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Fisiocracia e Adam Smith

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Fisiocracia e Adam Smith

Pensador de grande destaque que foi Adam Smith, assim como os Fisiocratas, criou grandes teorias visando explicar as relações econômicas entre as classes sociais. Um ponto de grande destaque em seu estudo foi à origem da renda, o valor das mercadorias, as relações de troca, a criação e distribuição da riqueza na sociedade, a divisão do trabalho e a geração do excedente econômico. Smith formulou teorias visando explicar qual seria a melhor forma dos países manterem relações comerciais internacionais. Os séculos XVII e XVIII se destacaram com o surgimento de grandes teorias econômicas em uma época em que não ainda estudos ligados a economia e neste contexto surgem os Fisiocratas e o Smith trazendo grandes avanços para as Ciências Econômicas.

Introdução

Os séculos XVII e XVIII foram muito promissores para as ciências econômicas. Foi neste período que começaram a surgir os grandes pensadores e estudiosos que viriam a formular teorias que tentavam explicar a realidade econômica da época partindo da observação da realidade que vivenciavam.

Neste contexto, surge a Escola Fisiocrata, com origem francesa e que defendia a existência de uma ordem natural, com base na qual a sociedade deveria ser organizada. Os fisiocratas acreditavam que somente a agricultura é que poderia gerar um excedente e assim formularam suas teorias partindo do princípio da agricultura como centro da geração de riqueza na sociedade.

Uma grande evidência do destaque dado pelos fisiocratas à agricultura é o seu Tableau Economiqué, em que mostravam através de um diagrama a distribuição da renda pelas três classes da sociedade, sendo que no final a renda retornava aos proprietários de terras.

Posteriormente surge Adam Smith dando início à Escola Clássica e propondo grandes alterações ao que havia sido exposto até então pelos fisiocratas e mercantilistas.Smith surgiu explicando teorias até então nunca abordadas, como a teoria do valor, teoria do lucro, dentre outras alterações.

Breve Histórico sobre Fisiocracia e Smith

Surgimento da Escola Fisiocrática

Os fisiocratas surgiram na França com final do mercantilismo, por volta de 1756, com dois pensadores principais: Quesnay e Turgot. Apesar de ter sido um movimento de oposição ao mercantilismo, a fisiocracia não se afastou totalmente do feudalismo, pois a França era um país essencialmente agrário.

Para os fisiocratas, a sociedade era regulada por uma ordem natural que rege a natureza física. Assim, se os homens não colocarem obstáculos a essas leis a sociedade irá se configurar segundo um desenho necessário, com leis que irão se impor automaticamente a todas as pessoas. Segundo esta escola, a sociedade pode ou não existir, mas existindo traz vantagens as pessoas que não poderiam ser obtidas de outra forma. Uma destas vantagens é a troca de mercadorias, que pode reduzir e integrar as atividades econômicas dos homens. Esta realidade é o ponto de partida da análise fisiocrata.

Para que possamos entender o motivo da crença fisiocrata nas leis naturais, devemos nos voltar para a realidade francesa no século XVIII. Era uma economia essencialmente agrária, com base na propriedade privada feudal; a economia já possuía um caráter capitalista, embora ainda fosse possível encontrar camponeses nas províncias meridionais; as atividades realizadas nas cidades eram de caráter artesanal; conviviam em uma mesma realidade as formas de produção agrícola camponesa e a capitalista, com destaque para esta última forma, que segundo os fisiocratas seria a forma mais desejável e avançada para a época.

Na fisiocracia a forma essencial do capitalismo só poderia se desenvolver totalmente nas atividades agrícolas, pois para eles apenas na agricultura é que poderia haver um excedente.

Porém uma experiência de conduzir a economia segundo a doutrina fisiocrata, feita por Anne-Robert-Jacques Turgot, ministros das finanças em 1774 resultou em fracasso devido aos protestos dos proprietários de terras. Com a exoneração do ministro desapareceu a influência dos fisiocratas.

