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Série

Circuito de Tecnologias Adaptadas para a Agricultura Familiar

5. AVE CAIPIRA

EMPARN Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte S.A.

Série

Circuito de Tecnologias Adaptadas para a Agricultura Familiar

5. AVE CAIPIRA

ISSN 1983-568X Ano 2008

SéRIE CIRCUITO DE TECNOLOGIAS ADAPTADAS PARA A AGRICULTURA FAMILIAR 5. AVE CAIPIRA

EXEMPLARES DESTA PUBLICAÇÃO PODEM SER ADQUIRIDOS EMPARN - Empresa de Pesquisa Agropecuária do RN UNIDADE DE DISPONIBILIZAÇÃO E APROPRIAÇÃO DE TECNOLOGIAS AV. JAGUARARI, 2192 - LAGOA NOVA 59062-500 - NATAL-RN w.emparn.rn.gov.br

LAYOUT E EDITORAÇÃO ELETRÔNICA LUCIANA RIU UBACH ( w.dupixel.com )

A923a

Pinto BarretoNatal: EMPARN, 2008.
31p.; i.l(Circuito de tecnologias adaptadas para a

Ave caipira/ José Flamarion de Oliveira et al; Revisado por Maria de Fátima agricultura familiar, 5)

1. Avicultura. 2. Galinha caipira criação . 3. Raças de galinha. 4. Aves manejo. 5. Aviário. 6. Alimentação - aves. I. Autor. I. Título.

RN/ EMATER/ BIBLIOTECA CDU 636.5

APRESENTAÇÃO07
1. INTRODUÇÃO09
2. RAÇAS DE GALINHAS09
3. MANEJO - Sistema semi-intensivo1
3.1. MANEJO DOS PINTOS12
3.2. MANEJO DAS AVES POEDEIRAS14
3.3. CUIDADOS COM OS NINHOS15
3.4. QUALIDADE DO OVO16
4. INSTALAÇÕES16
4.1 - AVIÁRIO16
4.2 ÁREA DE PASTEJO17
5. ALIMENTAÇÃO18
6. ANÁLISE ECONÔMICA DE MÓDULO DE PRODUÇÃO FAMILIAR2
6.1 MÓDULO PARA POSTURA2
6.2 MÓDULO PARA CORTE23
AVES CAIPIRA25
7.1 MÓDULO PARA POSTURA25
7.2 MÓDULO PARA CORTE28

7. CUSTO PARA IMPLANTAÇÃO DE MÓDULO FAMILIAR DE CRIAÇÃO DE 8. REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS ....................................................... 31

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A exploração de aves caipira é uma das atividades agropecuárias com perfil mais apropriado para os agricultores familiares do semi-árido. Além de enraizada na tradição cultural dos produtores da região, requer baixos investimentos, proporciona boa lucratividade, é ecologicamente correta e tem uma importância fundamental para a segurança alimentar das famílias rurais.

No final de 1996, a EMPARN instituiu o Programa Pró-Ave Caipira, como um instrumento para fortalecer a diversificação de atividades na agricultura familiar do Rio Grande do Norte, com tecnologia e rentabilidade.

Dentre as diversas tecnologias trabalhadas pela EMPARN no

Programa Fome Zero em 40 assentamentos do estado, a exploração de aves caipira foi aquela que alcançou os melhores índices de apropriação.

O “V Circuito de Tecnologias Adaptadas para a Agricultura

Familiar” de 2008, realizado pela EMPARN, EMATER-RN, Ministério do Desenvolvimento Agrário e Ministério da Ciência e Tecnologia, se insere na categoria de eventos que procuram sensibilizar os produtores com vistas a incrementar a apropriação das tecnologias disponíveis.

Na presente publicação foram organizadas informações relativas ao manejo, raças, instalações, alimentação e análise financeira para sistemas de aves caipira, com vistas ao fortalecimento da atividade e estruturação de melhores condições para produzir de forma lucrativa e sustentável.

