não foi. 3 ed. São Paulo : Companhia das Letras, 1987. 196 p.

  • Carvalho, José Murilo de. A Formação das Almas: o imaginário da República no Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1990. 166 p.

  • WEB ARTIGOS. Apresenta informações sobre variados temas, além de publicar artigos e dissertações. Disponível em: <www.webartigos.org>. Acessado em: 25 Out. 2009. Site.

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  1. Aluno graduando do curso de História do Centro Universitário de Belo Horizonte – Uni-BH.

  2. Professor-Orientador da disciplina “Teoria da História” do Centro Universitário de Belo Horizonte – Uni-BH.

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