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Colecçªo

O Gestor `rea da Produçªo

CADERNO N.º 3 - GESTÃO DA MANUTENÇÃO Julho de 1994

1.Missªo e Objecto 2.Objectivos da Manutençªo 3.Importância da Manutençªo 4.Manutençªo e Qualidade 5.Manutençªo e Ambiente 6.Manutençªo e Poupança EnergØtica 7.Manutençªo e Higiene, Saœde e Segurança

1. Evoluçªo histórica 2.Formas de Manutençªo 3.Comportamento dos Materiais 4.Padrıes de Avaria 5.Manutençªo e Processo Produtivo 6.Níveis de Manutençªo 7. Fiabilidade 8. Mantenibilidade 9. Disponibilidade

1. Introduçªo 2.Participaçªo de Avarias 3.Diagnóstico e Reparaçªo da Avaria 4. Registos Históricos

1. Introduçªo 2.Desenvolvimento do Programa de Manutençªo 3.Tarefas de Manutençªo Preventiva

1. Introduçªo 2.TØcnicas de Manutençªo Predictiva 3.Programa de Manutençªo Predictiva

1.A Posiçªo da Manutençªo na Empresa 2.Factores que determinam a Organizaçªo da Manutençªo 3.Organizaçªo por Operaçıes 4.Organizaçªo por Zona 5.Organizaçªo por Oficinas 6.Funçıes da Manutençªo

1.Quadro de Pessoal 2. Chefias 3. Formaçªo

1. Instalaçıes 2.Materiais e Produtos 3.Ferramentas e Equipamentos 4. Transportes

1. Introduçªo 2.O Processo de Planeamento em Manutençªo 3.Planificaçªo de Manutençªo 4.Planeamento de Manutençªo. Ordens de Trabalho 5.Preparaçªo e Lançamento de Trabalhos 6.Controlo de Manutençªo. Registos de Manutençªo

1.Engenharia e Qualidade em Manutençªo 2.A Manutençªo Começa na Compra 3.A Documentaçªo TØcnica

1.EstratØgia de Empresa e EstratØgia de Manutençªo 2.Objectivos da Manutençªo 3.Política de Manutençªo

1. Introduçªo 2.Resultados Económicos da Manutençªo 3.Proveitos de Manutençªo 4.Custos de Nªo-Manutençªo 5.Custos de Manutençªo 6.Custo por Ciclo de Vida

CAPÍTULO XIII - CONTROLO DE GESTÃO DA MANUTENÇÃO 1. Indicadores de Gestªo 2.Quadro de Bordo

1. Introduçªo 2.A Decisªo de Subcontratar 3.O Que Pode Ser Subcontratado 4.Contratos de Manutençªo 5.Selecçªo dos Subcontratantes 6.Administraçªo dos Contratos

1. Introduçªo 2.O Uso de Computadores em Manutençªo 3.Definiçªo das Necessidades de Informaçªo 4.Selecçªo de um Sistema de Informaçªo para Gestªo da Manutençªo

A organizaçªo científica do trabalho tem por base, como todos sabemos, a distribuiçªo de funçıes (tarefas) e o estabelecimento dos respectivos interfaces por forma a se assegurarem os padrıes de produtividade, economia e sucesso pretendidos.

O eco desta atitude organizacional ao nível da gestªo das grandes (e muitas mØdias) empresas industriais fez desenvolver as tØcnicas de gestªo por disciplinas, criando reflexos culturais e psicológicos conducentes à especializaçªo por Æreas bem definidas. Como todos sabemos, neste tipo de empresas, a estrutura orgânica (conjunto dos órgªos da empresa) funciona em sobreposiçªo com a estrutura funcional, ou seja, a produçªo Ø um departamento e tem um responsÆvel que a gere, os aprovisionamentos a mesma coisa, a manutençªo tambØm e o mesmo se passa com outras Æreas próximas ou afastadas da produçªo industrial.