Henrique Eufrásio de Santana JúniorLuiz Cláudio de Souza Macedo

Diretor Presidente da EMPARN Diretor Geral da Emater-RN

Tecnologias que alimentam os Potiguares

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1. INTRODUÇÃO

No final de 1996, a EMPARN instituiu o Pró-Ave Caipira, como um instrumento para fazer renascer e incentivar a avicultura caipira com tecnologia e rentabilidade, visando a diversificação das atividades produtivas na pequena propriedade, gerar um suporte de renda e melhorar o nível nutricional das famílias rurais.

A criação de ave caipira é uma atividade simples. Com a introdução de novas técnicas de manejo já disponíveis e viáveis ao pequeno produtor, esta atividade garantirá, além da sua sobrevivência, alguma renda para a sua família mediante a comercialização dos produtos: carne e ovos.

No contexto atual em que se enfatiza a produção de alimentos saudáveis e naturais, a criação de ave caipira desponta como uma atividade rentável, devido ao valor dos alimentos produzidos sem agredir o meio ambiente, sem causar sofrimento às aves, sem utilização de produtos químicos na sua criação.

Dentro deste enfoque, a criação de ave caipira tem seu lugar de destaque no cenário da produção familiar.

Existem mais de 120 raças de galinha. Dentre essas, as mais encontradas são as vermelhas, as carijós e as pretas. A mais comum, no entanto, é a galinha caipira que, na verdade não tem raça definida, sendo o resultado de uma mistura de várias raças, ocorrida ao acaso, sem nenhum critério técnico ou algum tipo

2. RAÇAS DE GALINHAS

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. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .V Circuito de Tecnologias Adaptadas para a Agricultura Familiar 10 de orientação zootécnica.

A EMPARN, contando com o apoio da Embrapa Suínos e

Aves, analisando as linhagens de galinha disponíveis no mercado e considerando a rusticidade, resistência, ampla adaptação a diferentes condições ambientais e capacidade produtiva de carne e ovos, escolheu a linhagem ISA Label S757N para o desenvolvimento do Pró-Ave Caipira.

Após dois anos trabalhando com a Isa Label, a EMPARN introduziu as raças Paraíso Pedrês e Embrapa 051, para diversificar a criação de aves caipiras no estado (Quadro 1).

Quadro1 - Principais características das aves.

Isa Label

Características

S757 N

Embrapa 051 Paraiso

Pedrez

Aptidão corte/postura postura carne Peso (Kg) Macho2,4 a 2,82,3 A 2,52,8 a 3,5 Fêmea2,0 a 2,21,5 a 2,02,2 a 2,5 Idade p/ corte a partir de (dias)120150110 Produção de ovos: Início da produção comercial (semanas)2121 Idade a 50% de postura (semanas)2323 Idade no pico da produção (semanas)2828 Produção média (21 a 80 semanas)60 a 65%67 a 71% Cor dos ovosCastanha ClaroCastanhas

Figura 1 - Paraíso PedrêsFigura 2 - Isa LabelFigura 3 - Embrapa 51

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A EMPARN recomenda para a agricultura familiar o sistema de criação semi-intensivo.

É um sistema em que se tenta dar às aves um certo grau de liberdade deixando-as passar parte do tempo no aviário, onde ficam os comedouros, bebedouros e ninhos, mas também lhes dando a opção de caminhar e ciscar em área livre, de pastejo. À noite, as aves são recolhidas ao aviário, onde ficam protegidas das intempéries e da ação de predadores

As aves são alimentadas com ração à base de milho complementada com concentrados específicos, variando as quantidades em função da finalidade da criação. Devem ser ofertados também alimentos alternativos que podem ser encontrados com facilidade e a um custo mínimo na propriedade. Essa alimentação pode ser composta de capins, folhas verdes, feno de maniva de mandioca e leucena. Sementes em geral, insetos, minhocas, refugos de frutas, restos de culturas e colheitas, etc. As aves devem ser vacinadas regularmente contra as doenças mais comuns, como Bouba, New Casttle, Coriza e Marek. Sempre que contraírem algum tipo de doença, devem ser imediatamente medicadas. É muito importante preservar a saúde das aves para assegurar a boa lucratividade da criação.

