Disputas politicasna fronteira do império brasileiro durante a guerra do paraguai

Disputas politicasna fronteira do império brasileiro durante a guerra do paraguai

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Ernesto Cerveira de Sena

RESUMO: Este artigo trata das disputas políticas em Mato Grosso, província fronteiriça e estratégica

vinculado a um grupo político daquele momento

para o Império, durante a Guerra do Paraguai (1864-1870). Apesar dos clamores para que os grupos políticos locais cessassem de se digladiar para melhor enfrentar o inimigo estrangeiro, os conflitos entre os partidos continuaram acirrados, utilizando-se inclusive de soldados armados para obterem vantagem política, mesmo contrariando autoridades, tal como acontecia antes do conflito com o Paraguai. Como resultado dessa disputa, a província de Mato Grosso também criou seus heróis de guerra, cada qual PALAVRAS-CHAVE: Império do Brasil, Mato Grosso, Heróis de Guerra

ABSTRACT: This article is about political disputes in Mato Grosso, frontier and strategic province for the

Grosso also created their war heroes, each one linked to a political group of that moment

Empire of Brazil, during the War of Paraguay (1864-1870). In spite of the clamors to the politicians local groups stop fighting, for best face the foreign enemy, the conflicts among the parties continued intransigent, being used armed soldiers for them to obtain advantage political, contradicting authorities, just as it happened before the conflict with Paraguay. In reason of that dispute, the province of Mato KEY WORDS: Empire of Brazil, Mato Grosso, War Heroes

No Império do Brasil, durante a guerra contra o Paraguai (1864-1870), predominava a disputa entre dois partidos no espaço político brasileiro, como geralmente também acontecia em grande parte da América Latina. Nas diferentes e distantes províncias do Império esses partidos muitas vezes tinham seus respectivos representantes. Eram laços estabelecidos muito mais por fidelidades pessoais do que por programas partidários. Mas eram vínculos que faziam lugares distantes da capital do Brasil se sentirem como parte integrante de um país em construção, correspondendo aos muitos desígnios do centro político, ao mesmo tempo em que também apresentavam demandas para as políticas gerais do Império.

Dessa maneira, os grupos políticos que atuavam no Rio de Janeiro tinham seus correligionários na província de Mato Grosso, formando dois grupos locais distintos, um chamado de Partido Conservador e o outro de Liberal, durante a maior parte do período monárquico. O estouro da guerra em solo mato-grossense provocou numerosas transformações no cotidiano da populaçãoI . Entretanto, os dois grupos políticos acentuaram suas disputas, apesar dos clamores pela união das partes contra o “inimigo comum”.

Pesquisas recentes desenvolvidas no Brasil demonstram que a Guerra do Paraguai, -ou a Grande Guerra como é conhecida no Paraguai, ou a guerra da Tríplice Aliança, como é conhecida em outros países da América do Sul -, contou para sua eclosão principalmente com fatores regionais, conflitos próprios da formação dos Estados Nacionais no cone Sul, não sendo deflagrada, portanto, por motivos do imperialismo inglês ou de outras potências mundiaisII .

A província de Mato Grosso, com parte do território em litígio, foi o lugar do Império brasileiro que primeiro sofreu o revés da ocupação de tropas paraguaias. Em dezembro de 1864, mais de 7.0 soldados paraguaios adentraram o Mato Grosso, tomando os lugares de Coimbra, Miranda e Corumbá. Não havia soldados brasileiros suficientes para represar o avanço guarani, não alcançando a duas centenas de militares na região sul da província.

Logo a notícia da invasão chegou na capital da província, causando enorme

“consternação e alvoroço” I . Calculavam que os paraguaios estariam na foz do rio Cuiabá. A

“capital foi presa do terror”, nos dizeres de Augusto LevergerIV . Muitas pessoas começaram a sair da cidade. O próprio chefe de polícia “deu exemplo ao mandar sua família para fora” de

CuiabáV . Uma grande quantidade de soldados de linha (exército) abandonou seus postos, assim como a Guarda NacionalVI não conseguiu se organizar. No meio da agitação, foram chamar a Augusto Leverger, que estava em seu sítio, distante alguns quilômetros da capital. O capitão Leverger era francês de nascimento. Tinha lutado nas guerras platinas na década de 1820 como mercenário. Logo foi incorporado à armada do Império brasileiro, sendo designado para servir em Cuiabá em 1830. Quando estourou a guerra contra o Paraguai, Leverger era um militar veterano, respeitado por ter participado de várias missões em favor do governo imperial.