Este tipo de estrutura sistØmica nªo Ø, necessariamente, aplicÆvel à maioria das PME industriais e, ao contrÆrio do que muitos pensam, nªo o Ø apenas por impossibilidade económica de suportar os encargos inerentes a tªo elevado nœmero de gestores, mas sim porque tal nªo Ø adequado à própria cultura das PME. Na verdade a sua dimensªo nªo ocuparia, em tempo, esses responsÆveis e isso Ø tanto mais real quanto mais elevado for o nível tecnológico da empresa e dos meios tØcnicos de apoio de que dispıe. A contrapartida desta realidade reside na necessidade que existe de que os gestores da PME tenham competŒncia alargada, abrangendo Æreas com afinidade.

Esta realidade Ø, afinal, muita antiga: hoje consciencializa-se melhor e faz-nos meditar e rever a crítica algo depreciativa tanta vez feita ao "antigo patrªo" da pequena indœstria que desempenhava ele próprio as funçıes de director da produçªo, da manutençªo, dos aprovisionamentos, da qualidade, do pessoal, das vendas, e atØ da tesouraria, deixando o resto ao chefe do escritório e a alguns encarregados.

Hoje, perante um mercado bastante mais competitivo e uma tecnologia muito mais avançada, existem meios de apoio à gestªo mais eficazes e um nível cultural mais elevado por parte dos empresÆrios e dos seus quadros, permitindo-lhes agir num espectro bastante mais amplo, sem prejuízo da qualidade ou profundidade com que os assuntos sªo tratados. Diríamos mesmo que esta polivalŒncia aplicada sobre a pluridisciplinaridade da Ærea produtiva atØ veio facilitar as actividades de coordenaçªo e permitir a realizaçªo, quase intuitiva, de uma gestªo integrada.

A Colecção de CADERNOS de que o presente faz parte visa responder em simultâneo a duas questıes aparentemente antagónicas:

•Por um lado abordar com suficiente profundidade tØcnica as disciplinas que em conceito "latu" constituem a Ærea da Produção de uma Empresa Industrial, de qualquer dimensªo;

•Por outro realçar as interactividades integrantes dos respectivos sistemas, que nas

PME industriais assumem importância decisiva para quem tem por funçªo geri-las de forma eficaz.

A presente colecçªo tem tudo isto em conta e, sem confundir matØrias e tØcnicas (que de facto sªo distintas), procura fornecer aos gestores da Ærea produtiva das PME industriais de hoje uma "ferramenta" de trabalho para os ajudar na resoluçªo dos problemas do seu quotidiano.

Os CADERNOS que constituem esta COLECO tŒm, individualmente, o seu interesse específico, mas, pelas razıes jÆ expostas, Ø no seu conjunto que eles vªo constituir o apoio desejado para os gestores industriais das PME.

Trata-se de uma obra do Instituto de Apoio às Pequenas e MØdias Empresas e ao Investimento - IAPMEI - que contou, para a executar, com colaboraçªo de uma equipa de consultores tØcnicos coordenados pela IBER, Projectos e Consultoria de Gestªo e Organizaçªo, L.da.. É constituída pelos seguintes CADERNOS:

CADERNO N.” 1 - GESTO DA PRODUO NAS PME

CADERNO N.” 2 - GESTO DOS APROVISIONAMENTOS CADERNO N.” 3 - GESTO DA MANUTEN˙ˆO CADERNO N.” 4 - GESTO DA QUALIDADE CADERNO N.” 5 - SEGURANA INDUSTRIAL CADERNO N.” 6 - A ENERGIA NAS PME INDUSTRIAIS CADERNO N.” 7 - MEIO AMBIENTE E IMPACTE AMBIENTAL

CADERNO N.” 8 - GESTO DE TRANSPORTES

O conjunto destes Cadernos constitui um verdadeiro MANUAL DO GESTOR DA

PRODUÇÃO NAS PME. A execuçªo desta COLECO foi precedida de um inquØrito baseado em entrevistas suportadas por questionÆrios elaborados pelos diferentes autores, visando conhecer em profundidade o universo das PME industriais portuguesas.

