impactos pelo oleo no mar

impactos pelo oleo no mar

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1. INTRODUÇÃO

O uso de energia é vital para a maioria das atividades humanas, principalmente na sociedade moderna. Sua produção é apoiada na busca e exploração de recursos naturais, provocando uma série de modificações no ambiente. A produção e o consumo de energia ocupam importantes espaços de discussão, públicos ou não, sendo um tema muito relevante ao longo da trajetória política e econômica do mundo. A necessidade de energia é uma realidade desde que nossa sociedade começa a ser formada e se intensifica com a Revolução Industrial, baseada no uso intensivo de combustíveis fósseis, como carvão mineral e petróleo. No século XIX a revolução tem seu auge, com o uso em larga escala do petróleo e seus derivados, utilizados em processos industriais e como combustível para veículos. Gradualmente aumenta sua importância e, principalmente após a segunda guerra mundial, ganha espaço como recurso mais utilizado para gerar energia no mundo até hoje.

Hoje no Brasil, cerca de 40% da energia consumida é proveniente do petróleo e seus derivados (Brasil, MME 2007) mostrando a importância desse recurso no país.

Entretanto, a crescente industrialização tem causado um aumento na poluição, principalmente nos ambientes aquáticos, que recebem diretamente substâncias químicas de despejos industriais e domésticos, sendo as regiões costeiras as mais sujeitas aos impactos das atividades do homem.

A degradação do meio ambiente marinho pode resultar de várias fontes, tais como as de origem terrestre, que contribuem com 70% da poluição marinha, as atividades de transporte marítimo e descarga no mar com 10% cada uma. Entretanto, a magnitude dessas interações, é variável de acordo com a maior ou menor extensão das bacias hidrográficas, coletoras de sedimentos e de resíduos poluentes de vastas áreas (GEO BRASIL, 2002).

Ao transporte marítimo pode-se atribuir uma série de ações que resultam em impactos ambientais provenientes, principalmente, do lançamento de efluentes, das emissões atmosféricas, da geração de resíduos, e da transferência de espécies exóticas através da água de lastro. Além disso, há o risco do impacto resultante do derramamento da carga no mar, seja durante as operações rotineiras de manutenção dos navios e constantes descargas nos portos e terminais, ou de forma aguda, como resultado de eventuais incidentes.

Derramamentos de óleo originados por incidentes no transporte marítimo têm demonstrado grande potencial poluidor, sendo responsáveis, anualmente, por cerca de 10% da poluição global dos oceanos.

Contudo, os mares e os oceanos são uma fonte abundante de recursos biológicos e naturais, comparáveis ou até mesmo superiores às florestas tropicais, essenciais para determinar o clima da Terra. São responsáveis pela constante reciclagem de produtos químicos, nutrientes e água. São ainda uma fonte importantíssima de alimentos e emprego, além de constituírem vias naturais de comunicação, transporte e comércio.

Dessa forma, torna-se evidente a necessidade de um estudo mais aprofundado sobre os impactos ambientais gerados pela exploração e uso do petróleo como fonte de energia, visto que este possui um grande efeito poluidor, principalmente nos ecossistemas marinhos.

Sendo assim, este trabalho visa destacar as conseqüências do derramamento de petróleo no mar e seus impactos no ecossistema marinho, a fim de atentar para a importância da exigência de um processo de licenciamento ambiental e da implementação de medidas que minimizem esses impactos.

2. ORIGEM DO PETRÓLEO

O petróleo tem origem a partir da matéria orgânica, constituída de restos de vegetais e animais, depositada juntamente com sedimentos no fundo da água, ao longo da orla marinha, em baías, lagunas e outros ambientes de circulação restrita.

Estas camadas de matérias orgânicas são então cobertas por grandes quantidades de sedimentos sendo processadas, com o tempo, por intermédio das reações químicas, bacteriológicas, pressão das camadas sobrepostas e ação do calor.

Estes fatores reunidos provocam a destilação da matéria orgânica para formar o petróleo, e, a esta camada é dada a denominação de camadas geradoras.

3. EXPLORAÇÃO E PRODUÇÃO DE PETRÓLEO

O processo começa através da identificação das bacias sedimentares, em terra e no mar, que são as formações geológicas com maior possibilidade de conterem o petróleo.