Recomendações para sistema semi-intensivo - A população de pintos de um dia deve ser constituída de machos e fêmeas em proporções adequadas. Os pintos permanecerão confinados por três a quatro semanas; - Manter separados lotes de idades diferentes;

3. MANEJO - Sistema semi-intensivo

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- Usar como cama do aviário: Raspa de madeira, palha de milho, capim elefante seco e triturado, casca de arroz, etc.;

- Reservar área livre para pastejo e recreação. Nessa área deve ser ofertada forragem verde, preferencialmente, gramíneas. Pode ser capim ou forragem de milho produzida em canteiros isolados, arrancado-se as plantas aos quinze dias da emergência, sugerindose jogá-las nas áreas livres em quantidades equivalentes a 20% do consumo de ração em matéria seca;

- Bebedouros e comedouros automáticos na razão de um para cada 50 aves.

À medida que as aves forem crescendo, esta relação deverá ser de um para cada 40 aves.

3.1. MANEJO DOS PINTOS Nos primeiros dias de vida, os pintinhos necessitam de aquecimento para regular a temperatura corporal, principalmente durante o período chuvoso, quando as temperaturas são mais baixas.

O comportamento das aves (Figuras 4, 5, 6 e 7) é que determina a necessidade de controlar a temperatura.

Figura 4 - Pintos amontoados debaixo da campânula (frio)

Figura 5 - Pintos afastados da campânula (calor)

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Figura 6 - Pintos agrupados num só lado do círculo (corrente de ar)

Figura 7 - Pintos distribuídos em todos os espaços do círculo (temperatura ideal)

O círculo de proteção tem a finalidade de proteger os pintinhos contra correntes de ar, ajudando na manutenção da temperatura ideal para as aves no início do desenvolvimento, além de evitar que fiquem dispersos e não encontrem o alimento e a água. O seu diâmetro depende do número de aves a serem alojadas. Recomenda-se uma população de 70 pintos para cada m2 do círculo, com uma altura de 40 a 60 cm, não devendo ultrapassar 500 aves por círculo. Na sua confecção, podem ser usadas chapas de eucatex, duratex, compensado, ou mesmo papelão, zinco, etc.

A altura da campânula em relação aos pintinhos é de aproximadamente 60cm.

Os equipamentos no interior do círculo de proteção devem ficar dispostos de maneira alternada (Figura 8).

Figura 8 - Círculo de proteção para 500 pintos (3,0m de diâmetro)

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oferecer água contendo 5% de açúcarDeve-se molhar o bico

Logo após a chegada dos pintinhos ao aviário, é importante de alguns deles para que sirva de orientação da fonte de água para os demais. A ração deverá ser oferecida uma hora após a bebida.

3.2. MANEJO DAS AVES POEDEIRAS As aves destinadas à produção de ovos deverão passar por um processo de seleção com o objetivo de eliminar as aves que apresentam desenvolvimento abaixo do normal, bem como as improdutivas, que podem ser identificadas através de algumas características externas:

A) Forma da cloaca: A cloaca será alargada, de forma oval, sem pigmentação e úmida nas aves em postura e estreita, de forma arredondada, amarela e seca naquelas fora de produção.

B) Distância entre os ossos pélvicos: Os ossos pélvicos são dois ossinhos em forma de gancho, que podem ser sentidos quando se toca a parte traseira de uma ave. Quando a distância entre eles é igual a dois ou mais dedos juntos, a ave está em postura. Quando entre eles, cabe apenas um, a ave está fora de produção.

C) Crista abdominal: As aves em postura apresentam pouca gordura abdominal, sendo a pele do abdômen elástica e maleável. As aves fora de produção, têm muita gordura abdominal e a pele endurecida e rígida.

D) Pigmentação do bica e das pernas: As aves em postura apresentam bico e pernas sem pigmentação. Já aquelas fora de produção, terão estas partes do corpo amareladas.

Eliminando-se as aves improdutivas, diminui-se os gastos com ração e aumenta-se os lucros da atividade.