Esse estudo teve a colaboraçªo da ESEO, Estudos de Mercado, L.da. e serviu de base à objectivaçªo da matØria exposta. Alguns dos autores fazem referŒncia directa aos resultados obtidos, para os quais se chama a atençªo do leitor, permitindo-lhe conhecer (um pouco) aquilo que vulgarmente se designa por "estado da arte".

1.MISSÃO E OBJECTO

Todos os equipamentos, sistemas e instalaçıes, sejam eles mecânicos, elØctricos, electrónicos, hidrÆulicos ou pneumÆticos, estªo sujeitos a ver degradadas as suas condiçıes normais de operacionalidade, com o decorrer do tempo, em consequŒncia do uso e atØ por causas fortuitas. É missªo da Manutençªo repor essa operacionalidade em níveis correctos.

Para cumprir a sua missªo, a Manutençªo recorre a um conjunto diversificado de tarefas seleccionadas e programadas de acordo com as características e utilizaçªo do seu objecto e os padrıes de serviço que lhe foram fixados. Essas tarefas sªo, por exemplo, a lubrificaçªo, a limpeza, o ensaio, a reparaçªo, a substituiçªo, a modificaçªo, a inspecçªo, a calibraçªo, a revisªo geral ou o controlo de condiçªo.

Em termos temporais, a tendŒncia Ø no sentido de a acçªo da Manutençªo se exercer nªo apenas durante a fase de operaçªo do seu objecto, mas ao longo de todo o seu ciclo de vida, desde a concepçªo ou especificaçªo, atØ ao seu abate ou desactivaçªo.

Podem ser objecto de acçªo da Manutençªo nªo só as mÆquinas e equipamentos industriais, mas tambØm ferramentas especiais, equipamentos de ensaio, instalaçıes de energia, gases e fluidos, redes de comunicaçıes, veículos, edifícios e logradouros, etc. Numa perspectiva mais alargada, a Manutençªo pode incluir funçıes de limpeza e segurança.

2.OBJECTIVOS DA MANUTENÇÃO

A Manutençªo tem de estar subordinada a objectivos claramente definidos e coerentes com os objectivos globais da empresa. De facto, a acçªo da Manutençªo pode desenvolver-se segundo linhas de força divergentes, para as quais Ø essencial determinar a resultante que melhor serve os interesses do negócio:

-Segurança: a segurança (das pessoas, dos equipamentos, da comunidade, dos utentes) deve ser uma referŒncia omnipresente e inegociÆvel.

-Qualidade: um dos objectivos da Manutençªo Ø conseguir o melhor rendimentos das mÆquinas, um mínimo de defeitos de produçªo, melhores condiçıes de higiene, melhor tratamento do ambiente.

-Custo: a Manutençªo procura as soluçıes que minimizem os custos globais do produto considerando, portanto, a par dos custos próprios de produçªo, os custos provocados pela manutençªo ou pela nªo-manutençªo.

-Disponibilidade: pretende-se da Manutençªo que disponibilize os equipamentos para operaçªo o mÆximo de tempo possível, reduzindo ao mínimo possível tanto as imobilizaçıes programadas como as paragens por avaria e contribuindo, assim, para assegurar a regularidade da produçªo e o cumprimento dos prazos planeados.

É, obviamente, impossível optimizar todos estes factores em simultâneo. É responsabilidade da gestªo da Manutençªo encontrar o compromisso mais satisfatório compatível com os objectivos da empresa e pautar por ele as suas decisıes futuras.

Se se quisesse exprimir agora, de um forma mais completa, a missªo da Manutençªo, poderíamos dizer que a Manutençªo Ø um conjunto integrado de actividades que se desenvolve em todo o ciclo de vida de um equipamento, sistema ou instalação e que visa manter ou repor a sua operacionalidade nas melhores condições de qualidade, custo e disponibilidade, com total segurança.

3. IMPORTÂNCIA DA MANUTENÇÃO

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