Em seguida são feitos estudos geológicos da superfície visando a analisar as características das rochas e prever seu comportamento a grandes profundidades.

Na próxima etapa é realizado o levantamento sísmico da área de interesse que consiste na coleta de informações do subsolo através da aplicação de ondas mecânicas no solo e a coleta e interpretação do retorno das mesmas após passarem pelas diversas camadas do subsolo.

Em poder dos dados da geologia e com as informações do levantamento sísmico é realizado o processamento e interpretação dos dados visando a selecionar uma área onde se supõe haver uma estrutura com petróleo.

Escolhido o ponto é feito um poço, chamado de pioneiro, para a verificação se realmente há petróleo. Caso o poço seja em terra (onshore) utiliza-se uma sonda terrestre de perfuração e sendo no mar (offshore) utilizam-se sondas marítimas de perfuração.

3.1. EXPLORAÇÃO DO PETRÓLEO NO MAR

As instalações marítimas utilizadas pela indústria do petróleo para o desenvolvimento das atividades de exploração e produção offshore são denominadas Unidades Marítimas.

As instalações marítimas diferem das instalações utilizadas em terra em função da necessidade de equipamentos e técnicas especiais para a execução das atividades.

Os tipos de unidades marítimas podem ser plataformas fixas ou móveis (autoelevatórias e flutuantes) ou navios.

3.1.1 Plataforma Fixa

Tem sido preferida nos campos localizados em lâminas d’água de até 300 metros e são responsáveis por grande parte do petróleo produzido no mar.

É estrutura modular de aço que está instalada no local da operação através de estacas cravadas no fundo do mar.

Em função dos custos envolvidos no projeto, construção e instalação da plataforma, sua aplicação se restringe ao desenvolvimento de campos já conhecidos.

3.1.2 Plataformas Móveis

Auto-eleváveis

As plataformas auto-eleváveis são constituídas, basicamente, de uma balsa com estruturas de apoio, ou pernas, que acionadas mecânica ou hidraulicamente movimentam-se para baixo até se apoiarem no fundo do mar. São plataformas móveis, sendo transportadas através de propulsão própria ou por rebocadores.

Na sua movimentação de um local de operação para outro, as estruturas de apoio, ou pernas, são levantadas ficando a balsa flutuando no mar.

Ao chegarem ao local de operação, suas pernas são baixadas de forma que a plataforma fique acima do nível do mar e fora da ação das ondas.

Em função da sua característica construtiva, as condições do mar e do tempo influem muito na sua estabilidade, durante a movimentação e no seu posicionamento final no local de operação.

Estas plataformas são utilizadas com profundidade d’água variando de 5 a 130 metros.

Plataformas flutuantes

As plataformas flutuantes podem ser semi-submersíveis ou navios-sonda. As plataformas semi-submersíveis são compostas por estruturas metálicas apoiadas por colunas em flutuadores submersos. A estrutura pode ser composta por um ou mais conveses, onde estão as instalações operacionais da plataforma.

Os navios sonda foram adaptados para as atividades de exploração e produção de óleo.

Ambas unidades sofrem os efeitos das ações das ondas, correntes marinhas e ventos.

Em função disto, e, para a manutenção de seu posicionamento na locação com variação limitada de ângulo/posicionamento.

Plataforma tension leg

São plataformas com estrutura similar as semi-submersíveis, sendo que suas pernas principais são ancoradas no fundo do mar por meio de cabos tubulares.

4. CAUSAS DA POLUIÇÃO POR DERRAMAMENTO DE ÓLEO NO MAR

Habitualmente o tráfego marinho origina poluição, na maior parte dos casos com hidrocarbonetos, provocada tanto pelas descargas voluntárias de limpeza dos tanques dos navios, como pelos acidentes.

De acordo com Arroio (2003, p. 1):

Poluição marinha, conforme definida em convenções internacionais, é a introdução no meio marinho, pelo homem, de substâncias ou de energia, em qualidade e quantidade tais que tragam potencial de deteriorização dos recursos biológicos, da qualidade da água, das atividades marinhas (pesca, transporte, turismo e lagos) e da saúde humana.”

As principais fontes de lançamento de hidrocarbonetos no ambiente marinho são:

- Limpeza dos tanques dos navios;

- Exploração de poços de petróleo no mar;

- Acidentes com petroleiros;

- Refinarias e instalações petroquímicas;

- Arrastamento por águas das chuvas em áreas urbanas;

- Barcos recreativos e/ou de pesca.