Dessa maneira, o capitão Leverger chegou na capital da província, se pôs a animar os soldados e passou a organizar a defesa da cidade. O presidente Albino de Carvalho logo o nomeou comandante da Guarda Nacional, como também das forças fluviais e terrestres da província. O capitão, passando a ser seguido por numerosos soldados e guardas, escolheu o morro de Melgaço, numa encosta do rio Cuiabá, para fazer dali o principal ponto de resistência, caso os paraguaios avançassem. Para a proteção da cidade, Leverger dizia que “até os militares que se achavam presos” coadjuvaram na formação da defesaVII .

Assim, no morro de Melgaço, um grande contingente de homens ficou esperando os paraguaios subirem o rio. Passados quatro meses de acampamento, chegaram à conclusão de que os soldados de Solano Lopez não viriam mais, ao menos nesse ano de 1865. O rio estava secando e pensavam ser impossível uma frota militar navegar até as proximidades da capital. Assim, parte da guarnição voltou para Cuiabá, ficando 2 batalhões da Guarda Nacional, uma companhia da força de linha e alguns “voluntários cuiabanos” VIII . Apesar disso, em fins de maio, tiveram que reforçar novamente os locais de defesa (não apenas Melgaço), devido a um boato de que os soldados guaranis estivessem rumando para a capitalIX .

Leverger era de fato a grande liderança na província nesse tempo de guerra, mesmo sendo considerado simpatizante do Partido Conservador, enquanto eram os liberais que estavam ocupando o gabinete de ministérios, e conseqüentemente os principais cargos do poder Executivo em todo o império. Pelo reconhecimento de seus atos na organização da defesa de Cuiabá, era saudado por muitos do Rio de Janeiro. Taunay dizia que o marinheiro tinha sido o “antemural de Cuiabá e de todo o Brasil”X , recebendo por isso o título de barão de

Melgaço, em novembro de 1865. Dessa forma, Leverger acabou designado para a presidência da província, nesse momento conturbado, mesmo não sendo partidário dos que estavam no governo central.

No entanto, a escolha de Leverger não se deu de maneira imediata. Na verdade, o que acontecia era que o governo havia tentado enviar várias outras pessoas para o Mato Grosso, e enquanto isso o capitão continuava no governo da província por ter sido escolhido antes da guerra como o primeiro vice-presidente. Normalmente os vices assumiam durante um período que compreendia a saída do presidente titular até a chegada do seu substituto, demorando no máximo alguns meses. Foi o que aconteceu logo quando começou a guerra. O presidente de província até então retornou para o Rio de Janeiro e Leverger assumiria interinamente, até que o novo presidente viajasse do litoral até Cuiabá, o que poderia durar até 90 dias. Mas não foi bem o que aconteceu.

Além de Frederico Carneiro de Campos, que iria substituir o general Albino de Carvalho, - mas acabou sendo preso pelos paraguaios quando seu barco subia o rio Paraguai antes da guerra ser declarada -, a província também ficou à espera de outros presidentes nomeados, como o visconde de Camamu. Este, antes de seguir viagem para Cuiabá, foi chamado para o ministério da Guerra. Em seu lugar, então, foi nomeado presidente o coronel Manoel Pedro

Drago. No entanto, a Corte acabou mudando de planoXI . Parecia que o destino atrapalhava a ida de altos funcionários, ou eles mesmos conseguiam um modo de não ir para um sertão, que já não era muito desejado como lugar de moradia pelos funcionários do governo, ainda mais em um momento em que estava em franco conflito armado. Enquanto isso, Leverger permanecia administrando a província como vice-presidente, até que a Corte resolveu nomeá-lo de fato titular do cargo. Note-se que não era mais um gabinete predominantemente conservador que o designava para tal cargo, tal como havia acontecido na década de 1850 com o próprio Leverger, quando esteve à frente da administração de Mato Grosso entre 1851 e 1857. A principal tarefa de Leverger, o barão de Melgaço, era cuidar dos afazeres relacionados à luta contra a república guarani. Assim, deveria animar a população provincial que via a sua terra como “a primeira vítima” de um sangrento conflitoXII . Para isso cuidava dos diversos corpos armados.