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3.3. CUIDADOS COM OS NINHOS Os ninhos podem ser confeccionados de diferentes materiais.

Porém, os mais comuns são os de madeira, que devem ter 35 cm de altura, 35 cm de profundidade e 35 cm de largura para oferecer maior conforto à galinha no momento da postura.

Geralmente usa-se o sistema convencional de dois andares

(Figuras 9 e 10) para diminuir a ocupação de espaço nos galpões. A altura do primeiro andar não deve ultrapassar 30 cm, para facilitar o acesso das aves, evitando assim o aparecimento de ovos de cama. Deve-se guardar a proporção de um ninho para cada 4-5 aves.

Figuras 9 e 10 - Ninho rústico de dois andares, confeccionado em madeira.

Os ninhos devem ser forrados com material seco, absorvente e macio para evitar a quebra dos ovos no momento da postura. A cama deve ser reposta semanalmente para evitar o aparecimento de ovos sujos. Deve ser tratada, periodicamente, com algum produto que combata o piolho das aves (cafife).

Devem ser colocados no lugar menos iluminado dos galpões, pois os ninhos escuros criam um clima mais agradável para as poedeiras. Colocá-los entre a 15ª e a 18ª semana para que as frangas se acostumem com os mesmos, evitando a postura de ovos na cama. É importante que sejam fechados durante a

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. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .V Circuito de Tecnologias Adaptadas para a Agricultura Familiar 16 noite, para que as aves não durmam neles, sujando a cama e aumentando o índice de galinhas chocas.

3.4. QUALIDADE DO OVO Eis algumas recomendações para que a qualidade dos ovos seja mantida por mais tempo:

- Fazer várias coletas durante o dia, não deixando juntar ovos nos ninhos. Assim se diminui a quantidade de ovos sujos e/ou quebrados;

- Não deixar que as galinhas fiquem deitadas no ninho após a postura;

- Colocar os ovos nas bandejas com a parte fina voltada para baixo;

- Se possível, vender os ovos duas ou mais vezes por semana;

- Não guardar os ovos junto com produtos que soltam cheiro como querosene, tintas, solventes, cebola e frutas, pois o ovo absorve cheiro;

- Não lavar os ovos sujos, pois a água penetra através da casca, estragando-os. Limpe-os com uma esponja seca;

4.1 - AVIÁRIO O aviário é a peça fundamental de todo o sistema de criação, podendo ser construído em alvenaria ou com materiais rústicos (Figuras 1 e 12). Seu tamanho dependerá da quantidade de aves que o produtor pretende criar. Para aves poedeiras, a lotação sugerida é de 4 a 6 aves/m2; no caso de aves de corte, esta relação

4. INSTALAÇÕES

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .V Circuito de Tecnologias Adaptadas para a Agricultura Familiar pode ser aumentada para 6 a 8 aves/m2.

Deve ser construído com o telhado em duas águas e nunca com uma largura superior a 10 metros. A declividade do teto precisa ser de no mínimo 25%. É necessário que o teto seja bem feito, para evitar que a chuva caia dentro do aviário, molhando a cama e a ração das aves, ou que o sol esquente a água nos bebedouros.

As instalações também podem ser rústicas, utilizando-se materiais que podem ser obtidos no próprio sitio do produtor, como varas, varões, forquilhas etc. O piso deve ser cimentado para permitir a lavagem e desinfecção do galpão após a retirada dos lotes.

4.2 ÁREA DE PASTEJO Cada aviário é conjugado com uma área livre para pastejo

(Figura 13) e caminhamento, que precisa ter dimensões suficientes para oferecer de 1 a 2m2 para cada ave. A construção fica a critério do produtor. Pode ser de tela, de cerca de varas trançadas em pé ou com arame trançado. É importante que haja sombreamento para as aves ficarem ao abrigo do sol e para se colocar as rações alternativas. Esse sombreamento pode ser com árvores frutíferas ou mesmo com pequenas latadas.

Figura 1 - Aviário em alvenaria Figura 12 - Aviário em alvenaria com divisória

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