5. COMPORTAMENTO DO ÓLEO NO MAR

O intemperismo do óleo, que consiste na combinação de processos físicos, químicos e biológicos, inicia-se imediatamente após o derrame e processa-se a taxas variáveis. Sua eficiência depende das condições da água do mar, como pH, temperatura, correntes e salinidade, do clima, tais como umidade e incidência de radiação solar, da presença de bactérias e materiais particulados suspensos na água, além das propriedades físico-químicas do óleo derramado, tais como composição química, estado físico, densidade, viscosidade, solubilidade, temperatura, teor de oxigênio. A taxa do processo não é constante, sendo mais efetiva nos primeiros períodos do derrame (CETESB, 2004).

As transformações sofridas pelo petróleo e seus refinados no ambiente afetam primeiramente as características físicas do produto (densidade, viscosidade, ponto de escoamento, solubilidade) sem alterações na natureza química dos componentes. Ocorrem, principalmente, os processos de espalhamento do produto derramado e evaporação dos componentes leves, seguidos da dissolução das frações solúveis, emulsificação decorrente do hidrodinamismo e sedimentação por aderência de partículas suspensas na coluna d’água (Silva, 2004).

Ocorrem também processos mais lentos, que alteram a natureza química dos componentes, como a oxidação química ou fotoquímica microbiana, que podem se estender de meses a anos atuando sobre o produto já envelhecido.

a) Espalhamento

Processo que consiste no movimento horizontal do óleo na superfície da água devido aos efeitos da volatilidade, força gravitacional, viscosidade e tensão superficial do óleo, inicia-se imediatamente após o derrame. Durante os primeiros estágios do derramamento, é o processo que mais afeta o comportamento do óleo, já que o mesmo tende a se espalhar como uma mancha única, aumentando sua área e diminuindo sua espessura, garantindo assim, maior transferência de massa por evaporação e dissolução, permitindo, desta forma, um incremento na eficiência dos demais processos.

As condições ambientais como vento e correntes agem diretamente no espalhamento da mancha, sendo que óleos menos viscosos se espalham com maior velocidade.

O conhecimento da espessura da mancha de óleo é fundamental na avaliação da eficiência de diferentes métodos de combate e limpeza de derramamentos e para estimativa de potenciais impactos no ambiente.

A observação deste fenômeno durante a efetivação do plano de contingência ajuda às operações de vigilância marítima através de aeronaves, encurtando tempo e economizando recursos.

b) Evaporação

Consiste no processo de perda para atmosfera dos compostos mais voláteis, ou seja, compostos com baixo ponto de ebulição. Este processo é de fundamental importância durante as primeiras 24 horas após o derramamento devido à transferência de massa.

A maior presença de compostos mais leves leva a uma maior evaporação. Entretanto, a evaporação desses compostos promove alterações na composição química do produto. Embora haja redução do volume derramado no decorrer deste processo, os compostos remanescentes tornam a mancha mais espessa por apresentarem altas viscosidade e densidade específica (Silva, 2004).

O grau de espalhamento também é um fator determinante, pois quanto maior a superfície de contato com o ar, maior será a evaporação. A taxa de evaporação é determinada, de uma forma geral, pelas propriedades físico-químicas do óleo (Souza, 2003). Fatores como agitação dos mares, grandes velocidades de vento e climas quentes também funcionam como aceleradores do processo de evaporação (Monteiro, 2003).

Primeiramente, ocorre a evaporação das porções mais leves e voláteis do óleo. Os compostos de maior peso molecular permanecem na mancha e continuam a sofrer o intemperismo. Dependendo da composição do produto, a evaporação pode ser responsável pela redução de mais da metade do volume da mancha. Óleos refinados como gasolina e querosene podem evaporar completamente em poucas horas (ITOPF, 2002).

c) Dispersão

Constitui-se em um dos mais importantes processos de intemperização durante os primeiros dias do derrame. Realiza a quebra da mancha de óleo em pequenas gotículas suspensas na coluna d’água facilitando o processo de biodegradação e sedimentação (ITOPF, 2002).

As gotículas pequenas permanecem em suspensão, enquanto que as maiores tendem a subir para a superfície, formando uma finíssima camada de óleo.

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