No momento em que decidiram fazer resistência a um possível ataque paraguaio, em janeiro de 1865, criaram na província uma companhia chamada de “voluntários cuiabanos.” Essa companhia, no entanto, não teve vida longa. Segundo Leverger, devido aos elementos do qual era composta, assim como da maneira de sua organização, o seu governo teve que dissolvê-laXIII . Mas o serviço de “voluntários” armados não pararia por aí. Ao mesmo tempo em que criavam na província os “voluntários cuiabanos” em Mato Grosso, na Corte, de maneira semelhante, concebiam-se por decreto imperial os corpos de “voluntários da pátria”. A ordem para criação e organização dessa força chegou a Cuiabá em abril de 1865. Até agosto desse ano, o número de pessoas alistadas era o suficiente apenas para formar uma pequena companhia. Mas daí em diante o número de voluntários aumentou consideravelmente. Segundo Leverger, isso provavelmente tinha acontecido devido à “chegada de promessas para os incorporados.” Assim, o presidente acreditava que em breve as companhias estariam completasXIV .

De fato, os “voluntários da pátria” recebiam melhores soldos do que os outros corpos armados, além de um bônus ao se alistarem. Tinham também a promessa de benefícios pecuniários e doações de terras ao fim do conflito. Além disso, o governo se comprometia a conceder pensões para as viúvas e órfãos desses soldados, assim como auxílio no caso de mutilação. “Esses benefícios seriam depois estendidos aos membros da Guarda Nacional alistados, mas não às tropas regulares.” XV

A criação de corpos armados chamados de “voluntários”, tinha como objetivo recrutar pessoas que dificilmente se alistariam nas tropas regulares e que estavam excluídas da Guarda Nacional. O exército era considerado como hordas armadas. As tropas sofriam o profundo estigma de repositório de criminosos e marginais de toda a espécie. A idéia de “voluntário”, então, trazia o sentido de cooperação cívica, o que não se poderia esperar da força de linha regular. O próprio imperador, que era representado como o grande pai da naçãoXVI , aparecia como o “voluntário número um” da pátria. Era o “Rei Guerreiro” que se envolvia pessoalmente na direção dos esforços de guerra. Houve um ganho enorme de popularidade de D. Pedro I naquele início de conflito, mas com o prolongamento inesperado da guerra, o faria perder essa condiçãoXVII .

As tropas paraguaias também haviam ocupado parte do Rio Grande do Sul, em 1865. Logo essa região tornou-se o principal foco da guerra para o Império. O próprio imperador foi à província meridional verificar os andamentos das operações. Era o monarca deixando o conforto da Corte para se aproximar dos campos de batalha. Era um verdadeiro incentivo aos súditos, como incitava Leverger:

O magnânimo Monarca, desprezando incômodos e perigos, quis aproximar-se do teatro de guerra, onde a sua presença há de robustecer os esforços e redobrar os brios das legiões que de todas as partes do Império tem acudido a vingar a honra da pátria ultrajada. XVIII

Para os governantes de Mato Grosso, durante a guerra, um de seus principais papeis era o de arrebatar e transmitir coragem aos súditos do Império. O exemplo de D. Pedro I era providencial: “A quem deixará de entusiasmar a heróica dedicação do Defensor Perpétuo do Brasil!”.

Da mesma maneira, comunicavam-se os fatos que aconteciam no conflito internacional, em que o Império levava a melhor, como a batalha naval de Riachuelo, “onde cobriu-se de glória a Esquadra Imperial”.

