Máquinas Agrícolas

Máquinas Agrícolas

(Parte 1 de 3)

Tratores Agrícolas Prof. Dr. Suedêmio de Lima Silva

Cascavel – PR 2005

1 TRATORES AGRÍCOLAS1
1.1 Definição1
1.2 Evolução dos tratores1
1.3 Importância dos tratores na agricultura1
1.4 Funções do trator1
1.5 Constituição geral e funções de suas principais partes constituintes1
1.6 Classificação dos tratores3
1.6.1 Tratores de rodas3
1.6.2 Tratores de semi-esteiras4
1.6.3 De acordo com a conformação do chassi5
1.6.3.1 Tratores semi-agrícolas5
1.6.3.2 Tratores florestais5
1.6.3.3 Tratores com tração nas quatro rodas5
2 Manejo de tratores6
2.1 Preparo do trator para o trabalho6
2.2 Verificação de instrumentos e controle6
2.3 Riscos do trabalho rural7
2.4 Acidente de trabalho10
2.4.1 Legislação10
2.4.2 prevencionista10
2.5 Precauções de segurança10
3 Operação com o trator e implemento12
3.1 Colocando o motor em funcionamento12
3.1.1 Antes da partida12
3.1.2 Partida12
3.1.3 Motor em funcionamento13
3.2 Saída13
3.3 Trator em movimento13
3.4 Mudança de marchas13
3.5 Parada do trator14
3.6 Manobras com uso do freio14
3.7 Acoplamento de implementos montados15
3.8 Comando do sistema hidráulico15
3.9 Principais cuidados a serem observado na utilização da TDP16

1 TRATORES AGRÍCOLAS

1.1 Definição

É uma máquina autopropelida que, além de conferir apoio estável sobre uma superfície impenetrável, tem a capacidade de tracionar, transportar e fornecer potência mecânica aos implementos e máquinas agrícolas.

1.2 Evolução dos tratores

1858 – J. W. Fawkes puxou um arado de 8 discos utilizando um sistema com motor a vapor (41 toneladas); 1892 – Jonh Froelich montou o primeiro trator com motor de combustão interna;

1913 – Foi fundada a primeira indústria de tratores; 1920 – Início dos testes em tratores (Nebraska); 1924 – Introdução do trator triciclo no mercado; 1927 – Padronização da TDP; 1928 – Primeiro sistema de levante; 1932 – Primeiro trator com pneus;

1933 – Primeiro uso comercial de tratores com motores diesel; 1939 – Introdução de levante hidráulico de três pontos (Fergusson);

1952 – Introdução do sistema de direção hidráulica; 1958 – 1959 – No Brasil 50.0 tratores (143 marcas e modelos diferentes) 1959 – Plano nacional da indústria de tratores agrícolas; 1962 – Plano nacional da indústria de cultivadores; 1965 – Plano nacional da indústria de tratores de esteiras;

1970 – 1978 – Introdução de turbo-compressor e intercooler nos motores diesel; 1979 – 1985 – tratores equipados com sensores e sistema de controle automáticos.

1.3 Importância dos tratores na agricultura

- Substitui os animais domésticos como fonte de potência; - São mais adequados para fornecer potência em movimento de rotação;

- São mais adequados para trabalhos estacionários do que os animais;

- Aumenta a produtividade por área trabalhada no campo;

1.4 Funções do trator

O trator foi sendo aperfeiçoado com o passar do tempo para atender a muitas tarefas desenvolvidas nas propriedades agrícolas, adaptando-se as modernas práticas agrícolas, se tornando um dos mais importantes insumos agrícolas modernos, que deve cumprir as seguintes funções básicas: Tracionar máquinas e implementos de arrasto através de sua barra de tração;

Acionar máquinas estacionárias através de tomada de potência (TDP); Tracionar máquinas simultaneamente com acionamento de sues mecanismos através da barra de tração ou do engate de três pontos e da tomada de potência; Tracionar e carregar máquinas e implementos montados através do engate de três pontos com levantamento hidráulico.