Adam Smith

Nascido na Escócia em 1723, Adam Smith lecionou em Gaslow e Oxford e entrou em contato com os principais representantes da fisiocracia, Quesnay e Turgot. Pela sua formação acadêmica e seus vastos conhecimentos do assunto, Smith foi o primeiro a criar um modelo abstrato totalmente coerente com a realidade econômica da época. Via ligações entre as classes sociais, o sistema de produção, o comércio, a circulação de moeda, a distribuição da riqueza, dentre outros.

Com a deposição de Turgot como Ministro das Finanças e a publicação de A Riqueza das Nações de Smith em 1776, tem fim a influência dos fisiocratas e são introduzidos os princípios que servirão de base à Escola Clássica.

Ao contrário da fisiocracia, que se desenvolveu na França, Smith toma por base a Inglaterra, com sua realidade econômica já bem mais direcionada ao sistema manufatureiro, transformação que se consolidava na Inglaterra do século XVIII.

Smith considerava a busca pela riqueza como um desejo de cada indivíduo de melhorar. Pensava que o auto-interesse impelia os homens a buscar pelo melhor para si e conseqüentemente acabavam proporcionando involuntariamente o melhor para os outros.

Não é da benevolência do açougueiro, do cervejeiro ou do padeiro que esperamos nosso jantar, mas da consideração que eles têm por seus próprios interesses. Na esfera econômica, isso propicia a divisão do trabalho e a acumulação de capital, dessa forma aumentando a produtividade.” - Smith

Teoria do Valor

Inicialmente Smith tentou formular sua teoria do valor com base no valor de uso e no valor de troca das mercadorias. Para ele um bem não tinha a possibilidade de ser trocado se não possuísse um valor de uso, pois somente a capacidade de levar prazer ao usuário é que poderia fazer um bem digno de ser trocado. Caso contrário ninguém iria querer obtê-lo.

É também neste contexto que Smith fala sobre a escassez relativa marginal de um bem. Um exemplo citado por Smith e que pode demonstrar claramente esta teoria.

"As coisas que têm um maior valor em uso freqüente têm pouco ou nenhum valor para troca; e,pelo contrário, as que têm o maior valor de troca freqüentemente têm pouco ou nenhum valor de uso. Nada é mais útil do que a água; mas dificilmente se comprará alguma coisa com ela; dificilmente ela se trocará com alguma coisa. Um diamante, pelo contrário,dificilmente tem qualquer valor para uso, mas freqüentemente uma quantidade muito grande de outros bens pode ser trocada por ele." (Smith – cap IV p. 84)

Posteriormente, Smith na elaboração de sua teoria do valor descarta a hipótese da utilidade e se volta para o papel do trabalho. Ele diz que quando uma pessoa um bem que pretende trocar e não fazer uso próprio, seu valor corresponde a quantidade de trabalho que o bem lhe dá direito de trocar, ou seja a quantidade de trabalho demandável.

Segundo Smith, "o preço real de todas as coisas (...) para o homem que as quer adquirir é o trabalho e o incômodo de adquiri-las." Sendo assim, um determinado produto que tivesse gasto uma hora de trabalho para ser produzido só poderia ser trocado proporcionalmente por outro bem que tivesse levado o mesmo tempo para ser produzido,ou então por dois bens que tivessem levado meia hora em sua confecção, e assim sucessivamente.

Já a escola fisiocrática não possuía nenhuma teoria do valor. Adotam os valores das mercadorias como dados e a partir daí desenvolvem suas idéias.

Teoria da Distribuição

Para os fisiocratas, a distribuição da renda na sociedade podia ser explicada pelo Tableau Economiqué, o qual consideravam ser sua maior contribuição para a ciência econômica. O Tableau descrevia a criação e a circulação da riqueza entre as três classes sociais.

O Tableau é a primeira tentativa de explicação que surge em nível macroeconômico, apesar de retratar uma economia fechada, sem comércio exterior. Segundo esta análise o proprietário de terras recebe o aluguel dos lavradores e estes contratam a mão-de-obra do trabalhador. O esquema analisa apenas o setor agrícola e considera que todas as trocas são feitas entre classes e não entre indivíduos.