Mesmo as derrotas, em que morriam milhares de pessoas dramaticamente, deveriam ser passadas como atos de bravura e heroísmo do soldado imperial. Assim foi no caso do episódio que depois ficou conhecido como a “Retirada da Laguna”, que entrava nos anais da história militar:

Conheceis (...) a heróica retirada das forças expedicionárias ao sul desta província, que depois de terem penetrado no território paraguaio, viram-se obrigadas a retroceder tendo de lutar com a fome, a guerra, a peste e o fogo que devorava os campos por onde marchavam. É um dos feitos mais brilhantes da história militar contemporânea. XIX

Não obstante, apesar do conflito atingir o sul da província, as tropas recrutadas em Mato

Grosso mantiveram-se afastadas dos campos de batalha nos primeiros anos da guerra. De qualquer forma, os governantes de Mato Grosso conseguiram com a Guarda Nacional, os “voluntários da pátria” e as tropas de linha reunir um contingente de soldados considerável, a maior parte estacionada em CuiabáXX .

Sentindo-se motivadas, então, pessoas representativas da província sugeriam ao Barão de Melgaço que se formasse expedição e fosse tomar de volta Albuquerque, Corumbá e Coimbra. O Barão de Melgaço, contudo, embargava tal iniciativa. Considerava “semelhante empresa imprudente”. Alegando o mesmo motivo, comunicou às autoridades da Corte que não iria organizar expedições naquele momentoXXI .

Se um dos problemas era saber mais sobre o inimigo, Leverger havia mandado uma pequena expedição ao sul da província para fazer um levantamento sobre as forças paraguaias nas áreas ocupadas. Calculavam em 1.0 homens na região de Corumbá, Albuquerque e Coimbra, e outros 2.0 nas colônias de Miranda, Dourados e proximidades. Conseguiram informações de que havia centenas de presos brasileiros. Contudo, seis deles tinham sido fuzilados em novembro de 1865. Dizia-se que a causa desse fuzilamento poderia ser a de terem conseguido contato com um dos emissários do presidente de província que observava o lugar. Segundo Leverger, fosse esse fato “exato ou não”, julgou dever abster-se “de outras semelhantes expedições, cuja utilidade estava longe de compensar os funestos resultados que podiam acarretar”. XI

Não obstante, dever-se-ia continuar sempre em observância dos diversos corpos militares da província. Os recrutamentos se intensificaram durante a guerra. O exército imperial concentrava seu recrutamento naqueles que não dispunham de proteção de pessoa influente, sendo incorporados principalmente desempregados, desocupados e criminosos em potencial. Dessa forma, tanto os governos provinciais, como o central, dependiam em larga medida da boa vontade dos chefes locais, “que procediam à seleção dos recrutamentos segundo as conveniências políticas regionais” XI .

Por outro lado, os comandantes da Guarda Nacional usavam o seu poder de seleção e comando para pressionar nas eleições com os recrutados. Política e forças armadas andavam juntas, mesmo durante a guerra do Paraguai.

Dessa maneira, Leverger apelava para que o caráter competitivo das facções cedesse lugar à união. Assim seriam mais fortes para enfrentar o Paraguai que desafiava a todos da pátria imperial. Não havia motivos para não se conciliarem:

O perigo comum é, pelo contrário, penhor de que quaisquer sementes de discórdia [que] ficarão abafadas pelo amor que todos tributamos ao nosso país e às nossas famílias. Tanto mais fortes seremos quanto unidos. XXIV

Se era atribuído a Leverger o predomínio do espírito de “concórdia e união” das facções durante a década de 1850, o período chamado de “conciliação”, durante a guerra, nem na Corte (que ensaiou uma “segunda conciliação”), nem na província deixou de haver fortes disputas pelos cargos eletivos e de nomeação, não obstante os discursos conciliatórios. Até mesmo o próprio Leverger iria se indispor com Batista de Oliveira, o barão de Aguapeí, líder do

através governo central

Partido Liberal, que exercia o comando superior da Guarda Nacional, cuja nomeação tinha sido