1.5 Constituição geral e funções de suas principais partes constituintes

Os tratores agrícolas são constituídos pelos seguintes órgãos básicos: Motor: converte a energia potencial do combustível em energia mecânica

Embreagem: é um órgão receptor e transmissor de potência do motor a caixa de marcha sob o comando do pedal acionado pelo tratorista;

Caixa de mudança de marchas ou câmbio: é um órgão transformador e transmissor de movimento, responsável pela transformação do torque e velocidade angular do motor no torque e velocidade requerido pelo rodado, pelo acoplamento e desacoplamento de engrenagens; Coroa, pinhão e diferencial: responsável pela transmissão do movimento da caixa a cada uma das rodas motrizes envolvendo redução de velocidade e mudança na direção do movimento em 90o (pinhão: acoplado à semi-árvore terciária; coroa: acoplada a semi-árvore motora através do diferencial e movimentado pelo pinhão; diferencial: acoplado a coroa, equilibra o movimento aplicado e ambas as rodas (curvas); Redução final: responsável pela transmissão do movimento do diferencial às rodas motrizes, com redução da velocidade angular e aumento do torque. Protege o diferencial contra choques, impac tos e quebra de dentes; Semi-árvores: recebem e transmitem o movimento proveniente do diferencial às rodas motrizes (eixos); Rodado: responsável pela sustentação, direcionamento do trator, propulsão e desenvolvimento de força de tração na barra; Sistema hidráulico: conjunto de órgãos receptores, transformadores e transmissores da potência do motor por meio de um fluido sob pressão, a órgãos operadores respresentadas por cilindros hidráulicos;

Tomada de potência: (TDP, TDF ou PTO) transmite e transforma o movimento do motor para movimentar órgãos ativos de máquinas e implementos, cuja parte final fica externamente na traseira do trator; Reguladores: conjunto de órgãos que tem por função regular a velocidade angular do motor, em função das variações de carga a que é submetido; Sistema de freio: interrompe a passagem do movimento do mecanismo de transmissão para as rodas;

Sistema de direção: dá o direcionamento ao deslocamento do trator; Sistema elétrico: fornece corrente elétrica.

1.6 Classificação dos tratores

A classificação dos tratores agrícolas pode ser feita segundo dois critérios básicos: de acordo com o tipo de rodado de acordo com a conformação geral do chassi

De acordo com o tipo de rodado Tratores de rodas de duas rodas triciclos (de três ou quatro rodas) de quatro rodas Tratores de esteiras Tratores de semi-esteiras

1.6.1 Tratores de rodas

Os tratores de rodas constituem o tipo predominante para uso agrícola. Caracterizam-se por possuírem, como meio de propulsão, rodas pneumáticas cujo número e disposição determinam os seguintes subtipos: Tratores de duas rodas: possuem duas rodas motrizes e um par de rabiças para comando

pelo tratorista que, geralmente, caminha atrás do trator. Recebem também a denominação de tratores de rabiças.

Figura 2 Trator de duas rodas ou trator de rabiças

Tratores triciclos: são tratores cuja sustentação, proporcionada pelos rodados, é feita por três pontos, duas rodas motoras traseiras e uma frontal movida. Todavia, muitos tratores triciclos podem apresentar duas rodas dianteiras gêmeas, dispostas uma ao lado da outra, numa só coluna de sustentação. O direcionamento é feito por motivo rotativo da coluna de sustentação.

Figura 3 Trator triciclo

Tratores de quatro rodas: são aqueles que possuem duas rodas motrizes na parte posterior e duas rodas movidas, de menor diâmetro e apartadas uma da outra, na frente. São, portanto tratores cuja sustentação pelos rodados é proporcionada através de quatro pontos de apoio, o que lhe confere maior estabilidade que os triciclos.

Figura 4 Trator de quatro rodas convencional ou standard

Tratores de esteiras: O rodado destes tratores é constituído, basicamente, por duas rodas motoras denteadas, duas rodas guias movidas e duas correntes sem fim, formadas de elos providos de pinos e buchas dispostos transversalmente, denominadas esteiras. As rodas denteadas transmitem movimento às esteiras que se deslocam sobre o solo, apoiadas em chapas de aço denominadas sapatas. O direcionamento do trator é feito através de uma diferença de velocidade relativa entre as esteiras. O emprego desses tratores na agricultura é limitado às operações que exigem grande esforço tratório. Todavia, os tratores de esteiras suplantam os tratores de rodas no que tange à estabilidade, compactação do solo e derrapagem dos rodados.