O Tableau explica a criação do produto líquido, sua circulação entre as classes e sua reprodução no ano seguinte. No esquema a circulação da riqueza entre as classes depende do pagamento de renda a classe proprietária, que ao gastar esta quantia movimenta o processo de trocas. No final, como todos dependem da produção agrícola, a riqueza acaba voltando para a classe proprietária e permite que seja iniciado um novo ciclo produtivo.

Inicialmente em sua teoria da distribuição, Smith comenta sobre o estabelecimento de um contrato entre trabalhador e empregador e deste acordo é que seria estabelecido o salário a ser pago ao trabalhador. Mas ainda assim, Smith ressaltava que este salário deveria ser no mínimo aquele necessário a sobrevivência do trabalhador.

A longo prazo os salários não deveriam ficar abaixo do nível de subsistência. Quando os salários são maiores a população também tende a crescer em um ritmo mais acelerado.

Smith considera ainda que os lucros do capitalista estão intimamente ligados aos salários, baixando quando estes baixam e aumentando quando estes se elevam. Uma possível medida para um aumento salarial seria um aumento no estoque, pois este aumento geraria uma maior procura por mão-de-obra. A diminuição na disponibilidade de mão-de-obra no mercado geraria concorrência e conseqüentemente faria com que os salários subissem.

A intervenção do Estado na Economia

A fisiocracia defendia que o papel do Estado era o de garantir a ordem,criar um imposto único que incidisse sobre a classe proprietária e proporcionar as melhores condições para a produção agrícola.

A escola fisiocrática propunha ainda algumas reformas como a adoção de meios mais desenvolvidos de cultivo agrícola, abolição as restrições à exportação de cereais, o que garantiria um bom preço e a eliminação de todos os entraves da concorrência no mercado de bens manufaturados.

Adam Smith defendia a não intervenção do Estado na economia, pois segundo ele o mercado se auto-regularia como que guiado por uma mão-invisível onde as forças do mercado determinariam um ponto de equilíbrio entre a oferta e a demanda pelas mercadorias.

Divisão do Trabalho

Teoria centrada em Adam Smith, defendia que a divisão do trabalho proporcionava um aumento na produtividade do trabalhador por três motivos principais:

  • Aumentava a destreza do trabalhador. Uma vez que ele realizava apenas uma função sua prática aumentaria e ele passaria a realizar uma mesma atividade em menor tempo;

  • Reduzia o tempo de troca de uma função para outra;

  • Facilitava a invenção de maquinários que acelerassem a produção.

Segundo Adam Smith, "já que é por tratado, por escambo e por aquisição que obtemos uns dos outros a maior parte desses bons ofícios mútuos de que necessitamos, é essa a mesma disposição para permutar que originalmente dá ensejo à divisão do trabalho".

Teoria do Excedente Econômico

Teoria esta defendida pela escola fisiocrática, propunha que apenas a agricultura é que poderia gerar um excedente econômico. Tanto na Indústria quanto no comércio, para estes pensadores só havia uma transferência de valores. Já a agricultura ao final da produção gerava uma quantidade maior que a investida inicialmente, o chamado excedente econômico.

Smith ao desenvolver sua teoria deixa de forma explicita a idéia de que ao contrário dos fisiocratas, acreditavam que a indústria também poderia gerar um excedente ao passo que recebia a matéria em estado bruto e a transformava em um novo produto com um maior valor agregado.

Conclusão

A partir da análise desenvolvida das diferentes teorias propostas pela escola fisiocrata e por Adam Smith, podemos concluir que a economia moderna tem bases sólidas e que mesmo tendo sido criadas em uma época em que ainda não haviam muitos estudos acerca das ciências econômicas, essas teorias representaram uma grande evolução para a economia, apesar de apresentarem alguns pontos falhos ou incompletos mas que viriam a ser resolvidos posteriormente pelos outros teóricos estudiosos do tema.

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