Em governo anterior, quando predominava um “espírito de conciliação”, Leverger havia ajudado a promover a facção liberal, inclusive indicando Batista de Oliveira para a seqüência de vice-presidentes. Nesse momento era somente o Partido Liberal da província que se identificava com o governo do Partido Progressista na Corte, ficando os conservadores na oposição. Mas mesmo Leverger sendo escolhido presidente de província, os altos cargos permaneceram com os liberais de Mato Grosso. O capitão chegou a sugerir Almeida Louzada, antigo secretário do governo, e visto por muitos como bastante eficiente e “apartidário”, para que fosse o primeiro vice-presidente da provínciaXXV . Mas a Corte manteve a mesma lista de vices. Quando houve eleição, Leverger não conseguiu se sobrepor ao comando da Guarda Nacional, que foi decisivo para os liberais ganharem o pleito provincial. Dizia o capitão que a

Guarda Nacional tinha virado instrumento “de manejos eleitorais” XXVI:

(...) com raríssimas exceções, os oficiais incumbidos da qualificação, não se importando com a observância da Lei, alistam, sem distinção, o maior número possível de indivíduos sobre que possam exercer influência para levarem às mesas paroquiais as listas, que se lhes distribuem (...)XXVII

de Aguapeí, cujos procedimentos reprovavaMesmo sendo a principal autoridade na

O capitão se sentia bastante incomodado com o comando de corpos armados nas mãos província, e estando em guerra, percebia que determinados benefícios somente aconteciam aos seguidores da parcialidade liberal:

a demora de seis e mais meses no pagamento dos vencimentos a alguns corpos militares, ao mesmo tempo que outros corpos estão pagos quase em dia, porque seus comandantes conseguem, por suas relações particulares, que entrem nos cofres da Tesouraria as precisas quantias com a condição de terem esta especial aplicaçãoXXVIII .

Dessa maneira, Leverger escrevia para o ministro da Justiça, Nabuco de Araújo, pedindo a exoneração do barão de Aguapeí. Segundo Leverger, Aguapeí tinha abusado da notória influência que exercia sobre o seu antecessor [General Albino de Carvalho] fez com que mal, tarde, e com pouca sinceridade e eficácia se cuidasse da formação dos corpos destacados e dos voluntários da Pátria, e não bem cessado de intrigar e suscitar dificuldades a fim de estorvar os meus esforços para a organização dos referidos corpos. (...) Entendo que convém ao serviço público a demissão do barão de AguapeíXXIX .

O pedido de exoneração do líder liberal não surtiu pronto efeito. Nabuco de Araújo e o

Imperador não concordaram imediatamente com o pedido do capitão por considerarem os seus

“termos não bem explícitos” em seu ofícioXXX . Diante da recusa, o barão de Melgaço se demitiu do cargo de presidente de província. Nem Nabuco, nem o imperador esperavam tal atitude do barão. O ministro da justiça tentou contornar a demissão. Diante da possibilidade de não terem Leverger, experiente administrador e militar, à frente da província, Nabuco e o imperador decidiram pelo afastamento de Batista de Oliveira, o barão de Aguapeí. Assim, Nabuco de Araújo escrevia para o barão de Melgaço pedindo que reconsiderasse sua posição, como também informava que o comandante da Guarda Nacional já estava demitido. Mas logo o gabinete caiuXXXI e foi designado novo presidente para o Mato Grosso. Houve uma interinidade do vice-presidente Albano de Sousa Osório, para em seguida assumir como titular da administração o doutor José Vieira Couto de Magalhães, que já havia sido presidente das províncias do Pará e de Goiás.

O presidente Couto de Magalhães começou a governar em fevereiro de 1867, como delegado do gabinete progressista. Durante seu governo, Aguapeí continuou no comando da Guarda Nacional, e ainda passou a ser o primeiro vice-presidente, no lugar de Leverger, assumindo interinamente a administração em 1868XXXII .

Couto de Magalhães ficou conhecido durante o Império, e posteriormente, não somente pelos seus escritos, mas sobretudo pela sua aventura de desmontar um vapor em Cuiabá (bacia do Prata) e pôr as peças em várias carroças, que seguiram rumo a leste, ora pelo cerrado, ora através da mata, abrindo caminho à medida que avançava, até atingir as margens do rio Araguaia ( bacia do Amazonas), quando a embarcação foi remontada e posta a navegar

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