Figura 5 Trator de esteiras

São tratores de quatro rodas, porém modificadas, de forma a admitirem o emprego de uma esteira sobre as rodas traseiras motrizes. Desta forma procura-se aliar os aspectos positivos de ambos os rodados, sem alterar as características básicas do trator de pneus.

Figura 6 Trator de roda equipado com semi-esteira

1.6.3 De acordo com a conformação do chassi

De acordo com a conformação do chassi, em função da disposição de suas partes constituintes, distinguem-se os seguintes tipos de tratores:

a) Tratores semi-agrícolas - de esteiras;

- de rodas;

- convencional (standard);

- de tração nas quatro rodas.

- com chassi rígido;

- com chassi articulado. - de tração com rodas em tandem b) Tratores florestais - cortador abatedor;

- carregador transportador (forwarder);

- transportador de arrasto (skidder);

- processador. c) Tratores agrícolas

- utilitários de 4 rodas; - triciclo;

- transportador de implementos, com motor traseiro;

- transportador de máquinas, com chassi deslocado.

Os tratores semi-agrícolas são aqueles cuja conformação geral e disposição das partes constituinte possibilita a sua aplicação tanto para fins agrícolas, como industriais. Os tratores semi-agrícolas geralmente são mais pesados e menos versáteis, podem ser utilizados em apenas algumas etapas do trabalho de produção agrícola.

1.6.3.2 Tratores florestais

Os tratores florestais constituem uma categoria especial, cuja aplicação se restringe ao abate e retirada de madeira das florestas artificiais.

Estes tratores são empregados nas operações de corte e derruba das árvores (cortador abatedor), operação de carregamento e transporte para as vias de acesso dos troncos abatidos na operação anterior, podendo ser o carregador-transportador e o transportador de arrasto e operação de processamento, visando a retirada das partes indesejáveis do tronco, tais como galhos, cascas, ponteiros, etc., e cortar-los em pedaços de dimensões preestabelecidas.

1.6.3.3 Tratores com tração nas quatro rodas

Os tratores com tração nas quatro rodas surgiram como uma tentativa de se aumentar o rendimento da conversão da potência do motor em potência na barra-de-tração e em se reduzir a pressão específica aplicada pelos rodados nos solos agrícolas

Tratores com tração por rodas em tandem

Os tratores agrícolas com tração por rodas motrizes em tandem têm sido aplicado em veículos de transporte de grande capacidade de carga e também em alguns tipos de tratores industriais, como é o caso das motoniveladoras.

A tração em tandem oferece significativas vantagens decorrentes do aumento da área de contato da superfície de contato rodado-solo, tais como: menor efeito de compactação do solo, maior eficiência na conversão da potência do motor em potência na barra-de-tração, menor suscetibilidade a obstáculos do terreno.

Figura 7 Trator agrícola com tração em 6 rodas motrizes, sendo a tração traseira em tandem

2 MANEJO DE TRATORES

O manejo dos tratores agrícolas, embora relativamente simples, sempre exige maiores atenções e cuidados do que outro veículo automotor. Lembre-se, antes de ligar o motor estude, entenda as mensagens de segurança contidas no manual do operador e leia os decalques de segurança da máquina.

2.1 Preparo do trator para o trabalho

Controles administrativos: o trator como instrumento de trabalho, é manejado no sentido de executar uma operação agrícola previamente planejada. Por tanto o tratorista deve conhecer a ordem de serviço (marca, modelo, no do trator, área local, data) e as especificações operacionais (regulagens, manutenção e especificações do trabalho) antes de apanhar o trator do galpão; Nível de combustível: reabastecer o tanque de combustível no final de cada dia de trabalho;

Nível do óleo lubrificante: observar o nível de óleo lubrificante do motor, transmissões e sistema hidráulico. Se necessário reabastecer e observar se há vazamento de óleo; Nível de água do radiador e bateria: verificar e completar se necessário;

Ajuste de bitolas: ajustar o espaçamento entre as rodas para cada condição de aplicação

(aração, sulcamento, cultivo e plantio); Ajuste de lastragem: a lastragem com água deverá ser mantida, para a maioria das condições de aplicação agrícola. A lastragem com conrtrapesos posicionados nos aros das rodas ou no suporte à frente do radiador, ao contrário, deve ser ajustada para cada condição de aplicação; Vistoria geral: inclui o aperto dos parafusos, porcas e das travas dos pinos de engate, a verificação da pressão de insulflagem dos pneus e pontos de lubrificação.

2.2 Verificação de instrumentos e controle

Ajuste do assento: jamais dirigir o trator mal acomodado, além de tornar o trabalho cansativo, poderá ocasionar acidentes em manobras bruscas; Painel de instrumentos: localiza-se abaixo do volante de direção e bem à frente do operador, que consta de: · Inclui tacômetros: (indicador de rpm), horímetro, reunidos em um só mostrador e em alguns casos possuem mais um componente, o velocímetro;

• Termômetro: indica a temperatura de arrefecimento ou do cabeçote (se for arrefecimento a ar); • Manômetro: indica a pressão do óleo do sistema de lubrificação do motor;

• Amperímetro: indica a intensidade de corrente do gerador (luz vermelha em alguns modelos); Chave de luz: liga os faróis do trator;

Comutador de partida: aciona o motor de arranque; Alavanca de mudança de marchas: antes de mudar qualquer marcha, deve-se calcar o pedal de embreagem para evitar o arranhamento das engrenagens; Acelerador: localizado na coluna de direção ou abaixo do volante, pode ser manual ou em conexão com um acelerador de pedal; Controle de parada do motor: no motor diesel é utilizado o estrangulador, nos modelos mais novos o controle é feito na própria chave, através de válvulas solenoides; Freios: normalmente possuem dois pedais no lado direito do estribo e com travas de estacionamento manual; Levantamento hidráulico: o levantamento hidráulico é realizado através de um quadrante de comando localizado à direita do operador; Tomada de potência: é acionada através de alavanca situada à esquerda do operador cujos cuidados devem seguir as recomendações do manual; Partida: antes de ligar a chave de partida deve-se observar se a alavanca de mudança de marchas se encontra na posição neutra, se a torneira do combustível aberta, estrangulador e alavanca do acelerador à 1/3 do curso. Depois do funcionamento, verificar todos os instrumentos e controles. Imprimir uma aceleração média até atingir à temperatura normal de trabalho. Se o motor for equipado com turbo alimentador, a aceleração deve progressiva e antes de parar o motor deve-se baixar a rotação do motor e esperar que a turbina entre em marcha lenta. Embreagem: normalmente possui um pedal localizado do lado esquerdo do estribo;

Bloqueio do diferencial: acionado por um pedal localizado em baixo do assento no estribo direito, quando o acionamento for mecânico; Volante de direção: situado na frente do assento na altura das mãos.

2.3 Riscos do trabalho rural

Durante o desempenho de suas atividades, os trabalhadores se expõem a riscos, pois a terra, a água, o sol, o vento e o ruído, se constituem armas em potencial, contra a sua segurança e saúde.

O trator agrícola é, sem dúvida, uma das máquinas mais importantes na agricultura moderna, mas é também, uma das mais perigosas quando não utilizadas de forma conveniente e segura. Hoje, se sabe que dos acidentes fatais ocorridos com tratoristas, 80% se devem a falhas humanas (atos inseguros) e 20 % a problemas mecânicos (condições inseguras). ATOS INSEGUROS: é a maneira pela qual o trabalhador se expõe consciente ou inconscientemente ao perigo. É o comportamento inseguro que o trabalhador assume ao executar uma tarefa.Os mais comuns são decorrentes das atividades executadas na agricultura que são: Excesso de velocidade: Os tratores foram projetados para executarem operações a baixa velocidade. Por isso não possuem grande estabilidade. O excesso de velocidade pode ocasionar graves acidentes.

Figura 8 Excesso de velocidade

Uso incorreto das marchas: tendo em vista que a maioria dos trabalhos agrícolas se desenvolvem em terrenos acidentados, a utilização incorreta de marchas ou de ponto morto (“banguelas”) pode ocasionar sérios acidentes.

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